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quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Ângelo: Formador de Campeões

quarta-feira, 14 de outubro de 2020 5 Comentários

ÂNGELO É MAIS RECONHECIDO COMO FUTEBOLISTA MAS FOI UM ENORME TREINADOR DE JOVENS FUTEBOLISTAS. 



Uma vez chegou a dizer-me, ainda vivia no último piso de um prédio na avenida Duque de Loulé, em Lisboa, que tinha orgulho em ver muitas cadernetas de cromos nos Anos 70 em que não havia clube na I Divisão que não tivesse pelo menos um futebolista formado e moldado por ele no Benfica. Que classe. Orgulho nos seus que foram campeões pelo «Glorioso» mas em todos mesmo de adversários do Benfica.


Deixou de jogar futebol e passou a cuidar dos jovens futebolistas do «Glorioso» entre 1966/67 e 1977/78. Depois regressou no início dos Anos 80 integrando já um grupo de treinadores mais complexo e numeroso. Mas até 1978 era ele e mais duas categorias (Juniores e Juvenis) e depois três (Iniciados). Em destaque a vermelho futebolistas campeões nacionais da I Divisão, pelo Benfica.

 

Relatório e Contas da Direcção; Parecer do Conselho Fiscal do Sport Lisboa e Benfica; 1966; página 41


1966/67

Juniores: conquista do campeonato distrital e categórico na fase zonal do campeonato nacional, mas não se realizou a final por a zona norte não estar interessada em resolver processos que permitissem apurar o sem representante;

Juvenis: Dois segundos lugares, no campeonato distrital e na Taça Nacional.


Relatório e Contas da Direcção; Parecer do Conselho Fiscal do Sport Lisboa e Benfica; 1967; página 192

1967/68

Juniores: segundo lugar no campeonato distrital e campeão nacional;

Juvenis: segundo lugar no campeonato distrital e conquista da  Taça Nacional.


Relatório e Contas da Direcção; Parecer do Conselho Fiscal do Sport Lisboa e Benfica; 1968; página 56

1968/69 (Artur Santos no lugar de Ângelo)

Juniores: segundo lugar no campeonato distrital e eliminados na fase zonal do campeonato nacional;

Juvenis: segundo lugar no campeonato distrital e conquista da  Taça Nacional.

 

Relatório e Contas da Direcção; Parecer do Conselho Fiscal do Sport Lisboa e Benfica; 1969; página 37

1969/70

Juniores: conquista do campeonato distrital e campeão nacional;

Juvenis: segundo lugar no campeonato distrital e eliminados na fase zonal da Taça Nacional.

 

Relatório e Contas da Direcção; Parecer do Conselho Fiscal do Sport Lisboa e Benfica; 1970; página 39

1970/71

Juniores: conquista do campeonato distrital e finalista no campeonato nacional;

Juvenis: conquista do campeonato distrital e eliminado na fase zonal da Taça Nacional.

 

Relatório e Contas da Direcção; Parecer do Conselho Fiscal do Sport Lisboa e Benfica; 1971; página 36

1971/72

Juniores: conquista do campeonato distrital e campeão nacional;


Com o agradecimento ao autor do blogue:  http://archicovital.blogspot.com/2017/05/francisco-antonio-lucas-vital.html

Juvenis: conquista do campeonato distrital e finalista na Taça Nacional. 


Relatório e Contas da Direcção; Parecer do Conselho Fiscal do Sport Lisboa e Benfica; 1972; página 53


1972/73

Juniores: conquista do campeonato distrital e eliminado na fase zonal de disputar o campeonato nacional;

Juvenis: conquista do campeonato distrital e finalista na Taça Nacional;

Iniciados: segundo lugar no campeonato distrital não havendo competições nacionais.


Relatório e Contas da Direcção; Parecer do Conselho Fiscal do Sport Lisboa e Benfica; 1973; páginas 58/59

1973/74

Juniores: segundo lugar no campeonato distrital e eliminado na fase zonal de disputar o campeonato nacional;

Juvenis: conquista do campeonato distrital e da Taça Nacional;

Iniciados: segundo lugar no campeonato distrital não havendo competições nacionais.


