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domingo, 3 de setembro de 2023

Na «Saudosa Catedral» (enquanto se desespera pelo próximo jogo)

domingo, 3 de setembro de 2023 1 Comentários

ALÉM DO BOM FUTEBOL OBTINHAM-SE EXCELENTES FOTOGRAFIAS. ROLAND DE OLIVEIRA ASSIM O DIZIA.



Equipa de uma modalidade há muito extinta, o Cicloturismo. Fotografia de 1 de Dezembro de 1956, no segundo aniversário do Estádio, obtida do topo da Bancada Central.

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quarta-feira, 15 de julho de 2020

Lembro-me Logo Dele

quarta-feira, 15 de julho de 2020 5 Comentários
QUANDO VEJO A IMAGEM DESTE ELÉCTRICO ANDO SEMPRE À PROCURA DE FRANCISCO LÁZARO.


Há 108 anos, em 15 de Julho de 1912 morreu, aos 31 anos e nove meses, em Estocolmo, Francisco Lázaro, pelas 6:20 horas, depois de ter corrido a Maratona Olímpica no dia anterior. O eléctrico é simbólico pois ele treinava tentando ultrapassar os eléctricos, sucessivamente procurando sempre o que ia mais à frente, de manhã entre Benfica (vivia no Casal do Tojal) e o Bairro Alto, onde trabalhava. Ao final do dia corria no sentido inverso. Era a carreira n.º 1.



Com a morte de um campeão, Portugal ficou traumatizado. Só voltariam a realizar-se maratonas nacionais 14 anos depois, em 1936.

A filha que nasceu órfã
Quatro meses depois de Lázaro falecer e dois meses depois dos restos mortais serem sepultados em Benfica, nasceu a sua filha, a que chamaram Francisca. Em 1968, com 56 anos, vivia desde 1956, com o marido e um filho (neto de Lázaro), bem como com a sua mãe Sofia, viúva de Lázaro, em Lourenço Marques (actual Maputo), capital da província ultramarina de Moçambique. D. Sofia se tivesse a idade do marido, em 1968, teria 79 anos. Em 9 de Setembro de 1968 deram uma entrevista, publicada no jornal “O Benfica” que interessa reproduzir um excerto.

D. Sofia pronuncia-se:
«O meu marido era operário. Treinava-se quando ia para o trabalho, correndo ao lado dos eléctricos, de Benfica ao Bairro Alto. À nossa despedida (26 de Junho de 1912) eu chorei muito, apesar de ele se mostrar muito animado e contente, garantindo-me que: venceria ou morreria. E dizia-me muitas vezes que gostaria que o filho que esperávamos fosse uma menina, pois, se saísse rapaz e não gostasse de desporto, seria um desgosto enorme e, no caso de vir uma menina, então levá-la-ia com ele para ficar a ver.»


ESTOCOLMO


Entre 01:01 e 01:06, as derradeiras imagens do malogrado Francisco Lázaro. A poucos minutos de falecer. A muitos dias - mais de dois meses - de chegar a Portugal.





Os relógios suecos, em 14 de Julho de 1912, estavam nas 15 horas e 42 minutos quando, após cambalear, e algumas quedas, com o maratonista em evidente dificuldade, Lázaro caiu na estrada, próximo do quilómetro 32 (a oito da meta instalada na pista do estádio Olímpico). No relatório médico regista-se o seguinte: «pouco depois dos 30 quilómetros, na subida da colina de Ofver-Jarfva, o atleta português Francisco Lázaro começou a vacilar. Caía, levantava-se e corria mais um pouco, voltava a cair, tendo feito isto uma série de vezes, até que caiu e ficou estendido no chão inanimado. De imediato o médico, dr. Torell, que se encontrava no local, tomou conta dele. Uns minutos depois o dr. Lijenroth, que estava de serviço no posto médico de Silfverdal (aos 10 e 30 km), seguido pelo dr. Fries, tentaram reanimá-lo, mas sem sucesso e o caso foi imediatamente relatado telefonicamente para o Estádio. Uma vez que todos os esforços para o reanimar se mostraram infrutíferos, foi enviado para o Royal Seraphim Hospital acompanhado pelo dr. Fries. Chegou ainda inconsciente, cerca das 17.30 horas, e quase de imediato sofreu um violento ataque de cãibras e convulsões em todo o corpo, começando a delirar, com uma temperatura corporal de 41.2 graus C. Os sintomas apontavam para insolação.» À meia-noite reagiu ao tratamento com injecções de água salgada, mexendo as mãos quando pronunciavam o seu nome. Depois, com movimentos desconexos, entrou em delírio. Às 6 horas e 20 minutos foi dado como morto.


