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segunda-feira, 1 de agosto de 2022

O Que o FC Porto Fez Foi Comprar Troféus no Ciclismo

segunda-feira, 1 de agosto de 2022 2 Comentários

O BENFICA ESTÁ PROIBIDO DE O FAZER. O BENFICA É UM CLUBE DECENTE AO CONTRÁRIO DO FC PORTO.



Uma forma ardilosa de atafulhar um Museu - que é um espaço bem conseguido e organizado - de troféus que não foram conquistados por equipas do FC Porto, mas por equipas/clubes patrocinados pelo FC Porto.

 

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quarta-feira, 27 de julho de 2022

Batoteiros: Fazemos Corromper Portugal

quarta-feira, 27 de julho de 2022 6 Comentários

SUSPENSOS POR USO INDEVIDO DE PRODUTOS PARA FACILITAR OS TRIUNFOS.



E diminuir a esperança de vida dos atletas.

 

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sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

Francisco Valada No Quarto Anel

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021 4 Comentários

FALECEU ONTEM, AOS 80 ANOS, O GLORIOSO CICLISTA FRANCISCO VALADA.



A vitória com mais destaque foi na «Volta a Portugal», em 1966, com nove etapas a vestir a "camisola amarela", numa vantagem de 32 segundos para o Benfiquista Peixoto Alves, que foi o vencedor em 1965. A coroação foi em 21 de Agosto (clicar).

 

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quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Nicolau Imparável 200 km no Alentejo e Isolado 80 km entre Beja e Évora

quinta-feira, 22 de agosto de 2019 6 Comentários
HÁ 85 ANOS TALVEZ A MAIOR PROEZA DE JOSÉ MARIA NICOLAU, NA 3.ª ETAPA DA 5.ª VOLTA A PORTUGAL, ENTRE FARO E ÉVORA (246 QUILÓMETROS). 


Qualquer pretexto é excelente para escrever acerca de uma das maiores glórias do Benfica equiparado aos melhores futebolistas que jogaram no Clube. José Maria Nicolau fez Benfiquistas milhares de portugueses nos Anos 30 com destaque para o interior de Portugal onde o futebol não chegava, ao vivo e a cores nem a preto-e-branco pois a circulação de jornais era escassa e elitista. Eu soube que o Benfica equipava de vermelho por ter visto a «Gloriosa Equipa» numa competição na Figueira da Foz. E já corria o ano de 1965!


Cores? Vermelho! O ciclista de quem se dizia vestir mais de amarelo que vermelho!

José Maria Nicolau venceu 22 etapas em três voltas a Portugal
Distinguindo-se em muitas outras competições pois venceu todas as que se realizavam no seu tempo, pelo menos, uma vez. Mas a «Volta a Portugal em Bicicleta» é soberana. José Maria Nicolau venceu 22 etapas: sete em 19 (1931); doze em 19 (1932); e três em doze (1934). Conquistou as Voltas em 1931 (II) e 1934 (V) e só não conquistou a de 1932 (III) devido a inúmeros problemas com as bicicletas na primeira parte da competição. Mas esta ficou bem entregue a Alfredo Trindade, ciclista da União Clube Rio de Janeiro (Bairro Alto/Lisboa) e não do Sporting CP como é demasiadas vezes referido. Na «Volta de 1933» (IV) desistiu por doença, na 5.ª etapa (em 18) com um problema nos rins que lhe dificultou muitas conquistas durante esta temporada e que na "Volta" foi fatal.




Uma equipa de «super-craques» reunida para a vitória colectiva na "Volta a Portugal em 1934»: Santos Duarte (Desistiu na segunda etapa quando vestia a camisola amarela), César Luís (4.º classificado), Aguiar da Cunha (3.º classificado) e José Maria Nicolau (vencedor individual).


