Pergunta um leitor deste blogue (como comentário ao texto "Era Uma Vez..."em 20 de Julho de 2014, às 22:49)
«É verdade que os jogadores do Benfica não foram chamados a defender a nação na 1.ª Guerra Mundial enquanto os do FC Porto foram chamados?»
Quando um portista faz afirmações é preciso ter muito cuidado com o que pretendem. A maior parte deles não prima pela inteligência e muito menos pelo rigor. Além disso, em grande parte, essas afirmações querem dizer o contrário para esconder a vigarice que o FCP tem feito desde 1906.
Por uma incrível diferença de dois dias - se não fosse o comentário teria passado despercebido - é possível assinalar, hoje, o voto de sentimento e homenagem da Direcção do SLB aos Benfiquistas que combatiam na I Guerra Mundial datado de 22 de Julho de 1918, ou seja, há 96 anos. Obrigado ao presidente Bento Mântua e demais elementos da Direcção pelo facto de terem deixado escrito esse facto que tanto orgulhará os Benfiquistas cem anos depois do início da Grande Guerra (1914) e 96 anos depois dele ter sido vertido para papel (1918). É uma felicidade para nós, tantos anos depois e algumas gerações mais à frente, sabermos que há tanto tempo tínhamos dirigentes que nos honram eternamente, porque de facto dirigiam o Clube e sabiam o que era Ser Benfiquista. Em Defesa do Benfica aproveita esta efeméride para fazer esse registo mas também homenagear quatro atletas - Herculano Santos, Cabeça Ramos, António Soares e Júlio Ribeiro da Costa - em nome de tantos os outros, dezenas ou centenas (e milhares de simpatizantes do Benfica) que serão, por agora, "Soldados Benfiquistas Desconhecidos"!
Provavelmente o Benfica foi o clube mais prejudicado
Os poucos estudos que há publicados em Portugal acerca da participação dos portugueses na I Guerra Mundial datam de 2008 aquando da comemoração dos 90 anos do Armistício (11 de Novembro de 1918) e da Batalha de La Lys (9 de Abril de 1918). E mesmo estes não são exaustivos acerca da repartição geográfica dos soldados envolvidos. Pode ser que em 2014 no centenário do início do conflito se saiba mais acerca dos portugueses e dos seus locais de origem. O pouco que se conhece é que numa primeira fase de Voluntariado foi do interior do País que veio a maior parte dos homens que combateram na Europa, pois eram áreas pobres com natalidade elevada sendo o exército uma boa forma de conseguir melhorar a subsistência de pessoas e famílias. Não foi difícil mobilizar homens, se bem que alguns fugissem antes de chegarem à Doca de Alcântara, em Lisboa, de onde partiam os navios para Brest (França).
Calcula-se em 54 617 os militares envolvidos na guerra europeia e outro tanto na defesa das colónias africanas, assunto ainda menos estudado.
Sendo o clube mais popular em Portugal - mesmo no tempo da Grande Guerra - e a Região da Grande Lisboa a que foi obrigada a maior esforço de guerra, no último ano de conflito, 1918, pois os soldados "ficavam mais baratos por já estarem junto aos cais" é provável que a maior parte dos soldados do CEP (Corpo Expedicionário Português) fossem Benfiquistas e alguns (muitos...) atletas do Clube. Tanto que há documentação escrita e visual deste facto.
Calcula-se em 54 617 os militares envolvidos na guerra europeia e outro tanto na defesa das colónias africanas, assunto ainda menos estudado.
Sendo o clube mais popular em Portugal - mesmo no tempo da Grande Guerra - e a Região da Grande Lisboa a que foi obrigada a maior esforço de guerra, no último ano de conflito, 1918, pois os soldados "ficavam mais baratos por já estarem junto aos cais" é provável que a maior parte dos soldados do CEP (Corpo Expedicionário Português) fossem Benfiquistas e alguns (muitos...) atletas do Clube. Tanto que há documentação escrita e visual deste facto.
![]() |
| Símbolo do CEP (Corpo Expedicionário Português) ou como me disse o capitão Júlio Ribeiro da Costa em 1990 ou 1991 conhecido nas trincheiras por: Carneiros Exportados de Portugal |
Relatório da Direcção em 1917/18
A Direcção do SLB no seu Relatório de Gerência teve o cuidado e a nobreza de assinalar o sacrifício do Benfica no esforço de guerra, quer em gente quer participando no jogo a favor da angariação de fundos para acudir e ajudar os mutilados e gaseados das trincheiras da Europa e lutas em África. Em 7 de Julho de 1918 derrotando, por 3-2, o Vitória FC Setúbal com golos de Cândido de Oliveira, Jesus Muñoz Crespo e Manuel Veloso quando um dos titulares - Herculano Santos - dessa equipa do SLB já estava em La Lys.
