Em Defesa do Benfica: Estádio do SLB
A criação deste Blogue, ideia de António Melo, tem como objectivo divulgar, defender o SL Benfica e a sua Gloriosa História. Qualquer opinião aqui expressa vinculará apenas o seu autor, Alberto Miguéns.

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08/10/2017

Já Fui Infiel

08/10/2017 + 12 Comentários
A ESCASSOS DIAS DE ASSINALAR MAIS UM ANIVERSÁRIO DA "CATEDRAL" EM 25 DE OUTUBRO, O 14.º, TENHO A CONFESSAR. 


E a estes 17 dias de distância para a infidelidade não se chegar muito ao magnífico 25 de Outubro, "Dia da Catedral". Votei contra a sua construção. E ainda hoje sinto que o Benfica perdeu uma oportunidade. A "Saudosa Catedral" modernizada seria o Estádio Mais Bonito do Mundo (o actual seria o segundo mais belo). E com uma História em Odisseia começada em 14 de Junho de 1953, inaugurada em 1 de Dezembro de 1954 e continuada décadas "adentro".



E com a agravante deste projecto ter sido intencionalmente escondido, ou empurrado para debaixo dos interesses, dos associados (por isso ainda hoje poucos o conhecem) do "Glorioso" por Mário Dias e seus apaniguados. O primeiro "Águia de Ouro" (em 37 Ilustres) que não é referência do Benfica nem referencial do Benfiquismo porque, simplesmente, desapareceu de circulação. Ele lá saberá porquê!



Para meu espanto ainda consta dos projectos do gabinete de arquitectura que visitei em finais de 1999 (clicar).  


Que saudades da Saudosa Catedral

Alberto Miguéns

NOTA: Uma infidelidade sui generis visto que depois de copiosamente derrotado na assembleia geral, em 28 de Setembro de 2001, resmunguei, meti o "rabinho entre as pernas" e tratei de adquirir a minha cadeira M1 no "Primeiro Anel" que espero manter até partir - desejo que - para o "Quarto Anel"!
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29/03/2017

Quando Foi a Maior Lotação da "Saudosa Catedral"?

29/03/2017 + 18 Comentários
 AO CONTRÁRIO DO QUE SE OUVE E ESCREVE COM FREQUÊNCIA NÃO FOI NA FINAL DO CAMPEONATO MUNDIAL DE SUB-20 EM 1991!



É que oficialmente após as obras para a realização dessa Fase Final a lotação oficial da nossa Saudosa Catedral passou para 98 mil pessoas. Por isso nunca poderia ter 135 mil pessoas nas bancadas. Seriam um acréscimo de 37 mil pessoas, ou seja, 38 por cento. Uma impossibilidade um estádio  mesmo a "rebentar pelas costuras" ter quase outro meio-estádio dentro dele!



A maior assistência foi em 4 de Janeiro de 1987
Calculada entre 135 e 140 mil pessoas. Num Benfica frente ao FC Porto (V 3-1 com três golos de Rui Águas) Recordemos que quando o "Fecho do terceiro Anel" foi inaugurado (21 de Setembro de 1985) as bancadas estavam praticamente "nuas". Havia cinco sectores com cadeiras no Segundo Anel (cativos) do lado do antigo Terceiro Anel e um sector (o central, para os sócios com Títulos de Propriedade (Fundadores que ainda vinham das Amoreiras) do lado contrário - no Segundo Anel para o lado da Segunda Circular. É verosímil que num estádio para 120 pessoas possa haver - com tudo em pé e escadas repletas - um acréscimo de 15/20 mil pessoas. Representaria cerca de  17 por cento. Possível!



A primeira redução foi com a construção dos dois marcadores, inaugurados em 20 de Abril de 1988
Era uma promessa eleitoral da lista encabeçada por João Santos que venceu as eleições em 27 de Março de 1987. Segundo constou cada marcador retirou mais de dois mil lugares em cada topo. Cerca de 5 mil lugares desapareceram durante a construção. A lotação passou para 115 mil pessoas. Depois fixou-se nos 118 mil lugares sentados.


Depois foram as colocações de cadeiras no primeiro e segundo anel (passou de 118 mil para 105 mil pessoas)
Como se percebe nesta fotografia em 2 de Dezembro de 1990 (SLB frente ao FC Porto; E 2-2) o estádio já tinha cadeiras em praticamente todos os sectores dos dois primeiros anéis. Segundo o engenheiro Calçado de Carvalho cada fiada de cinco cadeiras ocupava o espaço anteriormente reservado a seis pessoas. É só fazer as contas.


