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terça-feira, 22 de julho de 2014

Esta do FC Porto Ainda Não Conhecia!

terça-feira, 22 de julho de 2014 22 Comentários
Pergunta um leitor deste blogue (como comentário ao texto "Era Uma Vez..."em 20 de Julho de 2014, às 22:49)

«É verdade que os jogadores do Benfica não foram chamados a defender a nação na 1.ª Guerra Mundial enquanto os do FC Porto foram chamados?»

Quando um portista faz afirmações é preciso ter muito cuidado com o que pretendem. A maior parte deles não prima pela inteligência e muito menos pelo rigor. Além disso, em grande parte, essas afirmações querem dizer o contrário para esconder a vigarice que o FCP tem feito desde 1906.


Por uma incrível diferença de dois dias - se não fosse o comentário teria passado despercebido - é possível assinalar, hoje, o voto de sentimento e homenagem da Direcção do SLB aos Benfiquistas que combatiam na I Guerra Mundial datado de 22 de Julho de 1918, ou seja, há 96 anos. Obrigado ao presidente Bento Mântua e demais elementos da Direcção pelo facto de terem deixado escrito esse facto que tanto orgulhará os Benfiquistas cem anos depois do início da Grande Guerra (1914) e 96 anos depois dele ter sido vertido para papel (1918). É uma felicidade para nós, tantos anos depois e algumas gerações mais à frente, sabermos que há tanto tempo tínhamos dirigentes que nos honram eternamente, porque de facto dirigiam o Clube e sabiam o que era Ser Benfiquista. Em Defesa do Benfica aproveita esta efeméride para fazer esse registo mas também homenagear quatro atletas - Herculano Santos, Cabeça Ramos, António Soares e Júlio Ribeiro da Costa - em nome de tantos os outros, dezenas ou centenas (e milhares de simpatizantes do Benfica) que serão, por agora, "Soldados Benfiquistas Desconhecidos"!


Provavelmente o Benfica foi o clube mais prejudicado
Os poucos estudos que há publicados em Portugal acerca da participação dos portugueses na I Guerra Mundial datam de 2008 aquando da comemoração dos 90 anos do Armistício (11 de Novembro de 1918) e da Batalha de La Lys (9 de Abril de 1918). E mesmo estes não são exaustivos acerca da repartição geográfica dos soldados envolvidos. Pode ser que em 2014 no centenário do início do conflito se saiba mais acerca dos portugueses e dos seus locais de origem. O pouco que se conhece é que numa primeira fase de Voluntariado foi do interior do País que veio a maior parte dos homens que combateram na Europa, pois eram áreas pobres com natalidade elevada sendo o exército uma boa forma de conseguir melhorar a subsistência de pessoas e famílias. Não foi difícil mobilizar homens, se bem que alguns fugissem antes de chegarem à Doca de Alcântara, em Lisboa, de onde partiam os navios para Brest (França).
Calcula-se em 54 617 os militares envolvidos na guerra europeia e outro tanto na defesa das colónias africanas, assunto ainda menos estudado.
Sendo o clube mais popular em Portugal - mesmo no tempo da Grande Guerra - e a Região da Grande Lisboa a que foi obrigada a maior esforço de guerra, no último ano de conflito, 1918, pois os soldados "ficavam mais baratos por já estarem junto aos cais" é provável que a maior parte dos soldados do CEP (Corpo Expedicionário Português) fossem Benfiquistas e alguns (muitos...) atletas do Clube. Tanto que há documentação escrita e visual deste facto.
Símbolo do CEP (Corpo Expedicionário Português) ou como me disse o capitão Júlio Ribeiro da Costa em 1990 ou 1991 conhecido nas trincheiras por: Carneiros Exportados de Portugal

Relatório da Direcção em 1917/18
A Direcção do SLB no seu Relatório de Gerência teve o cuidado e a nobreza de assinalar o sacrifício do Benfica no esforço de guerra, quer em gente quer participando no jogo a favor da angariação de fundos para acudir e ajudar os mutilados e gaseados das trincheiras da Europa e lutas em África. Em 7 de Julho de 1918 derrotando, por 3-2, o Vitória FC Setúbal com golos de Cândido de Oliveira, Jesus Muñoz Crespo e Manuel Veloso quando um dos titulares - Herculano Santos - dessa equipa do SLB já estava em La Lys.

Extracto final do Relatório da Direcção do SLB em 1917/18
Além desse jogo no final da temporada de 1917/18 o Benfica acedeu, quatro anos antes, em colocar a sua equipa de futebol ao dispor do jornal "O Século" para um jogo a favor dos feridos da Grande Guerra, realizado do Stadium de Lisboa, em 18 de Outubro de 1914, frente a um "Misto inglês do Carcavellos Club e dos outros clubes de Lisboa. Porquê o Benfica frente a "Todos". Porque sendo o Benfica o clube mais popular era o que permitia trazer mais público ao Stadium e por isso poder haver uma maior receita que era o mais importante. Nesse jogo que inaugurou a temporada de 1914/15 o Benfica que venceu por 3-1 alinhou com:
Monteiro; 
Ribeiro da Costa e Leopoldo Mocho;
Carlos Homem de Figueiredo, Cosme Damião (capitão) e Manuel Veloso;
Aníbal Santos (3.º golo), Herculano Santos, Cândido de Oliveira (2.º golo), Alberto Rio (1.º golo) e Augusto da Fonseca.

