A criação deste Blogue, ideia de António Melo, tem como objectivo divulgar, defender o Sport Lisboa e Benfica e a sua Gloriosa história. Qualquer opinião aqui expressa vinculará apenas o seu autor, Alberto Miguéns.

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23/07/2013

30 THL'S?! Antes Pelo Contrário...

23/07/2013 + 14 Comentários API


OPINIÃO

NOTA INICIAL (feita depois de concluído o texto na sua totalidade): Não queria, mas deixei-me "envolver" pela história do Benfica. Quem resiste a uma história gloriosa!? Melhor que "comer cerejas"! Resultado!? Texto demasiado longo para o que se espera de um blogue!

Não é possível fazer o historial desenvolvido da Taça de Honra de Lisboa (THL). Não é do âmbito deste blogue e seria maçador (ainda que enriquecedor e interessante) desenvolver tal assunto. Deveria ser a Associação de Futebol de Lisboa (AFL) ou os media a fazerem esse historial. Ao EDB "compete" mostrar a grandeza do Benfica, que ainda é, mesmo numa "conjuntura futebolística - e desportiva - desfavorável", a melhor maneira de defender o "Glorioso"!

O treinador Elek Schwartz ergue a Taça de Honra de 1964/65, conquistada em 9 de Setembro de 1964, após vitória por 7-1, no estádio do Restelo, frente ao CF "Os Belenenses" numa composição fotográfica (penso que do enorme fotógrafo benfiquista Roland Oliveira), tendo atrás os Benfiquistas nas gloriosas bancadas do estádio da Luz
Quase cem anos de uma competição histórica
Entre a estreia do Benfica na competição, na vitória por 7-0, com o GS Cruz Quebrada, em 9 de Maio de 1915 e o empate sem golos com o CF "Os Belenenses" em 21 de Julho de 2013, distam mais de 98 anos e um total de 86 jogos (com 54 vitórias e 187 golos marcados) frente a equipas de 13 clubes adversários.

SL BENFICA NA TAÇA DE HONRA DE LISBOA (1914/15 – 2013/14)

Adversários
J
V
E
D
GM
GS
TOTAIS
86
54
13
19
187
95
Sporting CP
28
13
4
11
42
38
CF “Os Belenenses”
23
14
4
  5
43
25
Atlético CP
11
  8
2
  1
33
11
GD Estoril Praia
  6
  4
1
  1
17
10
Clube ORIENTAL de Lisboa
  4
  4
-
  -
15
  1
Clube INTERNACIONAL de Futebol
  3
  2
1
  -
10
  2
IMPÉRIO Lisboa Clube
  2
  1
-
  1
2
  3
Vitória FC (Setúbal)
  2
  2
-
  -
5
  1
Casa Pia AC
  2
  1
1
  -
3
  2
CF Estrela Amadora
  2
  2
-
  -
5
  2
Grupo Sport CRUZ QUEBRADA
  1
  1
-
  -
7
  0
CHELAS Futebol Clube (1)
  1
  1
-
  -
4
  0
SCU Torreense
  1
  1
-
  -
1
  0
NOTA: A fusão do Chelas FC, Marvilense FC e GD “Os Fósforos”, em 8 de Agosto de 1946 deu origem ao COL (Oriental)

Uma competição, três fases, quatro clubes vencedores
Podemos dividir a competição em três períodos. O primeiro disputado durante oito temporadas, entre 1914/15 e 1921/22, em seis edições, pois em 1918/19 e 1920/21, não se disputou, com três vencedores: Sporting CP (3), SL BENFICA (2) e Império LC (1). Depois uma edição "isolada" em 1947/48, conquistada pelo Sporting CP. Finalmente a última fase, iniciada em 1959/60 e que teve no último domingo "mais um capítulo", interrompida por sete vezes, na última (a mais recente) num longo hiato de 19 (!) temporadas. Muito por "culpa" do Benfica! Nesta fase (1959/60 - 2013/14) disputaram-se 30 edições contemplando três clubes vencedores: SL BENFICA (16), Sporting CP (8) e CF "Os Belenenses" (6).

