HÁ 110 ANOS, DEPOIS DO REGICÍDIO (1 DE FEVEREIRO DE 1908) ENQUANTO UNS FUGIAM E OUTROS DESESPERAVAM...
Uma palavra de apreço para o Benfiquista Alfredo Alexandre Luís da Silva
Foi presidente apenas um mandato, entre a tomada de posse em 22 de Fevereiro de 1910 e a tomada de posse, em 2 de Abril de 1911, da Direcção presidida por António Nunes de Almeida Guimarães que fora "seu" secretário na Direcção anterior. Alfredo Alexandre Luís da Silva a par de outro presidente, João José Pires, era um "filho bem sucedido de Benfica" onde criara riqueza como negociante agrícola e comercial. Alexandre Silva como vice.presidente de João José Pires no Sport Clube de Benfica (eleitos em 28 de Junho de 1908) foi dos mais entusiastas na junção com o Sport Lisboa. Nas quatro actas que trataram da junção, consumada em 13 de Setembro de 1908, apesar de ser do SCB parecia mais ser um "velho adepto" de Belém tal o modo como aceitava as propostas de Cosme Damião/Félix Bermudes e as defendia perante os seus pares da Direcção. Depois foi sempre defensor que de futebol percebiam os do Sport Lisboa. Quando foi presidente continuou a dar a Cosme Damião (que naturalmente foi seu vice-presidente) toda a autonomia para tratar das questões desportivas como lhe permitiu ter condições únicas. Resultado? Antes resultados. O Benfica fez o pleno ao conquistar os três campeonatos da Associação de Futebol de Lisboa. Cidadão de Benfica não acompanhou o Clube, como dirigente dedicado, nas andanças pela Baixa da cidade, mas depois foi essencial pata o retorno do Benfica ao bairro, estando nas negociações para anexar o "Desportos de Benfica" e a sua magnífica Sede. Acabou por ir viver para Faro onde fundou uma das primeiras filiais do "Glorioso", o Sport Faro e Benfica. Um ano como presidente, mas tal como em muitos aspectos das nossas vidas, os mandados também "não se medem aos palmos". Por vezes é melhor pouco e bom, que muito e mau.
Enigma e dúvidas esclarecidas mais de 70 anos depois
Quando se juntam os vários documentos existentes com a
descrição dos números das portas por onde andou o "Glorioso" nos anos
10 do século passado é que se percebe a dificuldade que tiveram Mário de
Oliveira e Rebelo da Silva em perceber a ordem das Sedes. Certamente que
tiveram como guias, entre finais dos anos 40 e início de 50, Benfiquistas
pioneiros que viveram essas peregrinações por Benfica. O que se percebe, agora,
é que a numeração das portas - como em muitas localidades que nesse tempo
descontinuavam da malha urbana de Lisboa - não era a mesma. Quando o Benfica
andou por Benfica os números, na rua Direita de Benfica, cresciam das Portas de
Benfica até ao Calhariz, onde terminava a rua Direita e passava a denominar-se
Estrada de Benfica. Até é provável que nem existisse separação entre lado dos
pares e dos ímpares. Quando Mário de Oliveira e Rebelo da Silva andaram por
Benfica os números já estavam separados entre lado par e ímpar e cresciam de
Sete Rios para as Portas de Benfica. Assim, não se estranha que a fotografia de
terceira Sede (página 118) tenha surgido na publicação antes da fotografia da
segunda Sede (página 129). Porque o sentido dos números tinha mudado. Como se
mostra nestas fotografias e documentos.
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...O Sport Clube de Benfica resistia e ocupava um espaço vago
deixado pelos partidários do "ditador de D. Carlos", João Franco, do
Partido Regenerador Liberal.
AVISO
PÉVIO: Texto longo acerca da Gloriosa História. Não aconselhável a quem não
gosta dela, não tem tempo ou prefere outros assuntos!
