A criação deste Blogue, ideia de António Melo, tem como objectivo divulgar, defender o SL Benfica e a sua Gloriosa História. Qualquer opinião aqui expressa vinculará apenas o seu autor, Alberto Miguéns.
Os futebolistas do Torino FC que faleceram em Superga, a 4 de Maio de 1949, depois de jogarem com o "Glorioso" na Festa de Homenagem ao capitão Francisco Ferreira, no dia anterior, passaram a fazer parte do Benfica. Não podendo desenvolver em texto pois seria cópia de outros textos ficam imagens de um dos melhores futebolistas de sempre desta modalidade, falecido com pouco mais de 30 anos. Completam-se hoje os cem anos do seu nascimento. Em homenagem a Mazzola e dedicando esta evocação ao nosso Chico Ferreira que conheci tendo um misto de respeito, ternura e mágoa pelo infortunado amigo transalpino, eis Mazzola (ou uma parte do que fazia na perfeição):
Alberto Miguéns NOTA: Francisco Ferreira sete meses mais novo que Mazzola na única vez que falei com ele ainda sentia um misto de culpa e responsabilidade pelo que aconteceu pois dizia ele, algo do tipo: «Se não fosse ter aceitado o meu convite não teria morrido tão nove nem haveria uma tragédia que enlutou tantas viúvas, órfão e adeptos do melhor clube transalpina dos anos 40». Claro que tudo não passou de um acidente, um lamentável acidente. Coincidiu com o regresso após o jogo com o "Glorioso" mas poderia ter ocorrido noutra circunstância qualquer envolvendo qualquer outro plantel de uma outro clube.
O BENFICA E A JUVENTUS FC COSTUMAM SER EQUIPARADOS
COMO OS CLUBES COM MAIS FINAIS PERDIDAS.
Conquistaram duas, perderam cinco (SL Benfica) e seis (Juventus FC). Mas na Taça dos Clubes
Campeões Europeus/Liga dos Campeões só em número, pois em vários aspectos as
diferenças são muitas. NOTA INICIAL: Antes do texto que estava feito e programado para hoje, integrado no tema desta semana cujo mote é: Nunca Mais é Sexta-Feira, o mais importante foi o que terminou à escassos minutos. Mais uma grande vitória - segunda consecutiva - do Glorioso Plantel de Andebol, ambos vencidos no prolongamento, que no primeiro jogo até houve dois. Com as meias-finais a cinco jogos "à melhor de três", ou seja, o Benfica dos três jogos que faltam tem de vencer um. Que seja o próximo. O terceiro. Se tal não ocorrer na cidade do Porto que seja ao quarto jogo. No mesmo local onde foi ontem!
De regresso ao tema: O Benfica, a Juventus FC e as finais perdidas O SLB conquistou os dois
troféus nas duas primeiras finais conseguindo ser Bicampeão Europeu. A Juventus FC perdeu duas finais antes de conquistar dois troféus de seguida, um nos anos 80
e outro nos anos 90. O SLB perdeu as cinco finais seguintes às duas conquistas.
A Juventus FC perdeu as quatro seguintes. O “Glorioso” derrotou os dois clubes
espanhóis que a Juventus FC não conseguiu. O Benfica nunca jogou “em casa” ou
em território português. A Juventus FC conquistou a “Primeira” depois de uma
tragédia (em Bruxelas) e a “Segunda” em Roma/Itália. Também nunca foi disputar
a final ao estádio do adversário, como o Benfica em Milão (1964/65) frente ao
FC Inter. A Juventus FC perdeu uma final no país do adversário (Munique) tal
como o Benfica frente ao Manchester United FC (Londres). A Juventus FC não é um
grande clube?! É! Dos melhores do Mundo. Tal como o Benfica! Poderes económicos
diferentes, igual ambição. E métodos e capacidades diferenciadas para atingir
os mesmos objectivos: Conquistar títulos e troféus. Como o seguinte quadro ilustra com a cronologia das finais na principal competição europeia.
