OPINIÃO
Estádio 28 de Maio (Braga): Após 1944, não demorou muito tempo até a cidade do Porto começar a pedir um Estádio Nacional para o Norte. E começaram os preparativos, só que cedo se percebeu o objectivo do pedido. Não se tratava de um estádio para o “Norte” mas sim de fazer um estádio “à borla” para o FC Porto, pois o estádio seria construído a cem por cento pelo Estado ficando o FC Porto com direito de usufruto por 49 anos assegurando os custos de manutenção. Espertalhões! O governo percebeu a “golpada” e disse que haveria um estádio a norte, mas seria construído em Braga, cidade onde teve origem a Revolta Militar de 28 de Maio de 1926 e ficaria sob a responsabilidade da Câmara Municipal, não seria de nenhum clube. Foi inaugurado em… 28 de Maio de 1950 para assinalar o 24.º aniversário da Revolta Militar.
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MORAL DA HISTÓRIA:
Havia um clube que beneficiava do apoio do Regime
De um Regime que se apropriava de comemorações
Mas o clube do Regime afrontava as datas do Regime
O Regime afrontado ficava a gostar mais desse clube
Tal como: Quanto mais me bates mais gosto de ti
Que amor louco entre o Regime e o Clube que o ignorava
Aviso Prévio: Texto longo
«É necessário repetir muitas
vezes uma mentira que acosse o inimigo para que ela se torne verdade» Citação atribuída ao Ministro da Propaganda Nazi, Josef Goebbels (1897 – 1945)
A pretensa ligação do
Benfica ao Estado Novo/ Antigo Regime faz parte da propaganda andróide (secundada,
como noutros assuntos, pelos sapóides) tendo um dupla intenção: denegrir o
Benfica (conotando-o com um regime político nefasto) e justificar porque é, na
actualidade, o Benfica o maior clube português (o “Glorioso” só é o clube mais
popular em Portugal, prestigiado no estrangeiro e com mais títulos
conquistados, porque foi apoiado durante os 48 anos do Estado Novo). O azar dos
aldrabões é que «apanha-se mais depressa
um mentiroso que um coxo» (ou deficiente motor, utilizando o politicamente
correcto tão do agrado dos bem-pensantes do mundo ocidental). É isso que vamos
mostrar, ilustrar e demonstrar em cinco penadas, publicando-se, hoje, a segunda.
Os Estádios e o Estado Novo
Estádio Nacional (Oeiras): Após muitos anos
a imaginar - e outros tantos a pedi-lo -para Portugal um estádio com capacidade
para albergar, em condições dignas, milhares de espectadores e um campo “igual
aos do estrangeiro”, ou seja relvado e não “ervado” para receber condignamente
as selecções estrangeiras, jogos internacionais de clubes e as finais da Taça
de Portugal, eis que o Estado Novo, através do ministro das Obras Públicas,
eng.º Duarte Pacheco, anuncia a construção do Estádio Nacional junto à ribeira
do Jamor, no concelho de Oeiras, na periferia de Lisboa, servido pela primeira
auto-estrada feita em Portugal, entre as Amoreiras e a Cruz Quebrada. Foi com
pompa e circunstância que se inaugurou o Estádio em 10 de Junho de 1944, 18
anos depois da Revolta Militar do 28 de Maio e onze anos após o início do
Estado Novo. A partir desta inauguração, em 1944, o 10 de Junho, passou a ser
conhecido, para além do habitual (que vinha da I República) Dia de Camões e de
Portugal, por Dia de Camões, de Portugal e da Raça.
Estádio 28 de Maio (Braga): Após 1944, não demorou muito tempo até a cidade do Porto começar a pedir um Estádio Nacional para o Norte. E começaram os preparativos, só que cedo se percebeu o objectivo do pedido. Não se tratava de um estádio para o “Norte” mas sim de fazer um estádio “à borla” para o FC Porto, pois o estádio seria construído a cem por cento pelo Estado ficando o FC Porto com direito de usufruto por 49 anos assegurando os custos de manutenção. Espertalhões! O governo percebeu a “golpada” e disse que haveria um estádio a norte, mas seria construído em Braga, cidade onde teve origem a Revolta Militar de 28 de Maio de 1926 e ficaria sob a responsabilidade da Câmara Municipal, não seria de nenhum clube. Foi inaugurado em… 28 de Maio de 1950 para assinalar o 24.º aniversário da Revolta Militar.
