A criação deste Blogue, ideia de António Melo, tem como objectivo divulgar, defender o Sport Lisboa e Benfica e a sua Gloriosa história. Qualquer opinião aqui expressa vinculará apenas o seu autor, Alberto Miguéns.

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29/04/2014

A Titularidade de Álvaro Gaspar

29/04/2014 + 2 Comentários API
OPINIÃO
Viva o Chacha! E ele vive enquanto o recordarmos como deleite - o Gaitán desse tempo - dos nossos Pais Benfiquistas dos anos 10

AVISO: Texto longo acerca da história do "Glorioso" em 1910/11. Quem não gostar de história é melhor esperar por outro dia!

ÁLVARO GASPAR
Nascimento: 10 de Maio de 1889
Primeiro jogo: Desconhecido (por enquanto)
Primeiro jogo referenciado (3.ª categoria): 20 de Dezembro de 1908 (19 anos)
Primeiro jogo na 2.ª categoria: 24 de Outubro de 1909 (20 anos)
Estreia na 1.ª categoria: 25 de Setembro de 1910 (21 anos)
Último jogo na 1.ª categoria: 1 de Março de 1914 (24 anos)
Último jogo com o "Manto Sagrado": 11 de Abril de 1915 (25 anos)
Falecimento: 3 de Setembro de 1915 (26 anos)
Funeral: 5 de Setembro de 1915 (para o Cemitério da Ajuda)

Tal como referi em 1 e 5 de Março as informações acerca do futebolista Álvaro Gaspar concentram-se entre 1910/11 e 1913/14.

1910/1911 (21 anos)


Em que época começou a jogar?
Pela Ficha de Inscrição que deve ter sido preenchida no início de 1912/13, quando Álvaro Gaspar tinha 23 anos, ele escreveu que jogava há sete anos sempre no SL Bemfica (ainda e até 1945 com mê) sem interrupções. Deve ter sido preenchida antes do início da época, pois segundo Rogério Jonet essa era a prática no Clube. Todos a preenchiam até o Capitão-Geral (treinador e organizador das equipas) Cosme Damião. Se jogava há sete anos e ininterruptamente, começou em 1905/06 ou 1906/07.


Os primeiros registos de Álvaro Gaspar nos ficheiros do Clube

1910/11 - Uma nova organização
A temporada de 1910/11 teve outra entidade a organizar o campeonato regional, a Associação de Futebol de Lisboa, fundada em 23 de Setembro de 1910. E ficou marcada pela Implantação da República em 5 de Outubro. Até os símbolos do SLB sofreriam alteração após a aprovação da nova bandeira nacional, em 19 de Junho de 1911. Deixemos isso para a época de 1911/12!
Quanto ao futebol, em 1910/11, os clubes que se inscrevessem no campeonato regional teriam de apresentar três equipas, uma para cada categoria.  foram organizadas competições para três categorias. A 4.º categoria do Clube continuou pela segunda temporada em actividade, ainda que jogando em encontros frente a categorias de clubes não inscritos no Regional ou com 4.ªas categorias de clubes inscritos. Desses sete clubes apenas o SLB conseguiu movimentar futebolistas em quantidade que permitia organizar uma quarta equipa.

PARTICIPAÇÃO NO CAMPEONATO REGIONAL
Clubes
1.ª cat
2.ª cat
3.ª cat
 SL BENFICA
2.º
V
V
 Internacional/ CIF
V
4.º
4.º
 Sporting CP
3.º
2.º
2.º
 FG Campo de Ourique
4.º
3.º
3.º
 SC Império
5.º
5.º
6.º
 Lisboa FC
6.º
6.º
5.º
 Sport União Belenense *
7.º
7.º
7.º
NOTA: * Desistiu e dissolveu-se. Em Belém só no ano de 1919 haveria de surgir um outro clube (CF "Os Belenenses")

