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segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

É Palmeiro, Mas Não é Antunes

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024 3 Comentários

A FOTOGRAFIA ESCOLHIDA PARA HOMENAGEAR PALMEIRO ANTUNES FOI DE FRANCISCO PALMEIRO.



Não se percebe como é possível trocar as fotografias. Para que conste para a posteridade.

 

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quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

Colheita 1932

quarta-feira, 21 de dezembro de 2022 2 Comentários

DOIS GLORIOSOS FUTEBOLISTAS. UM POUCO LEMBRADO E OUTRO MUITO ESQUECIDO.




AMBOS COMPLETARIAM 90 ANOS EM 2022

Alberto Miguéns

NOTA1: Francisco Palmeiro faleceu aos 84 anos, em 27 de Janeiro de 2017. Cavém faleceu aos 72 anos, em 11 de Janeiro de 2005. 
 




NOTA2: o objectivo destas efemérides é apenas publicar um cromo, a data de falecimento (existindo) e algumas cifras estatísticas. Com alguns jogadores é necessário um pouco mais, como é esta efeméride. Cavém é o futebolista mais injustiçado na «Gloriosa História» e na História do Futebol em Portugal. Tal só pode ter uma explicação - falei com ele poucas vezes mas foi fácil aperceber-me - que é o facto de nem ele perceber o que fez e conseguiu. Aliás, Cavém tentava passar tão despercebido que parecia que nem existia. Bicampeão Europeu, nove títulos de campeão nacional em 14 temporadas, mais de 47 mil minutos a jogar, 541 jogos com 535 a titular e 517 completos. O maior polivalente de sempre jogando em dez posições - só não jogou a guarda-redes e avançado-centro - embora pudesse ter feito nove lugares, mas fez dez pois jogou em duas tácticas: 3.4.3 (quando era avançado e depois centrocampista) e 4.3.3 (quando era médio e depois defesa). Era daqueles que "levava" mas não deixava de "retribuir" (daí seis expulsões). Indomável. Uma verdadeira Águia em campo. Ainda na actualidade o 10.º futebolista com mais minutos em campo. Considero-o um dos melhores 25 futebolistas do «Glorioso» e um dos 50 melhores em Portugal.


NOTA3: o golo decisivo mais precoce em finais da Taça de Portugal: 0 (José Águas) 1, 2, 3, 4 (com Coluna), 5 (Santana), 6, 7, 8, 9, 10 (com Coluna a atirar ao poste esquerdo), 11 e 12 segundos (Cavém marca o golo, que foi resultado final).

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domingo, 16 de outubro de 2022

Colheita 1932

domingo, 16 de outubro de 2022 1 Comentários

DOIS GLORIOSOS FUTEBOLISTAS. UM POUCO LEMBRADO E OUTRO MUITO ESQUECIDO.




AMBOS COMPLETARIAM 90 ANOS EM 2022

Alberto Miguéns

NOTA: Francisco Palmeiro faleceu aos 84 anos, em 27 de Janeiro de 2017. Cavém faleceu aos 72 anos, em 11 de Janeiro de 2005.  

A completar em breve:





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domingo, 22 de janeiro de 2017

Palmeiro No Quarto Anel

domingo, 22 de janeiro de 2017 2 Comentários
FUI SURPREENDIDO PELA TRISTE NOTÍCIA. NÃO SABIA QUE ESTAVA DOENTE. ESPERO CONSEGUIR NAS PRÓXIMAS HORAS FAZER UM TEXTO QUE DIGNIFIQUE ESTA GLÓRIA DO BENFICA.


