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sexta-feira, 19 de julho de 2019

Perseguição Perigosa

sexta-feira, 19 de julho de 2019 3 Comentários
ANTÓNIO SIMÕES DO JORNAL «A BOLA» É "CLIENTE HABITUAL" DESTE BLOGUE.


Ontem lembrou-se, mais uma vez, de inventar. Tal como o seu FC Porto inventou, em 1988, que afinal não foi fundado em 2 de Agosto de 1906 mas no século XIX, em 28 de Setembro de 1893, este António Simões adora inventar factos, estórias e datas. Logo estas que são fáceis de desmentir! Eis a notícia - excerto inicial - publicada na página 39 do número 16 632 (18 de Julho de 2019).


Impossível. «Desportos de Benfica» em 1917? Já não existiam!
Em 17 de Setembro de 1916, o «Desportos de Benfica» juntou-se ao Sport Lisboa e Benfica, com este clube a formar a secção de Hóquei em Patins com os hoquistas do «Desportos de Benfica». Deixou de haver «Desportos de Benfica» em meados de 1916, quanto mais em 1917! 


Em  1916/17 já "só dava Benfica"!
Como a Imprensa da época noticiou. Para escrever acerca de assuntos do passado - para alguns até do presente - é de todo conveniente ir às Bibliotecas ler o que se escreveu... antigaMENTE!



Azar de António Simões
Há até quem já tenha escrito acerca do "assunto"!




Isto até parece perseguição ao senhor Simões. Sem cifrões! 

Alberto Miguéns

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sexta-feira, 15 de julho de 2016

Eleição de Félix Bermudes

sexta-feira, 15 de julho de 2016 1 Comentários
FORAM 82 DIAS INTENSOS. EM TERMOS ASSOCIATIVOS TALVEZ OS TRÊS MESES MAIS ALUCINANTES DA NOSSA EXISTÊNCIA.


O que durante alguns dias (24 de Junho a 15 de Julho) tinha sido tratado com sigilo passa a ser objecto intenso de divulgação para os associados saberem o que os dirigentes pretendiam para o futuro da colectividade e serem parte activa na solução sendo informados dos riscos.

Era isto que distinguia o Benfica de outros grande clubes - a proximidade
Os dirigentes eram uma extensão do colectivo. Estavam dirigentes. Tinham que resolver assuntos, por vezes melindrosos, mas tomavam as decisões decididas pelos associados. O Clube era o colectivo. Eram os sócios a decidir por isso eram dados aos associados todas as informações. Eles confiavam plenamente nos seus dirigentes como extensões temporárias da vontade colectiva. Os relatórios das Direcções são impressionantes. Até o número de lápis e tinteiros de tinta para canetas, bem como o papel gasto eram apresentados aos sócios. Os associados eram de facto o Clube. O sentiam-se donos daquilo que ajudavam a pagar e respeitavam, com deferência, os que - de entre eles - estavam ao serviço de todos. 


Eleições a 15 de Julho (há precisamente cem anos)
Pois o jornal "O Sport de Lisboa" era um semanário desportivo editado ao sábado.




Era raro o sábado sem notícias acerca do futuro imediato do Clube
Vou destacar aquelas que considero mais importantes e decisivas. Passado um Agosto (que nesse tempo não era de férias nem de "estação estúpida") com ajustes na estratégia a tomar em 6 de Setembro os associados - numa assembleia geral que sempre foi um dos pilares do SLB aberta à comunicação social, neste tempo reduzida à Imprensa - tomam conhecimento do andamento de todo o processo (SLB-DB) e incentivam os seus dirigentes a defenderem intransigentemente os interesses do colectivo.



Semana de grandes decisões (9 a 16)
Trabalho intenso da Direcção liderada por Félix Bermudes sempre na continuidade das decisões dos associados nas assembleias gerais aproveitando as capacidades intelectuais de um presidente invulgar. Assertivo, racional, impoluto impunha-se pelo seu exemplo. Uma garantia de verdade e honestidade que deu brilhantismo a uma gerência curta em tempo mas cheia em boas decisões.


