A criação deste Blogue, ideia de António Melo, tem como objectivo divulgar, defender o Sport Lisboa e Benfica e a sua Gloriosa história. Qualquer opinião aqui expressa vinculará apenas o seu autor, Alberto Miguéns.

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04/10/2016

O Fundador Que Deixou Marca na Pedra

04/10/2016 + 5 Comentários API
EM PEDRA DE LISBOA? QUAL QUÊ! PROFESSOR NO ENTRONCAMENTO, COM NOME DE RUA E ESTÁTUA NUMA PRAÇA!


No centro de Portugal. Ou não fosse o Benfica de todo o Portugal. Abílio Meireles de “vida cheia”. Professor de desenho e ilustrador em Lisboa. Com passagem em glória (reconhecida) pelo Entroncamento.

Quem havia de dizer?
Perto do Entroncamento vive um Benfiquista que colecciona tudo o que é e diz Benfica. Instalou naquilo que foi construído para garagens um Museu do Benfica. Nunca lhe chamo “particular” porque a sua generosidade permite a qualquer um visitá-lo. É só chegar à Atalaia e perguntar pelo Museu do Benfica. E tudo começou na histórica vila da Barquinha de onde é natural Mário Ferreira numa família de tradição sportinguista. Barquinha, Atalaia ou Torres Novas onde trabalha tudo se centra no Entroncamento onde passa inúmeras vezes. Dezenas de vezes na rua Professor Abílio Meireles e centenas de vezes na pequena rotunda de entroncamentos onde está o busto do Infante D. Henrique cinzelado pelo professor Abílio Meireles.


De um bloco de pedra igual a tantos outros uma obra com assinatura. Colocada ao dispor de todos em 30 de Julho de 1961. Abílio Meireles, fundador do "Glorioso", soube tirar desse bloco inerte este Infante D. Henrique. Das caravelas corre-Mundo (primeira globalização no Planeta) de Belém - onde o "Glorioso" foi fundado - para o entroncamento de regionalismos em Portugal via comboio
Quantas vezes não passou ele por estes locais com colecções debaixo do braço ou dentro do carro rumo ao Museu do Benfica. Para compor mais e melhor esse glorioso espaço. Por entre um fundador do “Glorioso”. Sem o saber!


Os Meireles na Gloriosa História
O Benfica teve como fundador um Abílio Meireles. E como aderentes de “primeira hora” os seus irmãos António e Ernesto. Abílio além de fundador participou em dez dos primeiros 29 treinos (1904), jogou em 1904/05 na 2.ª categoria, um encontro (1905) na 1.ª categoria e foi dos que resistiu na deserção no Verão de 1907, ficando como associado “protector” n.º 30. Já não rumou a Benfica aquando da junção, em 13 de Setembro de 1908, do Sport Lisboa com o Sport Benfica. Ao contrário do seu irmão António Meireles que jogaria entre os melhores durante quatro temporadas, de 1907/08 a 1910/11. António Meireles era da “equipa dos espertos”, a 2.ª categoria em 1906/07 - que por força da saída dos melhores da 1.ª categoria desta temporada - foram os seus futebolistas João Persónio, Cosme Damião, Félix Bermudes, Marcolino Bragança, entre cerca de dezena e meia - inscrita pelo “Glorioso” no campeonato da 1.ª categoria, em 1907/08.


Depois os irmãos foram dispersando-se
Numa actividade lúdica como o futebol no início do século XX, a permanência dos futebolistas no Clube dependia muito do local de trabalho e da disponibilidade que este permitia para continuar a praticar futebol. António Meireles rumou a Matosinhos e passou a viver em Nine. Abílio ficou por Lisboa onde teve actividade pedagógica muito intensa e desenhou com qualidade e em quantidade. Depois rumou ao Entroncamento onde já septuagenário foi figura em destaque na sociedade local. Influenciou jovens a crescerem para adultos conscientes, participou em iniciativas beneméritas e deixou marca nas ruas da cidade que o acolheu. E por onde haveriam de passar (e continuam a passar) muitos Benfiquistas sem o saberem!


A 2.ª categoria em 1906/07. Conquistou o torneio do Internacional/CIF em 21 de Abril de 1907. Uma equipa fortíssima. Será fundamental para responder à deserção para o SCP em Maio de 1907. Foi inscrita como 1.ª categoria em 1907/08.De cima para baixo. Da esquerda para a direita. Alinhados com a táctica do jogo. Em cima, os dois defesas e o guarda-redes: Henrique Teixeira, João Persónio e José Netto; Ao meio, os cinco avançados: Félix Bermudes (cap.), Eduardo Corga, Leopoldo Mocho, António Meireles e Carlos França; Na frente, os três médios ou meia-defesa (half-backs): Luís Vieira, Cosme Damião e Marcolino BragançaFotografia semelhante a outra - com menos qualidade - publicada na página 51, do volume I, da História do SL Benfica 1904-1954, de Mário de Oliveira e Rebelo da Silva; edição dos autores; Lisboa; 1954

Nos anos 50
A vida deu e deu-lhe muitas voltas. Vamos "saltar" meio século. Nos anos 50 foi professor de desenho no Entroncamento. E foi nesta então pacata vila, hoje cidade em expansão, que moldou a figura do Infante D. Henrique. 