Arronches, 16 de Outubro de 1932 - Costa da Caparica, 22 de Janeiro de 2017 (84 anos)


Foi daquela "geração maldita" entre a conquista da Taça da Latina (1949/50) e as duas finais com sucesso na Taças dos Clubes Campeões Europeus: 1960/61 e 1961/62. A nível interno sagrou-se campeão nacional em 1954/55, 1956/57 e 1959/60. Na Taça de Portugal participou em três conquistas: 1954/55 (dobradinha), 1956/57 (dobradinha) e 1958/59 (perdendo nesta temporada o campeonato nacional para o FC Porto por...um golo). Honrou o "Manto Sagrado" em 15 076 minutos (178 jogos) marcando 49 golos. Capitaneou o "Glorioso" em cinco jogos. Foi titular em 170 jogos (com 154 completos) e entrou como suplente em oito encontros. Nos 178 jogos, participou em 109 vitórias, 27 empates e 42 derrotas.


Francisco Palmeiro como Glória do Benfica e de grande popularidade entre os adeptos, em 1953, a vender rifas obtendo receitas para erguer o Estádio nas melhores condições possíveis  

(clicar para conseguir melhor visualização)


O jogador das "primeiras vezes"
Foi o primeiro jogador do Clube a marcar um golo na inauguração da "Saudosa Catedral", em 1 de Dezembro de 1954, embora até tenha sido o defesa-direito, Jacinto a "inaugurar" as balizas num autogolo a favor do FC Porto.


Em Sevilha, à frente o capitão Fernando Caiado (com o galhardete) e o sub-capitão Francisco Palmeiro

Foi o primeiro futebolista do Benfica a marcar um golo nas competições europeias, na principal, a Taça dos Clubes Campeões Europeus, na 1.ª mão daquela que pode ser considerada como dezasseis-de-final (embora com oito jogos) "oficialmente" designada eliminatória preliminar, pois havia oito emblemas isentos "à espera" dos oito desta eliminatória. Em 19 de Setembro de 1957, em Sevilha, no actualmente inexistente estádio Nervion (embora no mesmo local do actual estádio do Sevilha FC) marcou o primeiro golo do jogo, na derrota por 1-3, frente ao clube de Sevilha. Foi ele que capitaneou a equipa do "Glorioso" no jogo da 2.ª mão na "Saudosa Catedral".


Foi o primeiro futebolista do Benfica a marcar três golos num jogo pela Selecção Nacional (segundo na história da selecção) em 3 de Junho de 1956, no 24.º Portugal - Espanha, disputado no Estádio Nacional, num jogo particular para preparar a fase de qualificação para o Mundial de 1958, cuja fase final se disputaria na Suécia. Francisco Palmeiro mesmo jogando a extremo-esquerdo quando era mais utilizado como extremo-direito marcou os três golos da selecção em dia da sua estreia, na vitória por 3-1. Fez o 1-0, 2-0 e 3-1 com todos os golos obtidos na primeira parte. 


A Selecção Nacional n.º 88. Da esquerda para a direita. De cima para baixo: Carlos Gomes, Pedroto, Passos (capitão), Ângelo, Juca e Virgílio; Hernâni, Vasques, Águas, Caiado e PALMEIRO
Até chegar ao Benfica...passou pelo Benfica
Passou a infância a fugir dos defesas, da escola e do pai que odiava vê-lo a jogar futebol. Estava-lhe reservado, tal como aos seus dois irmãos - um mais velho outro mais novo - um lugar na empresa familiar de camionagem. Mas Francisco Palmeiro não podia ver uma bola de futebol ou alguém desafiá-lo para um jogo. Era-lhe superior. Até à ira do pai. Quando sentia "borrasca" refugiava-se em casa do avô. Iniciou-se, aos 13 anos (1945/46) no Atlético Clube de Arronches (filial do Atlético CP). O seu virtuosismo e capacidade física depressa chegaram a Lisboa e ao SLB. O Benfica tem uma filial em Arronches desde 1939. Surgiu a possibilidade de rumar ao GD Portalegrense mas o pai foi inflexível. No Benfica talvez...se lhe arranjassem um emprego. Chegou no início da temporada de 1949/50 ao Clube, estreando-se mesmo no Barreiro, pelos "cadetes", em 24 de Outubro de 1949. Só que o emprego tardou e o pai exigiu o seu regresso a Arronches e às suas camionetas ainda lhe fazendo relembrar que «Aprende! Não se vive de promessas, meu rapaz.» Mas Arronches já era pequena para o seu futebol. Aos 18 anos (1950/51) foi jogar no "O Elvas" - CAD seguindo-se, finalmente, a ida para o GD Portalegrense. Entretanto o serviço militar fez com que Francisco Luís Palmeiro Rodrigues voltasse a Lisboa. A segunda oportunidade não seria desperdiçada. 