VENCEDORES DA THL
Clubes
N.º edições
SL BENFICA
18
Sporting CP
12
CF "Os Belenenses"
  6
Império LC
  1
TOTAIS
37

Uma taça para "alongar"
A Taça de Honra de Lisboa foi criada, pela AFL, na temporada de 1914/15 para "completar" a época futebolística que continuava muito curta, jogada em exclusivo com competições regionais apesar de já existir, desde 31 de Março de 1914, a Federação Portuguesa de Futebol (então denominada União Portuguesa de Futebol, designação até 28 de Maio de 1926, quando passou a FPF). Há quem diga - na época - que a Taça de Honra de Lisboa só teve prolongamento no tempo (até 1921/22) porque a FPF "nunca quis" organizar o campeonato nacional, apesar de tal desígnio constar dos Estatutos de 1914, onde entre vários artigos que definiam a sua existência estava escrito: «Organizar o campeonato de Portugal» (6.º ponto do artigo 3.º). Campeonato "verdadeiro" só em 1934/35 (20 anos depois)! E mesmo "imitação" de campeonato só em 1921/22 (oito anos depois!)

Uma equipa fotografada em Madrid no final da época de 1921/22 muito próxima daquela que conquistou a 6.ª THL (2.ª para o SLB). Apenas o guarda-redes não é o mesmo, pois Francisco Vieira foi o guardião frente ao Vitória FC Setúbal e não Luís Caldas (Chiquinho não obteve autorização do patrão para ir de comboio a Madrid!) Para Espanha o SLB ainda conseguiu levar um suplente (Alfredo Mengo), caso houvesse um acidente ou doença que impedissem o Benfica de se apresentar com onze em campo. Mesmo com um jogador (José Pimenta era militar) a só poder viajar no comboio do dia seguinte chegando a Madrid no dia do jogo! Da esquerda para a direita. Em pé: Fernando Jesus, José Pimenta, Joaquim Belford, Ribeiro dos Reis, Vítor Gonçalves (capitão), Alberto Augusto e Fausto Peres; Em baixo: Alfredo Mengo (suplente), José Bastos, Mário de Carvalho, José Simões e Luís Caldas (guarda-redes). Fotografia digitalizada da página 459 da colossal obra de dois Benfiquistas, Mário de Oliveira e Rebelo da Silva "História do Sport Lisboa e Benfica 1904-1954. Como é possível a AFL atribuir a conquista da Taça de Honra ao Sporting CP quando foram "estes homens" que depois de derrotarem, por 2-1, o SCP (na meia-final) venceram, por 3-1, o Vitória FC Setúbal, na final?! Que falta de senso na AFL!

Uma taça, um torneio de final de temporada
As primeiras seis edições da Taça de Honra de Lisboa disputaram-se no final da temporada depois de estar apurado o campeão regional. E de certo modo a THL substituía o pioneiro torneio de futebol dos Jogos Olímpicos Nacionais, que foi disputado entre 1909/10 e 1912/13, entre os dois primeiros classificados do campeonato regional. Regressando à THL. Após terminar o Regional (a pontuar)  os clubes interessados inscreviam-se na THL (a eliminar). Na primeira edição (1914/15) da THL inscreveram-se cinco clubes. Entre os seis clubes que tinham jogado o campeonato regional, apenas o Internacional (CIF) - 6.º e último classificado em 1914/15, campeão regional em 1910/11 - não apresentou a inscrição. O Sporting CP campeão regional pela primeira vez em 1914/15 ficou isento, com apuramento directo para as "meias-finais". Emparelharam-se os outros quatro clubes em dois jogos: SL Benfica/ 2.º no Regional (V 7-0) GS Cruz Quebrada/ 5.º no Regional e Lisboa FC (4.º) venceu, por 2-1, o SC Império (3.º). Coube ao SL Benfica ficar apurado para a final, enquanto o Lisboa FC defrontou o Sporting CP, com vitória deste e consequente apuramento para a final, que venceria. Isto tudo para mostrar que devido ao número de clubes ser arbitrário (depender das inscrições) o número de jogos, em cada edição, variava até serem apurados os dois finalistas. Uma nota para o facto de dois adversários com confronto directo nesta primeira edição de 1914/15 (Lisboa FC e SC Império) no defeso do 1917 terem feito uma fusão, surgindo dela o Império Lisboa Clube, que conquistaria a 4.ª edição da THL, em 1917/18. Uma fusão resultante de uma adaptação ao facto do Sporting CP ter "tirado" ao Lisboa FC o campo de jogos do... Campo Grande para onde o Sporting CP foi jogar - por José de Alvalade ter saído de associado do SCP em 1916, inutilizado o anterior campo do SCP na Sítio das Mouras. O Sporting CP jogou nesse espaço do Campo Grande entre 1917 e 1937 (rebaptizando-o como "Campo 28 de Maio" depois de 1926) e que em 1941 - com inauguração em 5 de Outubro para fazer "pirraça" ao 28 de Maio do Sporting - seria o campo do Benfica, a famosa "Estância de Madeiras"! A história dá muitas voltas. E o Sporting também!

