Chalana 1981/82: Nem Bem, Nem Mal (Sei Lá!)
A criação deste Blogue, ideia de António Melo, tem como objectivo divulgar, defender o SL Benfica e a sua Gloriosa História. Qualquer opinião aqui expressa vinculará apenas o seu autor, Alberto Miguéns.

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01/04/2020

Chalana 1981/82: Nem Bem, Nem Mal (Sei Lá!)

01/04/2020 + 2 Comentários
DEPOIS DE UMA ÉPOCA DE SONHO EM 1980/81 EIS O PESADELO DE 1981/82.


NOTA INICIAL: É um lugar comum dizer que por um lado é bom e por outro mau. Parece e é uma contradição, mas quando se escreve acerca de memórias do Benfica… acontece! A temporada de 1981/82 por um lado é má e por outro é boa no mau sentido. Neste caso porque pouco há para escrever. Demora 25 por cento do tempo ocupado com 1980/81. Mas é muito má pois obriga a revisitar pesadelos e derrotas “a mais” e um tipo vê-se aflito para conseguir elogiar alguma coisa!



Chalana pouco sobressaiu no naufrágio colectivo
O que é normal num clube como o Benfica em que o individual só é valorizado se estiver em sintonia com o colectivo. Em 55 jogos realizados pelo «Glorioso», Chalana participou em 39 (dois golos) com 35 a titular (22 completos) e quatro como suplente utilizado, depois de dois períodos a curar mazelas. Continuava a ser um baluarte de classe e imprevisibilidade.



Uma das raras alegrias
Os meses de Verão foram complicados para os adeptos do «Glorioso». O Sporting CP estava a reforçar-se muito e bem. Principalmente com a aquisição de dois futebolistas que não eram incógnitas, mas sim certezas: um guarda-redes húngaro e Oliveira, que era um dos dez melhores futebolistas portugueses. O Benfica adquiriu Filipovic (do Club Bruge KV), Paulo Campos (do Portimonense SC) e Folha (do Boavista FC) parecendo pouco, embora Folha fosse apontado como a “maior esperança para o futuro de Portugal” tanto que obrigou a uma “guerra” Benfica/FC Porto e já lá não estava mas… estava a caminho de regressar, a dupla Pinto da Costa/Pedroto. E Álvaro, vindo da equipa da Associação Académica de Coimbra, que fez parte de um plantel "histórico" enquanto juvenil do Clube "Cracks" de Lamego, campeão nacional de juvenis, jogando como defesa-esquerdo, frente ao Vitória FC Setúbal, em Tomar, no final da temporada de 1977/78. O Benfica começou mal a pré-época – muito irregular – o que seria uma má constante durante toda a temporada. Imprevisível, principalmente no terreno dos adversários. Chalana naufragou nesta incapacidade em ser regular. De positivo ler e ver as fotografias nos jornais com Humberto Coelho a erguer o troféu conquistado, em Toronto, frente ao Leeds AFC. Foi a primeira e penúltima conquista! Ainda se conquistou - com muita dificuldade - a Taça de Honra de Lisboa - em 10 de Outubro de 1981.



Campeonato de mal a pior
Começou-se muito mal com uma primeira volta abaixo do que tem de fazer um plantel que quer ser campeão nacional. O Sporting CP mais regular até conseguiu empatar na «Saudosa Catedral» a um golo. E terminou a primeira volta com duas vitórias – quatro pontos – de vantagem. O "problema" do Benfica eram os jogos no terreno do adversário, com derrotas no Porto (Antas e Bessa), Amora e Vila do Conde. O empate é o tal no «Dérbi de Lisboa». O líder era "esquisito". Apenas um empate no "Dérbi" e outro em Vila do Conde, mas três no seu estádio: CF «Os Belenenses», Boavista FC e Vitória SC Guimarães. Eu que desvalorizara a contratação de Oliveira, pois considerava Alves muito superior ao ex-baboso do FC Porto (embora fosse bom futebolista) no tempo do Bicampeonato dos Anos 70 ouvia dos meus companheiros de bancada lamentos. E eles estavam "doutorados em bola", pois com 70/80 anos até tinham visto jogar Vítor Silva! Falta ao Benfica um "armador" de jogo e a equipa é muitas vezes apanhada em contra-pé, principalmente nos pelados! Comecei a ficar "à rasca"!