As oito temporadas no Benfica: 1953/54 a 1960/61
Aos 20 anos (a fazer 21) ingressou na categoria Reserva, estreando-se com o "Manto Sagrado" na «equipa principal», em 25 de Dezembro de 1953, num Torneio Luso-Argentino, substituindo o lesionado José Águas, aos 38 minutos, frente ao CA Independiente (Buenos Aires), no Estádio Nacional. A titularidade (interior-direito) foi no jogo seguinte frente ao CA Boca Juniores (Buenos Aires).



1953/54
Agradou de imediato à Comissão Técnica (Ribeiro dos Reis e José Simões) que dirigiam o futebol do "Glorioso" na sua época de estreia. Fez toda a segunda parte da temporada de 1953/54 - no ano civil de 1954 - como titular com apenas três jogos particulares em que esteve ausente por motivos militares. Foram 21 jogos (12 + 9) em que mostrou as suas qualidades com executante de nível elevado. As 16 jornadas finais (em 26) do campeonato nacional com cinco golos, três jogos na Taça de Portugal e os dois jogos particulares (mais um golo) com que o "Glorioso" fechou uma época que seria a última com as características que vinham de 1926/27: o semi-profissionalismo. Pouco depois do início de 1954 a Comissão Técnica pediu a demissão (após a derrota por 0-5 em Braga, frente ao SC Braga). Valadas assumiu o cargo de treinador principal fazendo algumas alterações, entre elas, Palmeiro deixou de ser interior (geralmente à direita mas também à esquerda) e fixou-se como extremo-direito.



1954/55
Com a chegada de Otto Glória atingiu a sua plenitude. Nesta primeira época de mudança radical no "Glorioso Futebol" actuou em 36 jogos marcando nove golos. O Benfica fez 50 jogos. Iniciou a temporada a extremo-esquerdo (20) passou por interior-direito (três) e terminou-a a extremo-direito (13) para ocupar a vaga de Du Fialho que se lesionou com gravidade. Disputou quatro jogos emblemáticos: inauguração da "Saudosa Catedral" a extremo-esquerdo; jogo frente ao FC Barreirense, a interior-direito, para manter a possibilidade de aproveitar uma "escorregadela" do CF "Os Belenenses" que liderava o campeonato nacional (o que acabou por acontecer); a final da Taça de Portugal, V 2-1, frente ao Sporting CP, como extremo-direito; e na digressão de final de temporada, ao Brasil e Venezuela, marcou um golo para o Torneio Charles Miller ao SE Palmeiras, no estádio Pacaembu, em São Paulo, numa das grandes vitórias de todos os tempos do "Glorioso" visto o poderoso clube ter internacionais brasileiros como Valdemar Carabina (defesa-central), Rodrigues (ponta-esquerda, titular do Brasil no Mundial de 1954) e Jair Rosa Pinto (interior-direito, titular no Mundial de 1950).



1955/56
Foi uma temporada esplendorosa com 29 jogos (dos 35 do Benfica) marcando 14 golos. Mais uma vez alternou entre a ponta-esquerda (vinte) e a ponta-direita (oito). Ainda passou num jogo por interior-direito. Para competições oficiais participou em 23 das 26 jornadas do campeonato nacional e nos dois jogos da Taça de Portugal numa temporada "vazia" em títulos. Não fez parte da comitiva que em Milão, disputou a Taça Latina (3.º lugar).