Relatório e Contas da Direcção; Parecer do Conselho Fiscal do Sport Lisboa e Benfica; 1974; página 54


1974/75

Juniores: deixou de se disputar o campeonato distrital e campeão nacional;

Juvenis: conquista do distrital de juvenis e vencedor da Taça Nacional;

Iniciados: 4.º lugar eliminados na fase zonal.


Relatório e Contas da Direcção; Parecer do Conselho Fiscal do Sport Lisboa e Benfica; 1975; páginas 68/69


1975/76

Juniores: conquista do campeonato nacional;

Juvenis: conquista do campeonato distrital e finalista na Taça Nacional;

Iniciados: eliminado no campeonato distrital e quarto lugar na Taça Nacional.

 

Relatório e Contas da Direcção; Parecer do Conselho Fiscal do Sport Lisboa e Benfica; 1976; páginas 64


1976/77

Juniores: segundo lugar no campeonato distrital e eliminado na fase zonal de disputar o campeonato nacional;

Juvenis: conquista do campeonato distrital e eliminado na meia-final (zona sul) da Taça Nacional;

Iniciados: segundo lugar no campeonato distrital não havendo competições nacionais.


Relatório e Contas da Direcção; Parecer do Conselho Fiscal do Sport Lisboa e Benfica; 1977; páginas 63


1977/78

Juniores: conquista do campeonato nacional;

Juvenis: conquista do campeonato distrital e eliminado na fase zonal da Taça Nacional;

Iniciados*: conquista do campeonato distrital e eliminado na segunda fase da Taça Nacional.

* treinadores: Arnaldo Teixeira/José Henrique


Relatório e Contas da Direcção; Parecer do Conselho Fiscal do Sport Lisboa e Benfica; 1978; páginas 61


Nos Anos 80 apesar do «Futebol de Formação» ter já uma outra estrutura 

Ângelo foi o treinador do plantel campeão nacional de Juniores em 1984/85.

 


Relatório e Contas da Direcção; Parecer do Conselho Fiscal do Sport Lisboa e Benfica; 1985; páginas 63


Na segunda metade da década de 70

Era vulgar o Benfica jogar, em jornadas do campeonato nacional, com mais de "meio-onze" formado por Ângelo, ou seja 6, 7 e até 8 futebolistas. Penso mesmo que há uma jornada com nove. Não podendo ser mais preciso, por ter preferido, honrar Matine, deixo aqui este onze, que jogou na 4.ª jornada do campeonato nacional em 1977/78, com António Bastos Lopes, Humberto Coelho, Eurico Gomes, Alberto, José Luís, Vítor Martins, Néné e Chalana, ou seja, oito! Além de jogarem mais dois com regularidade: Sheu e Pereirinha.


Obrigado, Ângelo

 

Alberto Miguéns





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terça-feira, 13 de outubro de 2020

Ângelo e Guttmann: Que Dupla!

terça-feira, 13 de outubro de 2020 5 Comentários

COM A CHEGADA DO TREINADOR BÉLA GUTTMANN O BENFICA ATINGE O TOPO DO FUTEBOL EUROPEU E MUNDIAL.


Ângelo é imprescindível para o treinador. Experiente, enérgico e decidido tem tudo o que Guttmann exigia de um defesa.

 


1959/60: Campeonato Nacional

A época começa mal para Ângelo que tem de debelar uma lesão grave só regressando em 6 de Março de 1960. Nos últimos 14 jogos de uma temporada que teve 42 é tutular indiscutível com o treinador Béla Guttmann a colocá-lo a defesa-esquerdo mas em três jogos na direita. A sagacidade do treinador húngaro faria de Ângelo um polivalente, tanto jogando a defesa-direito como a defesa-esquerdo sempre como se tivesse nascido nesses "lugares"!