A taça que não queria nada connosco...
Como a história vai longa (e não é isso que interessa) resta dizer que a THL para o Benfica foi durante as primeiras edições uma "pedra no sapato". Um misto de azar e displicência inviabilizaram a conquista do troféu até 1919/20, quando ao Regional o "Glorioso" juntou uma "dobradinha"... regional! Para trás tinham ficado três edições "atravessadas": em 1915/16 e 1916/17 como campeões regionais perderam-se duas finais com o Sporting CP, respectivamente 3.º e 2.º classificado no Regional; e em 1917/18 uma eliminação "escandalosa" do Benfica (tricampeão regional de Lisboa e hegemónico com sete títulos em nove épocas) aos "pés" do Império LC... 3.º classificado no Regional, que depois venceria, na final, o Sporting CP (2.º lugar no Regional). Inolvidável época de um clube fundador (de verdade e não "martelado"), enquanto SC Império, da Associação de Futebol de Lisboa. Um emblema que já não existe! Após este texto, numa NOTA FINAL, a homenagem do EDB a um gigante, pioneiro do futebol português, que se afundou e desapareceu incapaz de resistir às mudanças.

PARTICIPAÇÕES DO SL BENFICA NA TAÇA DE HONRA LISBOA
Fase 1
Época
Cl.
APURAMENTOS

FINAL
(vencedor)
Res.
Adversário
S
Res.
Adversário
S
1914/15
2.º
V 7-0
GS Cruz Quebrada
C
D 1-3
Sporting CP
C
1915/16
2.º
V 4-1
Internacional/ CIF
C
D 0-1
Sporting CP
F
1916/17
2.º
Isento
D 1-4
Sporting CP
C
1917/18
1/2
D 0-3
Império LC
N
(Império LC)
1919/20
V
V 2-0
Império LC
N
E 1-1
V 5-0
Internacional/ CIF
N
V 2-0
Vitória FC Setúbal
N

1921/22

V
V 4-0
Chelas FC
N


V 3-1


Vitória FC Setúbal


N
E 2-2
V 1-0
Casa Pia AC
C
F
V 2-1
Sporting CP
F

O "capitão dos capitães" Coluna ergue a Taça de Honra de Lisboa, em 1967/68, conquistada em 4 de Setembro de 1967, após derrotar por 6-0 o Atlético CP no estádio José Alvalade

Um edição episódica em 1947/48
Quando o campeonato regional (ou distrital) de Lisboa, em 1946/47, deixou de contar com os melhores clubes pois estes integraram, em 1947, a I e II Divisões Nacionais que passou a ser constituída por um "quadro fixo de clubes com promoções e despromoções", a AFL tentou manter os principais clubes filiados a competir a nível regional, (re)activando a extinta, desde 1921/22 - que passou a suspensa - Taça de Honra de Lisboa, mas numa fórmula igual às anteriores 41 edições do Regional, ou seja "a pontuar, todos contra todas, em duas voltas". Percebeu-se que seria impraticável face aos compromissos nacionais: Campeonatos Nacionais e Taça de Portugal.

Fase 2
1947/48
Adversários
Jor.
S.
Res.
Res.
S.
Jor.
CF “Os Belenenses”
1
F
V 3-1
D 1-2
C
6
GD Estoril Praia
2
C
V 5-2
D 0-2
F
7
Sporting CP
3
C
E 3-3
D 1-3
F
8
Atlético CP
4
F
E 1-1
V 4-2
C
9
Clube Oriental Lisboa
5
C
V 7-0
V 3-0
F
10
NOTA: SL Benfica em 2.º lugar com 22 pontos (5V - 2 E - 3 D);
Sistema de pontuação: V = 3p, E = 2p, D = 1p e DFC (falta de comparência) = 0p

A Taça de Honra em 1962/63, depois de uma vitória, por 3-1, com o Atlético CP, no estádio do Restelo, em 15 de Setembro de 1962. Da esquerda para a direita. Em cima: Rita (guarda-redes), Cavém, Humberto Fernandes, Fernando Cruz, Raul e Ângelo; Em baixo (avançados): José Augusto, Santana, Eusébio, Coluna (capitão) e Simões. Golos de Coluna (28 e 31 minutos) e Santana (42 minutos). Mais uma!