N.º
SL BENFICA
N.º
Juventus FC
Época
Res
Adversário
Local
Época
Res
Adversário
Local
1
60/61
3-2
FC Barcelona
Berna
2
61/62
5-3
Real Madrid CF
Amesterdão
3
62/63
1-2
AC Milan
Londres
4
64/65
0-1
FC Inter
Milão
5
67/68
1-4*
Man. Utd FC
Londres
1
72/73
0-1
AFC Ajax
Belgrado
2
82/83
0-1
Hamburgo SV
Atenas
3
84/85
1-0
Liverpool FC
Bruxelas
6
87/88
0-0**
PSV Eindhoven
Estugarda
7
89/90
0-1
AC Milan
Viena
4
95/96
1-1:
AFC Ajax
Roma
5
96/97
1-3
BV Borússia Dortmund
Munique
6
97/98
0-1
Real Madrid CF
Amesterdão
7
02/03
0-0::
AC Milan
Manchester
8
14/15
1-3
FC Barcelona
Berlim
NOTAS:
SL BENFICA * Com 1-1 no tempo regulamentar; ** Com 5-6 no
desempate por pontapés da marca de grande penalidade;
Juventus FC: Com 2-4
no desempate por pontapés da marca de grande penalidade; :: Com 2-3 no
desempate por pontapés da marca de grande penalidade
As cinco finais esquisitas: Wembley (1963), Milão (1965), Londres (1968),
Estugarda (1988) e Viena (1990)
Quem
perde tem sempre tendência para encontrar desculpas para o insucesso. Em 61 edições da Taça dos Clubes
Campeões Europeus/Liga dos Campeões o Benfica tem 35 presenças, se bem que em
duas temporadas (2003/04 e 2004/05) apenas tenha jogado a pré-eliminatória de
acesso à fase de grupos. Apenas um clube conseguiu mais participações: Real
Madrid CF (46). Seguem-se oito clubes com 30 ou mais presenças: RSC Anderlecht
(33), FC Dínamo Kiev (33), FC Bayern Munique (32), AFC Ajax (32), Rangers FC
(30), Celtic FC (30), Juventus FC (30) e FC Porto (30). Há dois Clubes Míticos
abaixo das três dezenas de participações: AC Milan (28) e FC Barcelona (26).
Quanto a finais as diferenças são outras: Real Madrid CF (13 finais, com dez
troféus), AC Milan (onze finais, com sete troféus), FC Bayern Munique (dez
finais, com cinco troféus), FC Barcelona (nove finais, com cinco troféus),
Juventus FC (oito finais, com dois troféus), SL BENFICA (sete finais, com dois
troféus), Liverpool FC (sete finais, com cinco troféus) e AFC Ajax (seis
finais, com quatro troféus).
Os "quartos" e as "meias"
O Benfica já disputou oito meias-finais (oitavo clube com mais "meias"), a Juventus FC (sexto com mais) esteve em onze e o FC Bayern Munique com 17 (segundo com mais apenas atrás do Real Madrid CF, com 26)! Quanto a quartos-de-final: SL Benfica é o 4.º melhor com 18 presenças, Juventus FC com 16 (5.º clube com mais), FC Bayern Munique é o segundo (27 vezes) atrás do Real Madrid CF, com 33 presenças nos quartos-de-final da principal competição da UEFA.
Pivatelli calcula mal o passe e Coluna, com a categoria que fazia dele um "fora-de-série" apercebe-se, corta a linha de passe e rápido sobre a bola sabe que o sector intermédio central do AC Milan está desequilibrado. Pivatelli tem consciência do tremendo erro que cometeu e só tem uma alternativa pois será impossível desarmar o Benfiquista. Derruba Coluna que seguia como uma "seta" em direcção à baliza contrária
Uma entrada violenta que inviabiliza uma jogada de grande perigo para o AC Milan (falta premeditada) mas que também afasta Coluna, por incapacidade física, do resto do jogo, embora fique em campo devido a não se poder fazer substituições. Acredito que a intenção de Pivatelli não era essa, mas a acção - o modo como só teve interesse em jogar as pernas, pois a bola estava muito mais à frente - acabou ter ter essa consequência. Havia um igual no marcador!
Wembley (1963)
A “Final do Infortúnio” que colocou Coluna a fazer “número de corpo
presente” durante a meia-hora final! Há quem diga que foi a melhor final,
aquela em que o Benfica melhor dominou o outro finalista. Esteve a vencer por
1-0 (Eusébio aos 18’), o AC Milan empatou 40 minutos depois e a seguir deu-se
uma entrada inacreditável de Pivatelli (n.º 7) que depois de, infantilmente,
perder a bola após um passe arriscado, ia permitir um contra-ataque que poderia ser demolidor, podendo
o “Glorioso” fazer o 2-1. Aquela entrada, por trás, sem jogar a bola, às pernas de Coluna (o motor
do Benfica) fez com que o capitão fizesse, no resto do encontro, apenas número!