 


1960/61: Campeão Europeu

Numa temporada de excelência Ângelo foi um dos pilares no campeonato nacional (23 jogos em 26 jornadas) e na conquista da Taça dos Clubes Campeões Europeus (oito dos nove jogos, apenas não jogando o primeiro em Edimburgo, com a defesa assegurada por Mário João e Cruz). Dos 50 jogos disputados pelo Benfica, Ângelo esteve em 40, com 19 como defesa-direito e 19 como defesa-esquerdo. Nos outros dois foi suplente utilizado em jogos de início de temporada. Em 23 jornadas do campeonato nacional foi 12 vezes defesa-direito e onze vezes defesa-esquerdo. Na Taça dos Clubes Campeões Europeus jogou quatro encontros a defesa-direito e outros quatro a defesa-esquerdo, incluindo a final frente ao FC Barcelona, numa vitória por 3-2, em Berna, na Suíça. Guttmann adaptava-o em função das necessidades da equipa e das características dos extremos contrários. Ângelo nunca desiludia o treinador, nem causava preocupação entre os adeptos. Era sempre com confiança máxima.

 

1961/62: Bicampeão Europeu

Numa temporada com 64 jogos o polivalente defesa faz 50 com 21 a defesa-direito e 29 a defesa-esquerdo. Na conquista da segunda Taça dos Clubes Campeões Europeus joga seis dos sete jogos, apenas não actuando em Nuremberga (primeira mão dos quartos-de-final) com os dois iniciais como defesa-direito e os últimos quatro como defesa-esquerdo, incluindo a final frente ao Real Madrid CF, em Amesterdão, numa gloriosa vitória por 5-3, a única final em que se encontraram os dois únicos clubes que tinham conquistado as sete edições iniciais da competição: Real Madrid CF por cinco vezes as cinco iniciais e SL Benfica as duas últimas. No campeonato nacional (3.º lugar) participou em 22 das 26 jornadas, com nove jogos a defesa-direito e os restantes 13 a defesa-esquerdo. Na Taça de Portugal jogou seis encontros (sempre a defesa-esquerdo) incluindo a final em que o Benfica derrotou, por 3-0, o Vitória FC (Setúbal).

 


1962/63: Campeão Nacional

A sua última grande temporada com 30 jogos dos 64 realizados pelo Benfica. Foram 24 encontros a defesa-direito e seis na esquerda. Com menos fulgor (33/34 anos) foram 17 jogos (em 26) no campeonato nacional e dois encontros (em sete jogos) na Taça de Portugal. O Benfica conquistou o título de campeão nacional.

 


1963/64: Dobradinha

Anunciava-se o ocaso da carreira com apenas nove jogos, três para o campeonato nacional e um na Taça de Portugal. O Benfica conquistou o título de campeão nacional e a Taça de Portugal. Pela terceira vez uma dobradinha, depois de 1954/55 e 1956/57.



1964/65: Campeonato Nacional

A jogar na categoria Reserva esta seria a última temporada, com quatro jogos, sempre a defesa-esquerdo, incluindo três no campeonato nacional que o «Glorioso» conquistou. 



Festa de despedida

Em 19 de Outubro de 1966, com 36 anos e seis meses, o valoroso Ângelo despedia-se na «Saudosa Catedral» perante o poderoso FC Barcelona com o Benfica a vencer por 1-0. Era a despedida de um dos melhores defesas de sempre do futebol português (clicar para o jornal «Diário de Lisboa»). Seguiu-se uma enorme carreira como treinador dos mais novos que pretendiam singrar no Futebol do Benfica!



Continua...

 

Alberto Miguéns 

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segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Ângelo: Efeito Otto Glória

segunda-feira, 12 de outubro de 2020 0 Comentários

COM OTTO GLÓRIA A PASSAGEM DO MEIO-CAMPO PARA A DEFESA



Ângelo foi considerado pedra basilar no sistema táctico implantado por Otto Glória depois de 1954/55. Mas até lá houve mais futebol.

 


1953/54: Transição

Com o Benfica em instabilidade técnica era difícil potenciar o valor dos futebolistas. Ângelo sofreu muito nesta época com essa instabilidade. Foi das suas temporadas menos conseguidas, com 23 jogos dos 40 disputados pelo Clube e apenas em 14 das 26 jornadas do 30.º campeonato nacional. Sempre a médio-esquerdo. O presidente Joaquim Bogalho decidiu que o Benfica tinha de "mudar de vida". E mudou. Em 27 de Setembro de 1953 estreia-se na selecção nacional.



