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quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Fundação do Glorioso: A Verdade é Como o Azeite

quarta-feira, 8 de novembro de 2017 2 Comentários
A GLORIOSA HISTÓRIA É COMPLETAMENTE TRANSPARENTE.



Só gentios preconceituosos, mal-intencionados e preguiçosos podem questionar o que ficou "preto-no-branco" com a publicação, em fascículos a partir de Janeiro de 1954, da Obra Fundamental de Mário de Oliveira e Rebelo da Silva (História do Sport Lisboa e Benfica 1904/1954), com seis/sete dos 24 Fundadores ainda vivos (embora alguns já debilidades na memória) e o próprio Mário de Oliveira entrevistou Cosme Damião no início de 1945 como pode ser lido no cabeçalho deste blogue.

Quem acompanha este blogue sabe que aqui sempre se defendeu - e defenderá - intransigentemente a verdade. Pois agora - ontem - surgiu uma informação que há muito procurava. Não vou agora voltar ao assunto pois já foi descrito neste blogue muito mais que apenas uma vez. Mas fazendo um resumo.

Em tempos surgiu no portal do Benfica um texto que alterava a História do Clube. O texto era este:



Um Benfiquista fez chegar a este blogue - que teve início em 28 de Fevereiro de 2011 - o texto questionando, pois não dominando o assunto, tinha "a sensação que isto não era o que se dizia ser a Fundação do clube desde sempre". Claro que não. Por isso um grupo de três Benfiquistas - um deles já falecido por isso à memória do Benfiquista Armando Abreu Rocha deixo aqui com a minha vénia o seu nome, um indefectível do Glorioso, que já está no "Quarto Anel" - juntou-se e redigiu uma carta. A seguinte carta:


Exm.ºs Senhores
Presidente da Direcção
Presidente da Assembleia Geral e
Presidente do Conselho Fiscal
do Sport Lisboa e Benfica

Fomos há dias surpreendidos com uma informação aparecida no remodelado site do nosso Clube, no sector História – Fundação, assinada por uma denominada “Equipa de investigação histórica do SLB”.

Ali se afirma que, no dia 28 de Fevereiro de 1904, um “grupo de 10 indivíduos de Belém”, cujos nomes são referidos, “sedentos por criar um grupo para jogar football association”, ali realizou o seu 1º treino. E, logo a seguir, acrescenta-se: “São estes, em rigor, os fundadores do Sport Lisboa”.

Depois, acrescenta que “outros treinos se seguiram nos fins-de-semana seguintes com os mesmos 10 elementos”, para concluir que este grupo “será a base humana da criação do Sport Lisboa”.

Mas não se fica por aqui. O último parágrafo de tão infeliz prosa refere que o “Sport Lisboa não é, contudo, uma criação formal e não é uma realidade que acontece num único dia, ao contrário do que até há pouco tempo se pensava”, explicando: “corresponde, isso sim, inicialmente à vontade de um pequeno grupo de 10 indivíduos de criar uma equipa de futebol, os quais começam depois a recrutar outros de forma a fortalecer o seu grupo. É neste contexto que se juntam aos 10 fundadores outros indivíduos, alguns deles pertencentes à Casa Pia de Lisboa, outros não, oriundos de vários extractos sociais, que fortaleceram o grupo e ajudaram na construção de uma identidade que está mais ou menos completa em Agosto de 1904.”

Primeira constatação: segundo esta “equipa de investigação histórica”, ao fim de 108 anos, a acta da fundação do nosso Clube, na qual consta a assinatura de 24 fundadores, não vale nada. O Benfica, afinal, não tem 24 fundadores, mas sim apenas 10. E Cosme Damião, por exemplo, deixou de ser um dos fundadores do nosso Clube. Ele, como outros 13, foram-se juntando ao longo dos meses e em Agosto estavam, finalmente, todos juntos. A reunião realizada na Farmácia Franco na tarde de 28 de Fevereiro de 1904 não teve qualquer relevância.

Tudo isto seria cómico se não fosse bem triste e atentatório da história gloriosa do nosso Clube. Ao fim de 108 anos, fazendo lembrar tristes actuações de outros clubes, a nossa história é alterada. Admitiríamos que o fosse, caso novos e irrefutáveis documentos tivessem surgido, mas nada do que esta “equipa de investigação histórica” apresenta é novo e permite diferentes interpretações. A história dos primeiros anos do SLB foi feita por quem a viveu e está relatada de forma exaustiva na monumental História do Sport Lisboa e Benfica, em dois volumes, realizada no início dos anos cinquenta por Mário Oliveira e Rebelo da Silva, que tiveram oportunidade de contactar pessoalmente alguns dos fundadores e, nomeadamente, Cosme Damião. E essa mesma história está alicerçada em documentos existentes no Clube e que não permitem segundas interpretações.

