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04 junho 2023

Pré-publicação: Que Efeito Terá Roger Schmidt no Futebol do Benfica?

04 junho 2023 7 Comentários

DE ENTRE TODOS OS ONZE TREINADORES QUE FORAM CAMPEÕES EM ÉPOCA DE ESTREIA E QUE TIVERAM OPORTUNIDADE DE FAZER UMA SEGUNDA TEMPORADA CONSECUTIVA NO «GLORIOSO» ROGER SCHMIDT PROVOCOU UM IMPACTE COMPARÁVEL A LAJOS BAROTI E SVEN-GORAN ERIKSSON. 



Mas a segunda temporada de Baroti e Eriksson foram completamente diferentes da primeira. Baroti não deixou "marca para o futuro" enquanto Eriksson continuou a influenciar o «Glorioso Futebol» muito para lá das duas temporadas iniciais (1982/83 e 1983/84), até porque os futebolistas por ele treinados continuaram no Clube e nada foi como antes. 

 

É evidente que tudo isto não passa de um exercício de contemplação pois realidades separadas por quatro décadas são incomparáveis

Mas não deixa de me interessar e interessando-me gosto de "Benficar" acerca disso e tendo um blogue é questão de colocar nele o que penso acerca deste assunto, pois durante a temporada de 2022/2023 - Julho de 2022 a Maio de 2023 (onze meses) - uma vezes via Roger Schmidt como "continuador" de Eriksson, outras de Baroti. Em 2023/24 se verá ou não. Talvez não tenha nada de um, nem de outro. De certeza que é diferente deles e de todos, pois é... Roger Schmidt. A questão é perceber que tipo de impacte terá no Futebol do Benfica, no imediato e para depois (mesmo quando deixar de ser treinador do Clube). 


As temporadas - 1980/81 (24), 1982/83 (25) e 2022/23 (38) - são muito diferentes, mas também têm algo em comum 

Desde logo o facto do Benfica ser campeão nacional liderando da primeira à última jornada. O Benfica foi doze vezes campeão nacional, entre 1983/84 (26) e 2018/19 (37), mas em qualquer destes doze títulos nunca liderou integralmente os respectivos campeonatos. Depois há diferenças nos resultados, pois quer Baroti, quer Eriksson conquistaram o campeonato nacional e a Taça de Portugal. Schmidt não conquistou a Taça de Portugal. Nas competições europeias é difícil comparar pois eram competições diferentes, mas o Benfica foi categórico com Baroti (meias-finais) e Eriksson (final). Claro que o grau de complexidade em 2022/2023 foi superior (Liga dos Campeões). Os três treinadores causaram excelente impressão junto dos adeptos do Benfica por alterarem o paradigma do futebol praticado na(s) época(s) anterior(es). Considero que os Benfiquistas no início dos Anos 80 do século XX eram mais exigentes que os actuais. Mas isto já é entrar um subjectividades. ou seja, impossíveis de demonstrar, nem comparar e fazer estas com quatro décadas de diferença já é apenas "exercícios de boa vontade". 

 

Antes de fazer um outro texto acerca do que pode significar Roger Schmidt para o futebol do Clube

Interessa perceber o enquadramento das primeiras temporadas de Lajos Baroti e Sven-Goran Eriksson. Que se inicie por este, invertendo a cronologia.


SVEN-GORAN ERIKSSON 


Foi aposta do presidente Fernando Martins para rejuvenescer o futebol do Clube

O Benfica perdeu o título em 1981/82 para o Sporting CP quedando-se pelo segundo lugar. Chegou, viu e venceu com um início de campeonato nacional fulgurante - onze vitórias consecutivas (27/4 em golos) e oito delas sem golos consentidos. No final da primeira volta só os supersticiosos em benfiquismo (poucos naquele tempo) e cépticos/pessimistas não acreditavam que o Benfica recuperasse o título de campeão nacional perdido. Fez uma gestão muito inteligente do plantel de modo a ter equipas sempre competitivas nas eliminatórias da Taça de Portugal e na Taça UEFA (naqueles tempos uma maratona em relação às outras duas, por ter mais três jogos).  

