Como se Impediu um Tetra do Benfica em 1977/78
A criação deste Blogue, ideia de António Melo, tem como objectivo divulgar, defender o SL Benfica e a sua Gloriosa História. Qualquer opinião aqui expressa vinculará apenas o seu autor, Alberto Miguéns.

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28/05/2019

Como se Impediu um Tetra do Benfica em 1977/78

28/05/2019 + 5 Comentários
E SE MUDOU O FUTEBOL PORTUGUÊS PARA SEMPRE. HÁ PRECISAMENTE 41 ANOS, EM 28 DE MAIO DE 1978! TALVEZ O MAIOR ROUBO DE SEMPRE!



Já tinha lido uma dezena de crónicas (em jornais diferentes) do jogo da 28.ª jornada na temporada de 1977/78 entre o FC Porto e o SL Benfica que acabou por decidir o título num campeonato com 30 jornadas! O FC Porto tinha perdido os 18 campeonatos anteriores, desde 1958/59 (o tal do árbitro Calabote no Benfica - GD CUF, mas quem o venceu com duas expulsões em Torres Vedras foi o FC Porto, mas na «Saudosa Catedral» o GD CUF jogou com onze durante os 90 minutos).


Um Benfiquista fez-me chegar imagens (há um mês) desse jogo
Que desconhecia. Neste blogue já tinha escrito acerca do "roubo" por ter lido as crónicas nos jornais da época e por ter falado com quase todos os 13 Gloriosos Futebolistas que nele participaram acerca das ocorrências. Talvez só não tenha falado com três: Fidalgo, Eurico e Alberto. Com Celso foi o último com quem falei uma vez quando o encontrei na "Casa do Benfica no Porto" há uns cinco anos. Ele que até foi um dos "protagonistas principais"! Falei com dez... dez indignações. 

As imagens valem mesmo mais, muito mais, que mil palavras
Apesar de já saber o que me esperava as imagens superam tudo. Tanto que quem "pagou" a indignação foi a minha esposa perante os meus comentários. Surgiu de rompante e perguntou se «o Benfica estava a jogar?» Disse-lhe que «em directo não, mas estava a ver imagens de um jogo disputado em... 1978!» Perante o espanto (o quê? Um jogo há 40 anos e é preciso gritares assim!). Então anda ver como estes tipos já roubavam há... 40 anos(!), disse-lhe eu! Vou partilhar apenas três breves momentos pois o blogue não "aguenta" muito "peso"!


ANTECEDENTES
Até à jornada anterior (27.ª) o FC Porto liderava com 47 pontos estando o Benfica em 2.º lugar com 46 pontos. Na primeira volta na «Saudosa Catedral» um empate sem golos. Depois de um campeonato polémico em que o Benfica contestava as arbitragens favoráveis para com o FC Porto (mais que o Benfica ser prejudicado) o treinador portista, José Maria Pedroto usava sempre a mesma lengalenga «Beneficiados? O FC Porto? Vocês queriam era calabotes!» Eis que chega o jogo decisivo. Em 28 de Maio de 1978, dia em que o estádio das Antas assinalava 26 anos e o «Antigo Regime» mais... 26 pois a inauguração do estádio portista fizera parte das comemorações do 26.º aniversário do «Antigo Regime» em 1952! Estavam bem uns para os outros! Entendiam-se na perfeição! O Benfica tinha melhor plantel e jogava mais, mesmo debilitado com as saídas de Artur Correia e o não regresso de Jordão além da saída de Nélinho (para o SC Braga). Victor Batista era uma incógnita: tanto podia ser o Maior como ter que sair na primeira parte! O Benfica limitado a jogar «só com portugueses» contratou um avançado (Celso) pois tinha de adaptar Néné desde a saída de Jordão. Celso (do Boavista FC) tinha a idade de Pietra (ambos de 1954) ou seja, 24 anos. Garantia muito empenho e genica. Era um jogador "À Benfica"!    

O Benfica entrou a "matar"
Pois só a vitória garantia o Tetracampeonato ficando duas jornadas por realizar. Aos três minutos o «Glorioso» colocou-se em vencedor, mas... logo se percebeu que o que se temia ia ser realidade. Pedroto conseguiu que o árbitro do jogo fosse o seu compadre Manuel Vicente, da AF de Vila Real. José Maria Pedroto era natural de Almacave (Lamego) e Manuel Vicente nasceu em São Martinho de Mouros (Resende) a 13 quilómetros. Eram contemporâneos, vizinhos, amigos desde a infância com laços de proximidade em relações familiares cruzadas. Manuel Vicente estava ao serviço do FC Porto. NOTA: Estas informações foram enviadas pelo Benfiquista que também enviou o resumo do jogo.


