Em Defesa do Benfica
A criação deste Blogue, ideia de António Melo, tem como objectivo divulgar, defender o SL Benfica e a sua Gloriosa História. Qualquer opinião aqui expressa vinculará apenas o seu autor, Alberto Miguéns.

SEMANADA: ÚLTIMOS 7 ARTIGOS

24/01/2020

Torcato Ferreira: Mestre de Campeões e Campeonatos

24/01/2020 + 1 Comentários
HÁ 100 ANOS (24 DE JANEIRO DE 1920) NASCEU EM BENFICA UMA LENDA DO… BENFICA.



Há muito tempo que neste blogue se queria honrar TORCATO Borges Dias FERREIRA que faleceu em 2 de Agosto de 1985, aos 65 anos. Depois do falecimento de Garrancho já não podia ser adiado mais tempo (clicar).



Chegar, trabalhar e vencer
A viver a "dois passos" do rinque do Benfica, nas traseiras da Sede, na avenida Gomes Pereira, ingressa em 1957 no Clube. O Benfica só teria pavilhão, no interior da «saudosa Catedral», em 16 de Maio de 1965, praticamente todo pago pelo presidente Adolfo Vieira de Brito. Com 37 anos, uma carreira como hoquista (jogador) no Clube de Futebol Benfica, seu treinador e uma passagem de um ano (1956/57) pelo Parede FC chegou ao Benfica para impor uma era. Houve a modalidade, antes e depois, de Torcato Ferreira. Com ele o Benfica iniciou uma «Escola de Hoquistas» baseada no apuro técnico individual e noções da importância do colectivo numa modalidade que até ele ser treinador no Benfica – tinha mais jovens para potenciar que nos clubes que treinara – vivia dos rasgos individuais no ataque e carapaça (ou defender em quadrado, embora o inventor seja o seleccionador de Espanha, mas foi ele que aperfeiçoou) na defesa. Foi ele que transformou o 1.1.2 (Defesa, Médio e dois Avançados) em dois mais atrás (Defesa/Médio) e dois mais à frente (Avançados) com os “dois mais atrás” a terem, pelo menos um deles, capacidade de remate forte e certeiro.





Esteve no Clube, entre 1957 e 1970
Foram 14 temporadas (eram por ano civil) em que obteve um série infindável de títulos, de âmbito regional e nacional, em várias categorias, com a «Escola de Hoquistas” a fornecer o Benfica e muitos dos principais clubes portugueses, o que por vezes “se virava” contra o próprio clube com esses hoquistas a mostrarem que a diferença para os que “ficaram” era diminuta. E era (e é) verdade!


Saiu em 1970 para regressar em 1978/79
Ficando mais seis temporadas até 1983/84. E mais uma série infindável de títulos. No total foram vinte épocas (14 + 6) a que apenas faltou uma conquista internacional, mas aí a Federação de Espanha arrumava a Federação Portuguesa. Foi necessário treinar o Sporting CP para ter a “sorte” que nunca lhe deram no Benfica.



Conquistas mais importantes
Do Benfica em plantéis por si orientados.
1 Taça das Nações (Montreux): 1962;
11 Campeonatos Nacionais (FPP): 1957, 1960, 1961, 1963, 1966, 1967, 1968, 1970, 1978/79, 1979/80 e 1980/81;
3 Campeonatos Metropolitanos (FPP): 1967, 1968 e 1970;
4 Taças de Portugal (FPP): 1978/79, 1979/80, 1980/81 e 1981/82 (a Taça de Portugal teve a primeira edição em 1975/76);
9 Campeonatos Regionais (APL): 1959, 1960, 1961, 1962, 1963, 1964, 1966, 1967, 1968 e 1970 (o apuramento para o campeonato nacional era obtido no Regional);
10 Torneios de Abertura (APL): 1958 (designada Taça de Honra), 1961, 1962, 1963, 1964, 1966, 1968, 1978/79, 1979/80, 1980/81 e 1981/82;
14 Campeonatos Distritais de Reserva (APL): 1957, 1958, 1959, 1960, 1961, 1962, 1963, 1966, 1967, 1968, 1969, 1970, 1979/80 e 1980/81;
3 Campeonatos Nacionais de Juniores (FPP): 1959, 1964 e 1966;
5 Campeonatos Distritais de Juniores (APL): 1959, 1964, 1966, 1982/83 e 1983/84;
1 Campeonato Nacional de Juvenis (FPP): 1970;
1 Campeonato Distrital de Juvenis (APL): 1958;
1 Campeonato Nacional de Iniciados (FPP): 1982/83.