Esse 1º treino, realizado na manhã de 28 de Fevereiro de 1904, está documentado num cartão existente no Clube e publicado nas páginas centrais do nosso Jornal de 27 de Fevereiro de 2009. Na tarde desse mesmo dia, como estava programado, esses 10 elementos que treinaram e mais 14 outros que por variados motivos não estiveram no treino da manhã reuniram-se na Farmácia Franco para fundar aquele que seria o nosso Glorioso Sport Lisboa e Benfica. A acta assinada por todos eles (por ordem alfabética) afirma: “Grupo Sport Lisboa 28/2/904 – Funda-se em Belém este Grupo, tendo-se realizado nesta data o 1º treino de football. Reunião do grupo na Farmácia Franco, na Rua Direita a Belém. Sócios fundadores”. Seguem-se os nomes e, no final, acrescenta-se: “… deliberam constituir a seguinte Comissão para gerir os destinos do grupo Presidente José Rosa Rodrigues, Secretário Daniel Brito, Tesoureiro M. Gourlade”.

Como é possível, 108 anos depois, vir alterar a história do Clube? Tudo está devidamente documentado – inclusive quem esteve presente, os dias, horas e locais de cada um dos 24 treinos realizados até 3 de Julho. Essa denominada “equipa de investigação histórica” começa por afirmar ter realizado uma “intensa investigação sem precedentes”. Mas não apresenta nenhum documento novo, antes tenta interpretar à sua maneira os primeiros tempos de vida do nosso Clube, desvirtuando a sua história.

Senhores Presidentes:

O Sport Lisboa e Benfica foi fundado há 108 anos por 24 jovens cujos nomes figuram na respectiva acta. A história do Clube não pode ser alterada (e falseada) em 2012, sem qualquer nova documentação de suporte. Apelamos pois a V. Exªs no sentido de ser reposta a verdade histórica, ao mesmo tempo que manifestamos a nossa viva preocupação pelas deturpações e erros que possam vir a ser igualmente cometidos no nosso futuro Museu Cosme Damião, curiosamente um dos fundadores do Clube agora proscritos.

Ao mesmo tempo que nos colocamos inteiramente ao dispor para qualquer esclarecimento adicional, apresentamos os melhores cumprimentos e calorosas

                                                                 Saudações Benfiquistas

Lisboa, 11-4-2012

                                                                 (assinaturas)


PS: Outras inexactidões, embora bem menos gravosas, aparecem na rubrica dedicada aos Presidentes do S.L.B. e às várias décadas, sendo ainda muito discutíveis algumas opções referentes aos jogadores mais em destaque na história do Clube.

O presidente da Direcção, Luís Filipe Vieira descartou-se (claro que depressa percebi porquê...) respondendo o presidente da Mesa da Assembleia Geral, Luís Nazaré que marcou uma reunião, em 26 de Abril de 2012, para "cada um dos grupos" apresentar argumentos. De um lado o triunvirato que havia feito a carta e do outro a troika que queria viciar a história do Clube - Ricardo Serrado, Luís Lapão e António Ferreira. O primeiro já foi à sua vida mas os outros dois continuam no Clube por isso os Benfiquistas têm que continuar vigilantes. Ora é aqui que "entra" o que interessa porque foi "descoberto" ontem. O cabecilha da troika foi o Ricardo Serrado. Os outros - que do assunto percebiam/percebem zero - estavam lá só para fazer número de modo a emparelhar a três. Pois um dos argumentos de Ricardo Serrado é que a acta não era verídica porque Farmácia em 1904 escrevia-se Pharmacia. Com paciência foi-lhe dito que pelo rigor com que Cosme Damião - secretário da Casa Palmela - sabia escrever mesmo numa folha lisa (sem linhas ou quadrículas) percebia-se que aquela frase foi colocada em cunha mais tarde para localizar o local da reunião em Belém provavelmente depois do Clube já estar sediado em Benfica. Outro argumento dele é que os Meireles nascidos antes da "Revisão Ortográfica de 1911" escrevia-se Meyrelles (como aliás escreveram no tal texto que fez movimentar o triunvirato). Claro que não havendo registo biográfico dos Fundadores não se podia provar. Mas desde ontem pode! Fica para o final deste texto. Diga-se que o presidente Luís Nazaré esteve muito bem, percebeu a trafulhice da troika e ordenou que o texto fosse retirado do portal e substituído por outro. Claro que - tendo as "costas quentes" - não o fizeram. E tiveram de ser os três Benfiquistas a fazer um novo texto. Só para se perceber o ridículo da situação. No final da reunião - que foi na antiga sala de reuniões da SAD - piso 1 da Catedral - onde está agora uma discoteca ou lá o que é aquilo - chegou o presidente da Direcção a perguntar se "estava tudo bem". Um dos Benfiquistas do triunvirato virou-se para ele e disse-lhe: «Tudo bem? Está é tudo mal. Tem de ser retirado o que foi feito para reparar o mal que já está feito!» Ele não gostou e fez: «Ummmmmmmm».