Primeira
Sede em Benfica
Mas deixemos contar a História quem ouviu muitas histórias do
passado Benfiquista ao longo da sua vida, e principalmente, conviveu e falou,
em finais dos anos 40 ou início da década de 50, com os protagonistas da mesma em 1908 - Mário
de Oliveira e Rebelo da Silva - que escreveram o seguinte: O regicídio
facilitou, inesperadamente, a ampliação das instalações do Grupo Sport Benfica,
com a mudança da Sede para uma casa mais ampla. O major Luís Carlos de Faria
Leal contou, numa entrevista publicada em "O Benfica", de 4 de Junho
de 1953, as condições em que se registou tal facto. Da citada entrevista
recortamos o seguinte passo. «Dera-se em 1908 (a 1 de Fevereiro) o regicídio, e
o Partido regenerador Liberal, de que o ditador João Ferreira Franco fora o
chefe, sumiu-se. Sucedia, porém, que alguns sócios daquele centro (Centro
Regenerador Liberal da Cruz da Pedra) que tinha a sua sede na Travessa do
Visconde Sanches de Baena, eram já (também) sócios do Sport Benfica. Fácil foi,
então, numa reduzida, senão simulada assembleia-geral - porque os franquistas
haviam abandonado, na retirada, armas e bagagens - através de uma acta
testamentária, considerar por herdeiro o Grupo Sport Benfica, que logo se viu
pomposamente instalado, com sala de bilhar e um decente mobiliário. O Benfica,
envaidecido então com a sua nova sede, tomou o pomposo nome de Sport Clube de
Benfica.» No decurso das diligências que tornaram possível a mudança da Sede,
foi a Direcção do clube autorizada a aceitar uma proposta do Centro Regenerador
Liberal da Cruz da Pedra (CRLCP), no sentido de ficar com todo o mobiliário do
antigo Centro, incluindo um bilhar em muito bom uso, em troca do pagamento das
dívidas da referida colectividade (CRLCP). Aceite a solução, o clube começou a
pagar os débitos, em prestações mensais de dez mil réis. E resolveu, entretanto,
em reunião de Direcção, modificar o seu título (nome), de Grupo Sport Benfica,
para Sport Clube de Benfica. (excerto das
páginas 77 e 78; 3.º fascículo; I Volume; História do Sport Lisboa e Benfica
1904/1954; Março de 1954). Tudo isto (e não foi pouco) se não foi em 15 de Fevereiro de 1908, há
precisamente 110 anos, andou lá próximo!
Junção em 13
de Setembro de 1908 (este blogue há-de assinalar os 110 anos)
Quando os associados do Sport Lisboa e do Sport Benfica
decidiram juntar-se, souberam separar o que havia a separar, juntar o que devia
ser unido, o emblema. Os clubes mantiveram a individualidade (que o tempo no
Futuro acabaria por anular): o Sport de Lisboa mantinha a organização do
Futebol com tradição - data de fundação, o "Glorioso" como epíteto, o
equipamento (camisola de flanela vermelha, calções brancos e meias pretas), a
base do emblema sobreposto no do Sport Benfica - e com destaque para a direcção
e supervisão dos plantéis de futebol, por Manuel Gourlade e depois Cosme
Damião, que permitia constituir quatro categorias. Se o Sport Lisboa tinha a
super-estrutura o Sport Benfica tinha as infra-estruturas: campo de jogos na
Quinta da Feiteira, Sede arranjada em Fevereiro de 1908, há 110 anos, e um
excelente núcleo de sócios endinheirados e prestigiados que permitia ao Sport
Lisboa e Benfica ter bons dirigentes com implantação económica e social no
bairro de Benfica.