Uma taça, um torneio de início de temporada
Passado um interregno de onze temporadas (1948/49 a 1958/59) a AFL decidiu criar um torneio "modelo Taça Latina": duas meias finais para apurarem os clubes a jogar no dia seguinte, para a conquista do troféu (entre os vencedores) e para o 3.º lugar (entre os vencidos). E disputada no início das temporadas em jeito de preparação - tipo pré-época - dos "quatro clubes filiados na AFL melhor classificados no campeonato nacional da I Divisão da temporada anterior". O resto é história como se pode ver no quadro seguinte. Mas, ainda haverá mais três "textinhos", para "assuntos merecedores"!

Fase 3
Época
Cl.
Meias-finais
3.º/4.º lugar
FINAL
(vencedor)
Res.
Adversário
S
Res.
Adversário
S
1959/60
3.º
D 0-1
CF “Os Belenenses”
N

(CF “Os Belenenses”)
V 1-0
Atlético CP
N
1960/61
3.º
D 0-5
CF “Os Belenenses”
N

(CF “Os Belenenses”)
V 4-3
Sporting CP
N
1961/62
2.º
V 3-1
Atlético CP
C
D 0-3
Sporting CP
N
1962/63
V
V 4-0
Sporting CP
N
V 3-1
Atlético CP
N
1963/64
2.º
V 1-0
CF “Os Belenenses”
F
D 0-3
Sporting CP
N
1964/65
V
V 3-0
Sporting CP
N
V 7-1
CF “Os Belenenses”
F
1965/66
2.º
V 4-3
CF “Os Belenenses”
F
D 1-2
Sporting CP
N
1966/67
V
V 3-2
Atlético CP
N
V 2-0
Sporting CP
N
1967/68
V
V 3-1
Sporting CP
C
V 6-0
Atlético CP
N
1968/69
V
V 2-1
CF “Os Belenenses”
F
V 3-0
Sporting CP
N
1969/70
2.º
V 2-1
Atlético CP
N
E 1-1
Dpc
CF “Os Belenenses”
F
1970/71
4.º
D 0-1
CF “Os Belenenses”
F

(Sporting CP)
D 1-2
Atlético CP
N
1971/72
V
V 2-1
Sporting CP
N
V 4-1
CF “Os Belenenses”
F
1972/73
V
V 3-0
CF “Os Belenenses”
F
E 1-1
Vgp
Atlético CP
N
1973/74
V
Nota 1
1974/75
V
V 5-1
CF “Os Belenenses”
F
V 1-0
Sporting CP
N
1975/76
2.º
Nota 2
1977/78
V
V 1-0
CF “Os Belenenses”
F
E 0-0
Vgp
Sporting CP
N
1978/79
V
E 0-0
Vgp
CF “Os Belenenses”
F
V 2-1
Sporting CP
N
1979/80
V
V 5-1
GD Estoril Praia
C
V 3-2
CF “Os Belenenses”
N
1981/82
V
E 1-1
Vgp
CF “Os Belenenses”
F
V 1-0
GD Estoril Praia
N
1983/84
V
V 5-4
GD Estoril Praia
N
V 1-0
CF “Os Belenenses”
F
1984/85
2.º
V 2-1
CF “Os Belenenses”
C
D 1-2
Sporting CP
N
1985/86
V
E 0-0
Vgp
Sporting CP
N
V 1-0
CF “Os Belenenses”
F
1987/88
V
V 1-0
Sporting CP
C
V 2-0
Clube Oriental Lx
C

1989/90

3.º
E 1-1
D gp
Sporting CP
C

(CF “Os Belenenses”)
V 4-2
CF Estrela Amadora
N
1990/91
2.º
V 1-0
CF Estrela Amadora
N
D 0-1
Sporting CP
C
1991/92
2.º
V 1-0
SCU Torreense
C
D 0-1
Sporting CP
F
1993/94
NP                                                                (CF “Os Belenenses”)
2013/14

