Em Defesa do Benfica: Fundação SLB
A criação deste Blogue, ideia de António Melo, tem como objectivo divulgar, defender o SL Benfica e a sua Gloriosa História. Qualquer opinião aqui expressa vinculará apenas o seu autor, Alberto Miguéns.

SEMANADA: ÚLTIMOS 7 ARTIGOS

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28/02/2020

116 Anos Com Assinatura

28/02/2020 + 3 Comentários
QUASE DOZE DECÉNIOS CUMPRIDOS E O CLUBE CONTINUA A RECONHECER AS ASSINATURAS.



Fundado com princípios de elevação que condicionaram o Futuro e objectivos simples, mas ambiciosos, o Clube foi sempre fiel aos que o fundaram. Essa essência diária e coerência secular permitiram um crescimento imparável com o engrandecimento a colocá-lo entre os melhores do Mundo.


Solidariedade
O Lema “E Pluribus Unum” que para os fundadores significava “Todos Por Um” como consta da estrofe do Hino, marcou o início do Clube, então e até 1908, Grupo Sport Lisboa, vincando a Ideia de que o emblema só singraria se conseguisse ombrear rapidamente com os mais fortes e enfrentar o domínio que os ingleses exerciam no futebol em Portugal. O Clube fortaleceu-se, por dentro, com métodos elementares mas exigentes, onde a entreajuda permitiu ultrapassar dificuldades. Foram anos em que se encontraram soluções para problemas prementes e, até, começar a ter soluções que antecipassem problemas previsíveis. O Futebol depressa se tornou «Glorioso», logo em 1907, sendo o espelho, para o exterior, do que era a realidade vivida no Clube. A organização dos quatro plantéis ou categorias a participar nos quatro campeonatos regionais era feita de modo a tornar todas competitivas e conquistadoras. Eram os futebolistas que estavam ao serviço delas e não as equipas ao serviço de uns ou de outros. Esta exigência de superação nunca permitiu fazer distinções, excluir ou vilipendiar quem quer que fosse. Nem sequer os adversários, instituições ou jogadores, que eram respeitados como tal, mas sempre para se tentar vencer, por isso, categoricamente. Todos os que chegavam eram bem-vindos se viessem ajudar e engrandecer. E assim se foi erguendo um colosso desportivo com base numa sã solidariedade.


Lisura
A Águia como elemento-símbolo transportou o Clube até à actualidade fazendo reconhecer o Benfica, entre os portugueses e estrangeiros, como um emblema que era exemplo, nos processos e no modo como sabia vencer (quase sempre) mas também perder (quando outros eram mais fortes). Os portugueses desde cedo se apaixonaram por um clube que além de vencedor e conquistador era simples, nas atitudes e exemplar, nas decisões. Temerários e brilhantes os associados, dirigentes e jogadores souberam merecer o apoio de cada vez mais portugueses. A paixão de uns e outros tornou-se reciproca. Mesmo nas escassas derrotas e insucessos havia, até dos adversários, um reconhecimento inequívoco. O Benfica era um clube que honrava Portugal e o Desporto, porque encarava os jogos, as provas e competições com vontade extrema de as vencer, mas sempre com lisura.


Benevolência
O vermelho-e-branco pontuaram sempre a História do Clube, desde 1904 até 2020. Da arcaica flanela herdada do século XIX às fibras sintéticas do século XXI. O vermelho é símbolo de garra, orgulho e brilhantismo. Tolerantes e exigentes, o vermelho dá o toque da paixão, da fogosidade, emoção e beleza. Atrai quem o vê, emociona quem o usa. Jogadores e adeptos seguem juntos, irmanados numa conjugação forte onde impera a benevolência. 


S.L.B.
Após 116 anos e outras tantas temporadas a jogar futebol a um nível sempre elevado, praticando outros desportos praticamente pioneiro em todos, o Benfica de hoje mantém intactos os valores do início do século XX. Com a mesma garantia de outrora. O Benfiquismo não é algo exterior que se possa destruir com facilidade. É muito mais que uma carapaça, até uma impressão digital. Está dentro de cada um, herdado de gerações anteriores e passada às seguintes. É um sentimento de pertença em que cada um se entrega, por isso nunca se poderá temer o Futuro. Não há na globalidade máscaras ou armaduras. Os Benfiquistas deram de cada um a sua individualidade, como as assinaturas que mostram em escrita a personalidade de cada um para formar o todo. O conjunto de assinaturas de cada um de nós, por isso de todos, continuam diferentes, mas também continua intacta a assinatura colectiva:

Sempre Leais ao Benfiquismo

Carocha, Victor João
Miguéns, Alberto

NOTA: Que toque o Hino, interpretado pelo Órfeão do Sport Lisboa e Benfica. Nunca é supérfluo recordar que foi pedido por Félix Bermudes ao maestro Alves Coelho (pai), entre 1928 e 1929, uma melodia intimista para que os futebolistas - até aos Anos 50 todos sabiam a letra do Hino e a melodia - o entoassem em momentos, durante os jogos ou no intervalo, em que a actuação não estivesse a correr À Benfica. Por isso, o refrão incitava-os, reafirmando que tinham condições para redobrar os esforços e tudo correr melhor. 