1956/57
Foi uma temporada infeliz por vários motivos. Fez os sete jogos iniciais da temporada, quatro na ponta-esquerda e três na direita. Se o primeiro jogo foi para inaugurar o estádio Municipal de Castelo Branco seguiram-se seis para o campeonato nacional com três golos. Regressou no final da época realizando 16 encontros (três golos), sempre a extremo-direito – dois na Taça de Portugal, dois na Taça Latina (em Madrid, numa final frente ao Real Madrid CF, depois de eliminar o AS Saint-Étienne) seguindo depois para uma apoteótica digressão pelo Brasil e dois jogos nos EUA. O Benfica foi o primeiro clube português a jogar neste país. Em 2 de Junho foi titular na vitória, por 3-1, ao SC Covilhã, na final da Taça de Portugal.



1957/58
Na temporada de estreia nas competições europeias fez uma época razoável com oito golos em 28 jogos dos 43 realizados pelo “Glorioso”. Vinte e dois na ponta-direita e seis na ponta-esquerda. Esteve mais uma vez presente num jogo emblemático (embora com o golo do “Glorioso” marcado por José Águas): a inauguração da iluminação artificial, num empate a um golo com o CR Flamengo, do Rio de Janeiro.


Atrás do actual estádio do Sevilha FC (ainda em construção) o velho estádio Nervion onde o Benfica se estreou nas competições da UEFA com Francisco Palmeiro a fazer o primeiro golo do encontro

HONRAI AGORA OS ASES QUE NOS HONRARAM O PASSADO
Data
19.Setembro.1957
26.Setembro.1957
Competição
Taça dos Clubes Campeões Europeus
Fase
1.ª El. - 1.ª mão
1.ª El. - 1.ª mão
Cidade
Sevilha
Lisboa
Campo
Nervión
Luz
Resultado
D 1-3
E 0-0
Guarda-redes
Bastos
Bastos
Defesa-direito
Chico Calado
Chico Calado
Defesa-central
Serra
 Serra
Defesa-esquerdo
Ângelo
Ângelo
Médio-direito
Pégado
Pégado
Médio-esquerdo
Alfredo
Alfredo
Extremo-direito
Palmeiro (1-0)
Palmeiro
Interior-direito
Coluna
Coluna
Avançado-centro
José Águas
José Águas
Interior-esquerdo
Caiado
Zézinho
Extremo-esquerdo
Cavém
Cavém



1958/59
Inaugurou a temporada jogando na estreia com o Benfica a participar na festa de despedida de Fernando Cabrita, na Covilhã, futebolista talentoso que menos de uma década depois seria campeão nacional pelo “Glorioso” e que toda a vida falou desta gentileza do Benfica. Chico Palmeiro só regressaria no início do ano civil de 1959, participando em 26 jogos com três golos marcados. Perdia espaço na esquerda para esse extraordinário futebolista português (Cavém) mas lutava pela titularidade à direita com Vieira Dias, Palmeiro Antunes e Chino. Fez os últimos doze encontros da temporada incluindo o histórico último encontro, na final da Taça de Portugal, frente ao FC Porto com um dos golos, por Cavém, mais rápidos de sempre do Benfica e o mais rápido e decisivo numa final da Taça de Portugal. 1-0 dentro dos 3o segundos de jogo e ficou...assim até final!


1959/60
Com Béla Guttmann a treinador e a aquisição de José Augusto os adeptos do Benfica sonhavam com uma linha avançada de grande valia: Francisco Palmeiro, José Augusto, José Águas, Coluna e Cavém. Mas uma lesão no início da temporada afastou o jogador dos campos e deu a possibilidade de José Augusto jogar a extremo-direito com Santana a aproveitar para entrar no onze titular como interior-direito. Participou em nove jogos com um golo, sendo três jogos para o campeonato nacional e dois na Taça de Portugal. A época foi passada a jogar na Reserva. Depressa Francisco Palmeiro percebeu que estava traçado o seu destino no “Glorioso”. Dificilmente regressaria à titularidade tendo o Benfica futebolistas para a esquerda e direita da linha avançada com enorme valia.