Infelicidade! Apesar de não acreditar que um futebolista do
Benfica tivesse uma entrada daquelas! E se tivesse que o árbitro não o expulsasse!
O infeliz Costa Pereira abandona o jogo depois de ter cedido a camisola a Germano, o guarda-redes improvisado
Milão (1965)
A “Final da Vergonha” pois ao contrário do que ocorre na actualidade o local do
jogo decisivo não era previamente marcado. Em 1964/65 sabia-se que seria em
Itália, tudo fazendo crer (os sorteios das eliminatórias foram em Roma) que
seria no Olímpico. Só se começou a falar que poderia ser no estádio do Campeão
Europeu em título (FC Inter Milão) quando o Benfica venceu, por 5-1, em 24 de
Fevereiro de 1965, o Real Madrid CF na primeira mão dos quartos-de-final. O FC
Inter conseguira o título em 1963/64 derrotando, por 3-1, o Real Madrid CF, em
Viena (27 de Maio de 1964). O Real Madrid CF já tinha organizado a segunda
final (1956/57) mas era uma consequência de ter conquistado a primeira
(1955/56) em Paris. Recordemos que o regulamento da primeira edição foi feito por um jornalista do jornal francês L' Équipe. O clube campeão podia – se quisesse – organizar a final,
mesmo que a não jogasse. Oito edições depois, o FC Inter de Milão conseguia
levar a final para Milão tentando fazer o que o AC Milan não tinha conseguido.
Ser Bicampeão Europeu. Nada melhor que garantir o apoio do público que já tinha
feito uma pressão enorme sobre o árbitro e adversário das meias-finais
(Liverpool FC) “virando” uma derrota por 1-3 para uma vitória por 3-0! O
Benfica protestou desde que se soube que o FC Inter seria finalista, jogou sob
protesto, mas a UEFA foi insensível. O presidente do adversário, Angelo Moratti
era um homem poderoso. Na economia e no futebol. O treinador argentino do FC
Inter era a “coqueluche” do futebol europeu: Helenio Herrera. Depois há mais a lesão do guarda-redes Costa Pereira com Germano a ocupar a baliza, mas deixando o "Glorioso" reduzido a dez futebolistas. Antes o golo que podia ter sido evitado se Costa Pereira tem sido mais cuidadosa devido ao estado do terreno e à bola estar escorregadia! Além destas contrariedades, o campo estava impraticável devido ao dilúvio que se abateu sobre a região. O Benfica, com uma equipa mais tecnicista, não pôde fazer face
a tantas contrariedades. Uma das melhores épocas, em 112, do “Glorioso”, com
uma capacidade goleadora impressionante, como o Real Madrid CF sentiu, merecia
outro desfecho. Infelicidade! Embora
ninguém alguma vez acredite que a UEFA deixaria o Benfica defrontar o FC Inter
no seu estádio, em Lisboa!
O único golo do jogo numa acção infeliz de Costa Pereira. Herói em tantos jogos, réu num. Mas que jogo!
O capitão da selecção italiana e do Torino AC (Pentacampeão italiano) Valentino Mazzola brinca com o filho Sandro pouco tempo antes de falecer, numa tragédia já com o aeroporto de Turim à vista, após um jogo de homenagem a Francisco Ferreira - 3 de Maio de 1949 - no Estádio Nacional, capitão do Benfica e da selecção nacional
Filho (Alessandro) e pai (Valentino) numa geração Mazzola que faz parte da história do Benfica. Valentino Mazzola (26 de Janeiro de 1919) faleceu aos 30 anos, em 4 de Maio de 1949, em Superga, colina com uma Catedral, nos arredores de Turim. Tinha o filho Sandro (8 de Novembro de 1942) pouco mais de seis anos. Em 27 de Maio de 1965 contava 23 anos. Um dos futebolistas mais titulado na história do FC Inter Milão
Londres (1968)
A “Final do Falhanço” inacreditável do melhor futebolista do Mundo aquando da
realização deste jogo. Bota de Ouro (43 golos) e melhor marcador da competição
(seis golos), depois de um passe de mestre de Simões (aos 03:41 no vídeo), Eusébio foi incapaz de
fazer o 2-1 a escassos três minutos do final do encontro. No tempo de
prolongamento, o desgaste físico e o apoio maciço dos adeptos ingleses, com Manchester em peso no estádio londrino, mais George Best foram suficientes para
derrotar o Benfica num resultado enganador. Foi
o fechar de uma era. Em oito edições, entre
1960/61 e 1967/68, o Benfica estivera por cinco vezes no jogo decisivo da
principal competição da UEFA. Eusébio em dez remates daqueles falhava um. Teve
de ser este!