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30/04/2019

Polígrafo em «Mentira Própria»

30/04/2019 + 14 Comentários
QUE VICIA O QUE NÃO PODE SER VICIADO. A SIC COLOCA AS QUESTÕES E A SIC RESPONDE... OU NÃO RESPONDE.




Como se existissem dúvidas que em vez de serem esclarecidas não interessa esclarecer. No noticiário da SIC "normal" assistiu-se ontem a uma anormalidade! A propósito das datas de fundação do SL Benfica e do FC Porto. A SIC deita os foguetes como os melhores do Mundo e arredores, diz que são um espectáculo de som com cores nunca vistas e apanha as canas mostrando como são belas e esbeltas! Fabrica os acontecimentos.

Segundo a SIC
O Benfica (clube/ alguém seria, quem seria?) informou que Cosme Damião não assinou o documento dos fundadores pois não sentiu necessidade uma vez que foi ele o autor do texto. Conclusão da SIC: O resultado final é impreciso se os dois clubes mudaram/falsearam ou não a data de fundação.

O «Glorioso» nunca alterou a data de fundação
Foi fundado em 28 de Fevereiro de 1904. Aquando da junção com o Sport Clube de Benfica, em 13 de Setembro de 1908, ficou decidido que os símbolos seriam os do Grupo Sport Lisboa por já ser «gloriosíssimo», ou seja, conhecido e ser respeitado por formar bons futebolistas, organizar equipas de excelência e conquistar vitórias retumbantes. Está registado em acta(s). Alguns dos responsáveis pela junção estavam vivos em 1929 (Bodas de Prata) e 1954 (Bodas de Ouro). Nunca negaram. Pelo contrário. Mesmo em 1979 (Bodas de diamante) os, então sócios n.º 1 e n.º 2, respectivamente, Luís Joaquim Gato e Germano Vasconcelos, ainda eram contemporâneos dessa decisão, em 1908, pois eram associados do Sport Clube de Benfica, respectivamente com o n.º 10 e o n.º 42. 


No Benfica sempre houve transparência.
Nunca se negou, que houve em 13 de Setembro de 1908, a junção dos dois clubes/emblemas e alteração do nome - de Sport Lisboa para Sport Lisboa e Benfica - tal como a manutenção do equipamento vermelho e branco do Sport Lisboa. Tudo esclarecido em 13 de Setembro de 1908 e devidamente respeitado por quem se seguiu. Incluindo, nós, em 2019 e espero que em 5019!

O FC Porto é completamente diferente
(clicar na imagem para melhor visualização)

Papel timbrado do FCP com a data de fundação e com assinatura de Pinto da Costa

Carta timbrada do FC Porto, datada de 5 de Junho de 1985, assinada pelo presidente Pinto da Costa. NOTA: Esta carta foi-me entregue por um benfiquista que já está no «Quarto Anel» mas que nunca se poderá esquecer, Armando de Abreu Rocha! E que na data referenciada na carta fazia parte do Conselho de Gerência da RTP


O FC Porto é completamente diferente
Por isso a rubrica "Polígrafo SIC" fez um mau trabalho e prestou um péssimo serviço à verdade querendo comparar o que é incomparável. O FC Porto entre 1907 e 1987 comemorou a data de fundação anualmente tendo como referência 2 de Agosto de 1906 e como principal fundador José Monteiro da Costa.
Em 1988 (26 de Fevereiro) numa assembleia geral decidiu fazer revisionismo histórico passando a considerar como data de fundação o dia 28 de Setembro de 1893 e como principal fundador António Nicolau de Almeida. 
Mas nunca pode ser levado a sério. 
Alguém acredita que se fosse António Nicolau de Almeida, este coexistindo 41 anos, pois faleceu em 21 de Fevereiro de 1948, com as notícias que assinalavam os aniversários do clube que fundara em 28 de Setembro de 1893 como criado em 2 de Agosto de 1906, e o fundador como José Monteiro da Costa não tinha esclarecido o assunto? Inacreditável!


Placa inventada em 2011 no âmbito do projecto "Viver a Rua". Tentam apagar o passado (verdadeiro) e fazer vigorar a mentira criada em 1988.


Cosme Damião não consta da lista ou não assinou?
Verdade! Mas é a caligrafia dele pois há documentos muito próximos de 1904 - são de 1908 - em que a letra é igual. Para quem tanto escrevia - era Secretário da Casa Palmela na primeira metade do século XX - a letra foi-se alterando com o tempo como mostram documentos manuscritos por ele, em final dos anos 30. O motivo pelo qual o nome não consta ou a razão de não assinar é apenas colocar hipóteses. Não quis, esqueceu-se, era óbvio, recusou protagonismo? Só hipóteses, pois não há em nenhum documento ou entrevista qualquer explicação.





Há três futebolistas - Eduardo Corga, Henrique Teixeira e Carlos França - de 1908/09 entre os fundadores de 1904. Entre outros nomes próprios que coincidem. A mesma caligrafia! Quatro anos de diferença! Esta é a letra de Cosme Damião feita de acordo com o mesmo princípio. Uma listagem!




Mereciam ser apelidados de «A Corja»
Querer comparar uma pretensa alteração da data de fundação do «Glorioso» com uma verdadeira (e mal-parida) alteração da fundação do FC Porto, 81 anos depois deste ser criado, é pura desonestidade intelectual. Para não adjectivar de outra forma!