Eclectismo e dedicações (que não se podem esquecer... mesmo cem anos depois)
O "Glorioso" era já muito mais que um clube de futebol, mesmo em termos desportivos. Com o "Manto Sagrado" corria um dos melhores ciclistas portugueses (Alberto de Albuquerque) e o melhor fundista português (Francisco Lázaro). Um clube que nascera tão "desorganizado" (em termos de dirigismo) era aquele que se apresentava com o futuro mais risonho. E com grandes dedicações. Os associados mais abonados (Conde do Restelo e dr. Meireles, respectivamente, proprietário da Farmácia Franco (em Belém) e médico que dava consultas na Farmácia) pagavam os bilhetes de comboio e alojamento (hotel) a futebolistas que por motivos profissionais foram para longe de Lisboa trabalhar. Leopoldo Mocho colocado em Portalegre viajou muitos sábados, chegando ao Rossio pela meia-noite e meia e saindo domingo às oito da noite, para estar segunda-feira de manhã nos correios de Portalegre (e depois em Arronches)! Mas como eram importantes para Cosme Damião...

Será que à porta da Farmácia Franco estão esses dois Beneméritos do "Glorioso"? O dr. António Azevedo Meireles e o 2.º Conde do Restelo, Inácio José Franco. Mesmo com o Clube a jogar em Benfica eles, em Belém, continuavam fiéis. Um bom exemplo para todas as gerações de Benfiquistas! Foto gentilmente cedida por Victor João Carocha

Álvaro Gaspar titular na 2.ª categoria e uns "pézinhos" na 1.ª equipa
A equipa de 1.ª categoria cometeu erros elementares mas que a impediram de renovar o título. A 2.ª e 3.ª categoria conquistaram os respectivos campeonatos: a 2.ª invicta (dois empates em 12 jornadas) e a 3.ª categoria (uma derrota e onze vitórias). Álvaro Gaspar foi um dos pilares da  2.ª categoria. A sua "folha de serviço oficial no Clube" regista onze (em 12) jogos no Regional, pois numa jornada foi averbada falta de comparência ao SC Império. Mas participou em outros jogos particulares da 2.ª categoria, principalmente, frente aos ingleses do Carcavellos Club, que alegando incompatibilidades de datas (os portugueses não podiam jogar ao sábado e eles não queriam jogar ao domingo) deixaram de inscrever-se no campeonato. Mas os jogos com eles continuavam a ser os mais apetecidos.


Em 2010/11: sete jogos em 1910 e 14 em 1911
Logo a abrir a temporada (a pré-época desses tempos de antanho) estreou-se na 1.ª categoria, que foi mais um misto ainda que com maioria de futebolistas habituais da 1.ª categoria). Entre aqueles que certamente eram os seus ídolos, jogou em terreno alheio (Sítio das Mouras, no Lumiar) a avançado-centro e marcou um golo ao Sporting CP (D 4-5) em 25 de Setembro de 1910. Ainda reinava D. Manuel II! Em 23 de Outubro outro misto (com mais jogadores da 1.ª que da 2.ª) num empate sem golos frente ao SU Belenense. Em 6 de Novembro a glória. Depois de na semana anterior ( 30 de Outubro) o Benfica ter feito o que não se deve fazer - jogar incompleto com nove futebolistas - ... em Carcavelos e averbar a maior derrota da Gloriosa História (0-8) a 2.ª categoria vai à Quinta Nova, derrotar igual categoria dos ingleses de Carcavelos por 1-0. Com golo de Álvaro Gaspar após solicitação (a assistência da época assim designada para não haver confusão com espectadores) de Alberto Rio.

A 2.ª categoria em 1910/11. De cima para baixo. Da esquerda para a direita. António Costa, Álvaro Vivaldo, João Cal, Jorge Rosa Rodrigues, Romualdo Bogalho e Carlos Costa; Virgílio Valente, Carlos Martins, Álvaro Gaspar, David Fonseca - com a camisola de flanela do tempo do Sport Lisboa - e Alberto Rio  (fotografia retirada da História do SL Benfica, de Mário de Oliveira e Rebelo da Silva; página 153; I volume)