Estádio portista (28 de Maio de 1952)
Quando o governo decidiu
fazer um estádio a norte, em Braga, os portistas não desistiram de conseguir
contrapartidas financeiras e de procedimentos que permitissem abandonar o
caduco, de 1912, Campo da Constituição (nem era um estádio) substituindo-o por
um estádio moderno e funcional. Como o FCP tinha dirigentes bem colocados no
aparelho do Estado Novo (ministros como Augusto Pires de Lima e deputados como
Urgel Horta) e outros bem conotados com o fascismo, como os médicos Ângelo
César e o Cesário Bonito, conseguiram sacar muito dinheiro ao Estado (principalmente através do ministro das Obras Públicas, eng.º Frederico Ulrich), utilizar
a Câmara Municipal (vem de longe "a mama" até... Rui Rio) para expropriar terrenos e
“aligeirar” procedimentos. Mas… melhor que eu, quem melhor para contar o que se
passou que transcrever parte da História dos 50 anos (1906 – 1956) do FC Porto
da autoria de António Rodrigues Teles, um notável historiador do seu clube que na
actualidade, por ser rigoroso, honesto e verdadeiro, está proscrito.
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| Páginas 1090 e 1091 do Volume III da História dos 50 anos do FC Porto (1906-1956) de António Rodrigues Teles, editada em 1958. |
Bem escolhida a data da
inauguração. Mesmo a uma quarta-feira! 28 de Maio de 1956. Dia da Revolta que
implantou a Ditadura Nacional (em 1926) e depois o Estado Novo (1933). Uma boa
maneira de homenagear um Regime que lhes deu (praticamente…) um Estádio. Como
pode esta gentalha
andróide ser tão ingrata para com um Regime que tanto fez por eles e
tanto lhes permitiu. E permite. Porque, na realidade, eles têm sido sempre “Um Clube de
Todos (e Qualquer) Regime”. Desde que caia e corra… para o saco azul
Estádio Benfiquista (1 de Dezembro de 1954)
O nosso estádio, inaugurado
em 1 de Dezembro de 1954, merece um destaque especial, ou seja, um texto
dedicado a uma epopeia popular que ergueu, praticamente sem apoios externos –
como tiveram FCP e SCP – um Monumento Nacional. Será um texto longo – e este
como já vai longo – seria um “pastelão intragável para um blogue”. Serão explicados os procedimentos, iniciativas (com datas) e as verbas, (ao centavo do escudo) entre 1946 e 1954. Com documentos, fotografias e depoimentos. Fica
prometido para 1 de Dezembro de 2012, dia em que se comemorará o 58.º
aniversário da sua inauguração. O estádio já não existe (desde 22 de Março de
2003) mas o dia 1 de Dezembro deveria ser comemorado como o “Dia da Utopia
Benfiquista”. Desde 1954. Depois de decidir fazer um Estádio do
Benfica, no rescaldo das eleições de 1946, procurar terrenos e fazer o projecto
pelo arquitecto João Simões, antigo futebolista do “Glorioso” entrou-se numa
espiral de ideias, iniciativas e factos memoráveis. Foi com campanhas do
cimento e do ferro; donativos na Secretaria, Sede, Feira Popular, terrenos
escolhidos e durante a construção (as inesquecíveis enchadadas a dez tostões);
leilões e re(leilões) pois quem arrematava ofertava para novo leilão; concursos
de quadras e desenhos, de onde sairia o actual tema,
hino-não-oficial-mas-mais-popular-que-o-hino-oficial, “Ser Benfiquista”, com
música e letra do então director do jornal “O Benfica”, Paulino Gomes Júnior;
etc e mais etc. Tentou inaugurar-se o recinto em 5 de Outubro de 1954, data que
era aproveitada pelos democratas para importunarem o Regime, pois o 5 de
Outubro foi a data, em 1910, em que se instaurou a I República que a Ditadura
do 28 de Maio de 1926 derrubou e 5 de Outubro (não havendo feriado e sendo
proibidas comemorações no 1.º de Maio) significava para os democratas, o dia em
que os republicanos derrubaram a tirania da monarquia, isto quando em 1954 vigorava,
desde 1926, uma outra tirania, o salazarismo totalitário e uma ditadura
pidesca.