A última fotografia tirada a Francisco Lázaro (n.º 56), poucos minutos antes de desfalecer em Estocolmo, há 108 anos

As causas do óbito
A autópsia do cadáver do malogrado Benfiquista foi executada pelo dr. F. Henchen que atribuiu a morte a um «desequilíbrio hidro-electrolítico irreversível» (desidratação extrema). A autópsia revelou, igualmente, lesões num órgão vital como o fígado que ficou «completamente mirrado, do tamanho de um punho fechado e rijo, de tal forma que só se conseguia partir a escopro, como se fosse uma pedra.»

PORTUGAL
O funeral em 24 de Setembro de 1912, à passagem pelo Rossio

Foi difícil regressar de Estocolmo. Mais de dois meses. 24 de Setembro de 1912. "Não havia dinheiro". Portugal e as suas vicissitudes. Ainda é assim! Nunca há dinheiro para aquilo que devia de haver sempre dinheiro. Respeito!

Carta topográfica de Lisboa (1911): Casal do Tojal; Cemitério de Benfica; Curiosidade - 1: local onde o Benfica instalou o «Lar do Jogador» quando Otto Glória chegou ao Benfica (1954/55) 

Está sepultado (Mausoléu no cemitério de Benfica) a menos de 50 metros do local onde nasceu e viveu (Casal do Tojal). O Destino marcou-lhe a hora e o sítio.




Clubes
Velo Club de Lisboa (até 1910)
Sport Lisboa e Benfica (1911)
Lisboa Sporting Club (1912)



DATAS              Acontecimentos
10.Out.1889        Nascimento em Lisboa
03.Mai.1908       Vitória na 2.ª Maratona Nacional
 Junho  1910       Vitória na 4.ª Maratona Nacional
07.Mai.1911        Vitória no I Corta-Mato Nacional
18.Jun.1911        Vitória na 5.ª Maratona Nacional
09.Jul.1911         Vitória no Grande Prémio do Progresso
Ano de 1912        Vitória na 6.ª Maratona Nacional
14.Jul.1912         Maratona Olímpica em Estocolmo
15.Jul.1912         Falecimento na Suécia
23.Set.1912        Chegada a Portugal da urna
24.Set.1912        Funeral para o cemitério de Benfica


TRIUNFOS     
Ano  Prova                 Distância                   Tempo
1908 Maratona           24 km                 1 h 39’
1910  Maratona           42,8 km              2 h 57’
1911  Corta-Mato           5 km                       20’ 25’’
1911  Maratona           42,8 km              3 h 09’ 53’’
1911  GP Progresso     30 km                 2 h 10’
1912  Maratona           42,2 km              2 h 52’ 08’’

MELHORES MARCAS
Prova                                    Marca
Maratona (42,2 km)            2 h 52’ 08’’
Fundo (30 km)                     2 h 10’
Corta-Mato (5 km)                     20’ 25’’



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sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Lázaro: 104 Anos Depois

sexta-feira, 23 de setembro de 2016 1 Comentários
CORREU A MARATONA OLÍMPICA EM 14 DE JULHO. MORREU A 15. CHEGOU A LISBOA EM 23 DE SETEMBRO. FOI SEPULTADO A 24. HÁ 104 ANOS.



Foi difícil regressar de Estocolmo. Mais de dois meses. "Não havia dinheiro". Nunca há dinheiro para aquilo que devia de haver sempre dinheiro. Respeito!


Dois meses depois "já nem foi bem um funeral", foi mais uma manifestação de pesar e homenagem a um atleta que partira de Portugal para ganhar o "ouro olímpico" e chegou dentro de um caixão!




Em 1908, com 17 anos, triunfou na II Maratona portuguesa (embora na distância de 24 quilómetros). Primeira participação, primeira vitória. Individual e colectiva. A aura de campeão imbatível começou em 3 de Maio desse ano!


Em 1911 correu, venceu e brilhou com o "Manto Sagrado" por montes, vales e estradas. Invencível!



Em baixo, a maratona portuguesa da ilusão em ano olímpico. «Fez melhor tempo que o campeão olímpico de há quatro anos e...a subir na parte final a Calçada de Carriche!» Em 1912, aos 21 anos, já com a camisola do Lisboa Sporting Clube, emblema criado para lhe dar condições de chegar a Estocolmo e vencer.