1960/61
Na oitava (e última) época a situação agravou-se com a chegada de Eusébio. Francisco Palmeiro praticamente não jogou, a não ser na categoria Reserva. Apenas quatro encontros na equipa principal e destes só um para competições oficiais. Mesmo quando foram convocados os 15 futebolistas para a Glória de Berna, na primeira Taça dos Clubes Campeões Europeus, Francisco Palmeiro não foi um dos quatro escolhidos que ficaram de fora desse jogo frente ao FC Barcelona: Barroca, Artur Santos, Saraiva e Mendes. Decidiu que já nada tinha a dar ao Benfica a não ser continuar Benfiquista. Assim nasceu (mesmo às “turras” com um irmão mais velho sportinguista) assim morreria. E cumpriu-se!


Golos!? Poucos mas...bons!
Jogador habilidoso e versátil era exímio em interpretar as necessidades do colectivo. Foi pedra basilar no Benfica treinado por Otto Glória. Era imprevisível, tanto tentando a jogada individual rumo à baliza contrária, como tabelando com os interiores ou centrando para o avançado-centro José Águas. Mesmo não tendo por função marcar golos, mas sim assistir quem estivesse em melhor posição para os fazer, o facto de actuar em zonas avançados do campo e ter vocação e simplicidade em marcá-los permitiu que facturasse 30 golos nas 86 jornadas (7 740 minutos) do campeonato nacional em que participou...pelo Benfica. Em 86 jogos, o "Glorioso" obteve 55 vitórias, 13 empates e 18 derrotas. Na Taça de Portugal jogou 27 encontros (2 430 minutos) com cinco golos, em 21 vitórias, um empate e cinco derrotas.


Depois do Benfica
Fez o último jogo em 7 de Maio de 1961, na 1.ª mão dos oitavos-de-final da Taça de Portugal, frente ao Vitória FC Setúbal. Tinha 28 anos e meio. A viver na Costa da Caparica e com um negócio de distribuição de tabaco na margem sul (em sociedade com outra Glória do Benfica, Salvador) ainda jogou no Atlético CP e depois no campeonato distrital de Setúbal: Almada AC, GD Pescadores Costa da Caparica e Monte da Caparica AC. Depois reformou-se, mas  era presença assídua em eventos e tertúlias do Clube. Até hoje!


Até sempre Chico Palmeiro

Alberto Miguéns

NOTA: Texto feito com base em várias conversas (e apontamentos) com ele e fotografias - em grande parte - extraídas do n.º 21 da colecção "Ídolos do Desporto" - cujo empréstimo gentilmente cedido por Mário Pais agradeço.
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quinta-feira, 5 de junho de 2014

Tanta e Tanta Glória (O Golo Onze Mil)

quinta-feira, 5 de junho de 2014 1 Comentários
DEPOIS DO PRIMEIRO, MIL E CINCO MIL MAIS UM "GOLO REDONDO"

A marcação do golo 50 mil na última jornada do 80.º campeonato nacional é o pretexto para viajar pela Gloriosa História. Hoje Francisco Palmeiro o sr. Onze Mil. Mas a Gloriosa História é tão rica e vasta que descobrimos sempre muito mais. Afinal José Águas jogou sempre com o n.º 9 (o número do avançado-centro)?

Cromo 1954/55
Uns "redondos" outros por um triz
O nosso Valadas fez o primeiro golo no primeiro jogo da primeira jornada do primeiro campeonato nacional. O nosso Enzo Perez fez o golo 50 mil no jogo n.º 17 303 da 2 228.ª jornada em 80 campeonatos nacionais. E entre o 1.º e o 50 000.º muitos outros "golos redondos" foram marcados por futebolistas com o "Manto Sagrado". E outros ficaram lá perto, por um ou um a mais!