Um domingo (17 de Setembro) fundamental
Estava consumada a fusão que a habilidade de Félix Bermudes fez uma vez mais, como em Setembro de 1908, transformar numa junção. Em 1916 conseguiu "ir mais longe" foi uma absorção. O "inventário" das duas colectividades era díspar. O DB tinha um valor imobiliário e imaterial imensamente superior ao SLB, embora carregado de dívidas e hipotecas. O SLB apresentava-se como o melhor clube de futebol português - em prestígio, história e número de associados, bem como de simpatizantes - mas a usufruir de instalações precárias. Um andar alugado na Baixa (Largo do Carmo) e um campo com poucas condições (nem jogos internacionais recebia) em Sete Rios. Mas esmagava a concorrência no Futebol. 


Benfica dominador (até 1915/16)
Entre o início dos campeonatos disputados em Lisboa e o final dos anos 10 o “Glorioso” foi hegemónico. Da 1.ª à 4.ª categoria.

CAMPEÕES REGIONAIS DE LISBOA (1906/07 - 1915/16)
Época
1.ª 
categoria
2.ª 
categoria
3.ª categoria
4.ª categoria
1906/07
Carcavellos
-----------
-----------
-----------
1907/08
Carcavellos
-----------
-----------
-----------
1908/09
Carcavellos
Internacional
CS Império
-----------
1909/10
SL Benfica
SL Benfica
SL Benfica
-----------
1910/11
Internacional
SL Benfica
SL Benfica
-----------
1911/12
SL Benfica
GS Cruz Quebrada
SL Benfica
Sporting CP
1912/13
SL Benfica
SL Benfica
SL Benfica
Sporting CP
1913/14
SL Benfica
SL Benfica
SL Benfica
SL Benfica
1914/15
Sporting CP
SL Benfica
SL Benfica
SL Benfica
1915/16
SL Benfica
SL Benfica
SL Benfica
SL Benfica
TOTAIS
5 em 11
45 %
6 em 8
75 %
8 em 11
73 %
3 em 5
60 %
NOTAS: (1) Em 1906/07 e 1907/08 organizados pela Liga de Foot-Ball Association (LFA); (2) Em 1908/09 e 1909/10 organizados pela Liga Portugueza de Futebol (LPF); (3) Entre 1910/11 e 1947/48 organizados pela Associação de Futebol de Lisboa (AFL)

Em 1915/16
O troféu da 1.ª categoria (1.º da esquerda) já estava na posse definitiva do Clube. E o provisoriamente outro feito para nova série (que iam sendo colocadas placas dos campeões enquanto não fossem conquistados definitivamente - três triunfos consecutivos ou cinco alternados);
O troféu da 2.ª categoria (2.º da esquerda) também já estava na posse definitiva do "Glorioso". E provisoriamente um outro (que também ficaria no Clube em 1917/18;
O troféu da 3.ª categoria (2.º da direita) já estava na posse do Clube desde 1911/12, até já havia um segundo (1914/15) e provisoriamente um terceiro (1915/16);
O troféu da 4.ª categoria (1.º da direita) era a nova jóia. Prestes a ser conquistado pelo Sporting CP, em 1913/14, Cosme Damião deu-lhes um nó do tamanho da decência, conquistando-o definitivamente em 1915/16. O SCP ficou irado de verde!
No tempo - 1910/11 - em que os troféus estavam provisoriamente no clube. O da 1.ª categoria (ao centro) ficou definitivamente em 1913/14. O da 2.ª categoria (junto a Félix Bermudes) ficou na nossa posse definitiva em 1914/15. O da 3.ª categoria (junto a Cosme Damião) foi "mesmo nosso" em 1911/12 (o primeiro a ser conquistado definitivamente pelo clube). Em 1910/11 o da 4.ª categoria nem tinha tido início. Os dois bronzes entre o da 2.ª categoria e o da 1.ª foram conquistados em Abril de 1907 mas foram empenhados pelo funcionário do Clube por volta de 1915. O vaso dos torneio de futebol dos "Jogos Olímpicos Nacionais" (atrás do troféu da 3.ª categoria) foi "papado" pelo Benfica em 1913 quando o Sporting CP não quis comparecer ao jogo. Foi a terceira vitória vitória do "Glorioso" e a conquista definitiva do "jarrão"!

