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15/07/2012

Há 100 ANOS (9)

15/07/2012 + 1 Comentários API
HOMENAGEM


Um campeão invencível. Só a morte o derrubou...
Uma tragédia portuguesa

Durante muito tempo (e ainda hoje) ninguém entendeu (muito bem…) o que se passou. Porque teria um atleta experiente, sem adversário em Portugal, categórico com experiência de cinco anos e dominador, ter tomado, repentinamente, atitudes (untar-se de sebo e correr sem protecção na cabeça) inexplicáveis? Um atleta que tinha o melhor tempo conhecido (ou dos melhores do Mundo), pois não se faziam mais que uma ou duas maratonas por ano em cada país, tal a violência física, até nos percursos e pisos utilizados. Muito se falou e dissertou. O EDB não se “mete” nisso!

Lázaro foi perdendo confiança
Pela leitura das declarações dos cinco companheiros e relatos nos jornais da época, fica-se com a sensação que Francisco Lázaro foi modificando o comportamento – em função – e uma realidade que desconhecia, nem sequer imaginava que existisse. Há medida que ia observando a realidade que o envolvia – desastre na competitividade do desporto português e comportamento dos seus adversários directos na maratona – a responsabilidade que tinha à saída de Portugal avolumando-se com a mediocridade reinante na delegação (tendo em conta o esforço financeiro que sabia ter existido no País) fizeram-no alterar o comportamento. Lázaro acreditava que dele só esperavam um lugar – o primeiro. Tudo o que não fosse “ouro olímpico” era pouco. Ele foi-se apercebendo que o desporto era de “outra dimensão” em grande parte dos países presentes nos Jogos Olímpicos. Habituado a olhar os adversários “olhos nos olhos”, em Estocolmo tinha de “olhar para cima” – atletas fortes, impressionantes, pesados, mesmo assim a correrem maratonas. Como poderia “uma meia leca” enfrentar tantos gigantes? “Inventando” não perder peso durante os 42 quilómetros!
O vencedor da maratona fez 2:36;54. Lázaro tem como recorde pessoal… 2:52;08.



À espera em Estocolmo
O corpo de Lázaro, por respeito à religião dos portugueses, esteve depositado na capital sueca, numa igreja católica, durante dois meses, à espera da transladação para Portugal. Um jornal sueco, ao tomar conhecimento dos fracos recursos económicos de Francisco Lázaro, propôs uma subscrição nacional em favor da família. O príncipe herdeiro da coroa sueca, Gustavo Adolfo preferiu organizar um grande festival, no Estádio Olímpico, reunindo os melhores atletas e cavaleiros presentes nos Jogos. Trinta e duas mil pessoas encheram as bancadas do recinto, deixando na bilheteira 14 mil coroas (770 libras esterlinas), valor depositado e entregue à (futura…) filha de Lázaro, em 1930, quando atingiu a maioridade aos 21 anos.

O funeral em 24 de Setembro de 1912, à passagem pelo Rossio
Funeral sentido e participado
A bordo do barco “Vendsysset” o féretro de Lázaro chegou a Lisboa em 23 de Setembro, dois meses e meio depois de falecer em Estocolmo. O Cais das Colunas que se despedira dele em apoteose como herói, recebeu-o como… herói. Da certeza de poder contar com uma medalha de ouro à certeza de já nada poder ser feito. Finalmente a primeira delegação olímpica estava, completa, de regresso a casa.
Após ter estado em câmara ardente no Arsenal da Marinha (actual Ministério), a cerca de trezentos metros do local onde trabalhava, no Bairro Alto, o funeral foi realizado no dia seguinte (24 de Setembro), para o cemitério de Benfica, acompanhado por milhares de pessoas. Demorou quatro horas a percorrer cerca de nove quilómetros.

No cemitério de Benfica

O Benfica nunca abandonou o Benfiquista
No cemitério de Benfica, perante milhares de pessoas o corpo foi depositado num mausoléu onde ainda se encontra. O Benfica através de Cosme Damião teve participação activa na organização do cortejo fúnebre bem como na contribuição monetária para variadas iniciativas.
Para quem treinava a correr atrás dos carros eléctricos, foi uma “viagem” pelo caminho de regresso a “casa”, mas uma ida sem retorno.
Alberto Miguéns

NOTA: A desenvolver na próxima hora:
1. A vida da família Lázaro depois da morte







1 comentários
comentários
  1. Só tenho umas poucas palavras a dizer (escrever):
    Um grande herói desportivo à portuguesa e à Benfica.
    Obrigado Alberto Miguéns, por nos continuar a iluminar o caminho com rigor e amor à verdade, e irmos descobrindo o que foi, é e será o Benfica!
    Isto foi há 100 anos mas estou emocionado!

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