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terça-feira, 7 de maio de 2019

Camolas no Quarto Anel

terça-feira, 7 de maio de 2019 4 Comentários
FALECEU, ONTEM, CAMOLAS AVANÇADO DO BENFICA EM FINAL DOS ANOS 60.

 

Tomei, mesmo agora, conhecimento por um Benfiquista Mário Ferreira que trabalha em Tomar. E foi no clube da cidade do rio Nabão que o jovem formado no Benfica, em meados dos Anos 60, brilhou na fase áurea do União Futebol Comércio e Indústria de Tomar, o popular União de Tomar, no início da década de 70. 

José Carlos da Silva Camolas tinha completado 71 anos em 30 de Abril. Nascido em 1948 fez a formação no Benfica, nas equipas que o Dedicado Fernando Cabrita e depois o Mestre Bicampeão Europeu Ângelo formou e "forneceu fornadas" de excelentes futebolistas ao futebol português.

Avançado rápido, de estrutura meã e com sentido de oportunidade notável só encontrou um senão quando atingiu a idade de sénior. Eusébio e Companhia tornavam quase impossível atingir a titularidade no tempo em não havia substituições e em que os campeonatos nacionais tinham 26 jornadas (agora 34) mas o Benfica conseguia marcar 90 golos ou próximo disso (até mais de 100) em muito menos jogos que na actualidade. Embora se comparem os valores como se as competições tivessem o mesmo número de jogos.

O primeiro a contar da direita! Inconfundível...

Nascido em Palmela, foi futebolista precoce no Palmelense FC como «Principiante» em 1961/62. Depois fez o percurso de formação no «Glorioso» com duas temporadas nos Principiantes (agora Juvenis) em 1962/63 (Campeão Distrital) e 1963/64 (Campeão Nacional) e depois nos Juniores, em 1964/65 (Campeão Distrital após vitória na final, por 1-0, golo de Camolas, ao Sporting CP) e 1965/66 (Campeão Distrital após vitória na final, por 5-0, um dos golos por Camolas, ao Sporting CP). Representou Portugal, como futebolista do «Glorioso», em seis selecções: cinco de Juniores (marcou dois golos) e uma de "Promessas". Tinha pouco mais de 14 anos quando chegou ao Benfica saindo com 20 anos.

O «Miúdo da Bola" em 1962/63

Primeiro título conquistado no Benfica


Relatório e Contas da Direcção/Parecer do Conselho Fiscal; 1963; Sport Lisboa e Benfica; Página 107 e 109 (excertos) 

Camolas consagrado como um dos melhores futebolistas da formação, goleador implacável nessas equipas, ainda fez parte da Reserva do Benfica em 1966/67 e 1967/68, fazendo jogos na equipa de Honra, quer no Campeonato Nacional (sagrou-se Bicampeão Nacional) quer na Taça de Portugal.

1966/67
Estreou-se em 7 de Setembro de 1966 como avançado-direito (4.2.4) tendo Riera como treinador e Germano como capitão, nas meias-finais da Taça de Honra de Lisboa numa vitória, por 3-2, frente ao Atlético CP, jogo disputado no estádio do Restelo. Manteve-se na equipa que conquistou o troféu frente ao Sporting CP (V 2-0) com Cavém a erguer o troféu (clicar para notícia no Diário de Lisboa). Em 19 de Outubro substituiu, aos 79 minutos, José Augusto na «Festa de Homenagem a Ângelo» em que o Benfica derrotou, por 1-0, o FC Barcelona na «Saudosa Catedral». Jogou na "avançada-esquerda" ao lado de Iaúca (extremo), frente ao AD Ovarense (V 3-0, para a Taça de Portugal, na segunda mão dos 32-avos-de-final, na «saudosa Catedral») e na 20.ª jornada (em 26) do campeonato nacional, num encontro em que foi avançado-centro com Eusébio, disputado frente ao SC Braga, no estádio 28 de Maio (actual 1.º de Maio). Até final da temporada jogou com o «Manto Sagrado» em dois jogos internacionais realizados fora de Portugal: na digressão ao Chile frente a um Misto da Universidade Católica/Universidade do Chile (D 1-2), substituindo José Torres, em Santiago do Chile; e no jogo frente à Selecção Nacional do México (D 0-4) no estádio Azteca (onde se realizou a final do Mundial'70) substituindo José Augusto. Foi nesta digressão ao Chile que o futebolista Augusto Silva ficou inutilizado como futebolista, precisamente na manhã de sábado, véspera desse jogo (29 de Janeiro de 1967).  

1967/68
Numa temporada com 55 jogos (e três treinadores: Riera, Cabrita e Otto Glória) vestiu o «Manto Sagrado» em quatro jogos: extremo-direito na vitória, por 1-0, em Braga, frente ao SC Braga, na 3.ª jornada do campeonato nacional; nas duas mãos dos 16-avos-de-final frente ao CD Montijo para a Taça de Portugal, como extremo-direito marcando em ambas dois golos (V 4-1 no Montijo e V 9-0 na «Saudosa Catedral»); entre estes jogos entrou, ao intervalo, para o lugar de Nélson, na «Festa de Homenagem a Costa Pereira», realizada na «Saudosa Catedral» frente ao Clube Atlético de Madrid, num empate a dois golos. A "despedida" foi no nosso/seu estádio da Luz, com o CD Montijo, em 15 de Outubro de 1967. Seguiram-se jogos na categoria Reserva nunca sendo opção com Fernando Cabrita (que substituiu Fernando Riera) e Otto Glória que substituiu Cabrita). 

Em duas temporadas, 758 minutos em onze jogos com quatro golos: Bicampeão nacional com dois jogos, um por época; três jogos (e quatro golos) na Taça de Portugal; Vencedor da Taça de Honra de Lisboa (com dois jogos); quatro jogos internacionais, dois na «Saudosa Catedral» (FC Barcelona e Clube Atlético de Madrid) e dois na América do Sul e Norte, respectivamente em Santiago do Chile e Cidade do México.  

No final de 1967/68, com 20 anos, rumou ao Varzim SC numa temporada (1968/69) em que o Benfica conseguiu o segundo TRIcampeonato em sete temporadas, desde 1962/63.

O «Miúdo da Bola» em 1963/64. E sempre... para sempre

Em Defesa do Benfica endereça sentidas condolências à família e ao União de Tomar.



Obrigado, Camolas. Descansa Em Paz!

Alberto Miguéns

NOTA: Agradecimento ao dedicado leitor deste blogue, Victor João Carocha, pelo envio de fotografias e a Mário Pais pela troca de impressões que permitiu acrescentar mais informação, como por exemplo, que ele era natural de Palmela
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