1954/55: Dobradinha

Com o treinador Otto Glória as mudanças anunciadas resultam em pleno ainda que com muitas dificuldades, sempre debaixo de fogo. O campeonato quase perdido para o CF "Os Belenenses" fez ressurgir a Mística que depois foi imparável na final da Taça de Portugal. Ângelo que iniciou a temporada como médio-esquerdo é "testado" a defesa-direito, em 5 de Dezembro de 1954, frente ao, então terceiro classificado do campeonato nacional, o CF "O s Belenenses" a dois pontos do Benfica e Sporting CP, numa vitória épica por 7-2, no segundo jogo realizado pelo Clube no estádio inaugurado em 1 de Dezembro de 1954. Em 51 encontros disputados pelo Benfica, Ângelo jogou 43. Para o campeonato nacional foi utilizado em vinte das 26 jornadas e foi totalista na Taça de Portugal nos seis jogos. Na final mais uma conquista frente ao Sporting CP, por 2-1. A pedido do treinador Otto Glória que entendia que o Benfica necessitava de testar o seu potencial frente a vários clubes estrangeiros, o Benfica prescinde da participação na Taça Latina (até por deferência para com o CF "Os Belenenses" que perdera o título de Campeão Nacional nos últimos seis minutos da última jornada e jogou a Taça Latina) fazendo uma digressão ao Brasil (Rio de Janeiro e São Paulo) além da participação no Torneio de Caracas. Foram dez jogos: cinco em Caracas, três no Rio de Janeiro e dois em São Paulo. Ângelo é elogiado como um defesa-esquerdo poderoso que nunca se intimidou com alguns dos melhores extremos-direitos do futebol mundial.

 


1955/56: A época do quase

Esteio do plantel participa em 31 dos 35 encontros do Benfica numa temporada que ficou marcada pelo Benfica ter perdido o campeonato nacional embora com o mesmo número de pontos do campeão nacional, ambos com 43. Ângelo esteve em 22 das 26 jornadas.  Na Taça de Portugal uma eliminação precoce no terreno do CF «Os Belenenses» e na Taça Latina eliminação nas meias-finais pelo AC Milan que organizou a competição (a par da Federação de Itália, como era timbre da Taça Latina) e depois um jogo épico com 132 minutos, em que o «Glorioso» derrotou o OGC Nice, em Milão, por 2-1.

 


1956/57: Dobradinha

Regresso aos títulos com a conquista do campeonato nacional e da Taça de Portugal. Ângelo é defesa-esquerdo com 44 jogos dos 51 disputados pelo Benfica. Está presente em 23 jogos das 26 jornadas do campeonato nacional e é totalista nos seis encontros da Taça de Portugal que continua a disputar-se segundo o modelo «Campeonato de Portugal» totalmente depois de terminados os campeonatos nacionais da I e II Divisão. Na final o Benfica derrota, por 3-1, o SC Covilhã, 13.º classificado no campeonato nacional da I Divisão. Segue-se a Taça Latina, com a derrota, por 0-1, na final, frente ao Bicampeão Europeu e organizador da competição em conjunto com a Real Federação de Espanha. Para terminar a temporada mais uma digressão que trouxe glória ao Clube, com três jogos no Rio de Janeiro, um em Santos, outro em São Paulo, dois em São Salvador, no Recife e em Belém. O último encontro da temporada realizou-se em Nova Iorque, EUA.

 


1957/58: Aquém do que era possível

Com o treinador Otto Glória a tentar recompor o plantel face ao poderio do Sporting CP (afastado do título de campeão nacional desde 1953/54) e do FC Porto (último título em 1955/56) a temporada não correu de feição. O «Glorioso» classifica-se em terceiro lugar e perde, pela primeira vez e única até 2019/20, uma final do Campeonato de Portugal/Taça de Portugal frente ao FC Porto. Esta é a temporada de estreia na Taça dos Clubes Campeões Europeus com Ângelo a jogar os dois encontros frente ao Sevilha FC. Numa temporada com 44 jogos coube ao defesa-esquerdo ter 39 presenças. No campeonato nacional está presente em 23 das 26 jornadas e na Taça de Portugal só não joga a final. Se tem jogado...era o que os Benfiquistas lamentavam no final dessa edição da Taça de Portugal.