A pouco mais de um mês da Maratona olímpica realizou-se a Maratona portuguesa. Duas maratonas em mês e meio. Em 1912. Estava-se mesmo a ver (em 1912 sabia-se lá...) que começava a "tempestade".




À partida para Estocolmo. De barco. No Terreiro do Paço junto ao Arsenal da Marinha. Seria de barco que chegaria ao mesmo local. Quase três meses depois da partida. Como os portugueses não tinham dinheiro para o ir buscar, foi a Casa Real da Suécia a fazer deslocar para Lisboa o corpo de Lázaro. 


O segundo, em baixo, a contar da esquerda

Foi ele que empunhou a nova bandeira republicana de Portugal escolhida em 1911 - pela primeira vez exibida num cerimonial - no desfile de abertura dos Jogos Olímpicos de Estocolmo. Era ele a maior esperança de Portugal conseguir ter um Campeão Olímpico. Logo nos quintos Jogos da Era Moderna.


Uma imagem feliz, "descoberta" (uma agulha num palheiro) por Victor João Carocha, com Francisco Lázaro como porta-bandeira no início dos V Jogos Olímpicos em Estocolmo 

Na Suécia com respeito colocaram o corpo numa igreja católica em Estocolmo (e não devia haver muitas na capital sueca). Mas o tempo foi passando e  os portugueses sem darem sinal. Esqueceram-se!? Os suecos embarcaram a urna no "Vendysset" e rumaram a Lisboa.




À saída do estádio Olímpico onde já não regressaria para concluir a Maratona.


A camisola do Lisboa Sporting Clube com que correu duas Maratonas. Na primeira em Portugal foi o n.º 4 chegando em primeiro. Em Estocolmo não chegou ao final, mas teve o seu fim.



Até agora inédito (pelo menos nunca vi referência a este momento em lado algum) eis as últimas imagens de Francisco Lázaro com vida. São cinco segundos. E dá a sensação que já foi no percurso de regresso (a Maratona em Estocolmo foram duas meias-maratonas em sentido inverso). Este blogue abordou o assunto aquando do centenário da sua morte (clicar). Ele faleceu a oito do final, ou seja, a cerca de uma dúzia de quilómetros depois da "viragem".



Entre 01:01 e 01:06, as derradeiras imagens do malogrado Francisco Lázaro. A poucos minutos de falecer. A muitos dias - mais de dois meses - de chegar a Portugal.




Aquela que se pensava ser a ultima imagem de Francisco Lázaro (em baixo, ao centro na frente) deixou de ser, pois deve tratar-se ainda da fase inicial visto os maratonistas estarem ainda muito agrupados. O filme mostra o atleta em corrida já depois de realizado metade do percurso.


Eis um filme "produzido" pelo Clube! Francisco Lázaro não era "atleta benfiquista" quando desfaleceu na Maratona e perdeu a vida. Não é necessário querer ser o que não se é! O clube do malogrado maratonista.


Isto não é verdade! (ver NOTA FINAL)
Francisco Lázaro foi atleta do Velo Club Lisboa até 1910. Em 1911 foi atleta do Sport Lisboa e Benfica. Em 1912 passou para um clube da Cruz da Pedra (localidade junto ao actual Jardim Zoológico em Sete Rios), o Lisboa Sporting Clube. Quando faleceu era atleta desse clube.

Com os Jogos Olímpicos à porta, D. José de Mascarenhas, e excêntrico Marquês de Fronteira, que com Lázaro correra no Velo Clube de Lisboa, prometeu-lhe: «Vou dar-te condições de preparação, de higiene de vida e de alimentação que possam fazer de ti campeão olímpico...»Exigiu-lhe, apenas que deixasse o Benfica, passasse a correr pelo clube que criara para si: Lisboa Sporting Clube - e ele disse-lhe que sim. Foi já com a nova camisola Lisboa Sporting Clube que, a 1 de Abril de 1912, se lançou ao ataque do recorde mundial da meia-hora de Jean Bouin. Não o bateu, mas deixou Lisboa em euforia. E ainda mais quando, a um mês do início dos Jogos de Estocolmo, correu a Maratona Nacional em 2.52.08 horas, o segundo classificado só chegou 15 minutos depois. Em Londres, nos Jogos Olímpicos de 1908, o vencedor Johnny Hayes, estabeleceu um novo recorde olímpico com 2.55.18,4 horas. Mais três minutos que Francisco Lázaro.