GOLOS "REDONDOS"
Época
Jor
Futebolista
Golo
N.º
65
Golos
Golo
N.º
Futebolista
Jor
Época
34/35
1
Valadas
1

34/35
1
Valadas
3
5








10
12
Carlos Torres
1
34/35




25
26
Vítor Silva
2
34/35
34/35
3
Valadas
43
50
55
Carlos Torres
4
34/35
34/35
5
Carlos Torres
75

34/35
7
Valadas
100

34/35
12
Fernando Cardoso
196
200
231
Carlos Torres
13
34/35
35/36
3
Luís Xavier
299
300
311
Valadas
4
35/36
35/36
8
Carlos Torres
394
400
412
Carlos Torres
10
35/36
35/36
14
Domingos Lopes
495
500
501
Espírito Santo
1
36/37
36/37
5
Rogério Sousa
589
600
602*
Rogério Sousa
6
36/37
36/37
11
Rogério Sousa
699
700
701
Valadas
11
36/37
37/38
2
Espírito Santo
792
800
809
Rogério Sousa
3
37/38
37/38
8
Valadas
887
900
901
Domingos Lopes
9
37/38
37/38
14
Luís Xavier
1 000

40/41
13
Miguel Lourenço
1 992
2 000
2 001
Álvaro Pereira
14
40/41
42/43
10
Julinho
2 998
3 000
3 004
Julinho
10
42/43
44/45
11
Rogério Carvalho
3 993
4 000
4 010
Joaquim Teixeira
12
44/45
46/47
6
Arsénio
5 000

47/48
7
Julinho
5 992
6 000
6 002
Espírito Santo
8
47/48
48/49
14
Corona
6 984
7 000
7 008
Rogério Carvalho
16
48/49
49/50
23
Julinho
7 996
8 000
8 024
Pascoal
24
49/50
51/52
6
Corona
8 997
9 000
9 005
Rogério Carvalho
6
51/52
52/53
18
José Águas
9 982
10 000
10 006
Rosário
19
52/53
54/55
6
Francisco Palmeiro
11 000

                   NOTAS: * 601 Gatinho (CF "Os Belenenses") fez autogolo a favor do SL Benfica


A temporada de 1954/55 (quanto a pontos): "Glorioso" domínio até à 5.ª jornada... e depois também
Quando terminou a 5.ª jornada do campeonato nacional em 1954/55 o Benfica seguia na liderança, com oito pontos: 4 V - 0 E - 1 D e 20/2 em golos. O "Glorioso" tinha um ponto de vantagem para a equipa da Associação Académica de Coimbra (7 pontos: 3 V - 1 E - 1 D e 13/9 em golos). O próximo adversário era o SC Covilhã, 12.º adversário: 1 V - 1 E - 3 D e 5/14 em golos. A 6.ª jornada seria disputada no Estádio Nacional, em 17 de Outubro de 1954, pois o Benfica continuava a trabalhar em Carnide na construção de um novo estádio a inaugurar, daí a menos de dois meses, em 1 de Dezembro de 1954.


A temporada de 1954/55 (quanto a golos): 10 990 golos marcados desde 1934/35 até à 5.ª jornada
Quanto a golos estavam marcados, desde 1934/35... 10 990, ou seja, o décimo tento da jornada seria o onze mil. A 6.ª jornada, disputada em 17 de Outubro de 1954, com todos os sete encontros marcados para as 15.00 horas, reservava jogos interessantes para além do Benfica frente ao SC Covilhã. A equipa da Associação Académica de Coimbra, recebia no Calhabé (estádio Municipal), o FC Porto. O Sporting CP deslocava-se ao recinto do Atlético CP, na Tapadinha. O CF "Os Belenenses" jogava no estádio da Amorosa, em Guimarães, frente ao Vitória SC.  