Nicolau era especialista em fazer fugas longas em etapas onde ninguém esperava que se pudessem fazer
Mas José Maria Nicolau era único. Ia para lá dos limites. Nas 22 etapas que venceu (correu 33 de "amarelo") conseguiu uma vitória por oito minutos e 15 segundos e três etapas com mais de nove minutos de vantagem: 9:33 numa chegada a Vidago; 9:30 numa vitória na Figueira da Foz; e, 9:13 em Évora. Há precisamente 85 anos, a cumprir pelas 18 horas e 16 minutos de hoje. Uma vitória mítica que faria dele ainda mais herói do que já era. Estava-se no final da 3.ª etapa e esta vitória seria comentada em todas as localidades por onde esta Volta, com 12 etapas, iria passar. E durante anos a fio continuou a ser escrita como "daquela vez que Nicolau os foi descolando um a um nos primeiros 50 quilómetros para depois ir sozinho pelo Alentejo até ganhar ao segundo classificado quase dez minutos".



Duas etapas a controlar
Entre a Cova da Piedade e Sines e depois entre Sines e Faro. Chegas em pelotão discutidas ao sprint com a camisola amarela no corpo de dois ciclistas do «Glorioso»:  Francisco Santos Duarte (em Sines, com José Maria Nicolau em 2.º com o mesmo tempo, tal como João Gomes, um excepcional Benfiquista, em 3.º lugar) e César Luís (em Faro, com Nicolau (3.º) e Aguiar da Cunha (2.º) todos do Benfica com o mesmo tempo). 


À esquerda, liderando como habitualmente, o pelotão - era daí que ia esmagando e deixando para trás os adversários - com pedaladas vigorosas e cadenciadas e descidas temerárias. De amarelo, a sua cor por obrigação, vermelho por baixo!

Terceira etapa, em 1934, inolvidável
Desfazendo o pelotão, um-a-um, obrigando Trindade a correr riscos que não lhe era habitual por ser um ciclista mais leve por isso tinha necessidade de "andar na roda" de Nicolau. O acidente do pequeno gigante Alfredo Trindade possibilitou uma "Volta" mais tranquila mas dificilmente algum ciclista, em Portugal, conseguiria para o Jose Maria Nicolau nesta Volta a Portugal querendo igualar os dois triunfos do seu amigo Trindade, em 1932 (pelo UC Rio de Janeiro) e em 1933 (pelo Sporting CP) com a necessidade deste clube ter na equipa um rival para Nicolau ou sujeitar-se a não ser um emblema com popularidade a nível nacional. O FC Porto pagou, bem caro, o facto de só nos Anos 50 ter percebido a importância do Ciclismo para dar popularidade em todo o País aos clubes!


Há falta de melhor que venha o «Diário de Lisboa»
José Maria Nicolau toma a dianteira do pelotão no Ameixial, a cerca de 56 quilómetros de Faro para ir deixando nos 200 quilómetros que se seguiram, todos os ciclistas para trás, até já estar isolado em Beja (depois de mais de 180 quilómetros percorridos) para conquistar, para o segundo classificado, nos 80 quilómetros finais até Évora quase dez minutos de vantagem. Impressionante!




Os tempos não estavam correctos como o jornal noticiou no dia seguinte


José Maria Nicolau controlou a resto da «Volta» averbando mais duas vitórias em etapas: Portalegre (4.ª) e Braga (8.ª) 
Foi uma «Volta» de grande classe com finais de etapas em Portalegre (voltou a vencer isolado com 33 segundos de vantagem para o segundo), Covilhã (5.º com o mesmo tempo - m.t. - do vencedor), Viseu (3.º a oito minutos e 12 segundos de Ezequiel Lino, do Sporting CP que mesmo assim ainda estava a treze minutos e 29 segundos do camisola amarela, José Maria Nicolau), Chaves (4.º com o m.t. de Ezequiel Lino), Braga (venceu ganhando mais quatro minutos e 21 segundos a Ezequiel Lino), Porto (5.º com o m.t.), Coimbra (9.º com o m.t.), Caldas da Rainha (6.º a sete segundos do vencedor) e Lisboa (2.º com o m.t.) mas entrando na pista do estádio do Lumiar na dianteira. 


Conquistou a "Volta a Portugal" com 66 horas, 31 minutos e 18 segundos com o segundo classificado, Ezequiel Lino, do Sporting CP a fazer 66 horas, 49 minutos e 34 segundos, ou seja, mais 18 minutos e dezasseis segundos. Arrasador!

29 de Agosto de 1934: A terceira vitória em tiradas da «Volta 1934» na 8.ª etapa (em 12) numa fuga que "rendeu" 3:10 para o segundo classificado na etapa e 4:21 para o segundo classificado da classificação geral

Grande José Maria Nicolau! Imortal como o seu Benfica!