Depois foram as obras para fazer os camarotes de Imprensa (aproveitando para construir também os camarotes empresa) aproveitando as verbas estatais para a realização do Mundial
A lotação passou para 97 mil pessoas. A construção daquilo que eu chamava "pombal" destruiu não só a magnífica estética da frontaria do Estádio como reduziu dez mil lugares para criar dois mil. Ou seja passou-se de 105 mil para 97 mil, com 95 mil nas bancadas e dois mil distribuídos pelos dois camarotes: Imprensa e Empresas, com os dois elevadores de acesso pelo exterior.



Um "crime à pato-bravo"
Eliminar uma fachada espectacular atravancando-a com duas torres onde circulavam dois elevadores. O da esquerda para os camarotes-empresa e o da direita para os camarotes-imprensa. Com todo o estádio com cadeiras a lotação passou para 95 mil pessoas que foi uma redução progressiva com a colocação de cadeiras em todo o estádio.



Houve, pelo menos, mais dez jogos com lotação superior à dessa final de 1991
Em breve colocarei aqui, com base na Imprensa, as dez maiores assistência na "Saudosa Catedral", todas acima de cem mil pessoas!


DEZ MAIORES ASSISTÊNCIAS
N.º esp. (clicar por jogo)
Data
Res
Adversário
Competição
140 000 (c)
04.Jan.1987
V 3-1
FC Porto
Cam. Nac. 16.ª jor.
130 000 (c)
20.Abr.1988
V 2-0
FC Steaua B.
TCE/ MF / 2.ª mão
125 000 (c)
31.Jan.1988
E 1-1
FC Porto
Cam. Nac. 16.ª jor.
125 000 (c)
24.Mai.1987
V 2-1
Sporting CP
Cam. Nac. 29.ª jor.
120 000 (c)
13.Abr.1986
D 1-2
Sporting CP
Cam. Nac. 29.ª jor.
*115 000 (c)
05.Jan.1986
E 0-0
FC Porto
Cam. Nac. 16.ª jor.
115 000 (nd)
19.Mar.1986
V 2-1
Dukla Praga
TVT/ QF / 2.ª mão
115 000 (c)
18.Abr.1990
V 1-0
Ol. Marselha
TCE/ MF / 2.ª mão
105 000 (c)
22.Out.1986
E 1-1
Girondinos B.
TVT/ OF / 1.ª mão
100 000 (c)
02.Mar.1988
V 2-0
Anderlecht B.
TCE/ QF / 1.ª mão
NOTA: Lotação entre 21 de Setembro de 1985 e Fevereiro de 1988 (início da construção dos dois marcadores): 120 mil lugares sentados; Depois desta data: 118 mil lugares sentados; No Verão de 1989/90 com a colocação de mais cadeiras passou para 105 mil lugares sentados (a confirmar); * Primeiro jogo em Portugal acima de cem mil pessoas

O valor de 135 mil nessa final do Euro'1991 (Sub-20) é uma impossibilidade. Não se consegue colocar dentro de um estádio quase mais 50 por cento da sua lotação.

Alberto Miguéns

NOTA: A "Saudosa Catedral" terminou com uma lotação de 90 mil pessoas, depois de ter o fosso e estar todo revestido a cadeiras. Foi feita uma previsão para depois da construção do fosso e revestimento a cadeiras num total de 92 385 lugares, só que depois (nas previsões à portuguesa) foi necessário retirar além da bancada A, B e C, também a bancada D passando para cerca de 90 mil. Entre os 89 mil e os 90 mil!


NOTA: Informação retirada de "Cadernos de A Bola" para a temporada de 1994/95 prevendo já a construção do fosso no final da temporada, daí o asterisco * até ao início das obras

Acabou assim o nosso Estádio. UM MONUMENTO AO QUERER BENFIQUISTA. Pago desde início. Sempre em expansão até 1987.


Uma visita à MAIOR MARAVILHA DO UNIVERSO entre 1954 e 2002.





Com pessoas ou sem pessoas...INIGUALÁVEL



Obrigado ao antigo futebolista e arquitecto João Simões sogro do actual Director Geral de Saúde, Francisco George!



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25/01/2017

O Campeonato dos Estádios Nos Anos 50

25/01/2017 + 4 Comentários
HÁ UM CAPÍTULO DENTRO DA HISTÓRIA DO FUTEBOL PORTUGUÊS, EM LISBOA, NOS ANOS 50, QUE NUNCA É CONTADO.


Que o seja com o máximo de rigor possível. Depois a apreciação do seu efeito, no futuro dos clubes, é puramente da minha responsabilidade.