O Glorioso Sport Lisboa e Benfica
Era imparável, numa democracia sem paralelo, mesmo num Portugal Republicano cheio de contradições. O "Glorioso" passava a usufruir de instalações ao nível dos melhores clubes de Lisboa e passava a oferecer um "leque" de modalidades que nem o Ginásio Clube Português conseguia oferecer. 

Aprovada a fusão fizeram-se novas eleições
Com os dirigentes do "Desportos de Benfica" a ocuparem as duas presidências que teriam impacte no futuro do Clube. Nuno Themudo (principal credor do clube) como presidente da Direcção e António José Dantas no Conselho Fiscal. Foram um dos piores Órgãos Sociais em toda a Gloriosa História só comparável a alguns na actualidade.


A promiscuidade entre dirigentes do DB (agora no SLB) e na EMB começaram a causar mossa
Com muito dinheiro envolvido, muitas dívidas acumuladas, muitos bens hipotecados, tinha tudo para correr mal. E o destino marca a hora. Inexoravelmente, Mas isso são "contas de outro rosário"... Fiquemos com a nata do leite!


Digam lá se não valeu bem a pena
De um andar exíguo no Largo do Carmo o "Glorioso" passou para um edifício de grande classe. Ao nível do que tinham as melhores empresas financeiras de Lisboa - bancos e seguradoras. Eis o Benfica que passou de um Grande Clube de Futebol para um Grande Clube Desportivo.



Até eu gostava de recuar cem anos
E "apanhar" o carro eléctrico nos Restauradores, todos os meses, rumo a Benfica pagar as minhas quotas e "papar" Hóquei em Patins" no rinque e o Futebol no campo de jogos. Rinque atrás da Sede. Campo de jogos atrás do rinque!


Um dia vou voltar ao assunto (parte I)
Inauguração oficial da Sede em 1 de Dezembro de 1916


Um dia vou voltar ao assunto (parte II)
O SLB praticada Hóquei em Patins, pela primeira vez, entre associados, que eram exímios patinadores, com vasta experiência enquanto atletas do ""Desportos de Benfica". Há cem anos é bom lembrar porque há quem tenha interesse em esquecer-se deste Centenário. O Hóquei em Patins existe desde ontem!


Não foram fáceis as negociações
O ponto único do Artigo n.º 1 não deixa margem para dúvidas. Embora tenha durado até aos Estatutos de 1923. Afinal foi suprimido com facilidade. Coisas à Portuguesa. Definitiva só a morte para quem está vivo ou semi-vivo!



O que é que fez correr os "Benficas"
As magníficas instalações ainda hoje existentes, embora remodeladas e pertença da Junta de Freguesia de Benfica, a "minha freguesia". Mas evito ir lá desde que me disseram que a placa da compra da Sede (em 1945) na segunda presidência de Félix Bermudes (Acto 3) foi picadinha em farelos «porque SL Benfica é uma coisa e JF Benfica é outra! PQP!


Apesar de não ter sido autorizado a trepar ao telhado da Escola Superior de Educação para fazer o mesmo enquadramento fotográfico é possível ver, na fotografia do campo, lá ao fundo, no topo da colina os edifícios da Quinta da Granja que ainda existem! 