Alberto Miguéns

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domingo, 11 de agosto de 2019

O Ciclismo é Uma Modalidade à Parte

domingo, 11 de agosto de 2019 4 Comentários
OS CLUBES QUE CONQUISTAM AS COMPETIÇÕES NÃO SÃO OS QUE ESTÃO INSCRITOS NA FEDERAÇÃO PORTUGUESA DE CICLISMO.



A União Ciclista de Sobrado, agora Vintagepódio - CC.



O CC de Tavira.

Mas os patrocinadores é que vencem ou perdem!


Olhem se o Futebol fosse Ciclismo?

Fly Emirates/ Sagres  - 5 // 
Aldro/ Divercol - 0



Laskasas/ Crédito Agrícola - 2 // 
MEO/ Super Bock - 1 



E no final a Fly Emirates é campeã nacional!

Alberto Miguéns

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terça-feira, 11 de setembro de 2018

Popularidade Nacional «Precoce» do Benfica

terça-feira, 11 de setembro de 2018 1 Comentários
A PROPÓSITO DO COMENTÁRIO DE UM LEITOR UM PRETEXTO PARA ESCREVER ACERCA DO QUE PARECE TER ACONTECIDO POR ACASO MAS NÃO FOI...



No texto publicado em 8 de Setembro deste ano Rivalidade em Lisboa/Portugal: Ciclismo (clicar) escreveu-se o seguinte:


Um leitor deste blogue comentou:


É esta a justificação que se ajusta melhor
Para explicar a popularidade do Benfica em locais remotos de Portugal onde não seria esperado um clube de Lisboa, nos Anos 20, já ter de forma tão expressiva e intensa.

Quem era do Benfica em jovem - principalmente futebolistas - e depois ia trabalhar para longe de Lisboa 
Levava já a essência do "Ser Benfiquista". Daí até organizar um clube local impregnado dos valores e simbologia do Clube ia um pequeno passo. Muitos Sport Lisboa e ...(localidade) foram criados após o Sport Lisboa e Portalegre, em 18 de Julho de 1911. Até 1927 foram criadas 43 Filiais com 39 no território europeu. Só assinalando as existentes nas capitais de Distrito: Portalegre (1911), Setúbal (1913), Braga (1914), Santarém (1915), Faro (1916), Castelo Branco (1924), Viseu (1924) e Coimbra (1925). Depois Évora (1928), Bragança (1928), Beja (1931), Guarda (1935) e a primeira Casa do Benfica, no Porto (em 1 de Janeiro de 1950). Apenas Viana do Castelo, Vila Real, Aveiro e Leiria não tiveram Filiais, além da cidade do Porto (há um Sport Lisboa e Porto mas sem ligação oficial).

Nada que Cosme Damião não percebesse precocemente
Como demonstra na entrevista publicada em duas páginas (4 e 5) "Os Sports Illustrados" no nº 72, em 28 de Outubro de 1911. Era este o caminho. Um dos caminhos do Benfiquismo. Um pequeno excerto, na página 4, dessa notável entrevista referente a este assunto: expansão dentro e fora de Lisboa.


Quando se pensava assim em 1911
Não é difícil entender que em 1927, aquando da realização da I Volta a Portugal, entre 26 de Abril e 15 de Maio, em muitas localidades já se soubesse o que era o Sport Lisboa e Benfica. Apesar de nunca o terem visto.



Quando se escreveu «Precoce»
É porque não passa de ilusão. De precoce nada tinha. Apenas parece. Lendo Cosme Damião, em 1911, está tudo bem explicado.

