HÁ 110 ANOS DEPOIS DE UMA ÉPOCA (1906/07) DE CONSAGRAÇÃO, O JOVEM CLUBE COM TRÊS ANOS - 1904 A 1907 - ERA JÁ UMA REALIDADE CONSISTENTE.
Como facto mais significativo a espectacular vitória quebrando a invencibilidade de nove anos - desde 1898 - dos ingleses, esse inolvidável 10 de Fevereiro de 1907 (já descrito neste blogue - (clicar)(clicar) e o segundo lugar atrás do Bicampeão Regional, precisamente os ingleses do Carcavellos Sports Club
No final da temporada, o último jogo foi em 25 de Março de 1907, um marco - mais um - do Benfiquismo a deixar marca na Gloriosa História e na História do Futebol em Portugal, em 5 de Abril. Há precisamente 110 anos. Depois o "Gloriosíssimo" iria entrar em convulsão por não ter condições para potenciar as excelentes equipas que formava, como Cosme Damião reconheceu na entrevista que concedeu a Mário de Oliveira, em "A Bola", que se encontra no friso deste blogue. Seria um "Verão Quente" agitado com futebolistas (oito) e associados (nove) a desertarem do Clube para procurarem melhores condições no Sporting CP. Como o Sport Lisboa parecia condenado a uma morte prematura, outros futebolistas, mesmo não saindo para o SCP trataram de arranjar clube, como David José Fonseca que foi jogar para o Foot-Ball Cruz Negra.
O "ovo de colombo" vermelho-e-branco
Antes de toda esta convulsão, em Maio, a efeméride que se assinala hoje (5 de Abril), depois debelada com uma ideia simples - que às vezes são as mais difíceis de conseguir - Marcolino Bragança não se deu por convencido (clicar) e o Clube sobreviveu cada vez mais pujante até ser naquilo que se tornou no tempo de Borges Coutinho, sem dúvida, a época com mais classe que o Clube alguma vez teve (clicar). Aquela personalidade até presidente da República podia ser...se Portugal fosse uma Democracia! Um Senhor em comportamento cívico, com vida social e criminal imaculada. O Orgulho num Benfica centenário.
Para o final o que devia ser o início
Pouco mais de dez dias depois do último encontro em 1906/07, sabendo-se que estavam de partida de Portugal dois dos principais obreiros dessa excelente temporada conseguida com mestria, o Clube organizou um jantar de despedida para o guarda-redes Manuel Móra (que rumava à Argentina) mas seria figura de destaque no Brasil (clicar) e de Fortunato Levy que faria vida em Cabo Verde e sobre o qual já se escreveu neste blogue (clicar).
A prova que uma imagem vale mais que mil palavras
Eis o Sporting em 1906/07 antes de receber reforços "Gloriosos"
1. António Stromp; 2. Francisco Stromp; 3. José Stromp; 4.José Gavazzo; 5. José Alvalade; 6. Francisco Gavazzo. Qualquer semelhança com uma equipa de futebol “a sério” é pura coincidência.
Nem a debandada de uma dezena e a despedida de Móra e Levy nos derrotaram
E extinguiram. A maior parte foi para o Sporting CP (que de uma "cambada carinhosa de coxos" que nem se atreveram a participar no campeonato de 1906/07 receberam, no Verão, oito dos onze que vergaram, em 10 de Fevereiro, os ingleses), David José Fonseca para o Foot-Ball Cruz Negra e outros tiveram tentações bem reais. Marcolino Bragança, Cosme Damião, Félix Bermudes, Manuel Gourlade, Carlos França, por exemplo, resistiram. Carlos França foi o único futebolista da primeira categoria a continuar. Henrique Costa e David José da Fonseca regressariam na temporada seguinte. António Rosa Rodrigues (Neco dos Catataus) regressou em 1909/10 e voltou ao Sporting CP! Vamos às contas:
4. Marcial Costa foi para Moçambique onde fundou o CD Ferroviário de Lourenço Marques; 5. Carlos França que já jogava, em 1903, com os Catataus (Zé, Candinho e Neco) não foi com eles para o SCP mantendo-se no "Glorioso"; 6. Fortunato Levy (capitão com 18 anos) foi para Cabo Verde; 7. Manuel Móra foi para a Argentina (foi o que constou no Clube) e depois rumou ao Brasil (aparecem registos dele no país da Ordem e Progresso); 12. Manuel Gourlade (o "treinador") que era uma espécie de 12.º jogador (não fosse algum ter um torci-colo de última hora) manteve-se solidário no Clube. De um momento para outro desaparecia uma grande equipa/um plantel de excelência.
O que não nos mata torna-nos mais fortes
Podia ter nascido no "Gloriosíssimo" esta frase-feita. Marcolino Bragança deu a Ideia da Resistência e depois o Ideal teria Cosme Damião como estratego. Havia que inscrever os futebolistas da segunda categoria no campeonato da primeira! E assim foi.
Agora imaginem, no dia da inscrição no campeonato da 1.ª categoria para 1907/08 os delegados dos outros clubes - o do Sporting CP então devia estar em delírio por ter acabado connosco - a pensar que se tinham livrado da "praga" que eram os "flanelas vermelhas" terríveis pois nunca se davam por vencidos, pensando que estavam "mortos e enterrados" e eis que (deixemos Mário de Oliveira e Rebelo da Silva contar, na página 61 da Monumental História do Clube (1904-1954) que o fazem muito melhor que eu):
Com apenas três anos de existência, mas já um clube com capacidade de reconhecer os que o honravam
Alberto Miguéns
NOTA: Apesar de apenas um ano depois haver formalmente a junção, os dois clubes - Sport Lisboa e Grupo Sport Benfica - tinham já laços de amizade. Eis um exemplo nestas actas do Grupo Sport Benfica
(clicar em cima da imagem para visualizar com melhor qualidade)
Digam lá que a Gloriosa História não é "linda de morrer"! Nem uma namorada angelical se compara!