Faleceu em 2 de Agosto de 1985
Curiosamente um dia depois de falecer um antigo presidente (com mandatos em dois períodos) da Direcção do Clube que nutria por ele grande apreço.


Obrigado, Mestre Torcato Ferreira

Alberto Miguéns
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23/01/2020

Segunda Vitória Com o Carcavellos Club

23/01/2020 + 1 Comentários
HÁ 110 ANOS O BENFICA OBTEVE O SEGUNDO TRIUNFO FRENTE AO CARCAVELLOS CLUB.



Se o primeiro triunfo, em 10 de Fevereiro de 1907, foi importante, este segundo, em 23 de Janeiro de 1910, foi importantíssimo. O Futebol evoluíra muito em três anos. O Clube ainda não chegara aos seis anos de existência, mas conseguia ter nos seus jogos sempre mais de mil pessoas e nos jogos com os mestres ingleses do Cabo Submarino, cinco mil ou mais espectadores.



Em 10 de Fevereiro de 1907
A vitória era um desejo desde a fundação, em 28 de Fevereiro de 1904, pois uma das razões da criação do Clube era “provar” que um clube devidamente organizado “mesmo só com portugueses” podia derrotar os ingleses que estavam invencíveis desde 22 de Janeiro de 1898. Mas foi uma vitória-surpresa. Ninguém estava à espera, nem muitos dos exigentes adeptos do Clube. Cesina Bermudes contou que o pai, Félix Bermudes utilizava esse jogo para ilustrar o mau que era ser preguiçoso. Dizia esta nossa Glória Eterna, durante toda a sua vida (faleceu em 5 de Janeiro de 1960) que foi a preguiça que o impediu de assistir à maior vitória de sempre do «Glorioso». Recorde-se que foi ele que, devido a esta vitória, quando incrédulo lhe disseram que o Clube acabara com nove anos de invencibilidade dos ingleses afirmou: Vencemos?! Mas isso é mais que uma vitória. É uma vitória gloriosa! Somos um clube gloriosíssimo! E o triunfo foi em Carcavelos (Quinta Nova) perante escassas dezenas de espectadores, não se conhecendo imagens e havendo escassez de crónicas, principalmente nos principais jornais a circular em Portugal. Já se escreveu acerca deste jogo, em 10 de Fevereiro de 2017 (clicar). No jogo a seguir a essa grande vitória, em Carcavelos, o Benfica teve 1 200 pessoas, na Cruz Quebrada, no jogo frente aos ingleses do Lisbon Cricket Club, batendo o número de assistentes a um jogo de futebol em Portugal. 



Em 23 de Janeiro de 1910 muitas mudanças existiram
Os espectadores acorriam aos milhares nos jogos, no campo da Quinta da Feiteira cada vez que havia um jogo frente ao Carcavelos Club, mas o Clube não conseguia repetir o triunfo de 1907. Acorriam pessoas aos magotes, mas também fotógrafos e repórteres de jornais e revistas. Torna-se fácil fazer a História do Clube, muito devido a essa euforia, de ver crescer um clube, ter centenas em muitos jogos e milhares frente aos clubes ingleses: Carcavellos Club e Lisbon Cricket Club (Cruz Quebrada) que quando acabou teve os seus futebolistas ingleses a ingressarem noutros clubes, excepto no «Glorioso» que só aceitava futebolistas com nacionalidade portuguesa, ou numa linguagem mais popularizada, só podiam jogar portugueses no Benfica.


JOGOS COM CARCAVELLOS CLUB ATÉ 23 DE JANEIRO DE 1910
Data
Res.
Com
Local
Campo
Esp *
18.Fev.1906
D 0-7
Par
Carcavelos
Quinta Nova
?
14.Nov.1906
D 1-3
LFA
Carcavelos
Quinta Nova
?
10.Fev.1907
V 2-1
LFA
Carcavelos
Quinta Nova
?
17.Mar.1907
D 0-3
Par
Carcavelos
Quinta Nova
?
25.Mar.1907
E 3-3
Par
Carcavelos
Quinta Nova
?
17.Nov.1907
D 1-4
LFA
Carcavelos
Quinta Nova
?
19.Jan.1908
D 2-5
LFA
Carcavelos
Quinta Nova
?
15.Nov.1908
E 1-1
LPF
Carcavelos
Quinta Nova
?
14.Fev.1909
D 0-4
LPF
Lisboa
Feiteira
5 000
10.Out.1909
D 1-2
Par
Carcavelos
Quinta Nova
?
14.Nov.1909
D 0-2
LPF
Carcavelos
Quinta Nova
?
23.Jan.1910
V 1-0
LPF
Lisboa
Feiteira
8 000