1958/59: Taça de Portugal

Com Otto Glória já desgastado este campeonato atípico - o Benfica perdeu o título por um golo em igualdade pontual com o FC Porto - fez com que o treinador não renovasse contrato nem orientasse a equipa na final da Taça de Portugal, pois foi o seu adjunto José Valdivielso a obter a vitória, por 1-0, frente ao FC Porto com um golo de Cavém aos 12 segundos de jogo depois de Coluna ter atirado um pontapé fantástico ao poste com Cavém a surgir para colocar a bola dentro da baliza contrária. Em 51 jogos do Benfica, coube a Ângelo ter participado em apenas 31, pois a expulsão frente ao Sporting CP em que agrediu um "apanha-bolas" teve consequências graves levando à sua suspensão, por isso não fez qualquer jogo na Taça de Portugal.



Continua

 

Alberto Miguéns

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Ângelo 1952 - 1978

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NÃO FOI FÁCIL ÂNGELO VESTIR O «MANTO SAGRADO».



Não tanto por questões financeiras mas por motivos burocráticos. A chegada dele ao Benfica dá um romance. 



Da cidade do Porto para o «Glorioso»: um romance digno de um filme

Foi uma trapalhada típica do tempo do futebol pré-profissional que ia destruindo a carreira de um dos melhores futebolistas de sempre do futebol português e um dos esteios dos Anos 50 e 60 com uma carreira bem longa e recheada de sucesso. A viver perto do estádio do Lima, propriedade do Académico FC passava os dias e entrava pela noite a pontapear a bola mudando ao longo do dia adversários e colegas de equipa. Só "via bola" para desespero dos progenitores! A vontade de jogar era tanta que nem conseguiu esperar pela idade legal. Com identidade de um amigo inscreveu-se no plantel mais jovem do Académico FC para disputar jogos entre equipas da mesma idade, ainda sem que existissem campeonatos oficiais da AFP (Associação de Futebol do Porto) defrontando mesmo equipas do FC Porto. Estávamos em 1945/46. Na temporada seguinte, já teria idade para ser inscrito oficialmente, como um jogador cobiçado devido à sua capacidade física, técnica e interpretação do jogo, tendo em conta ser muito jovem. Um tio portista fez com que assinasse pelo FC Porto, onde ficaram logo a saber que aquele valoroso adversário que jogara pelo Académico FC não era o que dizia chamar-se mas sim Ângelo Gaspar Martins. Só que o Académico FC também não esteve pelos ajustes e um dirigente forjou uma ficha. Imbróglio nos serviços da AFP seguindo-se inquérito a todos os envolvidos. Tudo se descobriu, desde ter jogado com nome falso - mesmo jogos fora do âmbito da AFP - até à ficha forjada pelo dirigente do Académico FC. Resultado: Ângelo irradiado, aos 16 anos, do futebol "para sempre" tal como o dirigente do Académico FC. Ângelo antes se ser futebolista "a sério" já não o podia ser. Despreocupado aceitou até porque o que ele queria era jogar futebol. Não jogando "federado" jogaria nos campeonatos corporativos organizados pela FNAT (Fundação Nacional Para a Alegria no Trabalho) pela popular «Fábrica Ranito» da cidade portuense. Famosa por formar boas equipas só batidas a nível nacional pela famosa fábrica lisbonense "H. Vaultier". Ângelo toda a vida falaria destes lisboetas que durante três épocas lhe roubaram o sonho de criança em ser campeão nacional corporativo, mesmo sendo o benjamim da «Fábrica Ranito».


De irradiado a "craque"

E assim se passou a juventude de alguém que sonhando ser futebolista dos clubes que "enchiam estádios" se ia contentando, assumindo o erro quando jovem, de jogar no campeonato corporativo. Com o serviço militar é colocado em Santarém para o cumprir. Um daqueles benfiquistas anónimos, mas que tanto Francisco Ferreira, como Julinho e, claro, Ângelo sempre disseram ser fundamental para colocar portuenses no Benfica foi o Neca, popularmente conhecido por "Necas Maneta". Este consegue que o "olheiro" do Benfica senhor Abílio Santos se interesse por Ângelo, vá a Santarém, fale com ele, Ângelo assume ser Benfiquista mas também assume que terá de pagar para sempre pelo erro cometido. Mesmo assim aceita, aproveitando uma folga, vir a Lisboa, ao estádio do Benfica, no Campo Grande, fazer testes. E agrada. O Benfica estuda o caso dele e consegue provar que sendo menor tinha sido vítima de rivalidades entre clubes, pois o acto dele, apesar de grave, foi ter disputado jogos não oficiais sob outro nome. Em relação à inscrição não assinara dois contratos. Assinara um e outro foi forjado. Em Junho de 1951 chega a decisão. Não fazia sentido irradiar para sempre alguém que apenas tivera a insensatez de utilizar o nome de um amigo mais velho para poder jogar à margem das competições organizadas pela AFP. E assim ficou decidido que cumprido o serviço militar seria futebolista do Benfica.


