E no Princípio era a Bola
A criação deste Blogue, ideia de António Melo, tem como objectivo divulgar, defender o SL Benfica e a sua Gloriosa História. Qualquer opinião aqui expressa vinculará apenas o seu autor, Alberto Miguéns.

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21/03/2019

E no Princípio era a Bola

21/03/2019 + 2 Comentários
HÁ PRECISAMENTE 115 ANOS O CLUBE FEZ A PRIMEIRA DESPESA.


Menos de um mês depois da Fundação o «Glorioso» faz a primeira despesa. E que despesa! E que significado! Onde se gastaram os primeiros dinheiros. Na compra de uma bola. Em "segundos pés", provavelmente.

O que era vulgar no início do século XX
Era os clubes de portugueses comprarem bolas usadas aos clubes de ingleses. Muito raramente bolas novas. 


A factura ainda foi passada em nome do Belém FC
O que seria a normalidade num tempo em que o nome dos clubes demoravam algum tempo na consolidar-se. O Grupo Sport Lisboa (depois S.L. e Benfica) tinha menos de um mês e era constituído no seu "núcleo duro" por elementos do Belém FC a que se juntaram ex-alunos casapianos da «Associação do Bem» e depois muitos outros amigos de uns e de outros. Atrás de uns chegam outros e foi assim. 


O hábito e o modo
Os ingleses que gostavam de Futebol quando partiam para lá das Ilhas Britânicas tratavam de se fazer acompanhar de uma bola de futebol pois estas não existiam entre os indígenas dos países onde iam coordenar tecnicamente a implantação das empresas e serviços cujas patentes a Revolução Industrial lhes deu a vanguarda da tecnologia mundial. Também foi assim em Portugal. 


Os clubes portugueses bem tentavam
Que os sapateiros conseguissem fazer bolas de Futebol mas tal era impossível pois sendo o Futebol um desporto de Inverno o couro não impermeabilizado inchava com a água e tornava a bola extremamente pesada e desequilibrada. O mais fácil era comprar bolas usadas aos ingleses.


Sabendo-se que os três primeiros treinos
Foram em 28 de Fevereiro, 13 e 20 de Março logo no dia seguinte, em 21 de Março, houve que comprar uma bola aos "ingleses da Cruz Quebrada" talvez porque em 20 tenham ficado sem bola! Até final da temporada, entre 28 de Fevereiro e 3 de Julho de 1904, o clube não quis jogar, mas apenas treinar para que quando aceitasse o primeiro jogo conseguisse não só defrontar uma equipa de um clube consagrado como fazer um bom resultado. Havia que treinar, treinar, treinar... 


Foram 24 treinos (22 obrigatórios e dois voluntários)
Movimentando 31 associados desde alguns treinos com escassas presenças (em 28 de Fevereiro estiveram presentes dez elementos) até ao treino de 17 de Abril com 20 elementos. Como seria de esperar os elementos que já jogavam no Belém FC foram os mais assíduos:

24. José Rosa Rodrigues;
24. António Rosa Rodrigues;
24. Manuel Gourlade;
23. Cândido Rosa Rodrigues;
21. Daniel dos Santos Brito;
21. Carlos França;
20. Jorge Costa Afra;
17. Eduardo Corga;
17. Raúl Empis;
17. José da Cruz Viegas;
17. Lopes;
13. Joaquim Ribeiro;
12. Duarte José Duarte;
11. Henrique Teixeira;
11. José Dias;
10. Abílio Meireles;
10. Fortunato Levy;
08. Joaquim de Almeida;
07. Armando Macedo;
05. Mário Leite;
05. Portugal;
05. Frederico Burnay;
03. José Linhares;
02. Zoheger;
02. Faísca;
01. Luís Ribeiro;
01. Romualdo;
01. Amadeu Rocha;
01. António Severino;
01. Vasconcelos;
01. Francisco Reis Gonçalves.


Aproveitou-se o Verão de 1904
Entre a temporada de 1903/04 e 1904/05 para importar directamente de Inglaterra bolas novas de futebol, através da insistência do incansável Manuel Gourlade, talvez a primeira grande dedicação ao Clube. A primeira «bola nova inglesa importada» foi estreada no primeiro treino da época, em 20 de Novembro, merecendo destaque no arquivo administrativo do Clube. A seu tempo será feita a devida (e merecida) evocação.

Eis o Grande Clube ainda pequeno (mas a perceber-se porque se tornou tão Grande)

Alberto Miguéns

2 comentários
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  1. A bola, esse objecto então tão raro e desejado. Se tivesse que apostar diria que a bola dos irmãos Catatau foi provavelmente a primeira do nosso Clube. É possível que tenhamos uma fotografia dela (estou a pensar na imagem dos miúdos de Belém onde nos aparece José da Cruz Viegas à paisana).

    Sobre os treinos, naturalmente que o horário madrugador e a ausência de transportes tal como hoje os temos, ditou que muitos dos sócios que moravam noutras zonas que não a Ajuda e Belém, não puderam comparecer. A lista que o Alberto exibe mostra que para lá dos 24 fundadores tivemos mais homens envolvidos com o Clube desde o primeiro dia. Diria mesmo, envolvidos desde antes da própria fundação. Foi um processo apaixonante que merece ser estudado e divulgado. Este texto cumpre de forma exemplar o rigor e a riqueza de conteúdo com que se deve homenagear os homens que fundaram o nosso Clube.

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  2. Belíssimo pedaço de História...

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