O Benfica foi dos clubes que mais se preocuparam com a longa estadia do féretro em Estocolmo e depois, através da persistência de Cosme Damião, com a angariação de fundos para a construção do mausoléu para a «última morada» ao seu antigo atleta. Francisco Lázaro que honrou, em 1911, para sempre o "Manto Sagrado". O "Glorioso" soube estar ao seu nível mesmo para com um atleta que já não defendia o nosso emblema. À Benfica!





Relembrar estas grandes figuras do "Glorioso", é «Honrar os Ases Que nos Honraram o Passado»

Alberto Miguéns

NOTA FINAL: É mentira! Embora...tenha alterado para "não é verdade" para não ferir susceptibilidades de alguns leitores deste blogue!
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domingo, 15 de julho de 2012

Há 100 ANOS (10)

domingo, 15 de julho de 2012 0 Comentários

HOMENAGEM


Antiga travessa do Borralho em Lisboa, numa homenagem ao infortunado Francisco Lázaro (1891 - 1912)



Eterno Lázaro!   

Com a morte de um campeão, Portugal ficou traumatizado. Só voltariam a realizar-se maratonas nacionais 14 anos depois, em 1936.


A filha que nasceu órfã
Quatro meses depois de Lázaro falecer e dois meses depois dos restos mortais serem sepultados em Benfica, nasceu a sua filha, a que chamaram Francisca. Em 1968, com 56 anos, vivia desde 1956, com o marido e um filho (neto de Lázaro), bem como com a sua mãe Sofia, viúva de Lázaro, em Lourenço Marques (actual Maputo), capital da província ultramarina de Moçambique. D. Sofia se tivesse a idade do marido, em 1968, teria 76 anos. Em 9 de Setembro de 1968 deram uma entrevista, publicada no jornal “O Benfica” que interessa reproduzir.

D. Sofia pronuncia-se:
«O meu marido era operário. Treinava-se quando ia para o trabalho, correndo ao lado dos eléctricos do Chora, de Benfica ao Bairro Alto. À nossa despedida (26 de Junho de 1912) eu chorei muito, apesar de ele se mostrar muito animado e contente, garantindo-me que: venceria ou morreria. E dizia-me muitas vezes que gostaria que o filho que esperávamos fosse uma menina, pois, se saísse rapaz e não gostasse de desporto, seria um desgosto enorme e, no caso de vir uma menina, então levá-la-ia com ele para ficar a ver.»

D. Francisca pronuncia-se:
«A figura do meu pai, apesar de ser operário, despertou muita atenção na Suécia. Segundo dizem, era um rapaz com boa apresentação e o seu falecimento causou geral consternação. A família real da Suécia ficou muito chocada e o príncipe herdeiro, actual rei, tratou de indagar em que condições ficava a família do morto. Impressionado, tratou de organizar um festival desportivo que devia ter a maior importância e cujo produto se destinava a ser entregue à nossa família. Em seguida um barco da marinha de guerra sueca propositadamente, veio a Lisboa trazer o féretro e mandaram-nos uma latinha de terra colhida no local onde meu pai faleceu, assim como uma fotografia da igreja onde esteve o corpo depositado. O produto do festival foi depositado e os juros passaram a ser divididos em três partes – uma para a minha avó (mãe de Lázaro), outra para a minha mãe e outra para mim, dinheiro esse que semanalmente recebíamos no consulado da Suécia em Lisboa. Quando atingi a maioridade entregaram-me o depósito que constituía uma espécie de dote. Nunca deixou toda a família real de manter contacto connosco e nós procedíamos e procedemos ainda hoje (1968) considerando essa amizade como qualquer coisa de admirável que nos toca muito fundo, nos sensibiliza e honra. Ainda outra recordação: no primeiro aniversário da morte (1913) enviaram-nos coroa para que em Lisboa houvesse sobre o túmulo de meu pai as flores da casa real. Acredite, ficámos de tal modo sensibilizados, que durante muito tempo, até mesmo depois de casada, andei a pensar em ir viver para lá. E tenho a certeza de que se o tivesse feito não me teria arrependido, pois a família real haveria de me ajudar!»…

Francisco Lázaro com 21 anos foi vítima do infortúnio, e apesar de quando faleceu já não ser atleta do “Glorioso”, ainda estavam bem presentes na memória dos benfiquistas, as suas valorosas qualidades desportivas e a humildade de uma vida simples.