O Benfica na vanguarda das iniciativas de engrandecimento clubístico

Alberto Miguéns


NOTA: Quando nos Anos 80 andei pelo País - aproveitando deslocações profissionais - à procura da implantação regional do Benfiquismo recordo uma história, em Coimbra, que envolve Filiais, Ciclismo e o...Sporting CP. Questionei na Associação de Futebol de Coimbra quem seria o conimbricense mais idoso que soubesse do futebol na cidade. Indicaram-me a morada de um ancião com cerca de 75 anos e lá fui. Contou uma história deliciosa. Iniciou-se no futebol através do entusiasmo de José Domingos Fernandes (jogou no SLB entre 1910/11 e 1914/15) quando este fundou na cidade o SL e Coimbra em 1925. Entretanto numa das Clássicas Porto - Lisboa assistiu a um acontecimento que o fez mudar para simpatizante do Sporting CP. Na rua do Sofia (nome da artéria na cidade que correspondia à Estrada Nacional n.º 1 ao atravessar a margem norte da cidade) um cão atravessa-se na via derrubando o ciclista em fuga - Filipe Melo do SCP. Este que vinha com uma velocidade impressionante mesmo tendo já percorrido mais de 100 quilómetros desde a saída no Porto, sofre uma queda, vai buscar as duas garrafas de água que se soltaram, lava os joelhos a sangrar, esfrega-os, monta-se na bicicleta e pedala a grande velocidade. Ele corre até à ponte sobre o rio Mondego e só já o avista para lá da colina de Santa Clara a desaparecer no horizonte. Fica tão impressionado que passa a ser simpatizante do Sporting CP devido ao que acabara de assistir. Nos Anos 10 a 40, mesmo até aos Anos 50, os ciclistas impressionavam pela velocidade - fazendo de simples bicicletas praticamente iguais às de muitos portugueses - autênticas máquinas de rolar como se fossem motorizadas. E depois tinham uma resistência e coragem para lá do imaginável.   

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segunda-feira, 13 de agosto de 2018

O Ciclismo é Uma Mentira

segunda-feira, 13 de agosto de 2018 5 Comentários
NA FEDERAÇÃO PORTUGUESA DE CICLISMO (FPC) NÃO EXISTE NENHUM CLUBE REGISTADO COMO FUTEBOL CLUBE DO PORTO. POR ISSO NÃO PODE VENCER COMPETIÇÕES ORGANIZADAS PELA FPC.



É tudo uma mentira pegada patrocinada pela FPC que mostra como a modalidade deixou de ter moral (dopam-se até ao tutano) e ética (passam por aquilo que não são).

O clube que venceu a 80.ª Volta a Portugal em Bicicleta denomina-se...
União Ciclista de Sobrado. É assim que está registado na FPC com licença emitida em nome da Vintagepódio - Clube de Ciclismo. O W52 camisarias e o FC Porto da treta, bem como o «Mestre da Cor» são os principais patrocinadores oficiais desse clube (ver Wikipedia, por exemplo) ou contactar a FPC (se tiverem uma "cunha").



Então...assim em 1999 o Benfica não ganhou a Volta a Portugal mas sim o principal patrocinador 
A Winterthur. Apesar do clube registado na FPC ser o Sport Lisboa e Benfica. Mas se o FC Porto vence «Voltas» como patrocinador de um clube porque não são vencedores das outras «Voltas» os patrocinadores dos clubes que as venceram?


Se o Futebol funcionasse à Cicloportuguesismo...
O campeão de futebol português em 2016/17 foi a "Fly Emirates" talvez Fly Emirates Football Club!



Segundo quem sabe destes assuntos porque age assim o FC Porto?
1. Por que sabe que lhe indexam os triunfos mesmo não passando de um patrocinador oficial como já houve centenas em 80 anos de Voltas a Portugal, mas o melhor é o que está para vir...
2. Se houver algum "problema" menos grave (dopagem) ou mais grave (algum ciclista em "coma" ou morto devido a dopagem mal feita) NUNCA lhe serão imputadas responsabilidades pois o FC Porto é apenas oficialMENTE um patrocinador. As responsabilidades criminais serão imputadas ao clube que está registado na FPC. Com licença da responsabilidade desta. 

Estes tipos portistas têm sempre a mania que são mais espertos que os restantes mortais. E o que irrita é que são!

Espero que o Benfica não copie os maus exemplos!

Alberto Miguéns

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terça-feira, 5 de setembro de 2017

Era Uma Vez o Vermelho

terça-feira, 5 de setembro de 2017 6 Comentários
HÁ PRECISAMENTE 52 ANOS (A COMPLETAR POR VOLTA DAS 15:30 HORAS DA TARDE DE HOJE) DESCOBRI QUE O BENFICA ERA VERMELHO.