Dia da inauguração

A Luz e o sucesso do SL Benfica (parte I: 1954)
O projecto do estádio não teve a aceitação absoluta e "fácil" entre os associados do Clube. Só a personalidade e prestígio de Joaquim Ferreira Bogalho permitiu fazer um estádio para 35 mil pessoas embora pudesse aguentar com 40 mil…dizia-se. A generalidade dos Benfiquistas queria um estádio maior e pistas: ciclismo e atletismo. Só assim seria um estádio. De contrário não passaria de um campo. Bogalho pouco se importava. Ele lançou um desafio aos Benfiquistas. O estádio será o que os Benfiquistas conseguirem fazer. Nem será mais (para não criar encargos financeiros incomportáveis que enfraqueçam o Futebol como tinha ocorrido com a construção do estádio nas Amoreiras, entre 1923 e 1925) nem menos, pois causaria problemas face ao número de associados crescente. Pistas? Nem pensar. Encarecia a obra (obrigando a ter um perímetro exterior maior para manter a lotação) e não fazia sentido pois raramente seriam utilizadas ao contrário do futebol com jogos a cada quinze dias, pelo menos! E o estádio só seria feito à medida que houvesse dinheiro para o ir erguendo. Mais dinheiro e mais rápido a chegar ao Clube significaria que seria inaugurado mais cedo. Isso permitiu (com a colaboração das páginas centrais do jornal “O Benfica”) uma campanha de mobilização por todo o Mundo Benfiquista que é uma autêntica Odisseia sem paralelo na Gloriosa História! Quando questionavam: É muito pequeno! Não tem pistas! Não tem iluminação! Não tem cobertura na bancada dos bilhetes mais caros (central) que atraia os mais ricos (os associados ficavam do lado contrário)! Alguns mais estrangeirados até argumentavam: não tem camarotes como já se faz em Espanha, Itália e Inglaterra! Bogalho justificava sempre com o mesmo argumento. Há um plano de expansão que contempla isso tudo e muito mais. Depende dos Benfiquistas a sua concretização!


Consta que quando Bogalho quis saber o custo de cada elemento - primeiro anel, segundo anel, semi-bancada com camarotes cobertos e acessos directos ao segundo anel - recusou (e a Direcção concordou) os dois últimos por serem «tão dispendiosos quanto os dois primeiros: as bancadas do primeiro e segundo anéis»! A construtora insistiu: Mas é para os dirigentes ficarem bem instalados! Bogalho retorquiu: Logo arranjaremos um sítio! E assim foi, entre o primeiro e o segundo anel do lado norte atrás da saída dos balneários  (na foto de baixo...em baixo)! À Bogalho! À Benfica!

O Restelo e o declínio do CF “Os Belenenses” (1956)
Os associados (mas principalmente os dirigentes) do clube de Belém não mediram as consequências dos gastos. Queriam um estádio maior que o do Benfica (44 mil pessoas podendo ser ampliado no topo norte até 51 mil lugares…dizia-se!), com duas coberturas (central e associados) depois de desistirem de uma contínua, iluminação artificial e pista de atletismo! Um clube que apenas reservara 13 mil lugares (30 por cento da lotação) para os seus associados - a contar com o seu aumento devido ao novo estádio - dispunha de 31 091 lugares para o público! Uma "perfeita loucura"! Dinheiro? Não havia, mas para isso é que há instituições de crédito! Endividaram-se tanto, que nem o acordo de pagar uma mensalidade à Câmara Municipal de Lisboa (CML) conseguiram - apenas os primeiros quatro meses foram pagos - sendo intimados a entregarem o estádio à CML, em  29 de Junho de 1961. Nem cinco anos durou na posse do clube. Pouco depois passaria a estádio Almirante Américo Tomás. Antes do estádio do Restelo foram campeões (1945/46) conseguiram ser segundos classificados por duas vezes e terceiros em dez campeonatos nacionais. Depois da inauguração (23 de Setembro de 1956) foram segundos uma vez (1972/73) e terceiros cinco vezes (a última em 1987/88).


Dia da inauguração


O José Alvalade e o declínio do Sporting CP (1956)
O Sporting CP ainda elevou mais a fasquia. Um estádio para 60 mil pessoas totalmente coberto! Com duas pistas - atletismo e ciclismo - e iluminação artificial. Depois começou a faltar o dinheiro e eram só duas coberturas. No final nem conseguiram fechar o estádio deixando-o incompleto na bancada oposta à da cobertura! Onde havia um peão que eu frequentava quando o Benfica por lá passava! De 60 mil acabaram em 42 610 como lotação oficial! Mesmo assim, mais 2 610 que "o do Benfica a deitar por fora"! A inauguração foi em 10 de Junho de 1956 que o SCP decidiu adiantar para coincidir com as comemorações oficiais do «Dia de Camões, de Portugal e da Raça», pois era para ser inaugurado em 1 de Julho, no 50.º aniversário do clube. Antes do estádio, o Sporting CP sagrou-se campeão nacional nove vezes em 22 edições (41 por cento). Nas 60 seguintes outras nove conquistas (mas apenas 15 por cento dos títulos disputados). Esclarecedor. E não foi pior porque encurtaram os encargos ao encurtarem as bancadas!