DATAS              Acontecimentos
08.Jane.1891      Nascimento em Lisboa
03.Mai.1908       Vitória na 2.ª Maratona Nacional
 Junho  1910       Vitória na 4.ª Maratona Nacional
07.Mai.1911        Vitória no I Corta-Mato Nacional
18.Junh.1911       Vitória na 5.ª Maratona Nacional
09.Julh.1911       Vitória no Grande Prémio do Progresso
Ano de 1912        Vitória na 6.ª Maratona Nacional
14.Julh.1912       Maratona Olímpica em Estocolmo
15.Julh.1912        Falecimento na Suécia
23.Sete.1912       Chegada a Portugal da urna
24.Sete.1912       Funeral para o cemitério de Benfica


TRIUNFOS     
Ano  Prova                 Distância                   Tempo
1908 Maratona           24 km                 1 h 39’
1910  Maratona           42,8 km              2 h 57’
1911  Corta-Mato           5 km                       20’ 25’’
1911  Maratona           42,8 km              3 h 09’ 53’’
1911  GP Progresso     30 km                 2 h 10’
1912  Maratona           42,2 km              2 h 52’ 08’’

MELHORES MARCAS
Prova                                    Marca
Maratona (42,2 km)            2 h 52’ 08’’
Fundo (30 km)                     2 h 10’
Corta-Mato (5 km)                     20’ 25’’
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Há 100 ANOS (9)

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HOMENAGEM


Um campeão invencível. Só a morte o derrubou...
Uma tragédia portuguesa

Durante muito tempo (e ainda hoje) ninguém entendeu (muito bem…) o que se passou. Porque teria um atleta experiente, sem adversário em Portugal, categórico com experiência de cinco anos e dominador, ter tomado, repentinamente, atitudes (untar-se de sebo e correr sem protecção na cabeça) inexplicáveis? Um atleta que tinha o melhor tempo conhecido (ou dos melhores do Mundo), pois não se faziam mais que uma ou duas maratonas por ano em cada país, tal a violência física, até nos percursos e pisos utilizados. Muito se falou e dissertou. O EDB não se “mete” nisso!

Lázaro foi perdendo confiança
Pela leitura das declarações dos cinco companheiros e relatos nos jornais da época, fica-se com a sensação que Francisco Lázaro foi modificando o comportamento – em função – e uma realidade que desconhecia, nem sequer imaginava que existisse. Há medida que ia observando a realidade que o envolvia – desastre na competitividade do desporto português e comportamento dos seus adversários directos na maratona – a responsabilidade que tinha à saída de Portugal avolumando-se com a mediocridade reinante na delegação (tendo em conta o esforço financeiro que sabia ter existido no País) fizeram-no alterar o comportamento. Lázaro acreditava que dele só esperavam um lugar – o primeiro. Tudo o que não fosse “ouro olímpico” era pouco. Ele foi-se apercebendo que o desporto era de “outra dimensão” em grande parte dos países presentes nos Jogos Olímpicos. Habituado a olhar os adversários “olhos nos olhos”, em Estocolmo tinha de “olhar para cima” – atletas fortes, impressionantes, pesados, mesmo assim a correrem maratonas. Como poderia “uma meia leca” enfrentar tantos gigantes? “Inventando” não perder peso durante os 42 quilómetros!
O vencedor da maratona fez 2:36;54. Lázaro tem como recorde pessoal… 2:52;08.



À espera em Estocolmo
O corpo de Lázaro, por respeito à religião dos portugueses, esteve depositado na capital sueca, numa igreja católica, durante dois meses, à espera da transladação para Portugal. Um jornal sueco, ao tomar conhecimento dos fracos recursos económicos de Francisco Lázaro, propôs uma subscrição nacional em favor da família. O príncipe herdeiro da coroa sueca, Gustavo Adolfo preferiu organizar um grande festival, no Estádio Olímpico, reunindo os melhores atletas e cavaleiros presentes nos Jogos. Trinta e duas mil pessoas encheram as bancadas do recinto, deixando na bilheteira 14 mil coroas (770 libras esterlinas), valor depositado e entregue à (futura…) filha de Lázaro, em 1930, quando atingiu a maioridade aos 21 anos.

