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terça-feira, 18 de agosto de 2015

Cosme Damião no Sporting? Olhe Que Não!

terça-feira, 18 de agosto de 2015 19 Comentários
LÁ VEM À BAILA (É CÍCLICO) A HISTÓRIA DE COSME DAMIÃO TER JOGADO NO (OU PELO) SPORTING CP.


Isto a propósito do seguinte comentário a um texto neste blogue publicado em 3 de Outubro de 2011 (clicar)


Pedro Mesquita Fernandes ·
Porto
Eu sei que sei as palavras benfiquista e honestidade não andam de mãos dadas. Começa na mentira do ano de fundação e termina com a conquista do último campeonato... lol Tem algum nexo dizer que o SCP recusou o convite do Huelva e que uma hipotética selecção de Lisboa equipou à Sporting porque era a do capitão? E se o SLB tinha acabado de ser campeão porque é que o misto lisboeta equipou à Sporting? É lógico que o SCP foi convidado e gostava de saber a que báu foram buscar essa teoria. O SCP tal como o CIF terá optado por convidar atletas do SLB e demais clubes visto não ser de estranhar terem melhores equipas não tivesse o SCP terminado a época em 5º lugar.... O Cosme Damião efectivamente jogou pelo adversário e não por nenhum misto, facto. Dói ter um fundador jogar pelo rival mas se fossem inteligentes o suficiente para analisar a conjuntura da altura perceberiam que tanto ele como os demais jogadores do SLB deveriam ainda nutrir uma grande amizade pelos diversos atletas que abandonaram o SLB em Maio de 1907 (melhor dizendo abandonam o Sport Lisboa lol)... Não deveria ser assim tão repugnante conviver e jogar com alguns... Provavelmente até o Cosme meteu algum ao bolso por fazer este jogo pelo SCP, é a vida! Conclusão, acham que o Cosme imaginaria em 1910 a rivalidade que surgiria depois? lol



Lol. Prévio. Nem vou comentar as duas primeiras frases porque  só merecem desprezo. E com desprezo ignora-se. Aplica-se na perfeição a frase "misturar alhos com bugalhos". No final desta "posta" veremos quem é honesto e quem é pantomineiro! Lol

Lol. Há um frenesi nos últimos anos por "descobrir" assuntos da História do Futebol que há muito foram "descobertos". Como se alguém quisesse descobrir a pólvora no século XXI. A história desse jogo em Huelva está escrita nos jornais da época e foi historiada em 1940. Cada um pode interpretar como quiser e onde quiser. Depois há quem tenha credibilidade e quem não tenha. Eu não faço qualquer interpretação de factos que não presenciei. Nunca o fiz, nem farei. Limito-me a divulgar o que foi escrito e dito acerca de assuntos que não presenciei nem vivi. E neste "caso" quem divulgou esse acontecimento - Tavares da Silva, Ricardo Ornelas e Ribeiro dos Reis - merecem-me toda a atenção e respeito. Sei que há no entanto quem pouco perceba de assuntos específicos mas que escreva acerca de tudo. Talvez por saberem pouco e por isso nunca terem dúvidas. Lol






Quanto aos três nomes que escreveram o texto ou que se responsabilizaram por ele:

Tavares da Silva tinha seis anos mas conviveu com muitos dos futebolistas que se deslocaram a Huelva. Nasceu em Veiros/Estarreja (29 de Novembro de 1903) e faleceu em Lisboa (19 de Outubro de 1958) aos 54 anos. Sportinguista assumido, foi jogador de futebol sem grande destaque, mas seria como jornalista - Stadium, A Bola, O Norte Desportivo, Diário de Lisboa (entre 1933 e 1958) entre outros - que ficaria famoso ao criar a expressão "Cinco Violinos". Também foi treinador (Associação Académica Coimbra, CF "Os Belenenses", Lusitano GC Évora, SC Covilhã, Oriental/COL, Caldas SC e Sporting CP, onde conquistou o campeonato nacional e a Taça de Portugal em 1953/54) e seleccionador nacional (1931, 1945 a 1947, 1951 e 1955 a 1957).

Ricardo Ornelas tinha dez anos mas também conviveu com muitos dos futebolistas que fizeram parte do Misto. Nasceu em Lisboa, a 31 de Dezembro de 1899 e faleceu, em Lisboa, a 4 de Setembro de 1967, aos 67 anos. Casapiano foi essencialmente jornalista desportivo desde 1920 até falecer (desde a revista Football do seu Casa Pia AC do qual foi um dos 18 fundadores até ao Record, incluindo títulos como: A Pátria, A Tarde, Diário de Notícias (e Os Sports/Mundo Desportivo que estava ligado ao DN), Eco dos Sports, Stadium, A Bola e Diário Popular (onde escreveu até morrer) entre outros) embora a profissão fosse a de empregado de escritório numa empresa da marinha mercante, na CNN: Companhia Nacional de Navegação. Foi seleccionador nacional em 1928. Criou a popularizada expressão, para designar a selecção nacional, como "A Equipa de Todos Nós". Essencialmente casapiano (do Casa Pia AC) tinha uma costela (diria até duas, três, talvez mais...) Benfiquista.