E foi na Figueira da Foz. E foi através dos ciclistas. No fundo os ciclistas do "Glorioso" nos Anos 60 foram para mim o que José Maria Nicolau foi para muitos portugueses nos Anos 30.

NOTA INICIAL: Mais do que assinalar a data, uma homenagem ao meu pai que partiu deste Mundo muito cedo. Provavelmente para o "Quarto Anel". Não ligando a clubes e ao Futebol, antes pelo contrário, acabou por ser ele a dar-me a "notícia" que o Benfica equipava de vermelho.

Parece mentira mas é verdade!
Pode-se perguntar? Como é que se consegue conhecer o dia e ainda para mais a hora (mais ou menos) em que se sabe que o Benfica equipa de vermelho? Sabe-se por uma série de coincidências que tornaram possível localizar no tempo esse momento. Antes de mais a grandeza do Benfica. Depois a impressão que o Clube causava numa criança que vivia longe da Sede/cidade/estádio do "Glorioso". Finalmente - e isso é que torna tudo isto possível - a existência de um fogo nas proximidades do evento precisamente enquanto decorria a competição.

Sempre soube que foi naquele momento
Embora durante anos - quarenta! - não soubesse a data (ano, mês e dia) muito menos a hora. A história é fácil de contar. Para mim é deliciosa porque consigo localizar (no tempo e espaço) a "descoberta" do traje deslumbrante da "Grande Namorada", ao vivo e a cores (literalmente). Vivia na Figueira da Foz - entre Novembro de 1962 e Maio de 1967 - e naquele dia o meu pai lembrou-se de me levar com ele para «ir ver os ciclistas no Circuito da Figueira». Descemos do "bairro da Estação/Casal do Rato" onde vivíamos e ficou em frente à estação ferroviária da cidade foz do rio Mondego. Colocou-me às "cavalitas" (sentado nos ombros dele) e eis que diz, quando uma mancha colorida, predominando o vermelho, surgiu rápida na rua do cais. «Tens muita sorte! O Benfica vem à frente!». Eu incrédulo respondo «O Benfica é vermelho?!». Ele olha, por cima do seu ombro, pelo lado direito e responde: «Deves ser a única pessoa que não sabe que o Benfica é vermelho»! Lembro-me como se ainda fosse hoje. Passados 52 anos! Nunca mais me esqueci. Curiosamente quando falava com ele acerca deste episódio de uma vida, o meu pai não se lembrava da conversa.  Entretanto ouvem-se as sirenes dos bombeiros e estes rápidos dirigem-se para lá da estação dos comboios onde se via muito fumo. O meu pai (a idade jovem não perdoa) opta por ir ver o fogo e abandonar os ciclistas. Eu lembro-me de ir contrariado, mas nada a fazer. "Manda quem pode, obedece quem deve"! O meu pai não se lembrava da conversa, mas sabia de termos ido ver os ciclistas e do fogo. Pois!


A surpresa sem a ser
O meu pai pode ter ficado surpreendido com a minha ignorância, mas eu via o Benfica em televisões a preto-e-branco (sei que via - assim me dizem, pelo menos a final da Taça dos Clubes Campeões Europeus, em 27 de Maio de 1965, frente ao FC Inter Milão - mas não tenho memória de ver qualquer jogo do Benfica nas televisões enquanto vivi na Figueira da Foz) e se via fotografias era nos jornais, também, a preto-e-branco. Os «cromos dos caramelos» (por que coloridos) seriam a possibilidade de saber que o Benfica era vermelho, mas era "coisa de meninos ricos". Eu vivi na Figueira da Foz, num bairro periférico de gente pobre e problemática, entre os dois e os seis anos!


Saber de "como e onde", mas ignorar "quando"
Apesar de nunca ter esquecido o episódio, era difícil (nem tinha interesse) saber, até, o ano. Seria entre 1964 (eu com três/quatro anos) e 1966 (cinco anos). Se fosse em 1966 teria de ser antes de Maio, pois data desse mês a ida para viver em Lisboa. O tempo passou e falava do momento, onde estava e como soube através dos ciclistas, sem saber quando!