3.º
D 1-2
Sporting CP
N

(Sporting CP)
Vgp
CF “Os Belenenses”
N


NOTA 1: Em 1973/74, torneio com três jogos (numa volta) a pontuar: vitória (dois pontos) e empate (um ponto)

Jor.
Res.
Adversário
S.
1
V 3-1
Clube Oriental Lx
C
2
V 3-2
CF “Os Belenenses”
N
3
V 1-0
Sporting CP
N

Em 1973/74, na 22.ª edição a AFL e os clubes filiados tentaram melhorar a capacidade de atracção da competição, para aumentar o numero de espectadores, com jornadas a pontuar, tendo dois jogos por dia em três jornadas disputadas em três estádios: Luz, Alvalade e Restelo. Não deu os resultados pretendidos, voltando-se ao "modelo Taça Latina" em 1974/75.

NOTA 2: Em 1975/76, torneio com quatro jogos (numa volta) a pontuar: vitória (dois pontos) e empate (um ponto)

Jor.
Res.
Adversário
S.
1
D 0-1
CF “Os Belenenses”
N
2
E 1-1
GD Estoril Praia
N
3
V 4-2
Sporting CP
N
4
V 8-0
Atlético CP
N

Em 1975/76, na 24.ª edição a AFL e os clubes filiados tentaram melhorar o "modelo de 1973/74" aumentando o número de clubes (de quatro para cinco) e mais uma jornada (de três para quatro) com um clube a "folgar" precisamente na jornada (dupla) disputada no seu estádio! O Benfica jogou na Amoreira (com CF "Os Belenenses"), Tapadinha (com GD Estoril Praia), Restelo (com Sporting CP) e Alvalade (com Atlético CP). Um horror!


Em 10 de Outubro de 1981 a conquista da Taça de Honra de Lisboa da temporada 1981/82. Da esquerda para a direita. De cima para baixo: Carlos Pereira, Paulo Campos, Alberto Bastos Lopes, Jorge (guarda-redes), Filipovic e José Luís; Frederico, António Bastos Lopes (capitão), Veloso, Folha e César. Vitória por 1-0 frente ao Atlético CP no estádio do Restelo, com um golo do defesa-esquerdo Carlos Pereira, aos 60 minutos. O capitão António Bastos Lopes jogou a defesa-direito, Veloso a médio-centro e o avançado Paulo Campos entrou ao intervalo para o lugar de Reinaldo, titular no onze inicial
1993/94: Falta de comparência (no torneio)... justificada
Depois do chamado "verão quente de 1993" o presidente do SCP "exigiu" a reactivação da Taça de Honra de Lisboa. O "verão quente" ocorreu quando o presidente Sousa Cintra do Sporting CP aliciou os futebolistas do Benfica "levando" dois: Paulo Sousa (o importante) e Pacheco (o acessório) para reforçar o SCP e enfraquecer o Benfica, ou como ele disse (cito de memória): "um dia quando passar de carro pela Segunda Circular a caminho de Alvalade hei-de ver o estádio da Luz fechado a cadeado!" Sousa Cintra cujo clube conquistara a THL em 1991/92, exigiu que ao contrário de 1992/93 (em que não houve THL), em 1993/94 tinha de regressar a Taça de Honra que para ele (volto a citar de memória) era "o troféu mais bonito que há em Portugal"! E fizeram-lhe a vontade! Quem não foi na "cantiga" foi o... Benfica. Enquanto disputavam a THL em Lisboa, nesse fim-de-semana de 14/15 de Agosto de 1993 o "Glorioso" deu-lhes "sopa", como se dizia lá na minha aldeia alentejana de Montalvão!

Em 1993/94 quiseram "brincar"! Levaram...

Alberto Miguéns


NOTA FINAL: O SC Império competiu durante muitos anos nos campeonatos regionais da AFL. Até antes... ainda no "tempo" da sua antecessora, a Liga Portuguesa de Futebol. Uma longa caminhada desde 1908/09 (3.º lugar no Regional da 2.ª categoria) até 1928/29 (queda do campeonato de 3.ª categoria para o da Promoção da AFL) se bem que, depois de 1927, já com o nome de CD Palhavã, depois de ter "absorvido" em 1917, os melhores jogadores do Lisboa FC (quando este "perdeu" o campo de jogos para o Sporting CP), alterando o nome para Império LC.