Ora aqui está a prova (ou provas) que Cosme Damião colocou o nome com a grafia correcta de Abílio Meireles.






Inequívoco. Nome e assinatura. Não se consegue - NUNCA - enganar a Gloriosa História.

Até à próxima

Alberto Miguéns

NOTA1 (às 09:40): Apesar de há cerca de um ano ter este documento explícito preferi esperar por documentos com a sua assinatura:



NOTA2: Quem quiser saber mais pode ler um texto dos vários que já foram publicados (clicar)


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terça-feira, 4 de outubro de 2016

O Fundador Que Deixou Marca na Pedra

terça-feira, 4 de outubro de 2016 5 Comentários
EM PEDRA DE LISBOA? QUAL QUÊ! PROFESSOR NO ENTRONCAMENTO, COM NOME DE RUA E ESTÁTUA NUMA PRAÇA!


No centro de Portugal. Ou não fosse o Benfica de todo o Portugal. Abílio Meireles de “vida cheia”. Professor de desenho e ilustrador em Lisboa. Com passagem em glória (reconhecida) pelo Entroncamento.

Quem havia de dizer?
Perto do Entroncamento vive um Benfiquista que colecciona tudo o que é e diz Benfica. Instalou naquilo que foi construído para garagens um Museu do Benfica. Nunca lhe chamo “particular” porque a sua generosidade permite a qualquer um visitá-lo. É só chegar à Atalaia e perguntar pelo Museu do Benfica. E tudo começou na histórica vila da Barquinha de onde é natural Mário Ferreira numa família de tradição sportinguista. Barquinha, Atalaia ou Torres Novas onde trabalha tudo se centra no Entroncamento onde passa inúmeras vezes. Dezenas de vezes na rua Professor Abílio Meireles e centenas de vezes na pequena rotunda de entroncamentos onde está o busto do Infante D. Henrique cinzelado pelo professor Abílio Meireles.


De um bloco de pedra igual a tantos outros uma obra com assinatura. Colocada ao dispor de todos em 30 de Julho de 1961. Abílio Meireles, fundador do "Glorioso", soube tirar desse bloco inerte este Infante D. Henrique. Das caravelas corre-Mundo (primeira globalização no Planeta) de Belém - onde o "Glorioso" foi fundado - para o entroncamento de regionalismos em Portugal via comboio
Quantas vezes não passou ele por estes locais com colecções debaixo do braço ou dentro do carro rumo ao Museu do Benfica. Para compor mais e melhor esse glorioso espaço. Por entre um fundador do “Glorioso”. Sem o saber!


Os Meireles na Gloriosa História
O Benfica teve como fundador um Abílio Meireles. E como aderentes de “primeira hora” os seus irmãos António e Ernesto. Abílio além de fundador participou em dez dos primeiros 29 treinos (1904), jogou em 1904/05 na 2.ª categoria, um encontro (1905) na 1.ª categoria e foi dos que resistiu na deserção no Verão de 1907, ficando como associado “protector” n.º 30. Já não rumou a Benfica aquando da junção, em 13 de Setembro de 1908, do Sport Lisboa com o Sport Benfica. Ao contrário do seu irmão António Meireles que jogaria entre os melhores durante quatro temporadas, de 1907/08 a 1910/11. António Meireles era da “equipa dos espertos”, a 2.ª categoria em 1906/07 - que por força da saída dos melhores da 1.ª categoria desta temporada - foram os seus futebolistas João Persónio, Cosme Damião, Félix Bermudes, Marcolino Bragança, entre cerca de dezena e meia - inscrita pelo “Glorioso” no campeonato da 1.ª categoria, em 1907/08.