Como facto mais significativo a espectacular vitória quebrando a invencibilidade de nove anos - desde 1898 - dos ingleses, esse inolvidável 10 de Fevereiro de 1907 (já descrito neste blogue - (clicar)(clicar) e o segundo lugar atrás do Bicampeão Regional, precisamente os ingleses do Carcavellos Sports Club
O "ovo de colombo" vermelho-e-branco
Antes de toda esta convulsão, em Maio, a efeméride que se assinala hoje (5 de Abril), depois debelada com uma ideia simples - que às vezes são as mais difíceis de conseguir - Marcolino Bragança não se deu por convencido (clicar) e o Clube sobreviveu cada vez mais pujante até ser naquilo que se tornou no tempo de Borges Coutinho, sem dúvida, a época com mais classe que o Clube alguma vez teve (clicar). Aquela personalidade até presidente da República podia ser...se Portugal fosse uma Democracia! Um Senhor em comportamento cívico, com vida social e criminal imaculada. O Orgulho num Benfica centenário.
Para o final o que devia ser o início
Pouco mais de dez dias depois do último encontro em 1906/07, sabendo-se que estavam de partida de Portugal dois dos principais obreiros dessa excelente temporada conseguida com mestria, o Clube organizou um jantar de despedida para o guarda-redes Manuel Móra (que rumava à Argentina) mas seria figura de destaque no Brasil (clicar) e de Fortunato Levy que faria vida em Cabo Verde e sobre o qual já se escreveu neste blogue (clicar).
A prova que uma imagem vale mais que mil palavras
Eis o Sporting em 1906/07 antes de receber reforços "Gloriosos"
O SCP em 1906. Para evitar legendar todos os 21 nomes segue-se uma grelha com os principais destaques.
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Nem a debandada de uma dezena e a despedida de Móra e Levy nos derrotaram
E extinguiram. A maior parte foi para o Sporting CP (que de uma "cambada carinhosa de coxos" que nem se atreveram a participar no campeonato de 1906/07 receberam, no Verão, oito dos onze que vergaram, em 10 de Fevereiro, os ingleses), David José Fonseca para o Foot-Ball Cruz Negra e outros tiveram tentações bem reais. Marcolino Bragança, Cosme Damião, Félix Bermudes, Manuel Gourlade, Carlos França, por exemplo, resistiram. Carlos França foi o único futebolista da primeira categoria a continuar. Henrique Costa e David José da Fonseca regressariam na temporada seguinte. António Rosa Rodrigues (Neco dos Catataus) regressou em 1909/10 e voltou ao Sporting CP! Vamos às contas:
4. Marcial Costa foi para Moçambique onde fundou o CD Ferroviário de Lourenço Marques; 5. Carlos França que já jogava, em 1903, com os Catataus (Zé, Candinho e Neco) não foi com eles para o SCP mantendo-se no "Glorioso"; 6. Fortunato Levy (capitão com 18 anos) foi para Cabo Verde; 7. Manuel Móra foi para a Argentina (foi o que constou no Clube) e depois rumou ao Brasil (aparecem registos dele no país da Ordem e Progresso); 12. Manuel Gourlade (o "treinador") que era uma espécie de 12.º jogador (não fosse algum ter um torci-colo de última hora) manteve-se solidário no Clube. De um momento para outro desaparecia uma grande equipa/um plantel de excelência.
O Ovo de Colombo do Benfiquismo
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| Entrevista de Mário de Oliveira com Cosme Damião; jornal "A Bola"; 5 de Março de 1945; página 5 |
O que não nos mata torna-nos mais fortes
Podia ter nascido no "Gloriosíssimo" esta frase-feita. Marcolino Bragança deu a Ideia da Resistência e depois o Ideal teria Cosme Damião como estratego. Havia que inscrever os futebolistas da segunda categoria no campeonato da primeira! E assim foi.
Agora imaginem, no dia da inscrição no campeonato da 1.ª categoria para 1907/08 os delegados dos outros clubes - o do Sporting CP então devia estar em delírio por ter acabado connosco - a pensar que se tinham livrado da "praga" que eram os "flanelas vermelhas" terríveis pois nunca se davam por vencidos, pensando que estavam "mortos e enterrados" e eis que (deixemos Mário de Oliveira e Rebelo da Silva contar, na página 61 da Monumental História do Clube (1904-1954) que o fazem muito melhor que eu):
Com apenas três anos de existência, mas já um clube com capacidade de reconhecer os que o honravam
Alberto Miguéns
NOTA: Apesar de apenas um ano depois haver formalmente a junção, os dois clubes - Sport Lisboa e Grupo Sport Benfica - tinham já laços de amizade. Eis um exemplo nestas actas do Grupo Sport Benfica
(clicar em cima da imagem para visualizar com melhor qualidade)
Digam lá que a Gloriosa História não é "linda de morrer"! Nem uma namorada angelical se compara!






