Estugarda (1988)
A “Final do Penálti”. Num jogo muito táctico, a final decidiu-se na marcação de
pontapés da marca de grande penalidade. Todos com êxito. Com cinco-a-cinco na
série inicial, passou-se ao mano-a-mano. O PSV Eindhoven fez o 6-5, mas o
Benfica não conseguiu concretizar e o sonho da “Terceira” ficou nas luvas do
guarda-redes adversário.
Viena (1990)
A “Final da Esperança” que um golo do adversário destruiu. O Benfica
defrontava o AC Milan mais demolidor de toda a centenária história deste Clube
Mítico. Há um ano (1988/89) esmagara, na final, o clube romeno, FC Steaua
Bucareste, por 4-0. E quatro anos depois, em 1993/94 haveria de voltar a ser
campeão europeu aplicando, outros 4-0, ao FC Barcelona. O Benfica defendeu bem
e há quem diga que houve um espectador milanês colocado no enfiamento da
grande-área que usou um apito para “atrapalhar” a defensiva do Benfica. Se tal
ocorreu resultou!
Acredita Benfica!
Se o Benfica vai jogar pela 18.ª vez os quartos-de-final da principal competição europeia havemos de jogar pela 9.ª vez as meias-finais.Vai estando no tempo certo para o “Glorioso” regressar a uma
final da Taça dos Clubes Campeões Europeus e vencê-la! Que nem é difícil
sabemos todos... Pois não! É dificílimo. O FC Bayern Munique e o FC Barcelona são na actualidade as duas maiores "máquinas" a jogar futebol. Todo o Mundo que se interessa pelo Futebol sabe disso. Mas o Benfica é e será sempre o Benfica. Por isso pode ser possível. É Futebol… Vai ser esta temporada! Se não for?! Será numa das próximas!
O encontro mais importante para o "Glorioso" joga-se nesta sexta-feira! Na "Catedral"! Esta sim uma final!
Alberto Miguéns NOTA FINAL: Em homenagem aqueles que tiveram a ideia de um dia fazerem uma competição europeia de clubes. Apesar da FIFA (fundada em 21 de Maio de 1904) e da UEFA (fundada em 15 de Junho de 1954) não terem interesse com receio das competições internacionais para clubes ofuscarem as competições para selecções nacionais. Aliás a FIFA nem queria um Campeonato da Europa para selecções, daí só ter cedido à pressão da maior parte das Federações Europeias a meio dos anos 50. O primeiro Europeu (Taça das Nações Europeias do francês "Coupe d'Europe des Nations") começou a jogar-se, perante a recusa das quatro federações britânicas, em 28 de Setembro de 1958, cuja fase final foi disputada em França, no Verão de 1960. A Taça dos Clubes Campeões Europeus (do francês, «Coupe des Clubs Champions Européens» foi uma
ideia de um jornalista francês (Gabriel Hanot do jornalL'Equipe) em resposta a um
jornal inglês (Daily Mail) que destacou para título, após duas grandes
vitórias internacionais, do campeão inglês (Wolverhampton Wanderers FC) «Hail,
Wolves 'Champions of the world' now», ou seja, saudando
o clube como actual "Campeão do Mundo", pelo facto do campeão inglês ter
vencido o poderoso clube soviético FC Spartak de Moscovo (por 4-0) e - em 13 de Dezembro de 1954 - os
"invencíveis" Honved SE Budapeste (por 3-2), campeão húngaro que era,
na realidade, a poderosa selecção húngara: Puskás, Kocsis, Czibor e Bozsik, por
exemplo!
O editor do jornal L' ÉquipeGabriel Hanot respondeu, em 15 de Dezembro de 1954, que estava no tempo certo de se organizar uma competição para clubes que consagrasse, de facto, o melhor.
Outro jornalista Jacques de Ryswick foi reforçando a ideia não a deixando esquecer e foi o jornalista Jacques Ferran que redigiu o primeiro regulamento da competição para entrar em vigor durante a temporada de 1955/56.
Enorme agradecimento a estes três jornalistas (e ao L'Équipe) que se lembraram, há 62 anos, e não deixaram que fosse apenas mais uma ideia que um dia existiu, sumindo-se depois. Na terça-feira serão milhões de Benfiquistas a viveram 90 minutos como se fossem os últimos. Tudo isto teve um início: Hanot, Ryswick e Ferran. Obrigado!