 

49.º CAMPEONATO NACIONAL 1982/83

J

RES

S

Adversário

FCP

SCP

01

V 1-0

F

SC Espinho

=

=

02

V 3-0

C

Boavista FC *

+ 1

+ 1

03

V 3-1

F

Vitória FC Setúbal

+ 1

+ 1

04

V 1-0

C

SC Salgueiros

+ 1

+ 1

05

V 1-0

F

GD Estoril Praia

+ 1

+ 1

06

V 8-0

C

Varzim SC

+ 1

+ 1

07

V 1-0

C

Vitória SC Guimarães

+ 2

+ 3

08

V 1-0

F

CS Marítimo

+ 2

+ 3

09

V 3-1

C

FC Porto

+ 4

+ 5

10

V 1-0

F

Rio Ave FC

+ 4

+ 5

11

V 4-2

C

Amora FC

+ 5

+ 6

12

E 1-1

F

GC Alcobaça

+ 4

+ 5

13

V 4-1

C

Portimonense SC

+ 4

+ 6

14

D 0-1

F

Sporting CP

+ 4

+ 4

15

V 6-0

C

SC Braga

+ 4

+ 6

16

V 4-0

C

SC Espinho

+ 4

+ 7

17

E 2-2

F

Boavista FC

+ 4

+ 7

18

E 1-1

C

Vitória FC Setúbal

+ 3

+ 6

19

V 1-0

F

SC Salgueiros

+ 3

+ 6

20

V 3-0

C

GD Estoril Praia

+ 3

+ 6

21

E 1-1

F

Varzim SC

+ 4

+ 5

22

E 0-0

F

Vitória SC Guimarães

+ 3

+ 4

23

V 2-0

C

CS Marítimo

+ 4

+ 6

24

E 0-0

F

FC Porto

+ 4

+ 5

25

E 0-0

C

Rio Ave FC

+ 4

+ 6

26

V 3-1

F

Amora FC

+ 4

+ 6

27

V 8-1

C

GC Alcobaça

+ 4

+ 7

28

V 1-0

F

Portimonense SC

+ 4

+ 7

29

V 1-0

C

Sporting CP

+ 4

+ 9

30

V 2-0

F

SC Braga

+ 4

+ 9

NOTA: * o GD Estoril Praia também contabilizava quatro pontos liderando ex-aequo com o Benfica

 

Além de um campeonato de grande qualidade (em futebol jogado)

Resultados magníficos que permitiram conquistar a Taça de Portugal no estádio do outro finalista (FC Porto) e falhar por muito pouco a conquista da Taça UEFA fazendo o Benfica regressar a uma final das competições europeias depois da longínqua temporada de 1967/68.

 

1982/1983: TEMPORADA GLORIOSA 79

Competições

Clas

Fase

J

V

E

D

GM

GS

TOTAIS

58

43

12

3

140

31

Campeonato Nacional

V

30

22

7

1

67

13

Taça de Portugal

V

7

7

-

-

27

3

Taça U.E.F.A. *

F

12

6

5

1

18

9

Torneio **

V

2

2

-

-

5

1

Particulares

 

7

6

-

1

23

5

NOTAS: * Derrotados pelo RSC Anderlecht (Bélgica) com D  0-1 e E 1-1; **  Conquista do Torneio Internacional de Toronto (V 4-1; CS Cristal/Peru)

 

LAJOS BAROTI 


Aposta do presidente Ferreira Queimado para inverter o pior período do Clube desde 1953/54

Pois o Benfica não era campeão há três temporadas (1977/78 a 1979/80) ficando mesmo em terceiro lugar na última, atrás do Sporting CP e FC Porto. O Benfica já não era 3.º classificado desde 1961/62. Optou-se por um treinador da "escola" que mais agradava aos Benfiquistas, a húngara, ou não fosse Biri e, principalmente, Guttmann, dois treinadores húngaros de excelência com resultados glorificados. Um futebol como os Benfiquistas gostavam: capacidade física QB para aguentar jogos (90 minutos) e temporada (55/60 jogos) mas que aproveitava bem as capacidades técnicas dos futebolistas, não as limitando, mas antes colocando-as ao serviço do colectivo. Futebol dinâmico, sem quebras prolongadas e preocupantes, agradável e empolgante, de modo a garantir golos, vitórias e conquistas. 

