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14/11/2014

Julinho Para Sempre

14/11/2014 + 3 Comentários API
COMEÇAR NO TALISCA. PASSAR PELO RODRIGUES. TERMINAR NO JULINHO.


Há um aspecto positivo nas incorrecções e imprecisões da Imprensa. Dá-nos um pretexto para falar de assuntos que passariam despercebidos. Pois... Isto é ver o lado positivo do negativo.

Surpreendido por uma notícia do "Record"
À entrada para a 10.ª jornada eis que leio (não foi bem assim, mandaram-me uma digitalização para eu confirmar se estava certo, mas isso agora não interessa) que Talisca, se marcasse três golos (!!!) ao CD Nacional igualaria José Águas como o estreante pelo Benfica, no campeonato nacional, a marcar mais golos. Com o jornal "Record" a recuar até 1950/51 entende-se que José Águas será o futebolista "estreante" do "Glorioso" a acumular mais golos até à 10.ª jornada. Em 81 edições do Nacional. Só que não é assim!


Record; página 8; 9 de Novembro de 2014

Já sei o que a "casa" gasta
Os jornais desportivos em Portugal fazem das "suas verdades" verdades absolutas. Neste caso das estatísticas isso é por demais evidente. Como o "Record" teve o n.º 1 publicado em 26 de Novembro de 1949, o futebol começou para o jornal nesse dia. Só que na realidade o futebol começou em 26 de Outubro de 1863, ou seja alguns aninhos antes. E o "Glorioso" começou em 28 de Fevereiro de 1904 e o seu futebol em 1 de Janeiro de 1905. Também alguns aninhos antes. E o campeonato nacional em 0 de Janeiro de 1935. Mais uma vez alguns anos antes. Para o Record o que está para trás, para trás está! E não conta. Eu já sei o que a "casa" gasta. Mas quem não sabe ficou, ao ler o artigo, com a ideia que os melhores registos de Gloriosos Futebolistas em épocas de estreia eram aqueles. Ora não é verdade!

Só um "cheirinho"
Logo nas primeiras edições estabeleceram-se "marcas" de grande nível.
Em 1936/37 na estreia de Guilherme Espírito Santo (vindo de Luanda) no campeonato da I Liga (equiparado pela FPF a campeonato nacional, em 1939) na 10.ª jornada, o valoroso avançado-centro marcou o 11.º golo. Tinha... 19 anos, feitos em 30 de Outubro de 1938.
Em 1939/40 Francisco Rodrigues (contratado ao Vitória FC Setúbal) estreou-se pelo Benfica conseguindo marcar até à 10.ª jornada... 12 golos! Doze é maior que onze!
Em 1942/43 Julinho (transferido do Académico FC Porto) em temporada de estreia marcou na 10.ª jornada dois golos, ou seja, contabilizava 16 tentos em dez jogos!
E ficamos por aqui... por agora. Muito mais haveria a dizer (e escrever) entre 1934/35 e 2014/15.




Comparar "alhos com bogalhos"
Esta "mania" de comparar épocas diferentes sem ter em conta TODAS as temporadas é ridículo, porque induz em erro. Além disso deveria fazer-se sempre uma nota explicativa pois há enormes diferenças apesar do desporto ser o mesmo: Futebol.
Se os campeonatos de "antigamente" tivessem a duração (total de jornadas) que têm actualmente, face ao desequilíbrio entre clubes e futebol positivo (procurar o golo) que todas as equipas eram "obrigadas" (pelos associados/ adeptos) a jogar os goleadores do "antigamente", com 10/12 épocas de carreira, tinham atingido cifras de valores próximos dos milhares de golos em toda a carreira, meio milhar nos campeonatos nacionais!
É necessário perceber que em Portugal houve campeonatos que totalizaram um número de jornadas inferior a uma volta na actualidade! Foram seis os campeonatos com 14 jornadas face às 34 actuais (17 na primeira volta). E só não foram sete porque em 1939/40 foi necessário fazer um alargamento de 14 (o que estava regulamentado) para 18 à última hora (a uma semana do início da competição) para que o FC Porto não jogasse na II Divisão, pois era para esta que estava apurado e não para o primeiro escalão!

CAMPEONATO NACIONAL
(1934/35* a 2014/15)
N.º Edições
Total de Jornadas
6
14
4
18
2
22
25
26
24
30
17
34
3
38
81
TOTAIS
NOTA * Entre 1934/35 e 1937/38 denominado Campeonato da I Liga (equiparado pela Federação Portuguesa de Futebol, em 1939, a Campeonato Nacional)

O Benfica sempre teve dos melhores futebolistas a jogar em Portugal
Dos guarda-redes aos goleadores. Destes, de Luís Vieira (primeiro futebolista português a jogar no Brasil) a Cardozo, o Glorioso Futebol não tem paralelo histórico em Portugal. Se fizermos uma selecção criteriosa, com valores relativos (por exemplo "minutos necessários para marcar um golo") indexando a cada goleador a sua importância no tempo em que jogou, o Benfica "coloca" entre 65 a 70 goleadores entre os 100 melhores de sempre. Não há volta a dar. Podem esquecê-los (como faz o Record) mas nunca conseguirão fazê-los desaparecer! Mesmo que alguns sejam injustiçados, como Julinho, do qual eu - quando apenas conhecia os futebolistas pelo que a Imprensa contava - pouco mais reconhecia nele aquilo que a imagem que abre estes texto indica. O futebolista que marcara o golo que permitira a conquista da Taça Latina. O que sendo muito importante, não deixa de ser episódico e muitíssimo redutor do que Julinho conseguiu enquanto jogador no futebol português.