Novembro e Dezembro de 1910
Entretanto iniciou-se o campeonato. Em 20 de Novembro, na Feiteira, jogou a avançado-meia-direita, numa vitória por 4-1 frente ao SU Belenense.  Em 4 de Dezembro a 2.ª jornada, frente ao Internacional, da 2.ª categoria, foi adiado por falta de condições do campo. E a 11 de Dezembro vitória por falta de comparência do SC Império do seu campo, embora por empréstimo, no Sítio das Mouras. Duas jornadas, duas vitórias. Com o campeonato a "passo de caracol" o Benfica aceitava, com agrado e reconhecimento, o desejo dos ingleses receberem o "Sempre Glorioso" na Quinta Nova. Álvaro Gaspar em 18 de Dezembro até jogou... dois encontros.  Na 2.ª categoria - só com dez futebolistas - jogou num "quarteto" de avançados, empatando a um golo. Seguiu-se o jogo da 1.ª categoria, com guarda-redes de improviso, como avançado-centro marcou o golo na derrota por 1-3. Finalmente Álvaro Gaspar atingia o topo. E ele tanto porfiou para que isso fosse possível. Entretanto chegou o Natal - 25 de Dezembro foi no domingo - e o Ano Novo, também a um domingo como é evidente!

O Chacha - 3.º a contar da da direita - em 1910/11? Talvez  (fotografia retirada da História do SL Benfica, de Mário de Oliveira e Rebelo da Silva; página 159; I volume)


A Vida do Benfica em Benfica
O início do ano de 1911 foi muito bom para Álvaro Gaspar. Sucesso na 2.ª categoria e estreia oficial no 1.º grupo num dia com dois jogos oficiais. Após 1 de Janeiro ser feriado ao domingo - não houve jogos porque houve clubes, como o Sporting CP, que se recusaram a jogar e a ceder o seu campo - o que causou irritação... O Benfica começou a ocupar as novas instalações da Sede que alugara a partir de 1 de Janeiro. Daqui só para a Baixa em 1912!

O Benfica "funcionava" no bairro de Benfica! À esquerda entre a rua Emília das Neves (que não existia, era aí a linha lateral sul) e a estrada de Benfica localizava-se o campo da Feiteira. Na extrema direita a meio da margem direita desta foto, presumo que por baixo de etiquetas do blogue, na estrada de Benfica a nova Sede (prédio que já não existe mas que eu ainda conheci quando vim viver para Benfica em 1987)
A nova Sede e um dos primeiros recibos, já em nome do presidente da Direcção eleito em 26 de Março Fotografia retirada da página 129 do Volume I da História do Benfica, de Mário de Oliveira e Rebelo da Silva
Um Grande Benfiquista que teve pouca sorte quando chegou a Presidente. Foi mais importante enquanto dirigente do que ,depois, como presidente. Foi eleito a 1.ª vez em 28 de Junho de 1908 (ainda no tempo do Sport Club de Benfica) como 2.º Secretário da Mesa da Assembleia Geral. Em 1909 (26 de Fevereiro) e 1910 (2 de Fevereiro) continuou nos órgãos sociais como Secretário da Direcção. Em 26 de Março de 1911 sucedeu a João José Pires como presidente da Direcção, mas por motivos profissionais foi obrigado a ausentar-se de Lisboa pedindo a exoneração do cargo em Julho de 1911. Em 31 de Março de 1912 regressou, sendo eleito Tesoureiro da Direcção. O que lhe interessava era servir o Clube. E serviu-o bem! Fazia parte da burguesia comercial de Benfica - tal como João José Pires - sendo o fundador do Calçado Guimarães que ainda (r)existe. A loja actual fica em frente à antiga baliza Este do campo da Feiteira, embora do outro lado da estrada de Benfica (onde estava a famosa casa do general Lobo Antunes). É ainda neste estabelecimento que compro os meus sapatinhos!
A tal baliza Este. Ao fundo a casa do Oficial de Cavalaria General António Lobo Antunes e a sua esposa de origem germânica Eva Futsher de Figueiredo (avós dos Lobo Antunes, António, João e Miguel, Benfiquistas). É onde estava essa casa que está a Sapataria Calçado Guimarães! O Mundo é pequeno! Ainda conheci o filho do general e pai dos Lobo Antunes, João Alfredo Figueiredo Lobo Antunes (1915 - 2004) médico ilustre e antigo hoquista do SLB que me ajudou a fazer a história dos primeiros anos do hóquei e da patinagem do Benfica bem de como era o bairro de Benfica antes da II Guerra Mundial. Bairro onde ele viveu sempre, no quarteirão entre a rua dos Arneiros e a travessa Vintém das Escolas até falecer em 10 de Junho de 2004