![]() |
| Extracto final do Relatório da Direcção do SLB em 1917/18 |
Além desse jogo no final da temporada de 1917/18 o Benfica acedeu, quatro anos antes, em colocar a sua equipa de futebol ao dispor do jornal "O Século" para um jogo a favor dos feridos da Grande Guerra, realizado do Stadium de Lisboa, em 18 de Outubro de 1914, frente a um "Misto inglês do Carcavellos Club e dos outros clubes de Lisboa. Porquê o Benfica frente a "Todos". Porque sendo o Benfica o clube mais popular era o que permitia trazer mais público ao Stadium e por isso poder haver uma maior receita que era o mais importante. Nesse jogo que inaugurou a temporada de 1914/15 o Benfica que venceu por 3-1 alinhou com:
Monteiro;
Ribeiro da Costa e Leopoldo Mocho;
Carlos Homem de Figueiredo, Cosme Damião (capitão) e Manuel Veloso;
Aníbal Santos (3.º golo), Herculano Santos, Cândido de Oliveira (2.º golo), Alberto Rio (1.º golo) e Augusto da Fonseca.
NOTA: Em 1 de Janeiro deste ano, o EDB referenciou este jogo como uma das principais efemérides centenárias do ano de 2014. Como é evidente nesse dia não contava com este texto de 22 de Julho. Mas tal não impedirá que em 12 de Outubro de 2014 esse jogo de há 100 anos volte a ser evocado com direito a exclusividade!
Monteiro;
Ribeiro da Costa e Leopoldo Mocho;
Carlos Homem de Figueiredo, Cosme Damião (capitão) e Manuel Veloso;
Aníbal Santos (3.º golo), Herculano Santos, Cândido de Oliveira (2.º golo), Alberto Rio (1.º golo) e Augusto da Fonseca.
NOTA: Em 1 de Janeiro deste ano, o EDB referenciou este jogo como uma das principais efemérides centenárias do ano de 2014. Como é evidente nesse dia não contava com este texto de 22 de Julho. Mas tal não impedirá que em 12 de Outubro de 2014 esse jogo de há 100 anos volte a ser evocado com direito a exclusividade!
![]() |
| Em cima ao centro Cabeça Ramos e do seu lado esquerdo, segundo a contar da direita António Soares. Ao centro, no meio, Herculano Santos |
Herculano Santos (na Flandres)
Se em termos humanos todos sofreram Herculano Santos, em termos desportivos, deve ter sido um dos que mais sofreu, excluindo os mortos e estropiados, como é evidente, porque o nosso extremo-direito (a "sério" era aí que jogava) viu-lhe ser amputada época e meia - 1917/18 e 1918/19 - que permitiriam além de um percurso completo de onze temporadas completas em vez de dez incompletas, além de possibilitar ao Benfica conquistar o título de campeão regional de 1918/19 perdido para o Sporting CP, mais a forte hipótese do "Glorioso" conquistar a Taça de Honra em 1917/18 em vez de ser eliminado pelo Império LC que a conquistou nessa edição. Para além de poder sagrar-se campeão seis vezes em vez de cinco, pois apesar do SLB ser campeão regional em 1917/18 Herculano Santos não foi por se encontrar na Flandres. Mesmo assim, em dez épocas (1912/13 a 1916/17 e metade de 1918/19 a 1922/23 jogou 15 355 minutos em 170 jogos, com 13 a capitão e 81 golos. Quando deixou de jogar era o futebolista com mais minutos e encontros jogados, bem como golos marcados com o "Manto Sagrado". Olhem se estas marcas notáveis não fossem amputadas em época e meia!? E ajudou o "Glorioso" a conquistar sete troféus: cinco títulos regionais (campeonato regional de Lisboa em 1912/13, 1913/14, 1915/16, 1916/17 e 1919/20) e dois troféus (Taça de Honra de Lisboa em 1919/20 e 1921/22, embora esta lhe queira ser surripiada pela AFL de 2014 para a dar ao SCP!). Sem vergonha! A AFL versão século XXI não respeita nada nem ninguém!
![]() |
| Os soldados mobilizados para o CEP apinhados no porão de um navio como gado. Quantos mais fossem mais barato ficava a viagem |
Capitão Júlio Ribeiro da Costa (em África)
Chegou a ser o associado n.º 1 quando faleceu em 1992. Começou como futebolista, foi mobilizado pelo CEP para África (Moçambique), deixando o SLB em 1917/18, depois foi estudar para Coimbra jogando na equipa da Associação Académica de Coimbra. Na Universidade teve problemas com António Salazar - estudante e professor de Direito na Academia Coimbrã - "culpando-o" de nunca ter passado de capitão. Regressou a Lisboa tendo uma longa e generosa carreira de dirigente do "Glorioso" chegando a presidente da Direcção (1938/39) e presidente da Mesa da Assembleia Geral (1939/40). Tive com ele duas conversas, uma rápida na Secretaria da rua Jardim do Regedor e outra na sua residência na avenida 24 de Julho. Relembro três ideias (a propósito do assunto de hoje). Só foi presidente da Direcção durante um mandato (1938/39) porque «como não ganhei nada, é porque não tive engenho ou havia quem se aproveitasse de mim para a nível superior prejudicar o Clube. Não podia continuar a impedir o Benfica de conquistar títulos, apesar de ter muita honra em ser eleito pelos associados». Inteligente! Não passou de capitão porque «desentendi-me fortemente com Salazar. Parei em capitão». Corajoso! Os franceses traduziam CEP por "Chèvres Exportées au Portugal" (Carneiros Exportados de Portugal). Esclarecido!