Orgulho no Benfica

Alberto Miguéns
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28/02/2019

115 Anos: O Percurso de Vida Para 24 Idealistas

28/02/2019 + 21 Comentários
NESTE DIA EM QUE CELEBRAMOS A FUNDAÇÃO.



Comemoramos o colectivo. A consumação de uma Ideia que depois se transformou num Ideal generoso e de superação.



Em tempos...há dois anos
Foi possível saber que os 24 fundadores eram muito jovens, com uma média de 20 anos (clicar para o texto publicado em 28 de Fevereiro de 2017). Apesar dessa juventude, os 24 Fundadores souberam - por amor a essa Ideia original e inovadora - "fazer um team só com portugueses" juntando miúdos do bairro de Belém sedentos de vitórias com um grupo de casapianos veteranos "bons de bola".



Agora é possível perceber o seu percurso de vida
Com uma investigação notável Victor João Carocha conseguiu balizar o percurso de vida da maioria dos Fundadores. Para já passamos a conhecer o tempo que cada um viveu antes e depois do "Glorioso" nascer nesse Dia do Ideal Solidário (24 pares entre pares), sem protagonismos de um sobre os outros, com escolhas democráticas que iriam ser um dos pilares do Benfica para sustentar uma Glória Imorredoira.


O que dá mais prazer nestas descobertas
Além de resgatar para a memória colectiva, esses 24 pioneiros, ou seja, como escreveu Luís de Camões "libertá-los da morte" que tudo faz esquecer, é também perceber que quase todos tiveram uma vida biológica que lhes permitiu perceber que aquele gesto na Farmácia Franco não foi efémero, muito menos episódico. A maioria viveu para ter a noção que a fundação do Clube, teve um significado amplo e grandioso. Ao reunirem-se e fundarem o Clube iniciaram a vida do maior e mais popular clube português e um dos mais notáveis no Futebol Mundial. E perceberam ao longo das suas vidas que isso estava a ser uma realidade.

Quase todos viram o Benfica fazer o primeiro TRI
No campeonato nacional entre 1935/36 e 1937/38. Bem como a primeira «dobradinha», em 1942/43. Todos viram o Benfica ser altaneiro no futebol português, com oito títulos de campeão regional em onze temporadas (1909/10 a 1919/20). Viram o Benfica "só com portugueses" derrotar os ingleses do Carcavellos Club, em 1907, 1910 e 1911. Quase metade viu a conquista da Taça Latina (1950) e houve ainda quem visse que partindo-se de um pequeno grupo que dava para fazer treinos jogados de onze contra onze, o Clube chegou à Glória de se sagrar Bicampeão Europeu, em 1960/61 e 1961/62. Que orgulho não devem ter tido.


História do Sport Lisboa e Benfica 1904/1954; Mário de Oliveira e Rebelo da Silva; I Volume, 1.º fascículo; página 13; Lisboa, Janeiro 1954; edição dos autores


O tempo justificou na perfeição os trabalhos e canseiras de carregar barrotes e redes, regadores e cal, bandeirolas e cordas com o rectângulo de jogo definido para marcar terrenos públicos, em Belém, para poderem jogar e treinar. De modo algum foi incómodo e inadequado, face aos meios existentes, a necessidade inicial de partilhar as Gloriosas camisolas já suadas do jogo anterior, de se equiparem ao ar livre e de tomarem banhos improvisados com um balde de água fria deitado sobre as suas cabeças. Tempos difíceis, só suportáveis por Homens de rija têmpera, acima de tudo crentes naquele Ideal generoso e de superação.

Vinte e quatro indomáveis legaram a milhões um Clube com classe e irascível em nunca desistir, de não querer nunca perder ou sequer empatar. Um Clube que sabe ganhar e reconhecer a superioridade do adversário na derrota mas com isso aprende para depois os vencer na desforra (jogo seguinte).

No seu túmulo, os 24 Fundadores descansam para a eternidade, credores perenes do carinho e reconhecimento dos actuais Benfiquistas e daqueles que hão-de vir. Sabemos agora onde a maioria repousa.


Que Descansem Em Paz.

Eis o génese do Benfica. O Clube que se tornou gigante porque começou solidário. Vinte e quatro entre 24.

Carocha, Victor João
Miguéns, Alberto
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28/02/2018

CXIV

28/02/2018 + 27 Comentários
28 DE FEVEREIRO DE 1904: DE MANHÃ A TREINAR, DEPOIS ALMOÇAR E FUNDAR.



CXIV

Seguiu-se treinar, treinar, treinar até jogar quase um ano depois, no Primeiro de Janeiro de Mil Novecentos e Cinco.



De manhã no "sítio do costume"...
Chegado o momento certo foi comparecer num treino marcado para o final da manhã desse domingo no terreno que ficava suficientemente longe da azáfama do bairro e suficientemente perto das habitações onde moravam os miúdos de Belém. Sem vestiários/balneários devia ser ainda e depois nas suas casas que se equipavam e desequipavam. Os casapianos eram sobejamente conhecidos e viviam longe não tendo nada a provar por isso a treinar.