A 6.ª jornada em 1954/55
O primeiro golo (10 991.º) foi marcado aos 6 minutos, por Custódio (FC Barreirense) no Barreiro, frente ao Lusitano GC Évora. Seguiu-se (7 minutos) um golo de Juanin (Vitória SC) em Guimarães. No Barreiro, aos 11 minutos, José Pedro empatou. Coube ao FC Porto o 4.º e 5.º golo da jornada, aos 18 e 20 minutos, respectivamente, fazendo o 0-2 em Coimbra, resultado que galvanizou os adeptos do Benfica, nas bancadas do Jamor, pois a equipa coimbrã estava a um ponto. Mas o Benfica tinha de fazer a sua "parte" - marcar golos. O golo 10 996.º foi obtido por José Pedro, a bisar aos 21 minutos e colocar o Lusitano GC Évora em vencedor (2-1) frente ao FC Barreirense. Faltavam quatro golos para o onze mil, o Benfica continuava sem marcar, em "casa", frente ao antepenúltimo classificado! O 7.º golo da jornada (e marcaram-se 25 golos. Em sete jogos com 14 equipas, apenas a do Atlético CP não marcou!) foi obtido, aos 27 minutos, pelo academista André que reduziu - para desgosto dos Benfiquistas - frente ao FC Porto, para 1-2. Faltavam três golos para o onze mil. Eis que aos 35 minutos surge mais um "Golo-rioso" com Du Fialho a fazer o 1-0 frente ao SC Covilhã. Dois minutos depois, aos 37 minutos, Martins do Sporting CP faz o resultado que seria final na Tapadinha: Atlético CP, 0 - Sporting CP, 1. Estava feito o 10 999.º golo. O próximo seria "redondo".


A mão do "Mestre" que esteve no Jamor para fazer a crónica do jogo A Bola; Primeira página; 18 de Outubro de 1954 
O onze mil visto/fotografado do poste contrário Mundo Desportivo; Primeira página; 18 de Outubro de 1954 
O onze mil visto/fotografado de outro ângulo, com Francisco Palmeiro (n.º 7, o número do extremo-direito) e do outro lado da baliza um dos fotógrafos do jornal "Mundo Desportivo" a tirar a foto de cima!  Semanário "O Benfica"; Primeira página; 21 de Outubro de 1954 NOTA: Como andando "à caça" de uma fotografia do golo 11 mil se descobre sempre mais. A José Águas é sempre atribuído o número 9, por ser o número do avançado-centro. Será que esse "Manto Sagrado" que aparece com o n.º 9 é Zé Águas? (Resposta no final)

Francisco Palmeiro marcou o segundo do Benfica tendo como adversário... Cavém
Aos 40 minutos, pelas 15.40 horas, depois de uma bola aliviada pela defensiva covilhanense, o extremo-esquerdo do "Glorioso" Francisco Palmeiro ultrapassa Couceiro, defesa-esquerdo do adversário, desferindo um pontapé na bola que só parou quando tocou as malhas do interior da baliza. Estava feito o 11 000.º golo desde que o Campeonato Nacional se iniciara em 1934/35. O Benfica com 2-0 (o resultado final seria 2-1) assegurava o primeiro lugar, os "estudantes conimbricenses" perderiam, por 1-3, com o FC Porto afastando-se para três pontos da liderança. O SLB com dez pontos em seis jornadas, alargou a vantagem de um ponto para dois, pois o Sporting CP (V 1-0) e o Vitória FC Setúbal passaram a totalizar oito pontos. Coube, aliás, ao vitoriano setubalense Fernandes, aos 46 minutos, abrir o marcador, em Setúbal, no estádio dos Arcos, frente ao SC Braga, fazendo o golo n.º 11 001. Que foi também o primeiro das segundas partes dos sete encontros dessa histórica 6.ª jornada em 1954/55. Regressando ao jogo do "Glorioso", pelo adversário - SC Covilhã - actuou um dos melhores futebolistas do Benfica e de Portugal de todos os tempos: Cavém! Contratado ao SC Covilhã precisamente no final desta temporada, estreando-se com o "Manto Sagrado" na seguinte: 1955/56!