Janeiro de 1911

O campeonato reiniciou-se em 8 de Janeiro. Álvaro Gaspar jogou a 4.ª jornada por duas vezes frente ao FG Campo de Ourique. Primeiro como extremo-direito na vitória por 7-0 e a seguir na 1.ª categoria como avançado-meia-direita na vitória por 3-0. Esta posição (avançado-meia-direita) corresponde mais tarde ao interior-direito (quando os treinadores começaram a recuar os dois avançados-meia-ponta para o meio-campo na famosa táctica WM, criada em meados dos anos 20 por Herbert Chapman treinador do Arsenal FC). De "regresso a Álvaro Gaspar" em 15 de Janeiro, na meia-direita, da 2.ª categoria realiza-se a 5.ª jornada com o Lisboa FC, numa vitória por 4-0. Em 22 de Janeiro, sem jogos para o Regional o "Glorioso" as duas categorias foram à Quinta Nova, com Álvaro Gaspar na 1.ª como avançado-centro a marcar o golo (D 1-2) e na 2.ª como avançado-meia-direita a contribuir para uma vitória por 2-1. Não voltaria, em 1910/11 a jogar na 1.ª categoria. 

O famoso (mas pouco falado e explicado) WM. Talvez a maior revolução táctica do futebol. Em 150 anos! Legenda (posições em português): Keeper - Guarda-redes; Fullback - Defesas; Halfback - Centrocampista; Inside Fo(r)ward - Interiores; Winger - Pontas ou extremos; Centre Fo(r)ward -Avançado-centro
Em 29 de Janeiro, um dia de Glória (um de muitos) frente ao Sporting CP no seu campo
À 6.ª jornada (última da 1.ª volta) atingia-se uma jornada considerada por Cosme Damião decisiva para conquistar, pela 2.ª vez consecutiva, os três títulos. A 2.ª e 3.º categoria seguiam na liderança com o Sporting CP. A 1.ª categoria "corria atrás dos pontos" depois de uma impensável derrota, por 2-3, na 1.ª jornada frente ao SU Belenense e na 2.ª jornada, um empate, sem golos, na Feiteira frente ao líder Internacional. Num dia de intempérie com muita chuva e vento, no Sítio das Mouras, no Lumiar, a 3.ª categoria vence por 5-1. Segue-se a 2.ª categoria, com Álvaro Gaspar (meia-direita) a contribuir para o empate sem golos. A 1.ª categoria repetiu a 3.ª e aplicou 5-1 ao Sporting CP, "beneficiando" do facto de alguns futebolistas do Sporting CP estarem preocupados com constipações e febres devido à intempérie!

Um dos mais fiéis adeptos do Clube, Bernardino Costa, proprietário de uma loja de "bric-à-brac" (antiguidades) em Belém para incentivar o jogo em Carcavelos, prometeu ao SLB que ofereceria esta magnífica peça que embelezava a montra do estabelecimento se o Benfica vencesse em 19 de Fevereiro de 1911 os ingleses. E assim foi! Quantas vezes não fui eu à Sala de Taças na Secretaria da rua Jardim do Regedor para o ver. Tantas e tão boas. Até que lhe tirei uma foto em 1996. Já no saudoso Estádio da Luz. Há quase 20 anos! Bronze sobre vermelho