...À tarde também
Depois de muitos terem almoçado num dos dois sítios habituais - António das Caldeiradas ou Café do Gonçalves - depois de treinos e jogos foi numa das dependências da Farmácia Franco que se consumou o que nos faz andar agora por aqui a assinalar. Estava fundado O CLUBE e definidos os requisitos mínimos para o seu funcionamento.



Escolha dos símbolos
As cores devem ter sido o mais fácil - branco que vinha do Football Club (Belém) e vermelho como a cor da alegria, garrido, vivacidade, base do entusiasmo na refrega desportiva - e aquela que mais atraía transeuntes para um clube que treinava e jogava em terrenos públicos junto de um bairro populoso onde crianças eram mais que muitas no início do século XX. José da Cruz Viegas (defesa à direita) no FC (Belém) propôs e o desafio foi aceite com facilidade.
O nome é sempre o mais complexo. Ainda é assim com muitas pessoas e empresas. Entre várias propostas ficou assente: Grupo Sport Lisboa (depois reduzido, como é habitual) a Sport Lisboa, mas também era referido na Imprensa como Grupo de Belém. Vulgaríssimo na época indexar as equipas aos bairros onde viviam os seus futebolistas.
O emblema envolvia não só escolher os seus elementos constituintes, como a disposição das cores, o significado e...desenhá-lo para depois ser bordado (que podia...) no bolso branco da camisola vermelha.


Divisão dos futebolistas por duas equipas
Os melhores para representarem o Clube frente a equipas dos melhores clubes e um segundo grupo para enfrentar igual equipa dos adversários mais fortes ou as melhores equipas de clubes menos poderosos.



Em breve havia até uma terceira
Com o sucesso crescente e a fama a impor-se de um modo inexorável já havia futebolistas em quantidade suficiente para constituir um terceiro grupo. Adversários é que devem ter escasseado. Nesses primeiros anos só o Grupo dos Pinto Basto, depois Internacional (CIF) com campo arrendado em Alcântara conseguia movimentar tantos jogadores.

Se há Águia em que os nossos fundadores se devem ter inspirado foi nos estandartes das Legiões Romanas em que a nobre ave heráldica agarrava nos suas garras implacáveis a divisa «Senado e PopulaQão de Roma» substituindo-a por E PLURIBUS UNUM, no sentido de "Todos por Um" como verteu no primeiro verso na primeira estrofe do Hino, Félix Bermudes um dos pioneiros que só não foi fundador porque, neste dia, há 114 anos, não estava, nesse domingo, em Belém 

Muitas civilizações imperiais tiveram a Águia como símbolo de soberania mas, pelo que se conhece, apenas os Romanos empunhavam nos bastões e modelavam em pedra a Águia com a cabeça abaixo das asas numa demonstração de força perante os inimigos que estavam em terra como em terra estão a maior parte das presas das águias. Numa feliz composição o magnífico desenhador Stuart Carvalhais, em 1929, ergueu a cabeça da Águia dando mais sentido ao último verso da segunda estrofe do Hino: «Erguendo ao alto o nosso emblema»

Emblema: esse eterno símbolo
Foi uma grande escolha, cheia de simbologia com base na Águia (ave altaneira, símbolo de elevação da Ideia e do espírito de iniciativa com que se fundou o Clube) e num lema (assumindo a vontade de união, alma colectiva e força como se de uma família se tratasse) sendo a divisa latina E Pluribus Unum elevada para o Céu como se fosse todo o clube a subir até onde tem inicio o infinito. Félix Bermudes que acompanhou os primeiros tempos verteu para os versos do Hino (1929) essa Ideia de 1904, recuando 25 anos, para depois avançarmos até aos 114 e seguintes...


Obrigado a todos vocês aí no «Quarto Anel» que tanta Glória têm sentido em 114 anos. O sentido que souberam dar ao Clube:

Abílio Meireles
Amadeu Rocha
António Rosa Rodrigues
António Severino
Cândido Rosa Rodrigues
Carlos França
Cosme Damião
Daniel Santos Brito
Eduardo Corga
Francisco Calisto
Francisco Reis Gonçalves
Henrique Teixeira
João Inácio Gomes
João Goulão
Joaquim Almeida
Joaquim Ribeiro
Jorge Augusto Sousa
Jorge Costa Afra
José Linhares
José Rosa Rodrigues
Manuel Gourlade
Manuel França
Raul Empis
Virgílio Cunha

Alberto Miguéns


NOTA: Passam agora 41 anos (depois do Natal de 1976) que ouvi pela primeira vez referir o Benfica num tema musical que não está directamente relacionado com uma música do Clube ou feita por adeptos do Clube. O que eu me diverti, pois ainda não era associado - só o fui dois anos depois, em 1979 - tanto que o tema (n.º 5 da Face A: O Desporto Nacional) está "riscado" de tanto gasto. Um tema num dos melhores discos - graficamente (por Carlos Zíngaro) e musicalmente (Júlio Pereira e uma catrefada de músicos e não músicos, que talvez seja único em Portugal, até Júlio Isidro participou!) - feitos em Portugal: «Fernandinho Vai Ó Vinho» de Júlio Pereira. Neste tema além da voz de Júlio Pereira (Fernando), há ainda as vozes de José Afonso (Pai do Fernandinho que canta por duas vezes Benfica), Francisco Fanhais (Professor do Fernandinho que repartia mais desportos) e...Herman José (Ministro de todos os "fernandinhos deste país" que só quer Futebol! Pudera). E as televisões ainda não tinham inventado as tele-tascas para delícia dos Ministros. Ai, Portugal, Portugalzinho! Uma preciosidade: ouvir o enorme Zeca Afonso a pronunciar Benfica...duas vezes! 