 

47.º CAMPEONATO NACIONAL 1980/81

J

RES

S

Adversário

FCP

SCP

01

V 1-0

F

Boavista FC

=

+ 2

02

V 1-0

C

Varzim SC

=

+ 3

03

V 3-0

F

SC Braga

+ 2

+ 3

04

V 6-0

C

FC Penafiel

+ 2

+ 4

05

V 2-0

C

Portimonense SC

+ 2

+ 4

06

V 2-0

F

Amora FC

+ 3

+ 4

07

V 4-0

C

Associação Académica Coimbra

+ 3

+ 5

08

D 1-2

F

FC Porto

+ 1

+ 3

09

V 3-0

C

Clube Académico Futebol (Viseu)

+ 3

+ 5

10

V 2-1

F

CS Marítimo

+ 3

+ 5

11

V 2-0

C

Vitória SC Guimarães

+ 4

+ 6

12

E 1-1

F

Sporting CP

+ 4

+ 6

13

V 4-1

C

CF “Os Belenenses”

+ 4

+ 8

14

E 0-0

F

Vitória FC Setúbal

+ 3

+ 7

15

V 2-0

C

SC Espinho

+ 3

+ 7

16

V 3-0

C

Boavista FC

+ 3

+ 9

17

V 4-0

F

Varzim SC

+ 3

+ 11

18

V 3-1

C

SC Braga

+ 3

+ 11

19

E 0-0

F

FC Penafiel

+ 2

+ 10

20

V 5-1

F

Portimonense SC

+ 2

+ 10

21

V 4-1

C

Amora FC

+ 2

+ 11

22

V 2-0

F

Associação Académica Coimbra

+ 2

+ 11

23

V 1-0

C

FC Porto

+ 4

+ 13

24

E 1-1

F

Clube Académico Futebol (Viseu)

+ 3

+ 13

25

V 5-1

C

CS Marítimo

+ 3

+ 13

26

E 0-0

F

Vitória SC Guimarães

+ 2

+ 13

27

E 1-1

C

Sporting CP

+ 2

+ 13

28

V 3-0

F

CF “Os Belenenses”

+ 2

+ 13

29

V 5-1

C

Vitória FC Setúbal

+ 3

+ 15

30

D 0-2

F

SC Espinho *

+ 2

+ 13

NOTA: * o jogo foi interrompido, aos 84 minutos, após invasão de campo pelos espectadores do Benfica, sendo atribuída derrota por 0-3

 

Foi quebrar o «pesadelo» de três temporadas a zero com um futebol de excelência 

No campeonato nacional foi como regressar ao Gloriosos Tempos de Jimmy Hagan. Início com sete vitórias consecutivas não sofrendo golos (19/0) permitindo depois gerir o resto das jornadas (23). O anterior campeão nacional (Sporting CP) em 1979/80 no final da primeira volta já estava "arrumado". Em relação ao FC Porto ficou-se, pacientemente, à espera da 23.ª jornada para lhe dar a "estocada final". Que teve dose repetida (3-1) na final da Taça de Portugal, com quatro golos do Benfica: autogolo de Veloso (0-1) e "hat-trick" de Néné após três assistências de Sheu. Antes venceu-se a Supertaça, ainda organizada pelos clubes: Benfica (vencedor da Taça de Portugal) e Sporting CP (que conquistara o seu 15.º título, depois disso foi campeão nacional mais.... quatro vezes... em 42 temporadas). Na competição europeia ficou na memória o "festival de desperdício de golos" na segunda-mão das meias-finais. Só comparável a uma outra segunda-mão frente ao FC Aris Salonica (Grécia) e a uma primeira-mão ainda há mais tempo (1963/64), frente ao BV Borussia 09 Dortmund.      