Uma Gloriosa Equipa. A que venceu por 1-0 o Carcavellos Cricket & Football Club na Quinta Nova. De cima para baixo. Da esquerda para a direita. Luiz Vieira, Henrique Costa, Alfredo Machado, Francisco Belas, Cosme Damião (capitão) e Artur José Pereira; Germano Vasconcelos, António Bernardino Costa (marcou o golo), José Domingos Fernandes, Carlos Homem de Figueiredo e Virgílio Paula Como o prometido é devido o Bronze foi entregue por Bernardino Costa (pai do futebolista que marcou o golo!) ao Clube. Encontra-se exposto no Museu Benfica Cosme Damião NOTA: Artur José Pereira era seis meses mais novo que o Chacha e Virgílio Paula, avô materno de José António Saiva (Director do semanário "Sol" e ex-jornal "Expresso") era ano e meio mais novo. Eram titulares da 1.ª categoria e Álvaro Gaspar (ainda) não. Mas seria o Chacha a ficar no coração dos Benfiquistas!

Fevereiro de 1911
Em 5 de Fevereiro não há notícia de jogos. O campeonato cumpriu a 7.ª jornada, primeira da segunda volta, no domingo seguinte, em 12 de Fevereiro. A 2.ª categoria com Álvaro Gaspar (meia-direita) dizimou, por 9-0, o Sport União Belenense. Em 19 de Fevereiro o Benfica regressou a Carcavelos para uma jornada de Glória. A 2.ª categoria venceu por 2-1 com o tento da vitória obtido aos 89 minutos. Seguiu-se a 1.ª categoria. Um jogo estrondoso permitiu a 3.ª vitória sobre os "mestres ingleses do Cabo Submarino". Por 1-0! Depois de 10 de Fevereiro de 1907 (V 2-1 na Quinta Nova) e 23 de Janeiro de 1910 (V 1-0 na Quinta da Feiteira) a terceira vitória. Com o SLB a ser o único clube, em Portugal, a vencê-los. Não uma mas três vezes, as duas primeiras em jornadas do campeonato regional e a terceira num jogo combinado com os ingleses em 22 de Janeiro. Temos, pois, que a jornada de Carcavelos foi brilhante e gloriosa para o Benfica. Para marcar bem o efeito da dupla vitória, contra os “mestres ingleses” de Carcavelos, e do reflexo que ela teve, as opiniões expressas nos jornais de maior projecção nacional, levaram o feito a todo o país. O Benfica engrandecia-se já por todo o Portugal. Foi a segunda vitória na Quinta Nova, depois de 1907! Em 26 de Fevereiro não houve jogos por ser Domingo Gordo, com o dia de Carnaval em 28 de Fevereiro, dia do Glorioso 7.º aniversário. Sete anos! Apenas! E já tão gigante o SLB.

Álvaro Gaspar na Feiteira, nos 8-0, ao SC Império, em 19 de Março de 1911, na 9.ª jornada do Regional  (fotografia retirada da História do SL Benfica, de Mário de Oliveira e Rebelo da Silva; página 160; I volume)

Março e Abril de 1911
A 8.ª jornada realizou-se em 5 de Março, num confronto com o Internacional, importante para as decisões finais no campeonato regional. Álvaro Gaspar na meia-direita foi decisivo - marcou um golo, o primeiro - no empate a dois golos. Em 12 de Março não se realizaram jogos, mas no domingo seguinte (19 de Março) na 9.ª jornada, frente ao SC Império, a 2.ª categoria com Álvaro Gaspar na meia-direita aplicou 8-0. Mesmo com chuva intensa durante os 90 minutos. Infelizmente ainda não descobri quantos golos marcou o "Chacha". O 26 de Março foi dia eleitoral no clube, com a eleição dos órgãos sociais que tomaram posse em 2 de Abril. E a 2.ª categoria venceu o FG Campo de Ourique, com Álvaro Gaspar como avançado-centro, nesta 10.ª jornada. Em 2 de Abril não encontrei jogos da 2.ª categoria, mas o 9 de Abril deu que falar. Na Feiteira, jogou-se a 11.ª jornada com recepção ao Lisboa FC, com três vitórias em três jogos, num total de 36-0 em golos: 3.ª categoria (V 6-0), 2.ª categoria (V 15-0) e 1.ª categoria (V 15-0). A "terceira do Glorioso" portou-se "mal" : Faltaram mais nove golos para o "quinjeazero"! Álvaro Gaspar jogou pela 2.ª categoria, estreando-se na "meia-esqueda" e deve ter marcado uma meia-dúzia. Os jornais da época escrevem que o Benfica fez o 16.º golo mas o árbitro tinha pressa de acabar com o jogo e alegou que já tinha dado o jogo por terminado quando a 16.ª entrou na baliza do Lisboa FC. Seguiu-se a 12.ª jornada, em 16 de Abril, domingo de Páscoa, com vitória por 1-0 com o Sporting CP. Álvaro Gaspar continuou na meia-esquerda num encontro realizado no campo do Lisboa FC, na Quinta dos Castelos, no Campo Grande que depois seria 28 de Maio (quando por lá jogou o Sporting CP) e Estância de Madeiras (quando o Benfica o utilizou entre 1941 e 1952 e chegou a ter uma placa de mármore com a figura de Álvaro Gaspar em bronze)! Seguiu-se um interregno de jogos, para a 2.ª categoria, apesar de estar em atraso a 2.ª jornada que deveria ter sido disputado em 4 de Dezembro de 1910. E assim continuava por atribuir o título regional para a 2.ª categoria.