Artista com assinatura
Metódico era um artista de corpo inteiro. Não podendo viver em exclusivo da arte que latejava não perdia oportunidade para verter a destreza para o papel. A carvão ou a tinta. Um dia com mais informação publicaremos mais desenhos e pinturas do nosso Abílio. Por agora fica a sua assinatura. A assinatura de um dos 24!



Nos anos 60
Depois de uma vida longa, proveitosa e generosa chegou ao seu final já a caminho dos 90 anos. Para trás deixou, aos 20 anos, a sua obra mais valiosa. O Clube fundado em 28 de Fevereiro de 1904. Precisamente aquela obra pelo qual o estamos a recordar hoje. E no futuro. Do Clube chegámos ao Entroncamento. Deste para a eternidade através de Abílio Meireles. Uma rua e um busto. Mas muito mais. Um Clube dele e mais 23. De 24 fundadores para milhões, 113 anos depois! Umas quantas gerações pelo meio.



Queremos mais e mais e mais
Sabemos os nomes dos três manos Meireles. Sabemos que Abílio Maria de Jesus Meireles nasceu em Macau (1883) e faleceu em Lisboa (1967). Sabemos o que ele e os irmãos fizeram no Benfica e temos alguma informação biográfica mas para nós não chega. Queremos mais, muito mais. Há necessidade de obter outra informação através de quem os tenha conhecido ou dos seus descendentes. Porque sabemos que os tiveram e que felizmente se encontram entre nós.


Os familiares destes “nossos” Meireles são muito bem-vindos a este blogue. Assim como todos!

Alberto Miguéns

NOTA1: É muito provável - a atribuição do seu nome à rua data de reunião camarária realizada em 13 de Setembro de 1973 - que Abílio Meireles seja o primeiro dos 24 a ter nome num arruamento de uma localidade em Portugal. O nome de Cosme Damião foi aprovado para ser o topónimo de um arruamento próximo do Estádio do Sport Lisboa e Benfica, o que aconteceu com a publicação do Edital municipal, em 25 de Novembro de 1991, com a legenda «Fundador do Sport Lisboa e Benfica/1885 – 1946».



NOTA2: Apesar de ter alertado o SLB várias vezes que a data inscrita na placa estava errada, pois Cosme Damião faleceu um ano depois (1947, 12 de Junho) fiquei estupefacto com a resposta que me foi dada pela última vez que dei a informação, por isso foi mesmo a última vez, por um dos maiores broncos (clicar) com que alguma vez me cruzei no Benfica. Um ex-assessor João Salgado - ex-deputado pois claro com pensão vitalícia (clicar) - que respondeu: «O que é que isso interessa. Já foi há tantos anos. Só você decora essas datas como se tivesse alguma importância um ano de diferença!» Então porquê estar a trazer para aqui a situação dele como ex-deputado subvencionado? Para que não se pense que o incompetência sobrevive na impunidade por acaso. Nunca. Há sempre uma justificação.
5 comentários
comentários
  1. Um texto de notável conteúdo por nos trazer detalhes inéditos sobre um dos 24 homens presentes no Acto Fundador do nosso Clube! Como se concluí da leitura deste texto, Abílio foi um homem das Artes, um pedagogo, um homem de Cultura. Foi um homem que deixou obra e afectos e que por isso foi reconhecido com a atribuição do seu nome a uma Rua. Notável.

    Um palavra de reconhecimento ao dedicado Benfiquista Mário Ferreira pela sua obra em prol do Benfica e dos Benfiquistas. Um Benfiquista de Entroncamento seguramente feliz com essa honra de ter o nome de um dos 24 fundadores numa rua da sua terra.

    O nosso Clube fez-se grande logo de início porque foi fundado por homens deste gabarito. Homens que definiram Ideais, Homens de visão e de persistente acção. Homens que lutaram para que o Clube permanecesse fiel a esses Ideais. Persistentemente fiel aos seus Ideais. Os homens passam, o Benfica continua. Esplendoroso, pujante, orgulhoso do seu passado, confiante no seu presente e empenhado no seu futuro.

    ps: uma nota de rodapé para lamentar profundamente que um ex-dirigente do Sport Lisboa e Benfica tenha dito semelhante barbaridade. Aqueles que desprezam o passado vivem na ignorância e contaminam o futuro. Será que alguém ficaria satisfeito se visse uma data errada inscrita na campa de um seu familiar? O SL Benfica não pode ser isso.

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  2. Atalaia/Entroncamento/Museu Mário Ferreira....não tarda nada, estou aí !!!!

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  3. Qualquer dia é o 25 de Abril de 1973, ou o 5 de Outubro de 1911, ou o 1 de Dezembro de 1639, "como se houvesse alguma diferença". Até me benzo só de saber que um tipo assim representou a nação. Não admira o buraco em que Portugal se encontra.

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  4. Sobre a questão da data da morte de Cosme Damião contactei uma pessoa da Comissão de Toponímia de Lisboa que me respondeu assim:

    "muito obrigada pela informação. Vou reportar «superiormente» para se mudar o Edital e ver se as Juntas mudam as placas, que agora são elas que o fazem. Desde já o que vou fazer ainda hoje é corrigir o meu texto sobre o Cosme Damião.Corrige sempre que assim é que é."

    Aguardemos o resultado desta demarche, um abraço.

    Jare

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    Respostas
    1. Parabéns e obrigado pela sua iniciativa Jare. Esperemos que se concretize.

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