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15/06/2021

Eusébio em Paris Há 60 Anos

15/06/2021 + 4 Comentários

UM FUTEBOLISTA A BRILHAR NA CIDADE LUZ.



Com Eusébio (19 anos, 4 meses e 21 dias) a ombrear com um gigante do Futebol Mundial, Pelé - Campeão do Mundo pela selecção do Brasil, em 1958 (Suécia) - com 20 anos, 7 meses e 23 dias, cifras referentes a 15 de Junho de 1961.

O encontro ocorreu na final do «Torneio Internacional de Paris» realizada há 60 anos, a cumprir pelas 20:45 de hoje. Eusébio nem foi titular - entrou aos 36 minutos (para o lugar de Santana) após Pepe ter marcado o 4-0 - só que "revolucionou completamente o jogo" marcando três golos consecutivos ("hat-trick") em 17 minutos (63, 68 e 80 minutos) além de sofrer uma grande penalidade, aos 64 minutos, logo após ter marcado o primeiro golo que José Augusto não converteu.  

 

O «Torneio Internacional de Paris» pode ser considerado um dos precursores da Taça Intercontinental

A primeira edição ocorreu em 1957 (final em 14 de Junho) tendo por objectivo colocar em confronto dois dos melhores clubes europeus - o Real Madrid CF, campeão europeu esteve presente - frente a um dos melhores clubes brasileiros, pois ainda não existia Taça dos Libertadores da América (primeira final em 12 e 19 de Junho de 1960) além da participação do clube organizador e um dos principais clubes franceses e melhor clube de Paris, o Racing Club (o PSG FC só seria fundado em 12 de Agosto de 1970) que organizava o Torneio apoiado pelo jornal desportivo parisiense «L'Équipe» que estivera na génese da atual Liga dos Campeões, em 1955. Era um torneio quadrangular "modelo Taça Latina" com meias-finais, jogo para o terceiro lugar e final. Disputava-se no final da época (aproveitando os clubes que se destacassem na mesma) rivalizando com a «Pequena Taça do Mundo» em Caracas (também precursor da Taça Intercontinental) e procurando ter o prestígio que os torneios de Verão em Espanha, no início de temporada, com destaque para o Ramón de Carranza (Cádis) e Teresa Herrera (Corunha) já granjeavam entre os adeptos.  

1957 - CR Vasco da Gama (BRA) - Real Madrid CF (ESP) V 4-3

1958 - Racing CP (o CR Flamengo foi eliminado nas meias-finais após empate a um golo)

1959 - Racing CP (o CR Vasco da Gama foi eliminado nas meias-finais)

1960 - Santos FC (BRA) - Racing CP (FRA) V 4-1

 

A quinta edição superou a primeira

Além do Racing Club de Paris (segundo classificado no campeonato francês) contou com o Campeão Europeu (Benfica) o mais prestigiado clube da Bélgica (RSC Anderlecht, terceiro classificado na Bélgica, mas com oito títulos de campeão nacional belgas) e o melhor clube do Mundo, Santos FC. Desde a tragédia de Superga (Torino AC) que não havia um clube que fosse considerado, sem dúvida, o melhor do Mundo, apesar da força do Real Madrid CF, mas o futebol brasileiro superava o espanhol mesmo que o Real Madrid CF fosse uma constelação de estrelas internacional, com Di Stéfano (argentino), Puskás (húngaro), Santamaria (uruguaio) e Didi (brasileiro, campeão mundial em 1958). Só que o Santos FC apresentava-se com quatro campeões do Mundo: Mauro, Zito, Pepe e Pelé. No Mundial do ano seguinte (1962, no Chile) acrescentaria mais dois: Mengálvio e Coutinho. O guarda-redes Gilmar - sétimo futebolista do Santos FC no Mundial de 1962 - chegaria depois da participação no torneio. Um ataque poderosíssimo.

 

13 de Junho de 1961; 19:00 horas; Parque dos Príncipes; Paris. De cima para baixo. Da esquerda para a direita: Cruz, Pinto (aos 23 minutos, Saraiva), Mário João, Neto, Ângelo e Costa Pereira; José Augusto, Santana, José Águas (capitão), Eusébio e Cavém. Estreia internacional de Eusébio. A jogar e marcar!


Meias-finais

O Benfica derrotou, por 3-2, o RSC Anderlecht com 1-2 ao intervalo. Eusébio repôs a igualdade a um golo, com um remate em potência, após ser solicitado por Santana. José Augusto voltou a igualar a dois golos numa jogada individual. José Águas fez o resultado final (3-2) num remate de longe, após Eusébio se ter "desembaraçado" de dois adversários e o ter assistido. Na outra meia-final, o Santos FC afastou, por 5-4, ao intervalo 3-1, o clube organizador do torneio. A final esperada - o melhor clube europeu frente ao melhor clube sul-americano e do Mundo - seria jogada no Parque dos Príncipes, em Paris, recebendo duas estrelas, uma consagrada (Pelé) e outra ainda "escondida" (Eusébio) que justificou com o nervosismo considerando ter jogado menos do que podia e...devia! No dia 15, o RSC Anderlecht derrotou, por 5-2, o Racing Club de Paris. Seguiu-se o Benfica/Santos.