O SC Império chegou a ter o melhor campo de jogos de Lisboa, onde aliás se faziam os jogos internacionais, ou seja, onde os clubes de Lisboa recebiam e jogavam frente a equipas de clubes estrangeiros que andavam em digressão pela Europa.

Em 15 de Dezembro de 1912 um jogo de multidões disputado no campo de Palhavã, do SC Império. O SLB frente ao Carcavellos Club dos "mestres ingleses" do Cabo Submarino. Com 2-0 (golos de Artur José Pereira e Álvaro Gaspar) o "Glorioso" conseguiu a 5.ª vitória sobre os famosos ingleses de Carcavelos. A foto registou cinco Benfiquistas (da esquerda para a direita: Paiva Simões, Francisco Belas, Henrique Costa, Carlos Homem de Figueiredo e Cosme Damião). Seria neste campo, onze anos depois, que o SLB estrearia um "novo traje" num jogo internacional. Como nota de comparação com a actualidade, a fotografia registou a passagem de um eléctrico (vê-se o tejadilho) na antiga Estrada de Palhavã (actual rua Professor Lima Basto). Nos terrenos paralelos ao campo de jogos, atrás do eléctrico, o espaço onde foi construído o IPO (Instituto Português de Oncologia). Quem diria que o "Glorioso" andou por ali! Fotografia digitalizada da página 219 da colossal obra de dois Benfiquistas, Mário de Oliveira e Rebelo da Silva "História do Sport Lisboa e Benfica 1904-1954
Em 12 de Janeiro de 1924 ocorreu o "impensável"! No campo de Palhavã (inaugurado em 29 de Outubro de 1911 com um SLB vs SC Império, com vitória "vermelha" por 2-1) o Benfica foi convidado para defrontar a "fabulosa equipa" do AC Sparta de Praga, da capital da Checoslováquia em digressão por Portugal. Para espanto dos muitos espectadores presentes enquanto o AC Sparta entrava equipado de... vermelho o seu adversário (SL Benfica) equipava de calções brancos mas camisola às riscas verticais amarelo-dourado e pretas.

No campo de Palhavã, em 2 de Novembro de 1913, o "nosso" Alberto Rio escapa-se ao adversário (Robert Matos) do SC Império. Dez anos depois as camisolas do adversário serviriam como "primeiro alternativo do SLB". Outros tempos Foto digitalizada da separata n.º 14 da colossal obra de dois Benfiquistas, Mário de Oliveira e Rebelo da Silva "História do Sport Lisboa e Benfica 1904-1954

Os "vermelhos" como eram conhecidos até aos anos 30 não estavam (pela primeira vez de vermelho!) em campo. É que enquanto estavam a "equipar-se" os benfiquistas aperceberam-se que ia haver confusão porque o adversário vinha todo de vermelho. Só o branco dos calções não chegava para diferenciarem-se duas equipas de onze jogadores. Como não havia "alternativos" a "alternativa" foi pedir as camisolas que os futebolistas do clube proprietário do campo (SC Império) utilizavam. E assim foi. O resultado foi o "menos interessante", pois o "Glorioso" perdeu por... 0-6! Interessante foi o que um repórter da época escreveu num jornal num dos dias seguintes ao encontro (cito de memória): «Um espectador benfiquista da velha guarda quando viu os "seus" vestidos sem ser de vermelho não conseguiu deixar escapar umas lágrimas pelo rosto abaixo!» NOTA DO EDB: Ainda hoje quanto se trata de alternativo que não seja "o branco" há sempre "mosquitos por cordas"!

Uma imagem (a única que conheço), da autoria do fotógrafo Norberto Dinis, no "célebre" jogo do "Glorioso" frente ao AC Sparta (a equipa de vermelho), em 12 de Janeiro de 1924 no campo do SC mpério, em Palhavã. Na imagem, perante a acção de um checo, o guarda-redes Francisco Vieira (Chiquinho) na "especialidade" (o mergulho) que o tornou famoso, o melhor do seu tempo e internacional por Portugal, em três jogos consecutivos, entre 1923 e 1925, no tempo em que a selecção nacional fazia um jogo por ano! Ao longe, sem possibilidade de identificação está um futebolista Benfiquista "à Império": calção branco e camisola às riscas verticais (ao centro uma preta ladeada de duas amareladas-torradas-douradas). Mal se percebem! Ainda bem! Acrescento eu! Fotografia digitalizada da página 484 da colossal obra de dois Benfiquistas, Mário de Oliveira e Rebelo da Silva "História do Sport Lisboa e Benfica 1904-1954
Próximos oito dias no EDB (previsões)
Quarta-feira (24 de Julho): O Benfica e o CA Penharol
Quinta-feira (25 de Julho): O Benfica e o Levante UD
Sexta-feira (26 de Julho): Eu e as Taças do “Glorioso”
Sábado (27 de Julho): O Benfica e o OGC Nice
Domingo (28 de Julho): Futebol com formação campeã
Segunda-feira (29 de Julho): Voleibol Campeão
Terça-feira (30 de Julho): Voleibol: Formação
Quarta-feira (31 de Julho): O Benfica e o Elche CF