Dia da inauguração


A Luz e o sucesso do SL Benfica (parte II: 1960 e seguintes)
O Benfica foi cumprindo o plano que estava previsto, muito por culpa de dois presidentes mecenas que muito dinheiro deixaram ao Clube: Maurício Vieira de Brito (torres de iluminação com a colaboração de vários Benfiquistas na campanha dos azulejos) e Terceiro Anel (quase todo pago por ele); e o irmão Adolfo Vieira de Brito com o pavilhão para as modalidades no interior do Terceiro Anel, em 15 de Maio de 1965, bem como no melhoramento do acesso a este. Além de Jorge Brito (como associado) com a pista sintética de atletismo no campo n.º 2 (onde está a actual "Catedral"). E depois muitos outros melhoramentos – campos de ténis, pavilhão polivalente (Voleibol e Andebol), piscina e outros três campos (3, 4 e 5) – com “desvio” de dinheiro do Futebol tudo a culminar com o “Fecho do Terceiro Anel” aproveitando transferências de futebolistas para o estrangeiro (disse-se!). Antes da inauguração, em 1 de Dezembro de 1954, da “Saudosa Catedral” o Benfica conquistou oito títulos. Depois até ao seu desmantelamento (2002/03) o “Glorioso” conquistou 22! Além das campanhas europeias, mas quanto a estas não há possibilidade de comparação pois o SLB só teve estreia na UEFA já na Luz!

Só quase quatro anos depois da inauguração houve iluminação artificial. O SLB até teve de defrontar, em 5 de Setembro de 1957, o FC Barcelona (V 4-0) no estádio do Restelo por não ter luz artificial!


Até na Guerra dos Estádios dos anos 50 quem soube merecer o Futuro fomos nós! 

   De um lado ou do outro a elegância da imponência! 
   O que não é fácil! Ser-se grande e belo ao mesmo tempo. 
   Um amor perdido! O meu primeiro amor!

Obrigado Bogalho! Mais uma vez!

Alberto Miguéns

NOTA1: As quatro fotografias são "bonecos" (como ele dizia) de Roland Oliveira. As três primeiras até voou de helicóptero, em 4 de Janeiro de 1987. Nunca ninguém conseguiu fotografar o nosso amor como ele! Quantas vezes ficámos os dois - ou três, quando o senhor Macarrão também se queria inspirar - na bancada a olhar, sem dizer nada, sem conseguir dizer nada, a contemplar o estádio vazio que parecia respirar? Quantas vezes não fomos ao murete do telhado daquele primeiro prédio em frente (actualmente do outro lado da av. Lusíada) furtivamente (o nosso amor enlouquecia-nos), para não darem por nós, tirar uma panorâmica como esta? Para registarmos as alterações na nossa Cidade Desportiva.  Que saudades, Macarrão! Que saudades, Roland! 



NOTA2: Enquanto o "Glorioso" optou por dois mealheiros gigantes (na Feira Popular e na Secretaria) além de leilões e dádivas, o SCP «mais fino» estabeleceu a "Subscrição Lagarto" que se revelou pouco convincente para utilizar um eufemismo! 


Ainda por lá andei algumas vezes mas só via vermelho-e-branco. As riscas evitava pois sempre me causaram dioptrias!

NOTA3: O Poder do Povo contra o desprezo do Poder Autocrático. O Terceiro Anel foi utilizado pela primeira vez em 29 de Maio de 1960 e inaugurado oficialmente em 5 de Outubro de 1960. O primeiro troço da Segunda Circular, entre o Calhariz de Benfica (agora conhecido por Fonte Nova) e o Campo Grande, em 20 de Agosto de 1962. Os seja, durante oito temporadas o estádio da Luz com 40 mil lugares (1954/55-1959/60) ou 75 mil (1960/61-1961/62) foi uma ilha servida por uma azinhaga (da Fonte), uma rua-quase-azinhaga (Soeiros) entre a estrada de Benfica e a estrada da Luz. A partir desta é que foram feitos acessos para transportes públicos directos. Mas isso merece um texto à parte. Seguem-se fotografias da AML aquando da construção da Segunda Circular em 1961. E uma fotografia aérea de 1958.



Não é ficção, foi realidade

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