Quinta da
Feiteira e "arredores"
O Sport Benfica alugara a Quinta da Feiteira para lá realizar
os seus aniversários e festas desportivas mas nunca conseguira organizar
plantéis que pudessem oferecer prestígio e dar glória ao clube. Mas com bons
dirigentes conseguiram fazer do terreno agrícola um bom espaço desportivo. Os
valiosos plantéis do Sport Lisboa (Belém) tinham o espaço, em Benfica, que
nunca conseguiram em Belém. Há a curiosidade da quinta não ter outra
infra-estrutura que não fosse o recinto de jogo num terreno que não sendo
público era de acesso fácil, daí guardarem os materiais necessários para fazer
treinos e disputar jogos numa arrecadação próxima, na calçada do Tojal, no topo
da qual, no Casal do Tojal, vivia um atleta que se tornaria famoso pelas piores
razões, Francisco Lázaro, que faleceu durante a Maratona nos Jogos Olímpicos de
Estocolmo, em 1912, depois de representar o SLB em 1911.![]() |
| Recibo da transferência dos bens de uma Sede para outra. Digitalizada na página 126 da citada História do Clube |
Segunda Sede
em Benfica
No decurso de 1909 percebeu-se que a renda de 105 mil
réis/ano era incomportável. A Sede era óptima mas enfraquecia as finanças do
Clube. Havia que procurar um local mais modesto embora o Clube quisesse ir para
a principal rua do bairro, a rua Direita de Benfica. e assim foi. Em 1 de
Janeiro de 1910 já havia Sede Nova. Por um preço mais acessível: 60 mil réis/ano.
Terceira
Sede em Benfica
A temporada de 1909/10 foi a melhor de sempre no Clube até
essa data. No Futebol, depois do tricampeonato dos ingleses do Carcavellos Club,
o Benfica não só conquista o título na primeira categoria como faz o pleno com
as conquistas na 2.ª e 3.ª categoria. Na forja sentia-se que se estava a reunir
um valioso conjunto de velocipedistas (Ciclismo) e pedestrianistas (Atletismo).
O Clube tinha já uma pujança muito forte e isso reflectia-se no aumento do
número de associados e entre estes os que ambicionavam representar o Clube. A
Sede era muito pequena para tanta grandeza. No Relatório da Direcção, publicado
em 31 de Dezembro de 1910, o secretário (Almeida Guimarães) escreveu o seguinte a propósito da Sede: «Luctou deveras esta
Direcção para dotar o Club com uma casa digna da nossa agremiação e que
satisfizesse absolutamente às nossas necessidades. Não fomos felizes durante
alguns mezes, porém ao retirar-nos, deixamos aos nossos sucessores a glória de lhes
legarmos uma séde embora modesta, mas com as necessidades que requer o nosso
genero de Sport com casa para banho, vestiarias, salas para bilhar e outros
jogos. Muito agradecemos a todos os sócios que nos auxiliaram n'esta cruzada,
que se tornaria impossível, sem a sua valiosa ajuda». A Direcção
presidida por Alfredo Luís da Silva resolvia o assunto alugando um espaço mais amplo uns
metros mais à frente, em direcção ao campo da Feiteira.Uma palavra de apreço para o Benfiquista Alfredo Alexandre Luís da Silva
Foi presidente apenas um mandato, entre a tomada de posse em 22 de Fevereiro de 1910 e a tomada de posse, em 2 de Abril de 1911, da Direcção presidida por António Nunes de Almeida Guimarães que fora "seu" secretário na Direcção anterior. Alfredo Alexandre Luís da Silva a par de outro presidente, João José Pires, era um "filho bem sucedido de Benfica" onde criara riqueza como negociante agrícola e comercial. Alexandre Silva como vice.presidente de João José Pires no Sport Clube de Benfica (eleitos em 28 de Junho de 1908) foi dos mais entusiastas na junção com o Sport Lisboa. Nas quatro actas que trataram da junção, consumada em 13 de Setembro de 1908, apesar de ser do SCB parecia mais ser um "velho adepto" de Belém tal o modo como aceitava as propostas de Cosme Damião/Félix Bermudes e as defendia perante os seus pares da Direcção. Depois foi sempre defensor que de futebol percebiam os do Sport Lisboa. Quando foi presidente continuou a dar a Cosme Damião (que naturalmente foi seu vice-presidente) toda a autonomia para tratar das questões desportivas como lhe permitiu ter condições únicas. Resultado? Antes resultados. O Benfica fez o pleno ao conquistar os três campeonatos da Associação de Futebol de Lisboa. Cidadão de Benfica não acompanhou o Clube, como dirigente dedicado, nas andanças pela Baixa da cidade, mas depois foi essencial pata o retorno do Benfica ao bairro, estando nas negociações para anexar o "Desportos de Benfica" e a sua magnífica Sede. Acabou por ir viver para Faro onde fundou uma das primeiras filiais do "Glorioso", o Sport Faro e Benfica. Um ano como presidente, mas tal como em muitos aspectos das nossas vidas, os mandados também "não se medem aos palmos". Por vezes é melhor pouco e bom, que muito e mau.