 

1980/1981: TEMPORADA GLORIOSA 77

Competições

Clas

Fase

J

V

E

D

GM

GS

TOTAIS

56

40

11

5

126

33

Campeonato Nacional

V

30

22

6

2

72

14

Taça de Portugal

V

7

7

-

-

17

3

Supertaça

V

2

1

1

-

4

3

Taça Vencedores das Taças *

1/2

10

5

3

2

12

5

Torneios **

V

4

2

1

1

13

5

Particulares

 

3

3

-

-

8

3

NOTAS: * Eliminados pelo FC Carl Zeiss Jena (RDA) com D  0-2 e V 1-0; **  Conquista do Torneio Internacional de Toronto (V 6-1; FK Partizan (Belgrado)/ Jugoslávia) e 4.º lugar no Torneio Internacional de Madrid (Real Madrid CF e FK Dinamo Kiev)

 

Feito (bem ou mal) os enquadramentos das primeiras temporadas de Baroti e Eriksson

Venha em breve, aqui neste blogue, o enquadramento da primeira temporada de Roger Schmidt, bem como os enquadramentos das segundas épocas de Baroti e Eriksson. Roger Schmidt: Baroti ou Eriksson? (parte III)

 

E o 39, Benfica?


Alberto Miguéns

7 comentários
  1. Os dois treinadores a que se refere o post deixaram "marca" no futebol do Benfica, cada um à sua maneira.
    Para mim, Baroti privilegiou um modelo de futebol mais consensual - ou mais estereotipado, se quisermos dizer assim... - não inovando muito, nem ao nível do trabalho de treino e preparação, nem na gestão da equipa em competição. Já Eriksson foi muito mais inovador, quer no trabalho com a equipa, quer no modo de jogar e na gestão da equipa em competição.
    No entanto, uma coisa comum às equipas desses treinadores foi a capacidade físico-atlética dos jogadores, e da equipa, e a intensidade que era exigida, por ambos, nos jogos. Apesar dos resultados obtidos por um e outro terem sido algo diferentes, nenhum deles descurou a capacidade físico-atlética das suas equipas, à qual fizeram aliar a capacidade técnica dos jogadores que fossem capazes de ser intensos, fisica e mentalmente, em contexto competitivo.
    O nosso drama é que, hoje, os dedos de uma mão chegam e sobram para contar os jogadores que cumprem as condições referidas. Assim de memória não me consigo lembrar facilmente de mais nenhum nome para além do de Aursnes...
    Saudações benfiquistas.

    PS: Se tivesse havido mais competência, empenho e entrega de todos, teríamos tido condições para hoje ter levantado mais um troféu... e no próximo sábado estar em Istambul, a jogar a final da Liga dos Campeões.

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    Respostas
    1. Completamente em desacordo. Não comparo as equipas de Baroti ou de Eriksson, muito superiores à equipa desta época. É que nem há comparação possível (Chalana, Carlos Manuel, Humberto Coelho, Diamantino, Bento, Nené, Filipovic, Stromberg, etc., etc.)!
      A diferença não era, porém, física, sem pensar, mas de qualidade técnica. Provavelmente, nenhum dos jogadores da época transacta jogaria no onze titular de Eriksson em 1982-83 ...
      Em desacordo, questiono a falta de competência, que não sei onde esteve. Com os jogadores que tinha Schmidt, considerando que perdeu Enzo no princípio de Janeiro, a qualidade futebolística durante quase toda a época, a competitividade internacional, não percebo sinceramente o que queria mais. Lembrar que o meio-campo do Benfica era Florentino-Chiquinho e depois João Neves-Chiquinho ... O que este treinador alemão fez foi um milagre! - Comparar com os jogadores que tinham Eriksson e Baroti não é sério.
      E, entretanto, há António Silva, João Neves, recuperou-se Florentino, Gonçalo Ramos ...
      Também nunca vi falta de empenho e de entrega de todos. E não perdi nenhum jogo esta época. O que vi foi uma equipa super espremida, que jogou quase sempre bastante bem até Abril e que aí rebentou. Com um plantel tão curto, dada a intensidade de toda a época, era difícil esperar mais. Comparar os recursos do Benfica com os das outras equipas dos quartos de final da LC, não é sério nem intelectualmente honesto. Pôr as coisas na falta de empenho e de competência é ter andado muito distraído.
      Grande trabalho fez Roger Schmidt! E por isso fomos campeões, com todo o mérito! Veremos o que faz na próxima.