Cartaz de propaganda do jogo SLB frente aos ingleses (no foto um inglês) ou muito semelhante a esse cartaz de 1914 para atrair público ao Stadium para angariar dinheiro para auxiliar os feridos da Grande Guerra. Uma guerra que começara em Julho de 1914 e no início de Outubro atingira tal carnificina que causava repulsa absoluta, solidariedade e caridade 

NOTA: Em 1 de Janeiro deste ano, o EDB referenciou este jogo como uma das principais efemérides centenárias do ano de 2014. Como é evidente nesse dia não contava com este texto de 22 de Julho. Mas tal não impedirá que em 12 de Outubro de 2014 esse jogo de há 100 anos volte a ser evocado com direito a exclusividade!
Em cima ao centro Cabeça Ramos e do seu lado esquerdo, segundo a contar da direita António Soares. Ao centro, no meio, Herculano Santos
Herculano Santos (na Flandres)
Se em termos humanos todos sofreram Herculano Santos, em termos desportivos, deve ter sido um dos que mais sofreu, excluindo os mortos e estropiados, como é evidente, porque o nosso extremo-direito (a "sério" era aí que jogava) viu-lhe ser amputada época e meia - 1917/18 e 1918/19 - que permitiriam além de um percurso completo de onze temporadas completas em vez de dez incompletas, além de possibilitar ao Benfica conquistar o título de campeão regional de 1918/19 perdido para o Sporting CP, mais a forte hipótese do "Glorioso" conquistar a Taça de Honra em 1917/18 em vez de ser eliminado pelo Império LC que a conquistou nessa edição. Para além de poder sagrar-se campeão seis vezes em vez de cinco, pois apesar do SLB ser campeão regional em 1917/18 Herculano Santos não foi por se encontrar na Flandres. Mesmo assim, em dez épocas (1912/13 a 1916/17 e metade de 1918/19 a 1922/23 jogou 15 355 minutos em 170 jogos, com 13 a capitão e 81 golos. Quando deixou de jogar era o futebolista com mais minutos e encontros jogados, bem como golos marcados com o "Manto Sagrado". Olhem se estas marcas notáveis não fossem amputadas em época e meia!? E ajudou o "Glorioso" a conquistar sete troféus: cinco títulos regionais (campeonato regional de Lisboa em 1912/13, 1913/14, 1915/16, 1916/17 e 1919/20) e dois troféus (Taça de Honra de Lisboa em 1919/20 e 1921/22, embora esta lhe queira ser surripiada pela AFL de 2014 para a dar ao SCP!). Sem vergonha! A AFL versão século XXI não respeita nada nem ninguém!

Os soldados mobilizados para o CEP apinhados no porão de um navio como gado. Quantos mais fossem mais barato ficava a viagem 


Capitão Júlio Ribeiro da Costa (em África)
Chegou a ser o associado n.º 1 quando faleceu em 1992. Começou como futebolista, foi mobilizado pelo CEP para África (Moçambique), deixando o SLB em 1917/18, depois foi estudar para Coimbra jogando na equipa da Associação Académica de Coimbra. Na Universidade teve problemas com António Salazar - estudante e professor de Direito na Academia Coimbrã - "culpando-o" de nunca ter passado de capitão. Regressou a Lisboa tendo uma longa e generosa carreira de dirigente do "Glorioso" chegando a presidente da Direcção (1938/39) e presidente da Mesa da Assembleia Geral (1939/40). Tive com ele duas conversas, uma rápida na Secretaria da rua Jardim do Regedor e outra na sua residência na avenida 24 de Julho. Relembro três ideias (a propósito do assunto de hoje). Só foi presidente da Direcção durante um mandato (1938/39) porque «como não ganhei nada, é porque não tive engenho ou havia quem se aproveitasse de mim para a nível superior prejudicar o Clube. Não podia continuar a impedir o Benfica de conquistar títulos, apesar de ter muita honra em ser eleito pelos associados». Inteligente! Não passou de capitão porque «desentendi-me fortemente com Salazar. Parei em capitão». Corajoso! Os franceses traduziam CEP por "Chèvres Exportées au Portugal" (Carneiros Exportados de Portugal). Esclarecido!


Cabeça Ramos
Atleta especialista em salto à vara, veio de Évora e jogou futebol com o "Manto Sagrado" na sua curta estadia em Lisboa. A viver em Évora quando havia competições de atletismo com salto à vara deslocava-se a Lisboa.