O funeral em 24 de Setembro de 1912, à passagem pelo Rossio
Funeral sentido e participado
A bordo do barco “Vendsysset” o féretro de Lázaro chegou a Lisboa em 23 de Setembro, dois meses e meio depois de falecer em Estocolmo. O Cais das Colunas que se despedira dele em apoteose como herói, recebeu-o como… herói. Da certeza de poder contar com uma medalha de ouro à certeza de já nada poder ser feito. Finalmente a primeira delegação olímpica estava, completa, de regresso a casa.
Após ter estado em câmara ardente no Arsenal da Marinha (actual Ministério), a cerca de trezentos metros do local onde trabalhava, no Bairro Alto, o funeral foi realizado no dia seguinte (24 de Setembro), para o cemitério de Benfica, acompanhado por milhares de pessoas. Demorou quatro horas a percorrer cerca de nove quilómetros.

No cemitério de Benfica

O Benfica nunca abandonou o Benfiquista
No cemitério de Benfica, perante milhares de pessoas o corpo foi depositado num mausoléu onde ainda se encontra. O Benfica através de Cosme Damião teve participação activa na organização do cortejo fúnebre bem como na contribuição monetária para variadas iniciativas.
Para quem treinava a correr atrás dos carros eléctricos, foi uma “viagem” pelo caminho de regresso a “casa”, mas uma ida sem retorno.
Alberto Miguéns

NOTA: A desenvolver na próxima hora:
1. A vida da família Lázaro depois da morte







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Há 100 ANOS (8)

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HOMENAGEM

O fim da agonia



NOTA: Como simbologia este texto está programado para ser publicado no EDB, às 6 horas e 20 minutos da manhã de 15 de Julho de 2012, precisamente, um século depois do maratonista Benfiquista Francisco Lázaro morrer em Estocolmo.

Os relógios suecos, em 14 de Julho de 1912, estavam nas 15 horas e 42 minutos quando, após cambalear, e algumas quedas, com o maratonista em evidente dificuldade, Lázaro caiu na estrada, próximo do quilómetro 32 (a oito da meta instalada na pista do estádio Olímpico). No relatório médico regista-se o seguinte: «pouco depois dos 30 quilómetros, na subida da colina de Ofver-Jarfva, o atleta português Francisco Lázaro começou a vacilar. Caía, levantava-se e corria mais um pouco, voltava a cair, tendo feito isto uma série de vezes, até que caiu e ficou estendido no chão inanimado. De imediato o médico, dr. Torell, que se encontrava no local, tomou conta dele. Uns minutos depois o dr. Lijenroth, que estava de serviço no posto médico de Silfverdal (aos 10 e 30 km), seguido pelo dr. Fries, tentaram reanimá-lo, mas sem sucesso e o caso foi imediatamente relatado telefonicamente para o Estádio. Uma vez que todos os esforços para o reanimar se mostraram infrutíferos, foi enviado para o Royal Seraphim Hospital acompanhado pelo dr. Fries. Chegou ainda inconsciente, cerca das 17.30 horas, e quase de imediato sofreu um violento ataque de cãibras e convulsões em todo o corpo, começando a delirar, com uma temperatura corporal de 41.2 graus C. Os sintomas apontavam para insolação.» À meia-noite reagiu ao tratamento com injecções de água salgada, mexendo as mãos quando pronunciavam o seu nome. Depois, com movimentos desconexos, entrou em delírio. Às 6 horas e 20 minutos foi dado como morto.

As causas do óbito
A autópsia do cadáver do malogrado Benfiquista foi executada pelo dr. F. Henchen que atribuiu a morte a um «desequilíbrio hidro-electrolítico irreversível» (desidratação extrema). A autópsia revelou, igualmente, lesões num órgão vital como o fígado que ficou «completamente mirrado, do tamanho de um punho fechado e rijo, de tal forma que só se conseguia partir a escopro, como se fosse uma pedra.»

Pormenor do monumento fúnebre na sua campa no cemitério de... Benfica. Nasceu, viveu, "treinou", competiu, foi associado e atleta do SL Benfica e ficou, para sempre, sepultado em Benfica. Só não morreu em Benfica!

Outro problema… trazê-lo para Portugal
Francisco Lázaro saiu de Lisboa em 26 de Junho. Chegou a Estocolmo em 1 de Julho. Correu a maratona olímpica em 14 de Julho. Faleceu na madrugada de 15 de Julho. O cadáver chegou a Portugal em 23 de Setembro de 1912. Dois meses e uma semana depois de morrer em Estocolmo.

Deixou a viúva grávida de cinco meses de uma menina. Uma filha única que nunca veria! Uma tragédia!

Alberto Miguéns

NOTA: A desenvolver nas últimas horas de 15 de Julho:

1. As homenagens fúnebres na Suécia e em Portugal

2. A vida da família Lázaro depois da morte




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