Ah, mas que bem que te fica
Como eu seres do BENFICA!

Ah, se o BENFICA ganhar
Vamos então passear!

Por isso som no máximo que ele é o máximo!






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27/02/2018

Todos Somos Gourlade

27/02/2018 + 5 Comentários
SE AMANHÃ - 28 DE FEVEREIRO - É O DIA DO COLECTIVO, DE UM CONJUNTO DE  INDOMÁVEIS.


Antes desse dia podemos afirmar que foi Manuel Gourlade que permitiu a existência dessa vontade colectiva indómita.

NOTA INICIAL: No final do texto em NOTA FINAL o seu registo de baptismo e o que dele disseram Cosme Damião (em 1945), Daniel dos Santos Brito (em 1950) e Mário de Oliveira/Rebelo da Silva (em 1954). Esses depoimentos, o de 1945 e 1950, são de quem o conheceu e conviveu com ele alguns anos, por isso elucidativos da sua importância para a existência do Clube.


Eterno! Obrigado! Glorioso!

Foi ele que teve uma ideia que levou à fundação do Clube, ou seja, à Ideia
E isso ocorreu porque além de futebolista (defesa à esquerda) também era interessado em tudo o que girava à volta do jogo e das equipas para o jogarem. Foi ele que se lembrou de juntar aos miúdos de Belém ávidos por jogarem futebol à experiência de uma geração anterior, já homens feitos, com renome entre os poucos futebolistas desse tempo, com outro tipo de avidez, a de vencer e com meios - futebol nos pés e na cabeça - para isso, os casapianos que brilharam nos campos de Lisboa e Carcavelos na última década do século XIX.


Como se dizia em Portugal era tudo ali à mão. Porta com porta e porta para um pátio

Gourlade surge, para todos nós, em 1903
Mas muito caminho trilhara desde que nascera no bairro da Ajuda, na rua da Paz n.º 118, pelas onze da manhã de 25 de Outubro de 1872, ou seja, tinha 28 anos aquando da mudança do século XIX para o XX. Fica para outro dia fazer uma pequena biografia pormenorizada deste extraordinário exemplo do Benfiquismo. O melhor é encontrá-lo a jogar, por volta de 1902 ou início de 1903, no Verão deste ano certamente, com o seu companheiro de emprego na Farmácia Franco, Daniel Santos Brito e os miúdos que habitavam no mesmo prédio onde estava instalada a citada farmácia, que tinha um pátio interior onde se conseguia jogar. Mas com o número de entusiastas a aumentar depressa o pátio minguou ou os futebolistas entulharam o espaço. A solução foi passar a futebolar nos logradouros que eram múltiplos entre o bairro de Belém e a linha de caminho de ferro Cais do Sodré - Cascais e até para lá desta à beira Tejo.

Football Club, Grupo de Belém ou Catataus em 1903. As equipas eram fotografadas com a disposição em campo. Da esquerda para a direita: Em cima, os defesas e guarda-redes: José Cruz Viegas, José Rosa Rodrigues (guarda-redes e capitão) e MANUEL GOURLADE; Ao centro (médios): Jorge Afra, Carlos França e Daniel Santos Brito; Em baixo (avançados): Duarte José Duarte, António Rosa Rodrigues, Cândido Rosa Rodrigues, Raul Empis e Armando Macedo

Nos jogos defesa à esquerda no Football Club (Belém)
Não lhe são reconhecidos grandes dotes como futebolista, talvez por se interessar tardiamente pelo «jogo-jogado» (trintão sem passado de adolescente como futebolista) mas quanto ao «jogo-pensado» e ao modo de afirmar um novo clube não há melhor. Consta que num domingo, talvez 29 de Novembro de 1903, o FC (Belém) lançara um desafio ou foi desafiado por um dos mais competentes grupos da época, o Grupo dos Pinto Basto ou FC Swifts (velozes, rápidos). Os miúdos do clube de Belém lá foram entusiasmados, pois o adversário era respeitado, e entre os dois empregados da Farmácia Franco (o balconista Daniel Santos Brito e o contabilista Manuel Gourlade) e os três irmãos Rosa Rodrigues (José, Cândido e António) estava meia-equipa. A outra meia era dos amigos destes, que eram popularmente designados por Catataus. O jogo foi intenso mas saldou-se por uma derrota tangencial, talvez 0-1 ou 1-2, no local logradouro onde era habitual, em Lisboa, jogar-se depois da proibição de o fazer no Campo Pequeno, com a construção da Praça de Touros: as Terras do Desembargador, às Salésias.