O treinador tentava tudo, por tudo e de tudo
Se já é difícil simplificar o futebol num desenho quando uma temporada do Benfica é "normal" agora imagine-se esta. Com o Benfica vulnerável, Lajos Baroti chegou - com alguma insistência até ao jogo com o Boavista FC (15.ª jornada) - a colocar Humberto Coelho a "libero" atrás de três defesas" para depois se juntar a Sheu no meio-campo quando o Benfica avançava no campo. Numa tentativa de ilustrar o que foi o Benfica nesta temporada o melhor é dividir as titularidades em primeira e segunda volta.

TITULARES NAS 15 JORNADAS DA PRIMEIRA VOLTA NO CAMPEONATO NACIONAL
TITULARES NAS 15 JORNADAS DA SEGUNDA VOLTA NO CAMPEONATO NACIONAL

Os 1-4 também foram a mais...
Durante a primeira volta, dois objectivos foram logo postos de fora. Depois da derrota em Vila do Conde (7.ª jornada), empate (sem golos) na primeira mão dos oitavos-de-final, para a Taça dos Clubes Campeões Europeus, frente ao FC Bayern Munique, o tal empate (a um golo) com o Sporting CP e uma derrota, por 1-4, em Munique. Pronto a desculpa foi o azar no sorteio ainda numa fase precoce da competição (segunda eliminatória)! Na primeira edição oficial da Supertaça, já organizada pela FPF, com o nome de "Cândido Oliveira» foi-se do Paraíso ao Inferno. Na primeira mão (1 de Dezembro de 1982, no 28.º aniversário da «Saudosa Catedral») a vitória por 2-0 tranquilizava, mas a derrota por 1-4 (9 de Dezembro) fez renascer as sombras. Foi-se! Na Taça de Portugal, os quartos-de-final, a disputar no terreno do FC Porto, em 13 de Março, trouxe suores frios recordando a Supertaça. O «Glorioso» foi eliminar, com prolongamento, por 1-0 (golo de Néné) o FC Porto. O Benfica em 1981/82 era assim. Inesperado. Capaz do melhor e do pior. Até ser afastado desta competição pelo SC Braga, na meia-final, em Braga. SC Braga que depois foi goleado (4-0) pelo Sporting CP na final disputada no Estádio Nacional.    
A equipa titular da final da Taça de Honra de Lisboa. No jogo entrou Paulo Campos. Este foi titular no encontro das meias-finais em que Gabriel foi suplente utilizado. Como jogou Paulo Campos alguém deste onze da final não jogou. Foi Filipovic que apenas jogou na final

Aquela fatídica noite de Alvalade (23.ª jornada)
Em 28 de Março de 1982, o «Glorioso» jogava num jogo toda a temporada. Tinha que recuperar cinco pontos de diferença para o Sporting CP, ou seja, era obrigatório vencer o «Dérbi de Lisboa» no estádio do adversário. O jogo em que uma das maiores glórias do Benfica - BENTO - fez o impensável. Deixar-se expulsar permitindo, ainda, ao adversário "dar a volta" ao resultado, depois de estar a perder por 1-0. É que além do Benfica ficar reduzido a dez futebolistas, Jordão tinha uma grande penalidade para colocar o Sporting CP pela primeira vez em vantagem no marcador... E como melhor ponta-de-lança do futebol português no pós-Eusébio... marcou. Acabou a temporada do Benfica. Bento que para mim, entre os 108 guarda-redes que já defenderam a gloriosa baliza, de Pedro Guedes a Zlobin é o melhor de todos, embora Preud'homme seja caso à parte, tinha que ter capacidade de encaixe por muito despeitado que se sentisse pois ainda tinha presente a cabeça aberta (e os pontos que levou para a coser) num jogo no pelado do FC Famalicão. O Benfica dependia dele para vencer e ele deixou-se levar pela matreirice de Manuel Fernandes.