Ribeiro dos Reis tinha 14 anos mas conheceu todos os integrantes do misto, quer por ter jogado com alguns, quer por ter sido adversário dos restantes. Nasceu em Alcântara/Lisboa em 10 de Julho de 1896 e faleceu no Areeiro/Lisboa em 3 de Dezembro de 1961, aos 65 anos. Casapiano ingressou no SLB em 1913/14 (aos 17 anos) começando na 4.ª categoria para ser capitão da 1.ª categoria, internacional por Portugal (na estreia em 18 de Dezembro de 1921 como avançado-centro) depois seleccionador nacional em 1925, 1926 e 1934. Com profissão na Administração Militar onde foi Oficial destacado - era tenente coronel quando faleceu - destacou-se o jornalismo desportivo (O Sport de Lisboa, Diário de Lisboa, Os Sports e A Bola, que fundou com Cândido Oliveira e Vicente de Melo). No Benfica foi destacado dirigente, ainda no tempo de futebolista, passando a capitão-geral (em Agosto de 1926, depois do afastamento do cargo de Cosme Damião - que esteve em Huelva, ou não fosse o motivo deste texto - e treinou Ribeiro dos Reis entre 1913/14 e 1925/26, nesta época já na 4.ª categoria pois Ribeiro dos Reis mesmo seleccionador nacional fazia o percurso descendente da 1.ª para a 4.ª categoria na primeira metade dos anos 20 quando o fizera ascendente a partir de 1913/14). Tantas vezes juntos, devem ter falado desta ida do grupo de futebolistas a Espanha. Ribeiro dos Reis no Benfica foi presidente da Mesa da Assembleia Geral, entre 1940 a 1944 e de 1948 a 1956, sendo fundamental na epopeia da construção da Saudosa Catedral. Treinador em vários períodos do Glorioso Futebol conquistou dois títulos no Campeonato de Portugal (actual Taça de Portugal) em 1930/31 e 1934/35. Foi ainda campeão de Lisboa em 1932/33. Numa conquista épica que parecia impossível face ao poderio da equipa do CF "Os Belenenses" e que Ribeiro dos Reis classificou como uma "conquista só possível pela Mística" utilizando o termo pela primeira vez (que se saiba!). Em 30 de Agosto de 1933 foi agraciado pelos restantes associados do SLB com a distinção suprema do Benfica, a "Águia de Ouro". Uma das maiores figuras do futebol em Portugal. A par de Cosme Damião as duas maiores figuras do Benfiquismo. E nunca foram presidentes da Direcção.

Três nomes de valor irrepreensível. Contemporâneos do acontecimento e conhecedores do futebol nos anos 10. Eu acredito neles! E o Pedro Mesquita Fernandes? Acredita mais neles ou mais em si. Nestas suas interpretações revisionistas, porque sim!

Depois há as notícias da época.

Em Espanha:



No jornal "Os Sports Illustrados" mais desenvolvido (clicar) (clicar)



Na revista "Tiro e Sport" mais resumido (clicar)


Carrega Misto!

Alberto Miguéns

NOTA1: Agradeço publicamente ao Benfiquista Francisco Veloso que me emprestou a obra para poder digitalizar essas quatro páginas;

NOTA2: O facto de terem jogado com os equipamentos do Sporting CP (que não é explicado no texto por não ser sequer questão) só posso explicá-lo de acordo com o que se fazia nesse tempo. 
Quando se organizava um Misto jogava-se com o equipamento do clube de quem organizava/seleccionava os futebolistas, ou seja, com os equipamentos do clube onde jogava o capitão. O que é compreensível. Já era complicado fazer equipamentos para as épocas quanto mais para um jogo. É preciso perceber que não havia equipamento à venda. Nem havia pronto-a-vestir. Os equipamentos eram feitos por alfaiates (ou modistas no caso da roupa feminina). Os emblemas eram bordados individualmente. Os calções e camisolas eram feitas individualmente daí se perceber, mesmo nas fotografias a preto-e-branco vários tons de cores garridas, como o vermelho do Benfica. Muitas vezes eram os jogadores mais abonados em finanças a comprarem junto de um alfaiate o "seu" equipamento e de uma bordadeira o "seu" emblema. Estamos a falar em 1910. É preciso ter noção! Fazer um equipamento para um jogo envolvia escolha de cores, composições e criar um emblema, além de tempo (no alfaiate) e dinheiro esbanjado em onze conjuntos de calções, camisola e emblema que não fazia qualquer sentido. Nenhum sentido, como é óbvio;

NOTA3: Nos anos 10 há vários jogos de mistos em que o capitão foi um jogador do Benfica. Onde se jogou com o equipamento do Benfica. Isso não faz destes encontros (geralmente internacionais), jogos do Benfica!
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