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    2. Subescrevo integralmente! Realidades e plantéis completamente diferentes. O que o Roger fez, sem ser um milagre, foi um feito! 100% de mérito do treinador que, com um plantel mais bem apetrechado, pode, aí sim, marcar definitivamente uma nova era no Benfica. Que assim seja!

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    3. Ao José Vieira, começo por referir que, como não podia deixar de ser, aceito que tenha opinião divergente da que exprimi, mas que lhe fica mal julgar a "seriedade" e a "honestidade intelectual", tal como a "distração", de quem tem opinião diversa da sua. Isso não é, decididamente, característico da família benfiquista, da qual sou parte integrante desde que nasci, vai para setenta anos...
      Quando o nosso futebol se afirmou na Europa, e no mundo, também não tínhamos os "recursos" que outros tinham, nem o nosso valor, objectivo, futebolístico e de valor financeiro, era o de inúmeros dos adversários que enfrentámos. No entanto, aliávamos o nosso valor futebolístico a uma vontade, determinação e garra, que nos garantia estar sempre em condições de obter sucesso. Hoje, mesmo a jogar no futebol "doméstico", há vezes demais uma sobranceria e uma falta de entrega que nos colocam vezes demais no limite (inferior) do risco, e nos propiciam dissabores inaceitáveis, como perder com o Chaves e com o Braga, empatar com o Guimarães, com o Moreirense ou com o Caldas (!!!), ou perder com o Porto - a alinhar com jogadores estratosféricos, como Manafá, Zaidu, Wendell, Grujic, João Mário ou Fábio Cardoso... - em nossa casa, quando, com 10 pontos de avanço e a poder "acabar" ali com o campeonato, a vencer o jogo com um golo fácil aos 10 minutos de jogo, achámos que estava o trabalho feito!
      De incompetência, julgo que estamos conversados. Embora, pudéssemos acrescentar a incompreensível - no mínimo! - gestão do plantel feita pela estrutura e pelo treinador, que redundou na conformação do plantel que terminou a época, depois de ter começado com quase quarenta atletas, de ter dispensado uns quantos, transferido outros, e de ter garantido o concurso de outros, ainda, e ter jogado quase sempre com os mesmos. Se o plantel era curto, então não deveria ter-se transferido, nem dispensado, todos os que se transferiram, ou dispensaram, e ter-se ido buscar aqueles com quem se pensasse efectivamente contar. Claro que o ónus da situação estará, naturalmente, á conta da direcção, mas estas "operações" não foram feitas, certamente, à revelia do treinador! Além disso, do treinador espera-se que gira o plantel a contento das necessidades, e que interfira nos jogos de modo a alterar as coisas no sentido de garantir resultados. Ora, quando se fazem alterações nos últimos minutos do tempo regulamentar, ou até da compensação, não se pode estar, realmente, á espera de mudar nada...
      (continua)