Nada a fazer
E assim se fechou uma temporada que prometia e pouco rendeu. Baroti deu início em 1980/81 a um ciclo triunfador com esta época a destoar. Em 1982/83 e 1983/84, a Águia voltaria a voar com a grandeza que é apanágio dos predestinados. E Chalana seria tenor nas sessões de Ópera que se iriam viver.


Uma preciosidade do fotógrafo Roland Oliveira. O Quarteto Não Era de Cordas, mas de Ouro: Fernando Caiado (adjunto), Toni (adjunto), Lajos Baroti e Monge da Silva (preparador físico)

Quando o Sporting CP é para aqui chamado… algo está mal!
Foi campeão e fez "dobradinha" com mérito aproveitando a fraqueza (irregularidade) do «Glorioso». Tinha um melhor ataque - Manuel Fernandes e Jordão - bem servidos por Oliveira. O meio-campo do Benfica mostrou mais habilidade, rapidez e classe mas pouca força. Faltava um médio ou dois como Toni e Vítor Martins. Stromberg seria a chave, mas isso fica para amanhã. A defesa do Benfica até foi melhor - 22 golos sofridos - para 26 do campeão nacional. O ataque é que esteve aquém - 60 golos - para 66 do Sporting CP. E o ataque do «Glorioso» nem foi muito perdulário, foi mais ser pouco solicitado pelo meio-campo. A diferença entre poder ser campeão e ser esteve nos jogos no terreno do adversário. O Benfica na «Saudosa Catedral» apenas teve um empate, o tal frente ao Sporting CP. Depois registou 14 vitórias, ou seja, conseguiu 29 pontos, dos 44 no total. No terreno dos adversários obteve os restantes 15! O Sporting CP conseguiu... 21 "fora" e 25 "em casa", para fazer os 46 no total, mas foi campeão na penúltima jornada, perdendo na última (0-2 no estádio do FC Porto). O Benfica no terreno dos adversários conseguiu ter tantas derrotas (seis) como vitórias, mais três empates. O SCP só perdeu três vezes em campo alheio, tantas vezes quanto os empates. Já no seu estádio somou cinco empates (e o Benfica com um). Nos seus campos, os golos marcados e sofridos mostram as forças e fraquezas de cada plantel: 37/6 (SLB) para 45/16 (SCP). No campo dos adversários: 23/16 (SLB) e 21/10 (SCP). Se o Benfica tem sido regular, principalmente, nos pelados... 

Ui! Em 1982/83, o tempo mudou e o Benfica voltou…

Alberto Miguéns

NOTA FINAL: Para os Benfiquistas sadomasoquistas o tal jogo em que o «Glorioso» podia ficar a três pontos, com vantagem no confronto directo, acabando a sete! Com 14 pontos por disputar (nas sete jornadas finais)

  1. Não venham com conversas que o Bento não devia ter reagido daquela maneira! Deixou ficar os pés para provocar de propósito aquela reacção.
    Manuel Fernandes foi, é e será sempre um manhoso.
    Assim como o Lourenço se não marcasse 4 golos ao Benfica seria mais um perdido: https://tribunaexpresso.pt/entrevistas-tribuna/2019-05-03-Schmeichel-O-Manuel-Fernandes-foi-inutil-no-Sporting.-Ninguem-gostava-dele

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  2. Alguém sabe se aquela bola entrou mesmo?
    O primeiro penálti foi um anedota, mas os lagartos da RTP que comentavam o jogo viram tudo peremptoriamente.

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