Até amanhã

Alberto Miguéns


NOTA: A "tal" placa descerrada, em 30 de Dezembro de 1946, na Sede do SLB (actual J.F. de Benfica) a assinalar a compra do edifício em 1945, alugado desde 1916 com dívidas "astronómicas" que foram pagas ao cêntimo. À Benfica. Sem deixar encargos para o Benfica do futuro e sem tramar os dirigentes que continuavam a transportar a Chama Imensa pelos épocas seguintes
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sexta-feira, 24 de junho de 2016

Importante Data Esquecida

sexta-feira, 24 de junho de 2016 9 Comentários
UM PEQUENO GESTO – ENVIAR UMA CARTA – QUE PROVOCOU MUDANÇAS PROFUNDAS NO RUMO DO CLUBE.


AVISO INICIAL: O texto de hoje é acerca da Gloriosa História. E é um texto “puro e duro” acerca da mesma. Só para quem gostar. Espero não defraudar as expectativas. Para quem não gosta é melhor não gastar tempo e esperar por amanhã! O que não quer dizer que o de amanhã tenha interesse. É sempre relativo.

Faz hoje precisamente cem anos – 24 de Junho de 1916 - que a Direcção do Sport Lisboa e Benfica comunicou, por carta, ao presidente da Direcção do “Desportos de Benfica” o seguinte:

«Pensando esta Direcção que da reunião das nossas associações alguma coisa de bom e grandioso adviria para o desporto português e que desta forma se poderia constituir uma associação que pudesse desenvolver com vantagem os diferentes ramos desportivos, muito gratos ficávamos se V. Ex. fizesse nomear três delegados que o nosso vai nomear, para estudarem a forma de pôr em prática o nosso pensamento, reatando, embora de forma diferente, as nossas “démarches”»
A Direcção do SLB
Dr. José Antunes dos Santos Júnior
Eduardo Conceição Silva
Eduardo Martins Pereira
Henrique Jaime Ferreira de Sousa
Francisco Alberto da Silveira
Alberto dos Santos
Cosme Damião*

* Cosme Damião não integrava a Direcção, nem qualquer outro dos dois Órgãos Sociais mas também assinou a carta. Tinha deixado de jogar em 26 de Fevereiro de 1916 mas mantinha-se como capitão-geral (responsável pela orientação desportiva do Clube)


Com entrada pelo n.º 20 do Largo do Carmo, no 1.º andar (na actualidade) onde funcionou a Sede do SLB desde 1 de Janeiro de 1915. Foi neste espaço acanhado (mesmo assim a melhor Sede desde 28 de Fevereiro de 1904) que há precisamente cem anos se escreveu a carta que iria mudar a Vida associativa e desportiva (ecléctica) do clube, mas não o Ideal. Este continuou se bem que num nível social mais abrangente. Agora uma nota menos agradável. O Clube tinha apenas um funcionário nesta Sede. Pois foi este funcionário, aquando da passagem do Benfica por este local (1 de Janeiro de 1915 a 30 de Novembro de 1916) que pegou nos dois bronzes de 21 de Abril de 1907 - os primeiros troféus conquistados pelo "Glorioso" - e empenhou-os em proveito próprio! Um dia negro que fez perder para sempre os dois primeiros troféus a entrarem no património do Clube! Actualmente resta uma imagem de 1910. Cinco ou seis anos antes do funcionário ter uma lembrança má



Iniciativa de longo alcance
Com o sucesso da carta escrita há precisamente cem anos, o Benfica iria passar de um clube meramente futebolístico (embora consagrado, reconhecido e imensamente popular) para uma instituição afirmada com um valor desportivo e social de excelência entre os clubes referência de então, com destaque para o Ginásio Clube Português. Em 1916 nascia o clube desportivo. Ficava para trás o clube de futebol.


