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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

116 Anos Com Assinatura

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020 3 Comentários
QUASE DOZE DECÉNIOS CUMPRIDOS E O CLUBE CONTINUA A RECONHECER AS ASSINATURAS.



Fundado com princípios de elevação que condicionaram o Futuro e objectivos simples, mas ambiciosos, o Clube foi sempre fiel aos que o fundaram. Essa essência diária e coerência secular permitiram um crescimento imparável com o engrandecimento a colocá-lo entre os melhores do Mundo.


Solidariedade
O Lema “E Pluribus Unum” que para os fundadores significava “Todos Por Um” como consta da estrofe do Hino, marcou o início do Clube, então e até 1908, Grupo Sport Lisboa, vincando a Ideia de que o emblema só singraria se conseguisse ombrear rapidamente com os mais fortes e enfrentar o domínio que os ingleses exerciam no futebol em Portugal. O Clube fortaleceu-se, por dentro, com métodos elementares mas exigentes, onde a entreajuda permitiu ultrapassar dificuldades. Foram anos em que se encontraram soluções para problemas prementes e, até, começar a ter soluções que antecipassem problemas previsíveis. O Futebol depressa se tornou «Glorioso», logo em 1907, sendo o espelho, para o exterior, do que era a realidade vivida no Clube. A organização dos quatro plantéis ou categorias a participar nos quatro campeonatos regionais era feita de modo a tornar todas competitivas e conquistadoras. Eram os futebolistas que estavam ao serviço delas e não as equipas ao serviço de uns ou de outros. Esta exigência de superação nunca permitiu fazer distinções, excluir ou vilipendiar quem quer que fosse. Nem sequer os adversários, instituições ou jogadores, que eram respeitados como tal, mas sempre para se tentar vencer, por isso, categoricamente. Todos os que chegavam eram bem-vindos se viessem ajudar e engrandecer. E assim se foi erguendo um colosso desportivo com base numa sã solidariedade.


Lisura
A Águia como elemento-símbolo transportou o Clube até à actualidade fazendo reconhecer o Benfica, entre os portugueses e estrangeiros, como um emblema que era exemplo, nos processos e no modo como sabia vencer (quase sempre) mas também perder (quando outros eram mais fortes). Os portugueses desde cedo se apaixonaram por um clube que além de vencedor e conquistador era simples, nas atitudes e exemplar, nas decisões. Temerários e brilhantes os associados, dirigentes e jogadores souberam merecer o apoio de cada vez mais portugueses. A paixão de uns e outros tornou-se reciproca. Mesmo nas escassas derrotas e insucessos havia, até dos adversários, um reconhecimento inequívoco. O Benfica era um clube que honrava Portugal e o Desporto, porque encarava os jogos, as provas e competições com vontade extrema de as vencer, mas sempre com lisura.


Benevolência
O vermelho-e-branco pontuaram sempre a História do Clube, desde 1904 até 2020. Da arcaica flanela herdada do século XIX às fibras sintéticas do século XXI. O vermelho é símbolo de garra, orgulho e brilhantismo. Tolerantes e exigentes, o vermelho dá o toque da paixão, da fogosidade, emoção e beleza. Atrai quem o vê, emociona quem o usa. Jogadores e adeptos seguem juntos, irmanados numa conjugação forte onde impera a benevolência. 


S.L.B.
Após 116 anos e outras tantas temporadas a jogar futebol a um nível sempre elevado, praticando outros desportos praticamente pioneiro em todos, o Benfica de hoje mantém intactos os valores do início do século XX. Com a mesma garantia de outrora. O Benfiquismo não é algo exterior que se possa destruir com facilidade. É muito mais que uma carapaça, até uma impressão digital. Está dentro de cada um, herdado de gerações anteriores e passada às seguintes. É um sentimento de pertença em que cada um se entrega, por isso nunca se poderá temer o Futuro. Não há na globalidade máscaras ou armaduras. Os Benfiquistas deram de cada um a sua individualidade, como as assinaturas que mostram em escrita a personalidade de cada um para formar o todo. O conjunto de assinaturas de cada um de nós, por isso de todos, continuam diferentes, mas também continua intacta a assinatura colectiva:

Sempre Leais ao Benfiquismo

Carocha, Victor João
Miguéns, Alberto

NOTA: Que toque o Hino, interpretado pelo Órfeão do Sport Lisboa e Benfica. Nunca é supérfluo recordar que foi pedido por Félix Bermudes ao maestro Alves Coelho (pai), entre 1928 e 1929, uma melodia intimista para que os futebolistas - até aos Anos 50 todos sabiam a letra do Hino e a melodia - o entoassem em momentos, durante os jogos ou no intervalo, em que a actuação não estivesse a correr À Benfica. Por isso, o refrão incitava-os, reafirmando que tinham condições para redobrar os esforços e tudo correr melhor. 

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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

CXIV

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018 27 Comentários
28 DE FEVEREIRO DE 1904: DE MANHÃ A TREINAR, DEPOIS ALMOÇAR E FUNDAR.



CXIV

Seguiu-se treinar, treinar, treinar até jogar quase um ano depois, no Primeiro de Janeiro de Mil Novecentos e Cinco.



De manhã no "sítio do costume"...
Chegado o momento certo foi comparecer num treino marcado para o final da manhã desse domingo no terreno que ficava suficientemente longe da azáfama do bairro e suficientemente perto das habitações onde moravam os miúdos de Belém. Sem vestiários/balneários devia ser ainda e depois nas suas casas que se equipavam e desequipavam. Os casapianos eram sobejamente conhecidos e viviam longe não tendo nada a provar por isso a treinar.