NOTA: * Estimativa dos jornais e revistas; Par - Particular; LFA - Liga de Foot-Ball Association; LPF - Liga Portugueza de Foot-Ball (antecedeu a Associação de Futebol de Lisboa)

O que se passou há, precisamente, 110 anos é disso exemplo
O Benfica teve entre três mil (revista Tiro e Sport), para cima de cinco (jornal Diário de Notícias), seis (jornal Diário Illustrado) e oito mil (jornal O Século) pessoas, de pé ou em cima do muro, que separava a Quinta da Feiteira da estrada de Benfica. Não havia bancadas. O jogo teve relato pormenorizado em, pelo menos, seis jornais de circulação diária em Portugal, numa revista e num jornal desportivo. Mas não foram crónicas de meia-dúzia de linhas. Foram duas colunas de jornais que eram “lençóis” tendo páginas com três vezes mais espaço que os actuais (excepto o Expresso que tem metade do tamanho desses jornais dos anos 10). No jornal «O Século» considerado, em 1910, o de maior tiragem foi notícia de primeira página com duas fotografias. Infelizmente a qualidade dos microfilmes da Biblioteca Nacional de Portugal é deficiente, mas deixo essas digitalizações, mais para perceber a dimensão que a prosa embora esta seja de grande qualidade. Em 1910, o Benfica era um clube que provocava paixão e crer. Os futebolistas tinham querer e ambição, daí ser sempre possível conseguir ver e relatar jogos em que o Benfica se transcendia.  



Os três jornais com maior tiragem em 1910 (antes da Implantação da República)
Noticiaram amplamente o jogo e as suas incidências. Ei-los (mais para se ver... que ler): «O Século» (primeira página), «Diário de Notícias» (página 2) e «Diário Illustrado» (página 3).






Esta vitória permitiu muito mais que derrotar pela segunda vez os ingleses
Possibilitou interromper o ciclo de três conquistas do clube de Carcavelos no campeonato regional de Lisboa e conquistar o troféu, instituído em 1908/09, pela primeira vez, ainda que provisoriamente. Mas se o Carcavellos Club tem conquistado o título, em 1909/10, seria o segundo com direito a troféu. Assim, o Benfica dava o primeiro passo para ficar na posse definitiva da taça de campeão regional. E foi. Mas só chegou no final da temporada de 1913/14, depois de três conquistas consecutivas, de 1911/12 a 1913/14.


Uma vitória assim tinha que ter terceira parte
Rumaram à Sede do Benfica que distava 150 metros do campo, na Quinta da Feiteira. Honra aos vencidos, Glória aos vencedores.

À esquerda (final dos Anos 40/início de 50): o edifício na rua Direita de Benfica n.º 536 (em 1910 era o n.º 326, R/C Direito); À direita (2020): o edifício já não existe (mas era, mais ou menos, onde é o actual n.º 536/540)


Houve festa na Sede
A segunda Sede que o Benfica teve na zona de Benfica. Félix Bermudes (que iniciou os brindes) após o jogo no beberete da Sede disse uma vez numa entrevista, talvez nos Anos 30, quando questionado acerca da saída dos futebolistas para o Sporting CP, no Verão de 1907, que não tinha tido consequências a nível das amizades, muito menos ódio, mas lembrava-se de ele próprio ter feito uma placa com quatro frases que andou de Sede para Sede, colocada do lado de dentro da porta de entrada, entre esta e o tecto mostrando desagrado. Cesina Bermudes quase com noventa anos quando questionada se alguma vez ouvira o pai dizer algo acerca disso, lembrou-se de imediato, até afirmando. «O meu pai com a teosofia passou a viver tentando a concórdia e cultivando a amizade, mas quando havia um Benfica frente ao Sporting dizia muitas vezes as frases que tinha escrito depois do Verão de 1907. Disse-o tantas vezes e eu ouvi tantas vezes que nunca mais esqueci:»

AOS QUE QUISERAM SAIR E IR EMBORA
ESTA CASA NÃO É LUGAR DELES
PODEM SER MUITO AMIGOS LÁ FORA
AQUI DENTRO OS INDESEJADOS SÃO ELES

Orgulho no Benfica. Em 2020, 1910 ou 1904!

Alberto Miguéns

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