Julinho e as suas circunstâncias
Felizmente que quando o conheci já sabia da sua importância (real) no "Glorioso", no futebol português e no campeonato nacional. Não me lembro o dia exacto, mas lembro-me do local. Estádio da Luz no gabinete do senhor Macarrão. Ambos ainda se tinham cruzado no futebol do Benfica no início dos anos 40 sob orientação de Janos Biri. Entre finais de 1993 e 1994 numa das minhas habituais incursões a território macarrónico, um dia, diz-me o senhor Macarrão: Apresento-lhe o Julinho! Fiquei radiante. Mais uma torrente de histórias interessantes para a minha colecção. Depois de alguma troca de conhecimentos questionei-o do porquê de lhe darem muito menos importância nos media (naquele tempo, comunicação social) do que aquela que realmente tivera entre os anos 40 e o início da década de 50. Sendo um dos melhores goleadores de sempre em Portugal praticamente não se falava dele a não ser que marcara o golo aos 146 minutos da finalíssima com os Girondinos em 1950! Anuiu que também sentia isso e justificou que nunca caíra em graça junto dos jornalistas de então! Mas aquela justificação apesar de a achar sincera não me satisfazia na totalidade, haveria mais qualquer coisa por detrás até pelo modo a "tactear" como Julinho a dissera.
O tempo foi passando e eu nunca me esqueci que poderia haver mais algum pormenor que afinal se tornaria porMaior. Entre 1994 e 2010, quando faleceu, encontrei-me muito mais vezes com ele, desde o espaço macarrónico, ao camarote dos jogadores no anterior estádio e principalmente em casa dele (na rua Alfredo Keil, na Amadora "velha"), onde dificilmente não fui uma vez a cada dois anos. Principalmente para tirar dúvidas, esclarecer jogos e situações, ver fotografias do tempo do Benfica, mas também do tempo da meninice no Boavista FC e depois da afirmação no Académico FC Porto.
Num desses diálogos lembro-me de a propósito de um assunto relacionado com o facto de ser um dos melhores marcadores desde sempre no campeonato nacional - era à época o 12.º melhor entre milhares de marcadores de golos e 70 edições da competição e por duas vezes o melhor (1942/43 e 1949/50) ao alcance de poucos - mas nunca referenciado nos media. Voltei à carga: "Porquê?" Já mais à vontade e com confiança (em relação ao nosso primeiro encontro, anos antes) disse-me (cito de memória): «Sabe! Os jornalistas nunca gostaram de mim! Por isso nunca me deram grande destaque! Queriam que eu dissesse o que se passava no balneário ou como estavam as relações entre fulano e sicrano e eu negava. O que se passava dentro do Benfica ficava dentro do Benfica! Não conseguiam "tirar nabos da púcara"! Por isso também não me ligavam nem promoviam nos jornais. »

Como se fecha um ciclo?
Tinha eu feito o texto acima desenvolvido - chegou a estar programado para ser tornado público 24 horas antes - e apenas retocado depois disso, entre anteontem e ontem. Entretanto adiado um dia, pois o "assunto Rui SIC Tempo Extra Santos" passou a ser prioritário pela actualidade, eis que essa actualidade acaba por se relacionar, com assuntos tidos há 70/60 anos, nos anos 40. Como Portugal é pequeno.

Grande Julinho! Cada vez que "ouvejo" o Rui Santos lembro-me de ti. O Rui Santos é homem para ter sido jornalista no teu tempo. Ele também é "desses". Dos dessa escola! Dos bufos de balneário. Para ele serias descartável. Um pequeno futebolista. Júlio não. Mais pequenino. Julinho!

Um dia destes será feita uma evocação do Glorioso Julinho
Em 1 de Dezembro (dia do aniversário referente a 1919) ou 18 de Março (dia do falecimento referente a 2010).

Julinho em golos não é nada diminutivo. É Julão!

Alberto Miguéns
3 comentários
comentários
  1. Que tal um artigo sobre o senhor José Luís, roupeiro, funcionário do Benfica por 50 anos, falecido hoje à tarde?

    Pedro

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    1. Caro Pedro

      Se conseguir fazer um artigo que dignifique o sr. Zé Luís está bem! Para copiar via internet e ser "mais do mesmo" (apesar de ser muito mais cómodo) não vale a pena. Recuso fazer isso. que é o mais comum. Copiarem-se uns aos outros dizendo lugares comuns por vezes até com erros por ser à pressa e com pouco cuidado.

      Se conseguir falar com a família e obter dela disponibilidade, por que não?

      Mas só se for para dar dignidade ao Benfiquismo do sr. Zé Luís. Para mais do mesmo fico quietinho.

      Gloriosas Saudações Benfiquistas

      Alberto Miguéns

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  2. Ontem tive uma conversa de facebook sobre isto: A paixão de ser do Benfica e ser Benfiquista que me parecem ser duas coisas distintas (nos dias de hoje) mas deveriam ser a mesma coisa!

    Mas para isso o adepto sentir-se-ia obrigado a estudar e há quem tenha diferentes tipos de paixão.

    Alberto, o modo em como defendes o Benfica é daqueles que gosto pois gosto de saber mais coisas sobre a minha paixâo/amor extra-conjugal :)

    Em relação à tua resposta ao comentário anterior, tive a mesma opinião quando fiu um artigo sobre a finalíssima da Taça Latina. Fazer uma colagem seria sempre redutor mas necessário porque aqui na provínicia já não há muitos que se lembrem disso. Pesquisei na net e no meu baú por algo que desse (como escreves) dignidade ao assunto.

    Não sei se consegui, cada um tem o seu critério.

    Em relação ao José Luís, ele foi um dos personagens centrais do meu periodo de... "Apaixonamento" pelo Benfica, nos anos oitenta

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