...À tarde também
Depois de muitos terem almoçado num dos dois sítios habituais - António das Caldeiradas ou Café do Gonçalves - depois de treinos e jogos foi numa das dependências da Farmácia Franco que se consumou o que nos faz andar agora por aqui a assinalar. Estava fundado O CLUBE e definidos os requisitos mínimos para o seu funcionamento.



Escolha dos símbolos
As cores devem ter sido o mais fácil - branco que vinha do Football Club (Belém) e vermelho como a cor da alegria, garrido, vivacidade, base do entusiasmo na refrega desportiva - e aquela que mais atraía transeuntes para um clube que treinava e jogava em terrenos públicos junto de um bairro populoso onde crianças eram mais que muitas no início do século XX. José da Cruz Viegas (defesa à direita) no FC (Belém) propôs e o desafio foi aceite com facilidade.
O nome é sempre o mais complexo. Ainda é assim com muitas pessoas e empresas. Entre várias propostas ficou assente: Grupo Sport Lisboa (depois reduzido, como é habitual) a Sport Lisboa, mas também era referido na Imprensa como Grupo de Belém. Vulgaríssimo na época indexar as equipas aos bairros onde viviam os seus futebolistas.
O emblema envolvia não só escolher os seus elementos constituintes, como a disposição das cores, o significado e...desenhá-lo para depois ser bordado (que podia...) no bolso branco da camisola vermelha.


Divisão dos futebolistas por duas equipas
Os melhores para representarem o Clube frente a equipas dos melhores clubes e um segundo grupo para enfrentar igual equipa dos adversários mais fortes ou as melhores equipas de clubes menos poderosos.



Em breve havia até uma terceira
Com o sucesso crescente e a fama a impor-se de um modo inexorável já havia futebolistas em quantidade suficiente para constituir um terceiro grupo. Adversários é que devem ter escasseado. Nesses primeiros anos só o Grupo dos Pinto Basto, depois Internacional (CIF) com campo arrendado em Alcântara conseguia movimentar tantos jogadores.

Se há Águia em que os nossos fundadores se devem ter inspirado foi nos estandartes das Legiões Romanas em que a nobre ave heráldica agarrava nos suas garras implacáveis a divisa «Senado e PopulaQão de Roma» substituindo-a por E PLURIBUS UNUM, no sentido de "Todos por Um" como verteu no primeiro verso na primeira estrofe do Hino, Félix Bermudes um dos pioneiros que só não foi fundador porque, neste dia, há 114 anos, não estava, nesse domingo, em Belém 

Muitas civilizações imperiais tiveram a Águia como símbolo de soberania mas, pelo que se conhece, apenas os Romanos empunhavam nos bastões e modelavam em pedra a Águia com a cabeça abaixo das asas numa demonstração de força perante os inimigos que estavam em terra como em terra estão a maior parte das presas das águias. Numa feliz composição o magnífico desenhador Stuart Carvalhais, em 1929, ergueu a cabeça da Águia dando mais sentido ao último verso da segunda estrofe do Hino: «Erguendo ao alto o nosso emblema»

Emblema: esse eterno símbolo
Foi uma grande escolha, cheia de simbologia com base na Águia (ave altaneira, símbolo de elevação da Ideia e do espírito de iniciativa com que se fundou o Clube) e num lema (assumindo a vontade de união, alma colectiva e força como se de uma família se tratasse) sendo a divisa latina E Pluribus Unum elevada para o Céu como se fosse todo o clube a subir até onde tem inicio o infinito. Félix Bermudes que acompanhou os primeiros tempos verteu para os versos do Hino (1929) essa Ideia de 1904, recuando 25 anos, para depois avançarmos até aos 114 e seguintes...


Obrigado a todos vocês aí no «Quarto Anel» que tanta Glória têm sentido em 114 anos. O sentido que souberam dar ao Clube:

Abílio Meireles
Amadeu Rocha
António Rosa Rodrigues
António Severino
Cândido Rosa Rodrigues
Carlos França
Cosme Damião
Daniel Santos Brito
Eduardo Corga
Francisco Calisto
Francisco Reis Gonçalves
Henrique Teixeira
João Inácio Gomes
João Goulão
Joaquim Almeida
Joaquim Ribeiro
Jorge Augusto Sousa
Jorge Costa Afra
José Linhares
José Rosa Rodrigues
Manuel Gourlade
Manuel França
Raul Empis
Virgílio Cunha

Alberto Miguéns


NOTA: Passam agora 41 anos (depois do Natal de 1976) que ouvi pela primeira vez referir o Benfica num tema musical que não está directamente relacionado com uma música do Clube ou feita por adeptos do Clube. O que eu me diverti, pois ainda não era associado - só o fui dois anos depois, em 1979 - tanto que o tema (n.º 5 da Face A: O Desporto Nacional) está "riscado" de tanto gasto. Um tema num dos melhores discos - graficamente (por Carlos Zíngaro) e musicalmente (Júlio Pereira e uma catrefada de músicos e não músicos, que talvez seja único em Portugal, até Júlio Isidro participou!) - feitos em Portugal: «Fernandinho Vai Ó Vinho» de Júlio Pereira. Neste tema além da voz de Júlio Pereira (Fernando), há ainda as vozes de José Afonso (Pai do Fernandinho que canta por duas vezes Benfica), Francisco Fanhais (Professor do Fernandinho que repartia mais desportos) e...Herman José (Ministro de todos os "fernandinhos deste país" que só quer Futebol! Pudera). E as televisões ainda não tinham inventado as tele-tascas para delícia dos Ministros. Ai, Portugal, Portugalzinho! Uma preciosidade: ouvir o enorme Zeca Afonso a pronunciar Benfica...duas vezes! 

Ah, mas que bem que te fica
Como eu seres do BENFICA!

Ah, se o BENFICA ganhar
Vamos então passear!

Por isso som no máximo que ele é o máximo!






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