A equipa do Grupo dos Pinto Basto/FC Swifts (Velozes)/Internacional/CIF na escadaria da Quinta Nova, em Carcavelos. Poucos eram os grupos de futebol que conseguiam que os ingleses do Carcavellos Club aceitassem os seus reptos ou desafios

Como era normal quem perdia podia pedir desforra
E era no conjunto destes dois jogos - desafio ou repto e desforra - que se apurava o vencedor se o vencido pedisse desforra. A não pedir servia só um jogo. O Football Club pediu desforra mas surpreendentemente, até pela aproximação ao Natal, período religioso e frio em que não se jogava, Gourlade solicitou ao capitão do FC (Belém) José Rosa Rodrigues que pedisse desforra a Eduardo Pinto Basto, capitão do FC Swifts, para daí a 15 dias (talvez 13 de Dezembro) e não para o domingo seguinte. Como era questão de honra o adversário vitorioso, embora provavelmente estranhasse haver um domingo "em branco" pelo meio...aceitou.


Onde tudo se passou e rapidamente. A - Terras do Desembargador, às Salésias onde se jogava. Foi nesse espaço, em finais de 1903, que o Football Club (Belém) perdeu com o Grupo dos Pinto Basto/FC Swifts e foi nesse mesmo espaço que o mesmo grupo reforçado com casapianos da "Associação do Bem" os venceu e na euforia da vitória foi decidido fundar um clube, o "Glorioso"; B - o bairro de Belém (com o prédio da Farmácia Franco e o seu pátio interior, o Café do Gonçalves e o António das Caldeiradas) muito maior que na actualidade pois parte dele foi desmantelado para fazer a "Exposição do Mundo Português", em 1940; C - A "Cerca da Casa Pia" onde treinavam aos domingos, os ex-alunos da Real Casa Pia de Lisboa e onde Gourlade os foi procurar para reforçar o Football Club no jogo-desforra com o FC Swifts; 1 - O local de treinos mais utilizado, entre as traseiras da Casa da Praia do Duque de Loulé e a linha férrea; 2 - os terrenos em frente ao Mosteiro dos Jerónimos problemático por conflituar com o Jardim fronteiriço ao Mosteiro; 3 - Os areais entre docas para lá da linha férrea (em 1903/1904) menos regularizados que aquando desta fotografia que é posterior; 4 - Os terrenos menos utilizados por conflituarem com o Palácio de Belém e a azáfama do bairro que incluía um importante mercado especializado em ter bom peixe; 5 - Os terrenos do Hipódromo de Belém (citados por Eça de Queirós, em "Os Maias") embora excelentes - até mais para o Futebol que para as "Cavaladas" - ficavam pouco acessíveis 

Entre os dois jogos, Gourlade «fisgou-a» bem!
Sabendo que os ex-alunos da Real Casa Pia de Lisboa, que integravam uma agremiação benemérita, a «Associação do Bem», treinavam aos domingos de manhã junto da Cerca da instituição casapiana acercou-se deles no sentido de reforçarem as posições onde o (Belém) Football Club era mais carente. E assim foi. Manuel Gourlade optou pelo menos óbvio. Não se reforçou com os habituais ingleses que andavam por Lisboa sempre livres de clubes e disponíveis para jogar - Eagleson, Ettur ou Gilman - pois mesmo sabendo que o Grupo dos Pinto Basto jogava com ingleses preferiu reforçar-se com futebolistas experientes mas portugueses. Ora um grupo só de portugueses vencer um grupo de ingleses ou mesmo um misto no início do século XX era visto quase como uma impossibilidade, mas não foi...

O "Mítico" logradouro entre a calçada da Ajuda (Oeste) e a rua das Casas do Trabalho (Este), onde nasceu e viveu o infortunado Pepe, limitado a Sul pela rua do Embaixador. As Terras do Desembargador, às Salésias. Local de excelência onde se disputavam os raros jogos de futebol realizados em Lisboa, depois da construção da Praça de Touros, no Campo Pequeno, espaço onde se estreou o Futebol em Lisboa pouco antes do Ultimatum inglês a Portugal

O jogo que tudo criou e mudou
Na desforra, o certo é que o FC (Belém) venceu, por 1-0, e essa vitória foi vivida de um modo estrondoso pois o misto português/inglês que depois deu origem ao Internacional (CIF) era demolidor nos jogos que realizava frente a outros grupos que não fossem os inalcançáveis com exclusividade inglesa: Carcavellos Club e Lisbon Cricket Club (Cruz Quebrada). Na confraternização que se seguiu no Café do Gonçalves (actual Pastelaria Nau de Belém) surgiu a ideia «Com estes futebolistas - e só portugueses - fazia-se um grande team!» E assim foi. A ideia de Gourlade resultara na perfeição.

Os impressos para as quotas do Football Club (Belém) que nos primeiros tempos serviram também como impressos para as quotas do "Glorioso"

Em 28 de Fevereiro de 1904 foi apenas concretizado o que ficara decidido em 1903
Juntaram-se, treinaram de manhã e pela tarde, numa dependência da Farmácia Franco, decidiram fundar o Grupo Sport Lisboa que depois passaria, em 13 de Setembro de 1908, a Sport Lisboa e Benfica, numa efeméride com 110 anos a completar neste ano de 2018. Não foi difícil escolher os primeiros dirigentes. A presidente José Rosa Rodrigues (capitão do Football Club Belém) e como seus auxiliares os dois empregados da farmácia onde o clube ficaria instalado por deferência do proprietário da farmácia, Pedro Franco: Daniel Santos Brito (secretário) e Manuel Gourlade (tesoureiro). 