Grande final (preparação)

Para o jogo decisivo Béla Guttmann surpreendeu (mas desta vez dá a ideia que não acertou) com Barroca (um dos melhores em campo) em vez de Costa Pereira, Germano como defesa-central em vez de Saraiva e Coluna em vez de Eusébio, embora se pensasse que este jogaria a interior-direito (8) no lugar de Santana. Eusébio jogara com o 10 (interior-esquerdo) frente ao RSC Anderlecht. Barroca teve a oportunidade de jogar algo que nunca conseguiu nos nove jogos para a Taça dos Clubes Campeões Europeus - apesar de ser sempre convocado - pois Costa Pereira foi sempre o guarda-redes nesses nove encontros. 


Grande final (jogo)

O Santos FC arrasou o Campeão Europeu. Chegou a 4-0, aos 35 minutos, "obrigando" Béla Guttmann a recorrer a Eusébio. Ao intervalo uma alteração táctica para tentar equilibrar o jogo e ganhá-lo. Saiu o defesa-esquerdo Ângelo, com o extremo-esquerdo Cavém (um futebolista fabuloso em qualquer função) a ocupar essa posição para entrar Mendes para extremo-esquerdo. O poderoso conjunto brasileiro ainda obteve o 5-0 seguindo-se um "recital" de Eusébio. E o Benfica chegou ao 3-5 a dez minutos do final. Foi na tentativa de fazer o quarto golo que Pelé aproveitou para estabelecer o resultado final, perante o delírio da Imprensa brasileira (clicar).


Eusébio esteve excelente e mostrou o que seria durante 14 temporadas

Muito mais que um goleador. Ter Eusébio, como dizia Béla Guttmann, era jogar com doze pois era ter um centrocampista e um avançado em simultâneo. A principal função de Eusébio era jogar para criar espaços e oportunidades para os avançados-centro - José Águas, José Torres, Artur Jorge, Victor Batista, Jordão, entre outros - só que a sua capacidade técnica e poderio físico, bem como a capacidade de perceber o jogo permitiam que fizesse o que tinha que fazer (permitir golos aos avançados-centro) como fazia ele mesmo golos, em fintas, "dribles" ou rematando de longe, quer em bola corrida, quer em livres directos. Eusébio era o marcador de pontapés-de-canto e até fazia lançamentos da linha lateral para colocar a bola, com as mãos, dentro da grande-área. Inigualável.

 


Muito melhor que palavras

É ver os golos desse jogo (clicar).

 

A "estrela" Eusébio nunca mais deixaria de brilhar. Ainda brilha no «Quarto Anel».


Alberto Miguéns

NOTA1: Agradecimentos aos dedicados leitores Benfiquistas, Victor João Carocha e Mário Pais, por terem ajudado a enriquecer o texto com imagens, informações preciosas e rigorosas;


NOTA2: Este jogo não é fácil de ser reconstituído, pois entre outras divergências, para os brasileiros o primeiro golo do Santos FC foi aos 16 minutos, por Lima (clicar) e para o jornal vespertino «Diário de Lisboa» até foi Coutinho que o marcou. E dá a entender que Eusébio entrou ao intervalo! (clicar)

  1. Boas recordações. Que saudades!!!
    Daquela foto ainda estão vivos; José Augusto, Cruz e Mário João, estou certo Sr. Historiador?

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  2. Caríssimo, o Pelé num espaço de um ano fez 7 golos ao Benfica, em apenas 3 partidas, já Eusébio fez 4 golos ao Santos, e o Joaquim Santana fez 3, E se esse «Torneio Internacional de Paris» foi percursor da Taça Intercontinental, no ano seguinte, o Benfica e o Santos disputaram mesmo a 3^edição da Taça Intercontinental, a duas mãos, Maracanã e Luz.

    Uma curiosidade, o Benfica nessas três partidas com o Santos, jogou com três G Redes distintos, Barroca, Rita (primo de Cavém), e Costa Pereira.

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    Respostas
    1. Caro portista

      Pelé marcou o dobro dos golos de Eusébio nos jogos entre SLB e Santos FC, enquanto foram contemporâneos. Mas o que é certo é que neste foi: Eusébio, 3 - Pelé, 2! Ainda que o que conta são os 3-6!

      Saudações

      Alberto Miguéns

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  3. A minha maior mágoa como Benfiquista foi não ter visto Eusébio ao vivo.
    Como diz o irmão branco dele, Eusébio foi um rei. Um rei do futebol.
    Eusébio é Benfica. Amor eterno de todos os Benfiquistas!

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