Desportos de Benfica: Origem e desenvolvimento
Em 1912, quando o “Glorioso” deixou Benfica para ter Sede na Baixa e campo em Sete Rios também deixou uma sucursal pois tinha muitos associados e futebolistas a viver nessa zona da cidade. Tão depressa instalou a sucursal como esta se foi tornando cada vez mais autónoma. Em 16 de Fevereiro de 1913 foi fundado o “Desportos de Benfica” (DB). Os dirigentes do DB, com forte bairrismo à mistura e ideia de grandeza depressa pensaram em deixar a acanhada sede no n.º 322 da Estrada de Benfica para adjudicarem à “Empresa de Melhoramentos de Benfica” a construção de instalações de relevo e imponência (para a época e para a sua dimensão) entre a avenida Gomes Pereira e a Quinta de Marrocos, para uma Sede dotada de instalações desportivas do melhor que havia em Portugal, como a Imprensa da época reconhecia. Pelo menos do que se conhecia.


Amplo espaço para construir em 1911 (data do mapa da esquerda) um edifício com outras instalações que se mantêm na actualidade, mais de um século depois de inaugurado (24 de Maio de 1914) propriedade da Junta de Freguesia de Benfica, com rinque (centenário) e piscina (onde se localizaram os campos de Ténis)
Plano com grande ambição para o Desportos de Benfica
Reprodução de parte da página 250 da História do SL Benfica (1904-1954); volume I; Mário de Oliveira e Rebelo da Silva; edição dos autores; Lisboa; 1954 - 1956 O estado das infraestruturas aquando da inauguração em 24 de Maio de 1914 

A História da Sede que um dia seria Gloriosa
A primeira pedra foi colocada em 7 de Setembro de 1913 e a inauguração em 24 de Maio de 1914 pagando uma exorbitância mensal pelo arrendamento: 120 escudos. Os custos de arrendamento e manutenção - tinham vários funcionários - eram elevados para a expressão associativa do “Desportos de Benfica”. As dificuldades iam sendo camufladas com empréstimos de dirigentes abonados – com destaque para Nuno Themudo - que recebiam como garantia bens do clube. Até que em 1916 a situação começou a revelar-se insustentável. Havia um clube pequeno (DB) com instalações gigantes de excelência e um clube gigante (SLB) com instalações exíguas a necessitarem de serem expandidas. Estava-se mesmo a ver no que estava para acontecer! Em breve seria a Sede do SLB até…31 de Julho de 1981!   

Imagem digitalizada da página 339 da História do SL Benfica (1904-1954); volume I; Mário de Oliveira e Rebelo da Silva; edição dos autores; Lisboa; 1954 - 1956

Relações entre os dois clubes
Os dois clubes foram afastando-se à medida que os Benfiquistas foram deixando de ter destaque nas Direcções do “Desportos de Benfica”, em particular, outro gigante do Benfiquismo, infelizmente esquecido: Alfredo Alexandre Luís da Silva, que foi para Faro, fundando nesta cidade a filial: Sport Lisboa e Faro (actual Sport Faro e Benfica). Numa reunião de Direcção do “Glorioso”, em 14 de Agosto de 1915, foi abordado o assunto “Desportos de Benfica”. Henrique Jaime Ferreira de Sousa (vogal) era favorável a uma aproximação, mas Cosme Damião (capitão-geral) foi contrário. Duas perspectivas. Perceber a importância “estratégica” do edifício Sede do “Desportos de Benfica” bem como da sua implantação no tecido social e económico de Benfica permitindo à grandeza do Benfica expandi-lo para lá do bairro (para Henrique Sousa) mas cautelas acrescidas com a situação catastrófica das finanças do clube do bairro de Benfica, sabendo-se que «tinha dado um passo maior que a perna» (para Cosme Damião).

Reprodução de parte da página 248 da História do SL Benfica (1904-1954); volume I; Mário de Oliveira e Rebelo da Silva; edição dos autores; Lisboa; 1954 - 1956

Desenvolvimentos seguintes
Não foram fáceis, com avanços e recuos. Por vezes parecia impossível conciliar uma fusão desejada entre dois clubes mas onde os interesses que cada um queria salvaguardar pareciam inconciliáveis. Entre 16 de Setembro de 1916 (assembleias gerais em cada um dos clubes) e 1 de Dezembro de 1916 (inauguração oficial da Sede como propriedade, alugada, do Benfica) muita “pedra foi partida”. Algumas tão mal partidas que deixaram “lascas” que provocaram muitos dissabores num futuro muito próximo. Mas isso será assunto para 2017! Se ainda existir este blogue! E tudo indica que sim!