Não foi no 5 de Outubro por que, como o presidente
Bogalho fazia questão de querer “O ritmo da
construção será feito à medida das capacidades financeiras dos Benfiquistas e
só há inauguração quando o estádio estiver completamente pago. Não deixo
dívidas aos Benfiquistas”. Optou-se por “adiar” dois meses e
aproveitar o 1.º de Dezembro, Dia da Restauração de Portugal e do
Orgulho/Auto-estima Benfiquista. Obrigado, Benfiquistas de então.
Estádio sportinguista (10 de Junho de 1956)
Com a construção do Estádio
da Luz os sportinguistas passaram da euforia à depressão. Andaram anos a
achincalhar a ideia do Benfica construir um estádio para “trinta e cinco mil em
alvenaria com relvado” que fosse erguido com donativos dos Benfiquistas. Quando
se aperceberam que o Estádio seria uma realidade, tentaram rapidamente elaborar
um plano para modificarem o “velho estádio de 1947” (já renovado para responder
ao nosso Campo Grande de 1941) no sentido de fazer um estádio para “cinquenta
mil espectadores”, ou seja, maior que o do Benfica. Para isso o Conselho
Leonino (no SCP não havia eleições) escolheu, em 29 de Janeiro de 1953, o
Comandante da Legião Portuguesa (o chefe dos bufos em linguagem popular, dos democratas
e reviralhistas) Cecílio Góis Mota. Elemento asqueroso, desprezado entre as
elites do Estado Novo, mas aceite pelo trabalho sujo que coordenava (rede de
delatores) conseguiu apoio do ministro das Obras Públicas, eng.º Eduardo
Arantes e Oliveira (em funções entre 2 de Abril de 1954 a 12 de Abril de 1967)
para ajudar nas questões burocráticas e facilidade em obter financiamento. A
obra feita à pressa revelou-se um fracasso a três níveis: as campanhas não
tiveram o sucesso das realizadas pelo “Glorioso”; o estádio foi construído com
“materiais pobres” (cimento em vez da pedra de calcário colocada na Luz); e…
nunca foi concluído, faltando fechar a bancada, contrária à Bancada Central,
substituída pelo “peão” (via-se o jogo de pé, até 1983, quando foi fechada e o
projecto de 1953 concluído). Ou seja, a ideia de ter “mais quinze mil lugares
que a Luz esboroou-se ficando com uma lotação de 42 710. “Apenas” mais 7 710
que a Luz. Para a inauguração foi escolhida a data do Dia da Raça, 10 de Junho
de 1956, o mesmo dia em que 12 anos antes Salazar inaugurara o Estádio
Nacional. Faça-lhes bom proveito. Entretanto com muitas dívidas acumuladas o
Conselho Leonino decidiu colocar no poder, em 30 de Junho de 1956 (20 dias
depois da inauguração do estádio) Francisco Cazal-Ribeiro, deputado da União
Nacional, considerado “mais salazarista que Salazar”. E ele fazia questão de
referir, mesmo depois do 25 de Abril de 1974, ter orgulho nesse epíteto.
| O anterior José Alvalade (1947 - 1953) que depois de remodelado foi inaugurado no Dia da Raça, em 10 de Junho de 1956, 12 anos depois do Estádio Nacional |
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| 10 de Junho de 1956, Dia da Raça e do Sportinguismo, num estádio projectado para 50 mil mas que, inacabado - como se vê - ficou-se pelos 42 710. Oh lá lá... |
Afinal quais são os clubes do
Regime? O que ignora as datas mais ideológicas do Estado Novo, ou os lambe-botas do FCP (28 de
Maio) e fascizóides do SCP (10 de
Junho)?
Alberto Miguéns
NOTA: Plano
de publicação (previsão)
PUBLICADO
13 de Junho/ Sem jogos da Selecção Nacional
14 de Junho/ Datas das inaugurações dos Estádios
A PUBLICAR
15 de Junho/ Dirigentes (e responsáveis) democratas
19 de Junho/ Eleições (e Assembleias Gerais)
democráticas
20 de Junho/ Sem finais de competições oficiais “em
casa”