A 2.ª categoria que venceu o Sporting CP em 16 de Abril de 1911. A equipa alinhou - em cima os seis: guarda-redes, dois defesas e três médios - com (em cima, da esquerda para a direita): Mário Monteiro (3.º); Romualdo Bogalho (5.º) e Carlos Júlio Costa (1.º); Marcial Freitas e Costa (6.º), Álvaro Vivaldo (4.º) e António Silva Marques (2.º); Em baixo os cinco avançados: Florindo Dias Serras, Francisco d’ Oliveira Franco, David José da Fonseca, Álvaro Gaspar e Alberto Rio (alinhados pelas posições em campo). David Fonseca sempre com a camisola de flanela do Sport Lisboa era um veterano. Nascido em 27 de Junho de 1879 (quase com 32 anos) era dez anos mais velho que Álvaro Gaspar. Alberto Rio nasceu em 21 de Agosto de 1894. Cinco anos mais novo que Álvaro Gaspar, chegou a titular da 1.ª categoria, em 1911/12, mais cedo que o Chacha! Este apenas em 1912/13 Fotografia retirada da página 7 de "Os Sports Ilustrados" n.º 45, em 22 de Abril de 1911

Bicampeão Regional
Finalmente em 14 de Maio a 2.ª categoria na Feiteira vence, por 1-0, o Internacional e sagra-se campeã regional renovando o título conquistado na temporada anterior. Álvaro Gaspar alinhou como avançado-meia-esquerda, apesar de ser difícil de afirmar que fosse esta a sua posição visto o Benfica ter alinhado com nove futebolistas, jogando com dois médios e quatro avançados, em vez dos "normais" três médios e cinco avançados.

O que diz Mário de Oliveira de Álvaro Gaspar na temporada de 1910/11?
Algumas referências importantes. Na página 147: «Em 6 de Novembro, tivemos uma ligeira compensação em Carcavelos - o nosso segundo grupo bateu igual categoria dos ingleses, por 1-0. O ponto foi marcado por Álvaro Gaspar, ao aproveitar uma bola deixada para remate por Alberto Rio, com um acerto digno de elogio». E na página 157: «Seguiu-se, pois, o dia 29 de Janeiro, com nova série de desafios entre as nossas equipas e as do Sporting. Em segundas categorias, o desafio mereceu a classificação de um dos melhores da época no respectivo campeonato. Lutou-se com valentia e entusiasmo, e a exibição atingiu bom nível, se tivermos em conta o estado em que o campo se encontrava. Os avançados benfiquistas esforçaram-se grandemente por alcançar a vitória, principalmente David da Fonseca e Álvaro Gaspar. A despeito de todos os esforços, não houve maneira de bater a defesa "leonina"».

Terminada a época 2010/11 para Álvaro Gaspar chegava a consagração em 2011/12. Fica para amanhã!