Depois os irmãos foram dispersando-se
Numa actividade lúdica como o futebol no início do século XX, a permanência dos futebolistas no Clube dependia muito do local de trabalho e da disponibilidade que este permitia para continuar a praticar futebol. António Meireles rumou a Matosinhos e passou a viver em Nine. Abílio ficou por Lisboa onde teve actividade pedagógica muito intensa e desenhou com qualidade e em quantidade. Depois rumou ao Entroncamento onde já septuagenário foi figura em destaque na sociedade local. Influenciou jovens a crescerem para adultos conscientes, participou em iniciativas beneméritas e deixou marca nas ruas da cidade que o acolheu. E por onde haveriam de passar (e continuam a passar) muitos Benfiquistas sem o saberem!


A 2.ª categoria em 1906/07. Conquistou o torneio do Internacional/CIF em 21 de Abril de 1907. Uma equipa fortíssima. Será fundamental para responder à deserção para o SCP em Maio de 1907. Foi inscrita como 1.ª categoria em 1907/08.De cima para baixo. Da esquerda para a direita. Alinhados com a táctica do jogo. Em cima, os dois defesas e o guarda-redes: Henrique Teixeira, João Persónio e José Netto; Ao meio, os cinco avançados: Félix Bermudes (cap.), Eduardo Corga, Leopoldo Mocho, António Meireles e Carlos França; Na frente, os três médios ou meia-defesa (half-backs): Luís Vieira, Cosme Damião e Marcolino BragançaFotografia semelhante a outra - com menos qualidade - publicada na página 51, do volume I, da História do SL Benfica 1904-1954, de Mário de Oliveira e Rebelo da Silva; edição dos autores; Lisboa; 1954

Nos anos 50
A vida deu e deu-lhe muitas voltas. Vamos "saltar" meio século. Nos anos 50 foi professor de desenho no Entroncamento. E foi nesta então pacata vila, hoje cidade em expansão, que moldou a figura do Infante D. Henrique. 



Artista com assinatura
Metódico era um artista de corpo inteiro. Não podendo viver em exclusivo da arte que latejava não perdia oportunidade para verter a destreza para o papel. A carvão ou a tinta. Um dia com mais informação publicaremos mais desenhos e pinturas do nosso Abílio. Por agora fica a sua assinatura. A assinatura de um dos 24!



Nos anos 60
Depois de uma vida longa, proveitosa e generosa chegou ao seu final já a caminho dos 90 anos. Para trás deixou, aos 20 anos, a sua obra mais valiosa. O Clube fundado em 28 de Fevereiro de 1904. Precisamente aquela obra pelo qual o estamos a recordar hoje. E no futuro. Do Clube chegámos ao Entroncamento. Deste para a eternidade através de Abílio Meireles. Uma rua e um busto. Mas muito mais. Um Clube dele e mais 23. De 24 fundadores para milhões, 113 anos depois! Umas quantas gerações pelo meio.



Queremos mais e mais e mais
Sabemos os nomes dos três manos Meireles. Sabemos que Abílio Maria de Jesus Meireles nasceu em Macau (1883) e faleceu em Lisboa (1967). Sabemos o que ele e os irmãos fizeram no Benfica e temos alguma informação biográfica mas para nós não chega. Queremos mais, muito mais. Há necessidade de obter outra informação através de quem os tenha conhecido ou dos seus descendentes. Porque sabemos que os tiveram e que felizmente se encontram entre nós.


Os familiares destes “nossos” Meireles são muito bem-vindos a este blogue. Assim como todos!

Alberto Miguéns

NOTA1: É muito provável - a atribuição do seu nome à rua data de reunião camarária realizada em 13 de Setembro de 1973 - que Abílio Meireles seja o primeiro dos 24 a ter nome num arruamento de uma localidade em Portugal. O nome de Cosme Damião foi aprovado para ser o topónimo de um arruamento próximo do Estádio do Sport Lisboa e Benfica, o que aconteceu com a publicação do Edital municipal, em 25 de Novembro de 1991, com a legenda «Fundador do Sport Lisboa e Benfica/1885 – 1946».



NOTA2: Apesar de ter alertado o SLB várias vezes que a data inscrita na placa estava errada, pois Cosme Damião faleceu um ano depois (1947, 12 de Junho) fiquei estupefacto com a resposta que me foi dada pela última vez que dei a informação, por isso foi mesmo a última vez, por um dos maiores broncos (clicar) com que alguma vez me cruzei no Benfica. Um ex-assessor João Salgado - ex-deputado pois claro com pensão vitalícia (clicar) - que respondeu: «O que é que isso interessa. Já foi há tantos anos. Só você decora essas datas como se tivesse alguma importância um ano de diferença!» Então porquê estar a trazer para aqui a situação dele como ex-deputado subvencionado? Para que não se pense que o incompetência sobrevive na impunidade por acaso. Nunca. Há sempre uma justificação.
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