Estreou-se em 1952/53, já a temporada ia adiantada

Em 9 de Novembro de 1952, a médio-esquerdo, no Campo Grande frente ao FC Barreirense, na 7.ª jornada do 29.º campeonato nacional da I Divisão (os quatro iniciais como Campeonato da I Liga). Uma estreia ao décimo jogo da temporada do Benfica. Primeiro no lugar geralmente ocupado por Moreira e depois discutindo a titularidade, entre a categoria de Honra e de Reserva, com António Manuel. Ângelo não daria hipóteses à medida que se entrosava com o restante plantel da categoria de Honra. Entre a estreia com o «Manto Sagrado» e o final da temporada participou em 24 dos 36 jogos do Benfica. Num campeonato com 26 jornadas esteve em treze, mas nas seis iniciais ainda não se estreara, por isso, só "falhou" sete. E como a Taça de Portugal ainda se disputava no modelo «Campeonato de Portugal», ou seja, depois de terminado o campeonato a pontuar, jogou seis dos sete encontros, incluindo a final em que o Benfica (orientado por António Ribeiro dos Reis) derrotou, por 5-0, o FC  Porto, orientado por Cândido de Oliveira. Sempre a médio-esquerdo. E foi um dos futebolistas que esteve, em 30 de Junho de 1953, num jogo que parecia apenas mais um jogo internacional de final de temporada, com o Benfica a jogar no estádio do CF "Os Belenenses", no estádio das Salésias, perdendo por 1-3. Bogalho viu o jogo, como sempre, e um dia quando lhe perguntaram o porquê de ter escolhido Otto Glória para treinador do Clube, em  1954/55, respondeu: «Gostei do modo como ele orientou a sua equipa no jogo com o Benfica». Pois...o treinador do América FC(Rio de Janeiro), nesse encontro de final de temporada, era Otto Glória.

 


Épocas

Ângelo passaria ser um dos pilares do Benfica nos Anos 50 e depois na década de 60 em que se consagrou como o melhor clube europeu desta década e mostrou em todos os continentes do planeta Terra o poder do futebol mágico, envolvente e gracioso. A sua última temporada seria em 1964/65 tendo depois a festa de despedida em 19 de Outubro de 1966, frente ao poderoso FC Barcelona, numa vitória por 1-0, na «Saudosa Catedral».

 


Treinador de Juniores, Juvenis e Iniciados

Com o perfil de jogador «À Benfica» integrou depois do abandono de Fernando Caiado, no final de 1965/66, a equipa técnica treinando os plantéis da Formação até 1978/79, quando foi substituído por Jesualdo Ferreira. Foram treze anos a formar campeões. O Benfica chegou a jogar nos Anos 70 com nove futebolistas na equipa principal, em jornada do campeonato nacional da I Divisão, formados e campeões nacionais nos escalões de formação por Ângelo Martins.

 


Treinador do "Futebol de Formação"

Regressaria em 1981/82 até 1990/91 para integrar já uma estrutura mais complexa em que havia um coordenador de todo o sector, como Fernando Caiado e mais tarde Néné, mas sempre a mesma dedicação e empenho.



Vida sempre a viver o Clube

Depois de deixar o futebol continuou a ser presença assídua na «Saudosa Catedral» e no estádio actual. Sempre o mesmo. Irritado com a falta de respeito para com o Clube, orgulhoso para quem o serve bem e honrado em de ter feito ainda maior um Clube já muito grande. 

 

Continua...

 

Alberto Miguéns

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