Primeira categoria do Sport Lisboa em 1907, antes de um jogo com o Internacional/CIF, na Quinta Nova, em Carcavelos. MANUEL GOURLADE em baixo com o casaco vestido e pronto para jogar se um dos onze craques ficasse impossibilitado; Da esquerda para a direita: Em cima: David Fonseca, Henrique Costa, Cândido Rosa Rodrigues, Marcial Costa, Fortunato Levy (capitão) e Carlos França (atrás do capitão); Daniel Queirós Santos, Albano Santos, Manuel Mora (guarda-redes, mais atrás) António Couto e José Cruz Viegas

Primeiros tempos do Sport Lisboa
Coube a Manuel Gourlade a maior parte das atitudes - é isso que se percebe na documentação do Clube (presenças em treinos e iniciativas - financeiras e organizativas - para dotar o clube de condições para singrar). Se as redes para as balizas (e provavelmente os postes e as traves) vinham das embarcações de pesca dos Rosa Rodrigues da Ericeira e Nazaré, o resto era tratado por Gourlade. Era ele que orientava os treinos, registava as presenças, adquiria bolas e utensílios ou, sendo poliglota, escrevia para Inglaterra, fazendo ele do «inglês» que outros clubes tinham (pelo menos um) e o Sport Lisboa...não. Era ele o «nosso inglês»! Não tanto a jogar mas a facilitar a "logística"!




O «nosso inglês» permitia ao Clube ter acesso, directamente de Inglaterra (Reino Unido), ao melhor que havia para o Futebol  em vez de adquirir o que os ingleses a viver em Portugal já não queriam.



O Clube acima de tudo
É que com a entrada progressiva de casapianos "bons de bola" relegou-o para a segunda equipa, como guarda-redes, ou seja, «autorrelegou-se» pois consta que era ele que organizava os plantéis e orientava as duas equipas. E é dele a ideia (mais uma) de reservar um pouco de energia durante os jogos - ou pelo menos não a esbanjar em inutilidades durante os encontros - para ter nos últimos 15 minutos capacidade, se fosse necessário, para empatar jogos aparentemente perdidos ou vencer jogos aparentemente empatados.


Segunda categoria do Sport Lisboa, em 1907. As equipas eram fotografadas com a disposição em campo. Da esquerda para a direita: Em cima, os defesas e guarda-redes: Henrique Teixeira, João Persónio (guarda-redes) e José Neto; Ao centro (avançados): Félix Bermudes (capitão), Eduardo Corga, Leopoldo Mocho, António Meireles e Carlos França; Em baixo (médios): Luís Vieira, Cosme Damião e Marcolino Bragança 
Segunda categoria do Sport Lisboa, em 1905 ou terceira categoria em 1906 ou 1907. As equipas eram fotografadas com a disposição em campo. Da esquerda para a direita: Em cima, os defesas e guarda-redes: Henrique Teixeira, MANUEL GOURLADE (guarda-redes) e Leopoldo Mocho; Ao centro (médios): Carlos Moteiro, Mário Monteiro e Luís Vieira; Em baixo (avançados): António Costa, António Alves, Luís Rodrigues, Eduardo Corga e António Meireles. Equipa que continua na mesa de dissecação de Victor João Carocha o maior especialista mundial em descobrir o que ninguém mais consegue nas imagens da Gloriosa História

Consta que o amor ao Clube levou longe de mais o seu esforço
Empolgado com o Clube que depressa passara de mais um clube a "Glorioso" pois derrotara os mestres invencíveis do Cabo Submarino, em plena Quinta Nova, Carcavelos, o Carcavellos Club (10 de Fevereiro de 1907) e depois sofrendo com a deserção no Verão desse ano, para o Sporting CP, de vários associados - quatro fundadores - incluindo sete futebolistas titulares e mais um futebolista reformado a jogar no segundo team - Manuel Gourlade fez com que contas da Farmácia e do Clube se confundissem. Em breve deixou a Farmácia Franco, mas deslocando-se com o Clube de Belém para Benfica o apego nas margens do Tejo eram mais fortes pois foi aí que passou a "ganhar a vida" como tradutor entre docas e navios que aportavam a Lisboa.

Lá bem ao fundo, encostado à parede, entre a janela e um fresco pintado na parede, sempre atento, Manuel Gourlade, no salão nobre do edifício principal do Asilo d' Espie Miranda. A mesma sala em 2018. Até as «pernas tremeram e as mãos vacilaram» estar junto do lugar onde, em 24 de Julho de 1932, esteve Gourlade. Ainda nem os meus avós - paternos e maternos - tinham casado 

Envelhecimento precoce
Com uma vida que dependia de alguns dias bons e muitos maus o sucedâneo de maus fizeram temer o pior tanto que Daniel Santos Brito temeu pela facto de andar sempre pela borda dos cais em passo errante e más ideias. E foi melhor interná-lo num Lar de Idosos, em Campolide. Lar que tinha, então o nome de Asilo, neste caso Asilo D'Espie Miranda junto aos arcos do Aqueduto das Águas Livres, na encosta de Monsanto, junto à outrora ribeira de Alcântara hoje canalizada por baixo de acessos ao eixo Norte-Sul e avenida de Ceuta.