De Arroches para o Benfica
Francisco Luís Palmeiro Rodrigues nasceu em 16 de Outubro de 1932, há 81 anos, na vila alentejana de Arronches, onde o Benfica tem uma filial - Sport Lisboa e Arroches, depois Sport Benfica e Arronches - desde 1 de Abril de 1939. Foi nessa filial que Francisco Palmeiro se iniciou no futebol, passando depois por outros clubes alentejanos - "O Elvas" - CAD e GD Portalegrense até ingressar no "Glorioso"no início da temporada de 1953/54 estreando-se em 25 de Dezembro de 1953. Seguiram-se oito temporadas como avançado, essencialmente a extremo-direito, mas também como extremo-esquerdo. Em oito temporadas esteve na conquista de seis títulos nacionais: três campeonatos nacionais (1954/55, 1956/57 e 1959/60) e três Taças de Portugal (1954/55, 1956/57 e 1958/59) ou seja, com duas "dobradinhas". A última época no Clube coincidiu com a conquista da primeira Taça dos Clubes Campeões Europeus, em 1960/61, mas Francisco Palmeiro nessa temporada jogou prioritariamente na categoria reserva, fazendo o último jogo com o "Manto Sagrado" na Taça de Portugal, frente ao Vitória FC Setúbal.  Nas oito épocas como futebolista do Benfica, marcou 49 golos em 178 encontros, num total de 15 076 minutos, com cinco jogos a capitão. Depois do Benfica prosseguiu a carreira na Atlético CP, jogando depois em clubes de divisões secundárias e regionais: Almada AC, GD Pescadores (Costa da Caparica) e Monte Caparica AC. Isto enquanto estabelecia um negócio de tabacarias e quiosques na Costa da Caparica onde vive e de onde vem para estar presente em alguns jogos do "Glorioso".

Golos!? Poucos mas... bons!
Mesmo não tendo por função marcar golos, mas sim assistir quem estivesse em melhor posição para os fazer, o facto de actuar em zonas avançados do campo e ter vocação e simplicidade em marcá-los permitiu que facturasse 30 golos nas 86 jornadas do campeonato nacional em que participou... pelo Benfica.

Futebolistas das "primeiras vezes"
Apesar de não ser um goleador há três momentos que ninguém os vai conseguir repetir:
1.       Foi o primeiro futebolista do Benfica a marcar um golo na Taça dos Clubes Campeões Europeus (e nas competições europeias da UEFA) aos 50 minutos do jogo da 1.ª mão da 1.ª eliminatória, no estádio Nervion, em Sevilha, frente ao Sevilha FC;
2.      Foi o primeiro futebolista com o "Manto Sagrado" a marcar um golo na "Saudosa Luz", em dia da inauguração, a 1 de Dezembro de 1954, frente ao FC Porto;
3.      Foi o primeiro estreante na selecção nacional - e o segundo da história da selecção portuguesa - a marcar três golos, em 3 de Junho de 1956, no Estádio Nacional, frente à selecção de Espanha, numa vitória por 3-1!

Paragens anteriores:
16 de Maio de 2014: O Primeiro (Valadas)
16 de Maio de 2014: O Mil (Luís Xavier)
26 de Maio de 2014: O Cinco Mil (Arsénio)
   
Próxima "paragem": o 17 mil (Eusébio)

Alberto Miguéns


RESPOSTA: Não é Águas, é Coluna a jogar a avançado-centro, com o n.º 9. José Águas nesse encontro - 6.ª jornada em 1954/55 - jogou a interior-direito - entre Francisco Palmeiro e Coluna - como mostra esta fotografia do jornal "Mundo Desportivo" publicada na página 8.


A explicação é "simples" (pelo menos assim tem corrido pela História do Benfica e do Futebol Português) desde então até hoje! Quando Coluna chegou ao Benfica no início desta temporada (1954/55) o treinador Otto Glória, na primeira temporada no Benfica, tendo dois temíveis executantes e goleadores decidiu dar oportunidade ao "novato Coluna" e experimentar o "experiente e consagrado Águas" noutra posição. Foi assim nas oito jornadas iniciais e nas cinco primeiras os dois ou um deles marcou sempre golos. Foi nesta 7.ª jornada que, pela primeira vez, nenhum deles marcou golos. Pela 9.ª jornada Otto Glória decidiu o "futuro". Águas a n.º 9 e Coluna a n.º 8!  Esta fotografia podia chamar-se "Prova provada"
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