14 comentários
comentários
  1. Simplesmente um trabalho brilhante !!!
    Muitos Parabéns.

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  2. Basicamente é isto:

    "No SLB sabem-se os resultados… reais e concretos. Nos outros – clubes e AFL – não sabemos. Nem interessa! Amanhem-se…"

    Enorme e fantástico trabalho, mais um!

    Saudações Benfiquistas,

    João.

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  3. K dizer.....excelente trabalho mais uma vez.
    Já foi programa de televisão, agora blog....para quando livro(eu compraria de certeza)?

    Obrigado caro consócio.

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  4. Caro Alberto Miguéns, logo que começo a ler os seus artigos históricos apercebo-me da sua extensão e penso sempre "vou ler um pouco pelo menos para ficar com uma ideia do assunto...", mas o mais interessante é que acabo sempre por ler tudo, pois não consigo desviar os olhos das linhas que aqui escreve, é realmente um serviço ENORME que está a prestar ao universo benfiquista, um trabalho realmente louvável, existem alguns benfiquistas que se empenham verdadeiramente pelo nosso glorioso, e o meu caro é um deles, para quando novamente um programa na BenficaTV???
    Obrigado e um abraço forte!

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  5. Caro Alberto,

    Sabe qual a data do jogo Benfica 1-0 Sporting para a THL na época 73/74?

    Cumprimentos, Carlos Azevedo.

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    1. Caro Carlos Azevedo

      1 de Janeiro de 1974. Golo de Humberto Coelho

      Gloriosas Saudações Benfiquistas

      Alberto Miguéns

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  6. Obrigado pela resposta. Ando à procura nos jornais desses tempos de todas as fichas de jogo do Benfica na THL. Desculpe estar a chatear novamente, mas pode-me dizer as restantes datas dos jogos do Benfica nessa época 73/74 (Oriental e Belenenses).

    Cumprimentos, Carlos Azevedo.

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    1. Caro Carlos Azevedo

      Desde que tenha tempo respondo...

      Oriental: 18 de Dezembro de 1973 (V 3-1, na Catedral)

      Belenenses: 26 de Dezembro de 1973 (V 3-2, em Alvalade)

      Gloriosas Saudações Benfiquistas

      Alberto Miguéns

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  7. Caro Alberto,

    Cá venho eu chateá-lo novamente. Poderia verificar se as seguintes datas estão correctas relativas à época 1991/92?
    Meia-final: 11-10-1991
    Final: 13-10-1991

    Obrigado pela atenção, Carlos Azevedo.

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    1. Caro Carlos Azevedo

      Correcto

      Gloriosas Saudações Benfiquistas

      Alberto Miguéns

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  8. António Santos18/9/16 20:04

    Olá,

    Consegue arranjar as constituições das equipas do jogo Benfica 2-0 Oriental (Final da THL - 16/08/1987)?

    Obrigado.

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    1. Caro António Santos.

      Só a do Benfica!

      Alberto Miguéns

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  9. António Santos18/9/16 22:43

    Ok. Se puder, coloque a equipa se fizer o favor. Já é melhor que nada. Obrigado.

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    1. Dias Graça;

      Abel Silva, Eurico Santos, Valido e Fonseca (cap.);

      Nuno Damas (1 golo), Luís Mariano, Xavier (57'/ Paulo Sousa) e Resende (81'/ Maia);

      Tó Portela e Hajry (1 golo).

      NOTA1: Há foto desta equipa em "O Benfica" na edição que relata o jogo.

      NOTA2: O SLB desdobrou o plantel. No mesmo dia jogou em Huelva para o Troféu Colombino

      AM

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