Adeus Benfica!
Olá Baixa de Lisboa
Mas o crescimento imparável do "Glorioso" a todos
os níveis - desportivo, associativo e social - obrigou a rasgar horizontes. Um
ano depois o Benfica inaugurava uma Sede no centro da cidade por onde andou de
prédio em prédio até perceber que havia na avenida Gomes Pereira um edifício
que tinha tudo para prestigiar o Clube. Em 1917 estava no tempo certo de deixar
esses espaços acessíveis mas exíguos devido às rendas caras. Na Baixa ficaria
uma Secretaria - também obrigaria o Clube a alugar vários edifícios até
assentar na rua Jardim do Regedor - mas em espaços que desdobrariam os
serviços, principalmente aqueles que necessitavam de maior proximidade e
acessibilidade: inscrições de associados e atletas, pagamento de quotas e
gabinetes para dirigentes.
E o campo
também mudou de Benfica para Sete Rios
Com o senhoria a pedir uma exorbitância para renovar o
contrato de arrendamento de uma parcela na vasta Quinta da Feiteira coube a
Cosme Damião, através da Casa Palmela, encontrar um espaço agrícola que
permitisse a construção de um campo. E o Benfica iria conseguir ter pela
primeira vez bancadas num dos lados do seu campo de jogos, na Quinta Nova, com
entrada pela estrada de Palhavã, junto ao apeadeiro de Sete Rios na linha de
caminho de ferro que nesse tempo era a mais importante pois os comboios partiam
e chegavam ao Rossio (estação central).
E o Benfica
ainda voltaria a Benfica...
Em 1 de Dezembro de 1917 para inaugurar uma Sede, na avenida
Gomes Pereira, até 31 de Julho de 1981 e em 11 de Novembro de 1917 para ter um
campo de Futebol atrás da Sede, na Quinta de Marrocos até 1921 e rumar às
Amoreiras para nunca mais voltar, embora actualmente não esteja longe...
Peregrinações
pela rua Direita de Benfica
O Benfica entre 1908 e 1912 viveu essencialmente em torno da
rua Direita de Benfica, sempre à procura das melhores soluções, quase a fazer a
quadratura do círculo...bom e barato.
Todos os recursos eram poucos
Para angariar receitas e promover socialmente o Clube em Benfica e na cidadeEnigma e dúvidas esclarecidas mais de 70 anos depois
Carrega Benfica a «casa às costas». Como não amar este Clube?!
Alberto Miguéns
NOTA (a
propósito do emblema do Grupo Sport Benfica depois Sport Clube Benfica): Alguém
pensa que lá pelo facto das fotografias serem a preto-e-branco, bem como os
jornais e revistas do "antigamente" também o serem, o Mundo e a
realidade não era tão colorido como na actualidade? Fazia algum sentido um
grupo criar um emblema a preto-e-branco quando até os brasões eram amplamente
coloridos? Se isso ocorresse seriam muito limitados com uma falta de imaginação
tremenda! Era um clube sem simbologia, pois as cores têm sempre uma razão de ser ao evidenciarem as componentes emblemáticas. Nem sequer consigo imaginar pioneiros do Clube assim tão desprovidos de imaginação e conhecimento! Não conheço
emblemas a preto-e-branco a não ser que sejam emblemas muito simples e os
clubes equipem de branco-e-preto. O que não se sabe (ainda não se sabe) é quais
eram as cores e o modo como estavam compostas no emblema! Mas este não era, de
certeza, o emblema do Grupo Sport Benfica. Aliás é um emblema branco em que os seus componentes são linhas a preto para se individualizarem uns dos outros. Era a «base» do emblema!




