Cabeça Ramos
Atleta especialista em salto à vara, veio de Évora e jogou futebol com o "Manto Sagrado" na sua curta estadia em Lisboa. A viver em Évora quando havia competições de atletismo com salto à vara deslocava-se a Lisboa.
António Soares
Também jogava futebol mas destacou-se como nadador e jogador de Polo Aquático fazendo parte das equipas do "Glorioso". Ainda bem há pouco tempo, no EDB falou-se dele a propósito do Centenário da Gloriosa Natação em 16 de Julho de 2014.![]() |
| António Soares foi essencialmente um bom guarda-redes de Polo Aquático. Infelizmente pouco jogou no Benfica, apenas entre 1916 e 1919 |
Essa mentira deve ser para esconder
Que o FC Porto foi protegido pelo Poder não mobilizando atletas desse clube. Não sei, mas eles têm por hábito criar "cortinas de fumo"!
Esconder como a "peta Calabote"
Inventaram o Calabote, denegrindo a sua imagem dando a entender que viciara em tempo, grandes penalidades e expulsões de três adversários do SLB um jogo, entre o SLB e o GD CUF que arbitrou na última jornada do campeonato de 1958/59. Quando foi em Torres Vedras, nessa última jornada que permitiu ao FC Porto conquistar o título, após o árbitro Francisco Guiomar, de Beja, expulsar dois jogadores nos últimos cinco minutos para o FC Porto fazer o 2-0 (88') e o 3-0 (90') que lhe deu o título. Aliás o 1-0 já fora feito, aos 26', com um jogador do SCU Torreense fora do campo para ser assistido após agressão do jogador portista Noé!
Esconder como a "peta Estado Novo" (parte I)
Quem beneficiou da promiscuidade entre o Estado Novo e os clubes foi o FC Porto que em 1928, ainda em plena Ditadura Militar após o golpe de 28 de Maio de 1926 foi considerado instituição de utilidade pública, com o prestígio social e os benefícios fiscais que isso permitia. O SLB apenas em 1960, 32 anos e meio depois e englobado num pacote de cinco clubes teve essa distinção. Já depois de ser campeão Latino em 1950 e conquistar prestígio para Portugal. Aliás, mesmo em 1928 o Benfica já tinha muito mais prestígio internacional, em Espanha, que o FC Porto que como clube provinciano deslocava-se a Vigo e Corunha e nada mais, ao contrário do Benfica que já percorrera toda a Espanha de comboio para jogar nas principais cidades.
Esconder como a "peta Estado Novo" (parte II)
Quem os vê e quem os viu. Ao menos nos anos 40 e 50 eram honestos e agradecidos às gratas figuras do Regime que tiraram a Portugal para favorecer o FC Porto como foi o caso do portista José Frederico do Casal Ribeiro Ulrich (associado do FCP n.º 7070 em 1964) que enquanto ministro das Obras Públicas, entre 4 de Fevereiro de 1947 e 2 de Abril de 1954, bem sacou em prol do FCP, facilitando expropriações e enviando dinheiro para a construção do estádio. Enquanto no Benfica foi necessário fazer leilões, campanhas e mobilizar os simpatizantes do Minho a Timor o FCP recebia benesses. Quando ligam o Benfica ao Estado Novo é para esconder o que andaram a fazer entre 28 de Maio de 1926 e 25 de Abril de 1974. Ao menos tenham vergonha, honrem quem tanto lhes deu indevidamente - mas souberam inaugurar o estádio em 28 de Maio de 1952 - e calem-se!
Melhor vacina anti-FCP? Desprezem os portistas que não se dão ao respeito! E não gastem tempo a discutir com eles!
Melhor vacina anti-FCP? Desprezem os portistas que não se dão ao respeito! E não gastem tempo a discutir com eles!
Alberto Miguéns
NOTA FINAL: Como se percebe ao longo da História de Portugal é preciso ter muita atenção ao que vem do lado do FCP. Geralmente é aldrabice. Por isso são "Andrades". Por isso são tão odiados, até na própria cidade do Porto!
"Andrades" porque não tiveram problemas nos anos 30 em sacrificar o estádio do Ameal do SC Progresso, mesmo dele não beneficiando, mas tendo inveja, só para prejudicarem uma pequena colectividade portuense...
NOTA FINAL: Como se percebe ao longo da História de Portugal é preciso ter muita atenção ao que vem do lado do FCP. Geralmente é aldrabice. Por isso são "Andrades". Por isso são tão odiados, até na própria cidade do Porto!
"Andrades" porque não tiveram problemas nos anos 30 em sacrificar o estádio do Ameal do SC Progresso, mesmo dele não beneficiando, mas tendo inveja, só para prejudicarem uma pequena colectividade portuense...
Ainda hoje o Lagarto de Contumil é o Dragão Andrade


