      Eliminar
    4. (continuação)
      Competência teríamos tido se, depois de uma vantagem pontual de 10 pontos para o segundo classificado, não tivéssemos acabado o campeonato com o "credo na boca", depois de perder com o Porto (C) e com o Chaves (F), de vencer - dificilmente! - o Estoril (C) por 1-0, o Braga (C) por 1-0 ou o Gil Vicente (F) - muito dificilmente! - por 2-0, ou de empatarmos - quase milagrosamente! - com o Sporting (F) por 2-2, com um golo caído do céu nos últimos momentos da compensação, depois de um jogo miserável, e de termos de gerir a enorme ansiedade de ter de vencer o Santa Clara no último jogo...
      Aos momentos referidos não foi alheia, também, uma medíocre prestação de muitos dos nossos jogadores, que ainda não se convenceram que as camisolas não ganham jogos, que para marcar golos é preciso rematar, e que se não se mexerem em campo dificilmente ganharão a bola! Episódios de jogadores a marcar os adversários com os olhos, a cair à mais leve aragem estival, a jogar a passo ou quase parado, a preferir os malabarismos à objectividade, são em catadupa, ao longo da época! As descomunais diferenças de prestação de uma parte para a outra, em alguns jogos, ou mesmo os assomos de vontade quando as coisas passavam a correr realmente mal, são sintomáticos de uma maneira de ser e estar em campo, que há uns anos atrás seriam seriamente assinaladas pelos adeptos!
      Eu, benfiquista que não andei distraído e não perdi nenhum jogo da equipa - no estádio ou na televisão... - desde a pré-época, fosse particular ou oficial, o que vi foi uma equipa que piorou substancialmente na parte final da época, muito por falta de intensidade, assertividade e competência - seja isso o que se quiser que seja... - e que resvalou sempre para a sua área de conforto, sem que tenha sido recolocada nos eixos.
      A equipa tem jogadores com talento - Rafa, Neres, Aursnes, Grimaldo, Bah, António Silva, Gonçalo Ramos, João Neves, ou mesmo Chiquinho... - mas a esmagadora maioria não apresenta capacidade físico-atlética nem estrutura mental que permita intensidade competitiva, ao que se junta a pouca apetência de muitos deles para se entregar completamente ao jogo, em todos os momentos do mesmo. No comentário que fez, referiu-se a jogadores como Chalana, Carlos Manuel, Humberto Coelho, Diamantino, Bento, Nené, Filipovic e Stromberg; destes, o único com défice físico-atlético - mas que revelava uma extrema determinação e garra... - era Chalana, superdotado tecnicamente. Os outros, todos, tinham, para além da técnica individual, a capacidade físico-atlética, a determinação, a garra e a atitude mental que a maioria agora não tem...
      Saudações benfiquistas.

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  2. Para mim a epoca do Baroti foi a que vi o Benfica praticar melhor futebol e foi uma pena aquela 2ª meia final contra o Carl Zeiss, tanto desperdicio nessa noite, e o Baroti fez de tudo para que o Benfica passasse, uma desilusão tremenda. Eriksson mudou principalmente a mentalidade e aproveitou bem o plantel de grande qualidade que tinha e caso não tem inventado na final da Taça UEFA em que decidiu desmonstar talvez o melhor meio campo que vi o Benfica ter com Carlos Manuel, Sheu, Akves e Chalana e não sei se não tinhamosganho tudo nesse ano, ainda que o Anderlecht tivesse uma grande equipa ao nivel da do Benfica.

    Analisando os 3, penso que os 2 primeiros foram melhores, foram mais longe nas competições europeias e nas competições nacionais ganharam as duas e não tiveram uma quebra como a que tivemos, tendo ganho apenas o campeonato na ultima jornada.

    Acho que o Roger foi o treinador que mais impacto causou depois do Eriksson de 82, mas houve coisas que não gostei e que acho que tiveram influencia na quebra que a equipa teve e que nos fez perder a maior oportunidade de em 33 anos voltarmos a pelo menos chegar às meias finais e com a final ao alcance como nunca esteve em 33 anos.

    Por isso acho que temos que esperar pela 2ª epoca para ver como as coisas correm e se não se comete os mesmos erros que foram cometidos este ano e que poderam ter custado o acesso às fases mais adiantadas da champions, ainda que tenha tido a atenuante da inepcia da direcção no caso Enzo, inepcia de 1º não terem percebido que ele não ia ficar e não terem atempadamente colmatado a sua saida, pois se com o Enzo cá já faltava mais uma opção sem ele ficou pior ainda, e com o Chiquinho percebia-se que não ia dar, não deu na champions e quase não deu no campeonato, a sorte foi o surgimento do João Neves, uma pena não ter surgido logo em Janeiro após a saida do Enzo, mas a direcção foi incompetente dois anos seguidos no mercado de Janeiro e isso teve custos nas duas epocas.

    Para melhores certezas teremos que aguardar pela proxima epoca, espero que o Roger mantenha o que fez de bom este ano e seja mais inteligente a gerir o plantel

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  3. Lembro-me do bom futebol que a equipa apresentava com Lajos Baroti. Não teve tanto impacto na história do clube como Erikson, mas parece-me injustamente, ser um treinador um pouco esquecido.

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