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24/08/2016

Expo'70, Osaka e o Benfica

24/08/2016 + 4 Comentários
HÁ PRECISAMENTE 46 ANOS O BENFICA REPRESENTOU PORTUGAL NA EXPO'70, EM OSAKA/JAPÃO.



Tal como havia prometido em 4 de Agosto de 2016, aquando do texto acerca da "vénia" (clicar), eis um dos capítulos mais brilhantes na Gloriosa História. A digressão ao Extremo Oriente integrada na Exposição Mundial de 1970, realizada no Japão, na cidade de Osaka.



O salto tecnológico japonês: Renascer das cinzas
A realização da Expo’70, em Osaka (quem quiser saber mais é clicar) permitiu mostrar ao Mundo a capacidade do Japão em regenerar-se passando de uma sociedade quase feudal antes da Segunda Guerra Mundial, atravessando, em 1945, a humilhação dos EUA ao ser bombardeada, em Hiroshima (6 de Agosto) e Nagasaki (9 de Agosto), com bombas nucleares, em duas das datas que envergonham a Civilização Humana, pelos danos que causaram a milhões de seres humanos sem culpa – independentemente de quem tinha ou não razão – para conseguir no dealbar dos anos 70 tornar-se uma sociedade das mais evoluídas tecnologicamente, ganhando o epíteto de saber fazer. Ou como se dizia. “Os japoneses faziam o que os americanos faziam, mas mais pequeno e resistente. E mais barato”! E que melhor para estar presente em Osaka – a Expo das inovações tecnológicas - que o “Glorioso”? O Clube que dominara o futebol europeu nos anos 60 (cinco finais na Taça dos Clubes Campeões Europeus em oito épocas, entre 1961 e 1968) sucedendo ao Real Madrid CF, que dominou o futebol na Europa nos anos 50. Para a presença no evento foi escolhido o dia de Portugal na exposição: 24 de Agosto. Precisamente há 46 anos.

A temporada de 1970/71
O presidente Borges Coutinho escolheu um treinador inglês para o Benfica tentar recuperar, em 1970/71, o título de campeão nacional perdido na época anterior. Jimmy Hagan sucedia, em termos de nacionalidade a Ted Smith, que conquistara o campeonato nacional e a Taça Latina, em 1949/50. Procurava-se com Jimmy Hagan fazer regressar o Benfica ao ambicionado terceiro título de Campeão Europeu, que teimava em fugir, desde 1962/63. E ele esteve tão perto! Em 1971/72, só o campeão europeu AFC Ajax (D 0-1 e E 0-0) travou o “Glorioso” nas meias-finais, sagrando-se Bicampeão Europeu, frente ao FC Inter Milão, com dois golos de Cruijff.

Barros, António
Pré-temporada
Com a primeira jornada do campeonato nacional marcada para 13 de Setembro de 1970, o dia da estreia da “vénia”, o Benfica iniciou a temporada, em 20 de Julho (segunda-feira) com treinos na “Saudosa Catedral”. Apenas uma aquisição: o defesa-central Barros, vindo do Leixões SC. Estavam programadas duas digressões: entre 2 e 9 de Agosto, em Angola e Moçambique; e entre 18 de Agosto e 7 de Setembro no Extremo-Oriente, com passagem pela Expo’70 em 24 de Agosto.





A digressão a África
O Benfica realizou três jogos para o torneio “Taça Ultramar” conquistando-o após vitórias com o Vitória FC Setúbal (2-1 em Luanda – golos de José Torres e Eusébio - e 2-0 em Lourenço Marques, com golos de Eusébio e José Torres, para não variar) além de uma vitória, por 9-1, frente a uma selecção de Luanda, nesta cidade, com golos de Artur Jorge (quatro), Nené (dois), Raul Águas (dois) e Eusébio.


      (clicar em cima da imagem para obter uma melhor definição)



A digressão ao Extremo Oriente (parte I: Macau)
A deslocação ao Extremo-Oriente iniciou-se em Macau, território ultramarino sob administração portuguesa, com dois jogos: 4-0 (Artur Jorge (3) e Eusébio) frente à selecção de Macau, em 20 de Agosto; e 7-0 (Artur Jorge (3), Eusébio (2), Nené e Vítor Martins) frente à selecção (denominada misto por questões com a FIFA) de Hong-Kong, então território do Reino Unido, em 22 de Agosto de 1970. Seguiu-se a ida à Exposição Universal, em Osaka.



Uma “Expo” que ficou como um marco na evolução da civilização. Muita da tecnologia que usámos até à era do digital (CD’s e DVD´s) – fitas de gravação vídeo VHS (desenvolvida pela VCJ – Victor Company of Japan) por exemplo - foi apresentada pela primeira vez em Osaka. O Benfica trouxe uma máquina de filmar e outra de visionar (para estudar treinos e jogos: do Benfica e/ou adversários) que andou anos pelas arrecadações sem nunca ser utilizada. Mas foi a primeira a chegar a Portugal. Em Setembro de 1970.

Uma “Expo” que mostrou o Japão como vanguarda da modernidade Mundial durante os anos 60 recebeu o Benfica, na vanguarda da Futebol Europeu (e Mundial, a par do Santos FC) entre 1961 e 1968.  