Estatutos do Sport Lisboa e Benfica; 1918. Aquela adenda ao artigo n.º 1 (mesmo a redacção deste) ilustra bem como foi complexa a fusão entre os dois clubes, embora o SLB mantivesse o nome! Como todos sabemos a "obrigatoriedade" esfumou-se com o tempo
Desenlace
A ida do Clube para Benfica, especificamente para aquele espaço magnífico, teve consequências desmesuradas para a época (estávamos em plena Grande Guerra). O Benfica alterou-se profundamente. Podemos dizer que “cosmopolitou-se”.
1. Antes era já um clube famoso e popular mas as Sedes não passavam de pequenos espaços – um quarto, depois dois, finalmente um andar – próximos do centro da cidade. Em 1916 passou a ter uma Sede que dava ao Clube uma aura de instituição. E era. Passou a ser;
2. Antes era ecléctico, praticando inúmeros desportos tendo como seus praticantes, geralmente, futebolistas com aptidão para outras modalidades. Em 1916 as Secções ganharam mais autonomia e há uma expansão do número de desportos praticados e qualidade traduzida em títulos. Tudo com o aproveitamento das condições que todo o espaço envolvente ao edifício da Sede proporcionava;
3. Antes o clube tinha movimento nos dias de jogo das equipas de futebol, nos espaços onde jogava, mesmo “fora”. A Sede tinha apenas um funcionário e servia para resolver assuntos burocráticos – inscrições e pagamento de quotas para os associados ou assuntos a tratar com atletas e troca de correspondência com outras entidades, de clubes a federações. Em 1916 o edifício – mesmo “deslocalizado” da Baixa da Capital, vivia um corrupio de pessoas, para praticar alguma modalidade, frequentar as actividades e iniciativas de carácter social. Um “brinquinho”!

Como um pequeno gesto mudou tanto. E tanto fez crescer o Benfica

Alberto Miguéns

NOTA1: Agradecimento público ao presidente Jorge Brito (1927 – 2006) que permitiu (autorizando) em 1993 e 1994, que eu lesse todas as actas da Direcção bem como das assembleias gerais e delas pudesse extrair apontamentos e excertos, numa manifestação de confiança, em quem não conhecia, de grande Benfiquismo. Penso que tenho provado que fui merecedor da sua confiança e que tenho honrado tal gesto com elevada consideração.

NOTA2: Agradecimento público ao Benfiquista António da Câmara Adão (1901 – 27 de Janeiro de 1980) que se dispôs, aos 78 anos, a um encontro, em 1979, na Secretaria – rua Jardim do Regedor – e poucos dias depois a guiar um jovem que mal conhecia, com 18 anos, pela Sede (embora já muito degradada) mas que ele conhecia tão bem, em espaço e no tempo, como a palma das suas mãos. Lá no Quarto Anel espero que ele não tenha de me ouvir dizer/escrever muitas asneiras (disparates) acerca de assuntos que só ele podia contar com total veracidade e ínfimo pormenor. Obrigado pelo que aprendi com um Benfiquista de valor incontável. Naqueles dias subi mais dois - dos milhares de degraus - que o Benfiquismo, felizmente, tem!

NOTA3: Em 15 de Julho de 2016 o «Em Defesa do Benfica» regressará a este assunto, embora numa outra perspectiva abordando a primeira eleição de Félix Bermudes para presidente da Direcção do SLB. Isto porque além desse significado intrínseco – ter um dos pioneiros do Sport Lisboa a presidir ao SLB – estes Órgãos Sociais tiveram o propósito de “preparar o caminho” para a fusão dos dois clubes: Sport Lisboa e Benfica com o Desportos de Benfica.
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