Em 12 de Julho de 1914, nos 1.ºs Jogos Desportivos Nacionais Cabeça Ramos no salto à vara passou a fasquia a 3,27 metros, melhorando o “seu” recorde nacional em 22 centímetros, marca que durou 15 anos, pois apenas seria melhorada em três centímetros em 1929! Em 1915 venceu pela quarta vez consecutiva a prova do salto à vara, nos 2.ºs Jogos Desportivos Nacionais, que substituíram os Jogos Olímpicos Nacionais

António Soares
Também jogava futebol mas destacou-se como nadador e jogador de Polo Aquático fazendo parte das equipas do "Glorioso". Ainda bem há pouco tempo, no EDB falou-se dele a propósito do Centenário da Gloriosa Natação em 16 de Julho de 2014.


António Soares foi essencialmente um bom guarda-redes de Polo Aquático. Infelizmente pouco jogou no Benfica, apenas entre 1916 e 1919

Essa mentira deve ser para esconder
Que o FC Porto foi protegido pelo Poder não mobilizando atletas desse clube. Não sei, mas eles têm por hábito criar "cortinas de fumo"!


Em 1916, soldados mobilizados para o CEP desfilam frente à Farmácia Franco, em Belém, local mítico da reunião, em 28 de Fevereiro de 1904, para fundar o Clube, listar os nomes dos 24 fundadores, escolher os primeiros dirigentes e instalar, provisoriamente, a Sede numa das dependências da Farmácia. Quem sabe se entre aqueles sujeitos que assomam à porta não estarão Pedro Franco, Manuel Gourlade, Daniel Brito, Azevedo Meireles ou mesmo Cosme Damião!?

Esconder como a "peta Calabote"
Inventaram o Calabote, denegrindo a sua imagem dando a entender que viciara em tempo, grandes penalidades e expulsões de três adversários do SLB um jogo, entre o SLB e o GD CUF que arbitrou na última jornada do campeonato de 1958/59. Quando foi em Torres Vedras, nessa última jornada que permitiu ao FC Porto conquistar o título, após o árbitro Francisco Guiomar, de Beja, expulsar dois jogadores nos últimos cinco minutos para o FC Porto fazer o 2-0 (88') e o 3-0 (90') que lhe deu o título. Aliás o 1-0 já fora feito, aos 26', com um jogador do SCU Torreense fora do campo para ser assistido após agressão do jogador portista Noé!

Esconder como a "peta Estado Novo" (parte I)
Quem beneficiou da promiscuidade entre o Estado Novo e os clubes foi o FC Porto que  em 1928, ainda em plena Ditadura Militar após o golpe de 28 de Maio de 1926 foi considerado instituição de utilidade pública, com o prestígio social e os benefícios fiscais que isso permitia. O SLB apenas em 1960, 32 anos e meio depois e englobado num pacote de cinco clubes teve essa distinção. Já depois de ser campeão Latino em 1950 e conquistar prestígio para Portugal. Aliás, mesmo em 1928 o Benfica já tinha muito mais prestígio internacional, em Espanha, que o FC Porto que como clube provinciano deslocava-se a Vigo e Corunha e nada mais, ao contrário do Benfica que já percorrera toda a Espanha de comboio para jogar nas principais cidades.



Esconder como a "peta Estado Novo" (parte II)
Quem os vê e quem os viu. Ao menos nos anos 40 e 50 eram honestos e agradecidos às gratas figuras do Regime que tiraram a Portugal para favorecer o FC Porto como foi o caso do portista José Frederico do Casal Ribeiro Ulrich (associado do FCP n.º 7070 em 1964) que enquanto ministro das Obras Públicas, entre 4 de Fevereiro de 1947 e 2 de Abril de 1954, bem sacou em prol do FCP, facilitando expropriações e enviando dinheiro para a construção do estádio. Enquanto no Benfica foi necessário fazer leilões, campanhas e mobilizar os simpatizantes do Minho a Timor o FCP recebia benesses. Quando ligam o Benfica ao Estado Novo é para esconder o que andaram a fazer entre 28 de Maio de 1926 e 25 de Abril de 1974. Ao menos tenham vergonha, honrem quem tanto lhes deu indevidamente - mas souberam inaugurar o estádio em 28 de Maio de 1952 - e calem-se!







Melhor vacina anti-FCP? Desprezem os portistas que não se dão ao respeito! E não gastem tempo a discutir com eles!


Alberto Miguéns

NOTA FINAL: Como se percebe ao longo da História de Portugal é preciso ter muita atenção ao que vem do lado do FCP. Geralmente é aldrabice. Por isso são "Andrades". Por isso são tão odiados, até na própria cidade do Porto!

"Andrades" porque não tiveram problemas nos anos 30 em sacrificar o estádio do Ameal do SC Progresso, mesmo dele não beneficiando, mas tendo inveja, só para prejudicarem uma pequena colectividade portuense...

Ainda hoje o Lagarto de Contumil é o Dragão Andrade
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