Um parque de exposições vastíssimo que foi um sucesso popular, além da componente tecnológica.






A digressão ao Extremo Oriente (parte II: Japão)
O Benfica além de ser convidado para a Expo’70, em Osaka, cumpriu três jogos no Japão (um em Kobe - integrado nos eventos da Expo'70 - e dois em Tóquio) e dois em Seul, na Coreia do Sul. Os encontros no Japão foram frente à selecção japonesa, fazendo parte do programa das comemorações do Cinquentenário da JFA (Federação Japonesa de Futebol) fundada em 10 de Setembro de 1921. Depois de vencer, por 3-0 (Eusébio, Artur Jorge e Nené), em 25 de Agosto, na cidade de Kobe, o “Glorioso” rumou à capital japonesa para dois encontros. O primeiro – 29 de Agosto - foi deslumbrante, presenciado por cerca de 60 mil espectadores (que este blogue divulga na íntegra) recorde de assistência, no Japão, num jogo de futebol. Eusébio, 4 – Japão, 1. Com um “hat-trick” (1-0 a 3-0) em nove minutos. Seguiu-se o jogo, em 1 de Setembro, com 6-1 (Eusébio (dois), Nené, José Torres, Jaime Graça e Vítor Martins). 


Em 25 de Agosto de 1970, para incredibilidade total, face ao rígido protocolo japonês, os Príncipes Herdeiros desceram ao relvado para cumprimentar os Gloriosos Futebolistas. O que ocorria era o contrário. Os atletas é que eram "obrigados" a deslocarem-se à tribuna para venerarem os herdeiros do Imperador! Até permitiram ser fotografados. Foi o segundo jogo no Japão, primeiro em Tóquio. O SLB venceu, por 4-1, a selecção japonesa. O "Glorioso" presidido por Borges Coutinho e treinado por Jimmy Hagan, alinhou com:
José Henrique;
Malta da Silva, Humberto Coelho, Zeca (aos 85'/ Barros) e Adolfo;
Jaime Graça, Matine (aos 73'/ Vítor Martins) e Simões (capitão);~
Nené (aos 85'/ Praia), José Torres (aos 76'/ Raul Águas) e Eusébio (4 golos).
Perante 60 mil espectadores eis um verdadeiro 4 (defesas).3 (centrocampistas).3 (avançados).
Os quatro golos de Eusébio frente à selecção do Japão, em Tóquio.


Jogo completo com golos de Eusébio aos 13', 15', 19' (um hat-trick em nove minutos) e 71 minutos. Informação da TV japonesa.




A digressão ao Extremo Oriente (parte III: Coreia do Sul)
Depois do Japão o “Glorioso” rumou a Seul, onde disputou dois jogos. Em 3 de Setembro frente ao “Tigre Branco” (selecção B) vencendo por 5-0 (Eusébio (dois), José Torres (dois) e Nené). O último jogo, em 5 de Setembro de 1970, frente ao “Dragão Azul” (selecção A) com empate a um golo (Eusébio). E ficava para trás uma digressão que mostrou o quanto o Benfica, no início dos anos 70, estava à frente.

Regresso com uma “inovação”
A “vénia” feita pelos onze futebolistas aos adeptos do Benfica, estreada, na primeira jornada do campeonato nacional, pouco antes das 16 horas, em 13 de Setembro de 1970.


É assim o Benfica!

Alberto Miguéns
4 comentários
comentários
  1. Os principes herdeiros são hoje os imperadores do Japão. Notável. Deferência imperial feita a um digno representante do primeiro povo ocidental a desembarcar no Japão.

    Que preciosidade esse jogo. Para ver e guardar pois claro!

    E a história da vénia. Não fazia ideia.

    As coisas que aprendemos com o Alberto!

    Muito obrigado.

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  2. As histórias Gloriosas que se lêm e vêm aqui.
    Estes jogos no Japão nunca os tinha visto, nem sequer um cheirinho, mas os jogos de Luanda nos Coqueiros esses sim, eu vi com deleite.

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  3. Eu conheço o Alberto á mais de 30 anos, no estádio da Luz. O Benfica não era só desporto e no antigo estádio havia um convívio espectacular, eu passava grande parte das ferias no estádio só para ter o prazer de ouvir as historias e conversas sobre o nosso glorioso e onde se encontrava o Alberto, onde sabia tudo e mais alguma coisa sobre o SLB, deste historia até ás estatísticas. Aprendi muito com ele.

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    Respostas
    1. Caro António Antunes

      Mesmo não sabendo quem é "em concreto" lembro-me dessas conversas onde aprendíamos todos uns com os outros, mesmo que em termos de história eu pudesse ter mais informações. Mas esses convívios espontâneos serviam para aprendermos a Cultura Benfiquista que cada um trazia. Sem dúvida. Foi uma Escola, ouvir contar as vivências Benfiquistas de cada um. e perceber a grandeza do Clube. que estava nos adeptos que aprendiam com as gerações anteriores.

      agradeço as simpáticas palavras. Como já tenho escrito e nunca cansarei de o dizer por entender ser verdade, o melhor elogio que um Benfiquista pode ouvir é o de outro Benfiquista. Pois trata-se de um nosso par em valor Benfiquista. e isso tem muito...valor.

      Obrigado

      TRIgloriosas Saudações

      Alberto Miguéns

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