Em 2006 surgiu a oportunidade de localizar com precisão o momento
Aproveitei o facto do Ciclismo do Benfica completar o Centenário (3 de Junho de 1906) e ao fazer a Gloriosa História do Ciclismo tive atenção redobrada com a participação do "Glorioso" no Circuito «José Bento Pessoa», em 1964 e 1965. Descartei 1966 pois apercebi-me que sendo a competição um "Clássico" do ciclismo português era realizada depois da «Volta a Portugal», ou seja, no início de Setembro. O ano de 1966 estava de fora pois em Setembro de 1966 já vivia em Lisboa. O ano de 1963 estava fora de questão - teria dois anos em Setembro - sendo praticamente impossível uma criança com dois anos e meio lembrar-se de uma conversa. Embora envolvendo "Benfica" tudo seja possível. Isolando 1964 e 1965 a "chave do êxito" estava em encontrar a data exacta do evento num jornal desportivo (seria fácil) e localizar o fogo num jornal generalista (pensava ser difícil). E assim foi. Saber a data do Circuito. Foi fácil. Saber o ano do fogo. Afinal também foi fácil. Em 1964 nada se disse acerca de um fogo, em 13 de Setembro. Já em 1965 foi possível localizar o fogo. O circuito foi em 5 de Setembro e o fogo «para lá da Estação dos comboios» também foi a 5. O "Diário de Notícias" não deixa dúvidas.



Tendo o início pelas 15:30
Do dia 5 de Setembro de 1965, a "cabeça do pelotão" demoraria um minuto ou dois a chegar ao princípio da rua do Cais (actual avenida Saraiva de Carvalho). Não há a certeza (nunca há em Portugal) é que a competição tenha tido início pelas três e meia da tarde "em ponto". Exactamente às 15:30 horas.


Resumindo e concluindo
Andei anos sem saber (a data e hora) e iludido, acabei desiludido. Sempre pensei que o Benfica tivesse vencido a competição. A idade do meu pai (27 anos, em Setembro de 1964) fez com que optasse pelo fogo. Eu sem ter visto o fim, pensei sempre que este tivesse sido igual ao início. O Benfica na frente. Mas não foi. Resta a consolação do Benfica (António Pisco) ter vencido o maior número de voltas, vinte, quer na meta (avenida da República) quer no "peão" (avenida do Cais, sem casas desse lado). Este, precisamente, a rua do Circuito onde descobri que o Benfica é vermelho.




Trocava a descoberta do "momento exacto" pela vitória no Circuito!

Alberto Miguéns

NOTA FINAL: Como ele ia rir-se desta história num blogue. Quando nem internetes havia "no tempo dele". Vai voltar a rir-se a minha mãe (que também andava por perto nesse dia embora só se lembre da multidão para ver os ciclistas e do fogo. Sempre o fogo). Tal como quando viu, quarenta anos depois, o "comprovativo" em forma de fotocópias em papel dos jornais. E lembra-se de ter que responder à "minha exigência": «Quero uma camisola de lã vermelha». E teceu-a com as mãos e duas agulhas! Ou "fez malha" como se dizia na época! E há fotografias dela. Bem linda. Ou não fosse vermelha debruada a branco. Pena as fotografias serem a preto-e-branco. Tudo a branco, preto e cinzento. Como o País. Como é que eu havia de saber que o Benfica era vermelho!
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terça-feira, 22 de agosto de 2017

O Ciclismo, os Poetas e o Benfica

terça-feira, 22 de agosto de 2017 2 Comentários
UMA HOMENAGEM E UM AGRADECIMENTO. E O BENFICA PELO MEIO. SENDO ESTE MEIO, TUDO!



Há uns dias fiz uma referência ao Ciclismo e noutro ao presidente Bento Mântua a propósito da estreia Centenária do Hóquei em Patins.

Os ciclistas impressionavam (e impressionam)
Até muito mais nas zonas rurais que nas áreas urbanas. Quando a «Volta a Portugal em Bicicleta» foi instituída e passou a realizar-se ao ritmo anual os ciclistas passaram de desconhecidos a heróis. No meio rural, mesmo nas cidades mais afastadas de Lisboa e do Porto, causava espanto como era possível pedalar com tamanho vigor e imprimir aquela velocidade a um velocípede. É que muitos dos espectadores do Ciclismo, que bordejavam estradas e ruas, por todo o Portugal, eram também utilizadores diários das bicicletas como meio de transporte. Por isso, sabiam bem, como era difícil pedalar com aquela velocidade e conseguir ser tão resistente, durante quilómetros e horas em etapas diárias com duas semanas para dar a "volta" ao território português.