Alberto Miguéns


NOTA FINAL: Por dificuldades técnicas - impossibilidade por excesso de informação - para que resulte com eficácia (publicar fotografias e documentos a ilustrar os textos) "A Vida Desportiva de Álvaro Gaspar Numa Dúzia de Datas" está programada para os seguintes dias (coincidindo com efemérides relativas à relação d Álvaro Gaspar com o Clube):

PUBLICADO
1.       01.Mar.2014       O Último Jogo;
2.      05.Mar.2014      O Debutante;
3.      16.Mar.2014       O Crescimento;
4.      30.Mar.2014      A Resistência;
5.      09.Abr.2014       O Triunfo;
6.      10.Abr.2014       O Reservista;
7.      29.Abr.2014       A Titularidade;

A PUBLICAR
8.      30.Abr.2014       A Ficha;
9.      05.Mai.2014       O Brasil;
10.    10.Mai.2014       A Derradeira Glória;
11.     03.Set.2014        A Última Época;
12.     05.Set.2014        O Legado  

Aquando do 100.º aniversário do seu falecimento, em 3 de Setembro de 2015, conto fazer um "Especial" que junte os 12 textos e mais algum ou alguns se entretanto os tiver feito!
2 comentários
comentários
  1. uma maravilha este texto.
    obrigado alberto.

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  2. Foi um caminho gradual e de grande preserverança. A ficha de Álvaro Gasar revela bem a fibra deste homem. Trágico destino que matou o homem e extingiu o jogador quando um ano antes estaria na plenitude das suas capacidades.

    Mas nota-se em outros detalhes e jogadores como era duro chegar à primeira categoria. O caso de David da Fonseca um notabilissimo jogador das primeiras equipas de 1904 a 1907 é exemplar. Eu pensava que pela idade (que naquela época teria outro peso dadas as condições de vida) ou pelo trabalho, ele não teria tido mais possibilidade de ir aos treinos e por isso jogar. Cosme era pelo que percebi um ferveroso apologista das virtudes de treino para o aprimoramento individual e colectivo (o seu livro terá sido o primeiro em Portugal quanto à metodologia de treino e as exigências aos futebolistas). Mas voltando a David da Fonseca, afinal não. Afinal jogou bastante na segunda categoria. Humildemente presumo eu, por amor à camisola... literalmente. Fantástico esse detalhe que não lhe escapou, Alberto. Todo o artigo mostra como naqueles primeiros anos a mística era intensa. Como tudo o que aconteceu e no contexto da época em que múltiplos clubes apareceram e extinguiram-se (Império, Ajudense, Sport União Belenense, Gilman, Cruz Quebrada, Campo Ourique, Cruz Negra) o mais certo era o Sport Lisboa também soçobrar.

    Mas não! Só a fibra dos homens, a intensa mística que cresceu a partir de vivências intensas, de enormes amizades, de competição cerrada, ambição desportiva e paixão pelo jogo, pode explicar a sobrevivência. Com vizinhos ricos e invejosos, Cosme e companheiros resitiram e fizeram florescer este maravilhoso clube a que tanto me envaidece pertencer. E Álvaro Gaspar pelo talento e pelo trágico destino foi um verdadeiro prícipe. Honra e memória a este jogador. Notável o que o Alberto está a fazer para dar a conhecer o lugar que este homem e jogador tiveram no coração dos Benfiquistas.

    Todo o artigo é um prazer enorme de leitura e uma excelente lição da história Benfiquista.

    Deixo também uma nota para a fotografia da Farmácia Franco, que era conhecida por uma minoria mas que recentemente foi possível obter numa qualidade bem melhor. É a mais antiga fotografia desse lugar mítico que eu conheço. Mas não só. Tal como o Alberto indica tem o detalhe único, precioso, de provavelmente ter imoortalizado os dois sócios beneméritos do Sport Lisboa. A fotografia tradicionalmente usada tem agora uma muito melhor sucessora, mais antiga, mais bonita, aberta e provavelmente com duas figuras Benfiquistas notáveis representadas.

    Um bem-haja por este excelente artigo!

    Saudações Benfiquistas
    VJ

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