Jordão No Quarto Anel
A criação deste Blogue, ideia de António Melo, tem como objectivo divulgar, defender o SL Benfica e a sua Gloriosa História. Qualquer opinião aqui expressa vinculará apenas o seu autor, Alberto Miguéns.

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18/10/2019

Jordão No Quarto Anel

18/10/2019 + 3 Comentários
UM DOS MELHORES AVANÇADOS DO BENFICA FALECEU HOJE.



Apanhado de surpresa - apesar de saber que estava doente - assim que chegar a casa colocarei as cifras notáveis deste futebolista que faleceu com 67 anos (9 de Agosto de 1952 - 18 de Outubro de 2019). 



Natural de Benguela (Angola) começou a jogar no Sporting Clube de Benguela. O Sporting CP interessou-se por ele mas não quis fazer acordo com a sua filial. O Benfica contactou a família (era menor de idade, pois até 1974 a maioridade era aos 21 anos) e o clube do futebolista e contratou-o. Chegou a Lisboa integrando o plantel Júnior, em 1970/71, superiormente treinado por Mestre Ângelo, Bicampeão Europeu.



Em 1970/71 teve uma temporada de Glória nos juniores - foi campeão distrital (V 2-1; Sporting CP e finalista no campeonato nacional com o FC Porto) sendo seleccionado para a respectiva selecção nacional, que em 25 de Março de 1971 empatou, sem golos, com a congénere francesa. Tinha 18 anos. Deste plantel junior faziam parte, entre outros: Fidalgo, António Bastos Lopes, Eurico Caires, João Alves, José Rachão e Sheu Han. 



O Benfica sempre fez muita e boa formação.



Estreou-se pela Gloriosa Equipa nas meias-finais da Taça de Honra, em 5 de Setembro de 1971, desbaratando completamente o Sporting CP, numa vitória por 2-1, marcando um golo num jogo que vi nas bancadas do estádio do Restelo. Tinha 19 anos e 27 dias. Fez um jogão!



Despediu-se (fez o último jogo) em 30 de Maio de 1976. após cinco épocas conseguira contribuir para quatro títulos de campeão Nacional do «Glorioso» com conquistas em 1971/72, 1972/73 (invicto), 1974/75 e 1975/76. Além da "dobradinha" com a conquista da Taça de Portugal, em 1971/72 (4 e Junho de 1972, numa vitória, por 3-2, sobre o Sporting CP. Esteve ainda em três conquistas da Taça de Honra de Lisboa (troféu muito mais difícil de conquistar que a Supertaça ou Taça da Liga): 1971/72 (vitórias por, 2-1 e 4-1, respectivamente com o Sporting CP e CF "Os Belenenses"); 1973/74 (vitórias por, 3-1, 3-2 e 1-0, respectivamente com o Oriental/COL, CF "Os Belenenses" e Sporting CP); e 1974/75 (vitórias por, 5-1 e 1-0, respectivamente com o CF "Os Belenenses" e o Sporting CP).



Em cinco temporadas, entre 1971/72 e 1975/76, jogou 13 953 minutos, em 182 jogos, marcando 113 golos.

Eu quero um número 9 destes no Benfica! Já o era na "Formação"!


Equipa 1971/72. De cima para baixo. Da esquerda para a direita: Adolfo, Humberto Coelho, Artur, Vítor Martins, Zeca e José Henrique; Jaime Graça (capitão), Néné, Victor Batista, Jordão e Eusébio. Em onze futebolistas... seis conquistaram títulos nos juniores e dois nos Principiantes (actuais Juvenis) do «Glorioso». E depois continuaram nos seniores como este plantel pela segunda temporada consecutiva campeão nacional. O actual Seixal é "brincadeira" comparando com a Formação do Benfica, desde 1904 até 1994! Só é enganado quem quer...

Era um avançado versátil, rápido, sagaz com codícia pelo golo. Marcador exímio de grandes penalidades muitas feitas sobre ele era temível no um-para-um. actuava como ponta-de-lança ou sobre a esquerda com Néné pela direita e Eusébio, Artur Jorge ou Victor Batista. Cinco avançados para três lugares num 4.3.3 "puro" com três avançados. 

Longilíneo era muito forte a segurar a bola (e tirá-la!) e depois arrancava imparável rumo à baliza contrária ou tabelava com os extremos se jogasse ao centro. Num dia em que estivesse inspirado o Benfica não perdia e, pelo menos, um golo marcava. Foi o melhor marcador do campeonato nacional, em 1975/76 com 30 golos em 28 jogos numa edição com 30 jornadas! 

Se tem continuado no «Glorioso» em vez do trapalhão Romão Martins, Chefe de Departamento do Glorioso Futebol, o ter desprezado - pois ele queria o Benfica depois do fracasso físico no Real Saragoça, em 1976/77 - o Benfica tinha feito séries incríveis de campeonatos consecutivos. Numa fase em que o Benfica não tinha acesso a futebolistas sem nacionalidade portuguesa - mesmo que naturalizados - foi um erro colossal deixá-lo rumar ao Sporting CP num clube em que jogando o dobro das épocas (nove) em relação ao Benfica conquistou metade dos títulos de campeão nacional (1979/80 e 1981/82) e apenas mais uma Taça de Portugal (1977/78 e 1981/82).



Continua... numa homenagem merecida, com toda a sua carreira no «Glorioso» desde os juniores, em 9 de Agosto de 2020 assinalando os 68 anos do seu nascimento.



Obrigado, Jordão

Alberto Miguéns
3 comentários blogger
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  1. Um dos melhores avançados da nossa História. Um predestinado. Felino. Matador.

    Hoje é mais recordada sua passagem pelo SCP. Aliás os media insistem em reduzir a importância ou até a omitir a passagem de Jordão pelo SLB.

    Sabia do erro histórico de Romão Martins (aliás não foi o único erro) mas desconhecia a vontade de Jordão em regressar ao SLB. Foi pena pois estou convencido que se tivesse a Portugal teria tido um palmarés melhor e provavelmente o SLB teria ganho mais do que ganhou.

    Obrigado a Jordão pelas muitas alegrias que deu aos Benfiquistas

    Que descanse em Paz. Os Benfiquistas justos não o esquecerão.

    Condolências à família

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  2. Caro Alberto, é verdade como diziam vários meios de comunicação, que Jordão afirmou que o Sporting era o clube de coração?
    Grande abraço e obrigado pelo seu blogue, é onde venho quando quero saber a verdade sobre a história do Benfica!

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    1. Caro Miguel Benfiquista

      É verdade. Eu ouvi ele na primeira pessoa a dizê-lo. Mas acrescentou que só não regressou ao Benfica (vindo do Real Saragoça) por ser mal-tratado por um dirigente que queria obrigá-lo a fazer testes devido ao que se dizia em Espanha. Que tinha uma lesão grave. Jordão sempre foi bem tratado no Benfica, tinha os seus maiores amigos no Benfica, conhecia os "cantos à casa" mas era sportinguista desde pequeno embora não fizesse questão de o mostrar. Sheu contou-me numa viagem dupla - ida e volta (escrevi acerca desse dia neste blogue) - que fiz com ele a um Museu de um Benfiquista que sendo colega dele desde os juniores do "Glorioso" só soube que ele era sportinguista quando ele lhe disse que ia jogar no clube do qual era adepto! Sheu diz que ficou surpreendido!

      Gloriosas Saudações

      Alberto Miguéns

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