A popularidade do Benfica cresceu
Por todo o País com a admiração por um enorme ciclista que tinha uma força sobre-humana, José Maria Nicolau. Impressionava como alguém tão pesado fazia parecer-se tão leve em cima de uma bicicleta. O seu rival, Alfredo Trindade era o oposto. Como é que alguém tão leve e esquelético tinha tanta resistência. José Maria Nicolau impressionava tudo e todos. Dos mais boçais e "analfabrutos" aos mais piegas. Dos iletrados aos poetas, os supremos dos letrados. Como um dos maiores poetas portugueses de sempre (e do século XX): Ruy Belo (1933/1978). Que a morte levou cedo, aos 45 anos (clicar para wikipédia)


Quarto livro do poeta, publicado em 1970, na colecção "Cadernos de Poesia", da editora "Publicações D. Quixote", de Lisboa;  O cuidado com este livro mereceu uma 2.º edição, com prefácio escrito, em 18 de Abril de 1978 (faleceu em 8 de Agosto de 1978) na colecção Forma da pela Editorial Presença; Lisboa. A edição fotografada é a 3.ª (primeira pela editora Assírio e Alvim, em Outubro de 2011)
(clicar em cima da imagem para obter melhor visualização)


Faleceu a ouvir a proeza do Glorioso Fernando Mendes e da equipa do Benfica. Morreu com Fernando Mendes de "camisola amarela". A sua camisola de mérito para lá do "Manto Sagrado". Em 25 de Agosto de 1969 (clicar para a notícia da etapa desse dia no jornal "Diário de Lisboa"). Completam-se na sexta-feira, 48 anos que partiu para o "Quarto Anel"
Do Louletano DC para o CF "Os Belenenses" e deste para o "Glorioso". E tem um neto Benfiquista "cinco estrelas". Tal avô, tal neto...

Quando um dia entrevistaram Cabrita Mealha
Um notável ciclista que chegou ao Benfica, em 1940, quando José Maria Nicolau deixou de correr, ele explicou de forma simples muito do que é o Ciclismo. Senhor Cabrita Mealha! Porque é tão dispendioso um clube contratar um ciclista? O ciclista respondeu: Não se faz de uma bicicleta uma mota só a comer pão-com-chouriço!


  
Quero agradecer ao familiar de Bento Mântua
Que me ofereceu um livro do Glorioso Presidente. Eu só tinha lido um (como escrevi neste texto - clicar) e eis que depois de publicada essa "posta", recebo o convite para ficar com outro. Não sendo bem um livro de autor, pois é uma recolha de poemas de outros poetas, não deixa de ter um longo prefácio. Lendo a escolha dos autores, pois a recolha foi feita em parceria com Albino Forjaz de Sampaio, fica-se com a ideia do bom gosto. Bento Mântua revela-se melhor leitor, mais erudito, do que escritor. Uma excelente recolha de poemas sobre a "mais velha profissão do Mundo" publicada, em 1938, em «O Livro das Cortesãs». É bem verdade que tudo pode mudar - língua, alfabeto, comida, roupa, bebidas, habitação e costumes - de país para país, de cultura para cultura. Mas pão, água e prostitutas são universais. Nos mais de 30 países que já visitei é uma constatação.  


Além de uma boa escolha de poetas e poemas as ilustrações são de grandes artistas. Entre eles Stuart Carvalhais que foi o responsável por redefinir o Glorioso emblema em 1929. O do meio (entre os sete) que ilustram o cabeçalho deste blogue

E o Benfica presente na poesia. Antiga ou mais recente
Como a cada vez mais conhecida e reconhecida romena Golgona Anghel (clicar para saber mais), nascida em 1979 (um ano depois do falecimento de Ruy Belo). E outras referência haverá que desconheço.

Como uma Flor de Plástico na Montra de um Talho; n.º 136 da colecção "Poesia Inédita Portuguesa"; Assírio e Alvim; Maio de 2013; Porto (Porto Editora que adquiriu a Assírio e Alvim)  

É assim o Benfica!

Alberto Miguéns
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