Com a sua habitual curiosidade, mesmo ancião desfalecido, lá está ele bem atrás da lápide que foi inaugurada em 10 de Outubro de 1932 e que levou sumiço não existindo na actualidade, a não ser o local onde esteve. Pisar o que Gourlade pisou não é cansaço é dádiva

Foi Daniel Santos Brito que lhe levou o crescimento do Benfica
Entrou para o asilo, em 5 de Julho de 1926, aos 55 anos (a confirmar com mais rigor) e lá ficaria até falecer, em 1 de Janeiro de 1944, com 71 anos. Foi o seu amigo, companheiro no futebol e colega da farmácia que lhe ia levando as notícias dos primeiros êxitos nacionais do clube que nasceu (depois de uma ideia sua de juntar os melhores dos miúdos de Belém de início do século XX aos casapianos afamados de finais do século XIX), após o organizar até 1908 e de dar impulso nas «Asas da Águia» ao seu continuador Cosme Damião que soube engrandecê-lo e transformar a Ideia em Ideal. Cosme Damião sempre reconheceu em Gourlade a alma e o alicerce que permitiu depois a ele, enquanto ideólogo, fazer mais do muito que recebera de Gourlade. Acreditamos que foi com rasgado sorriso que Gourlade saboreou os títulos de 1930, 1931 (BI no campeonato de Portugal), 1933 (recuperar o título de campeão regional perdido desde 1920), 1935, 1936, 1937, 1938 (TRI no campeonato da I Liga), 1940 (um BIS com Regional e Taça de Portugal), 1942 e 1943 (BI no campeonato nacional da I Divisão e a primeira "dobradinha" com a Taça de Portugal). Uma vida de sacrifício chegou ao seu final com um sorriso nos lábios e coração ardente de dever cumprido. Aquela azáfama de início de século, entre as papeladas na Farmácia Franco, os logradouros à beira Tejo, as irritações com quem faltava a acordos e compromissos não cumprindo horários e combinações, as cartas para e de Inglaterra, as estações de correio, alfândega, marcações a corda e cal, balizas às costas e as Terras do Desembargador, não tinham sido em vão. Antes pelo contrário. Estava ali não mais um clube, mas O Clube.   

Como mudou a Quinta da Mineira na outra vertente da ribeira de Alcântara em frente à Quinta da Rabicha. Se cresceram os prédios em altura, atrás, dos dois edifícios do Asilo, o eixo Norte-Sul e o alargamento da linha férrea de Campolide para Pinhal Novo "limpou" as casas junto dos arcos do Aqueduto das Águas Livres. Outrora ligavam as duas quintas uma famosa ponte - para jusante da Ribeira só havia outra em Alcântara que significa em árabe, A Ponte.
A ponte do Tarujo foi-se com a canalização da ribeira de Alcântara nos anos 50 para instalar a avenida de Ceuta (a ribeira ou o que resta dela corre por baixo) mas "aposto" que Gourlade, mesmo asilado no edifício mais pequeno - o grande era a residência da família benemérita D' Espie Miranda - deve ter ido colher umas papoilas (antes de serem saltitantes) à Quinta da Rabicha 

Gourlade pode ter ido repousar para o Asilo mas depois todos conhecemos o que se passou
Eis o maior entre os maiores antes de sermos Clube e nos primeiros tempos após o sermos. Manuel Gourlade passou o testemunho a Cosme Damião e este transformou a Ideia em Ideal, o Benfica em Benfiquismo. Digam lá se em todos nós que somos o Benfica, que por vezes ultrapassamos o limite do razoável, que fazemos planos, que compramos e oferecemos Benfica, se não há um Gourlade dentro do nosso coração Benfiquista. Aquele pedaço do nosso músculo das emoções que nasceu e há-de morrer Benfica - que são das poucas células a par de algumas do cérebro que nunca se renovam mesmo que se viva 120 anos - tem um nome, só pode ter um nome, músculo Gourlade.


Gourlade a alma mater do "Glorioso"! O nosso lado do coração à Benfica!

Alberto Miguéns


NOTA À PARTE: Especial agradecimento ao dedicado leitor deste blogue Victor João Carocha (pelas ilustrações e descobertas fascinantes da vida de Manuel Gourlade) e a um dos filhos da família Rosa Rodrigues pelos pormenores que pai e tios contavam acerca da pré-fundação e início do Clube.

É aqui que continuas a estar! Sempre estiveste, como quem te conheceu, testemunhou e reconheceu a obra que iniciaste e outros souberam continuar para torná-la Gigante. Mas há sempre quem semeie primeiro!



NOTAS FINAIS:

1. Registo de baptismo (31 de Outubro de 1872)



2. Cosme Damião (Jornal "A Bola" n.º 11; 5 de Março de 1945; Página 5)



3. Daniel Santos Brito (Jornal "Ecos de Belém; 28 de Outubro de 1950; Página 2)



4. História do Sport Lisboa e Benfica 1904/1954; Mário de Oliveira/Rebelo da Silva (1954; Fascículo n.º 1; páginas 17 a 21/excertos)











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