O Benfica foi estóico
Todo o jogo passou-se em monotonia do seguinte modo:
O Benfica em vantagem no jogo e campeonato desde os três minutos com mais classe desarmava atrás, trocava a bola, progredia no meio-campo e fazia lançamentos para os avançados Néné com Chalana no apoio a Néné. Aos 78 minutos entrou Celso (por Chalana) passando Néné a dar apoio a Celso. E o FC Porto?

Os defesas faziam faltas sucessivas sobre os avançados do Benfica (Manuel Vicente marcava falta aos avançados do Benfica sobre os defesas do FC Porto);
O Glorioso meio-campo para Néné e depois com a ajuda de Néné para Celso faziam lançamentos longos aproveitando o desespero e desequilíbrio portista em desvantagem no jogo e campeonato mas os "bandeirinhas" cortavam jogadas legais inventando foras-de-jogo absurdos;
Os defesas do Benfica desarmavam em classe mas o árbitro, percebendo que o FC Porto só conseguia colocar bolas por alto na área do Benfica (resolvidas pela excelente defesa do Benfica) ia inventando faltas. Tantas que a escassos sete minutos dos 90 uma elas resultou no golo do empate e no golo do título por Ademir (especialista em livres) que só para aí pela 3.ª tentativa - quase outras tantas por Oliveira - conseguiu bater Fidalgo!
Como se pode ver neste excerto que só não é hilariante porque mete raiva e nojo. Celso (mas também Néné durante todo o jogo) a saltar com os defesas do FC Porto e estes a não o fazer pois sabiam que o árbitro marcaria falta aos jogadores do Benfica. Depois aquele desarme em classe, dando de imediato a bola para contra-ataque, do infortunado Alberto (que uma perna partida na final da Taça de Portugal e depois mal curada afastaria do Futebol precocemente) com Manuel Vicente em desespero (faltavam sete minutos para os 90) a inventar mais um livre. Desta vez o livre que permitiu ao FCP o empate e recuperar em 1977/78 o que não conseguia desde 1958/59 perdendo 18 campeonatos consecutivos.



Este fora-de-jogo
Foi o jogo todo nisto. Ora Néné, ora José Luís, ora Sheu, ora Chalana (depois Celso) nunca conseguiram marcar o segundo golo pois estavam proibidos. 






Já a bola lá vai, lá vai, lá vai...
E Celso está tão atrás que ainda está em jogo. Dificilmente Celso não "matava" o jogo e o título aos 80 minutos! Seria o 2-0 ficando a faltar menos de dez minutos!





Ao findar a primeira parte (43 minutos)
Depois de tanta invenção os «Gloriosos Futebolistas» temiam uma grande penalidade a qualquer momento tal era o destempero de Manuel Vicente. Se inventava livres fora da grande-área melhor o faria dentro. Manuel Vicente depois de Pietra cortar uma bola corre tresloucado para a área apontando para o centro da grande-área. Todos perceberam que ele iria inventar uma grande penalidade. Depois marcou um fora-de-jogo. Nenhum árbitro "normal" corre assim, tão convictamente, para marcar um fora-de-jogo. Foi o que todos pensaram. Humberto Coelho disse que ele estava a inventar de mais. Levou cartão amarelo.






Depois o FCP

Ainda cedeu um empate, em Coimbra, na jornada seguinte, frente ao Clube Académico de Coimbra (nome pós-25 de Abril de 1974) da Associação Académica de Coimbra que deixou de poder "mascarar" o futebol profissional passando por amador, como se fosse uma equipa de estudantes. Depois voltou tudo ao mesmo como a lesma. Ainda hoje! Quanto ao campeonato, o Benfica terminou em igualdade pontual (51 pontos) invicto (FC Porto com uma derrota) igualdade no confronto directo (0-0 e 1-1) mas desvantagem na diferença de golos: + 45 para o SLB (56/11) e + 60 para o FCP (81/21)


Hilariante (para não chorar)
As declarações de Oliveira. Como é que o Benfica não podia só defender!? Com foras-de-jogo inventados (contra o SLB) e faltas inventadas (contra o SLB) ou por marcar (a favor do FCP) Manuel Vicente passou 80 minutos a tirar a bola ao Benfica e a dá-la ao FC Porto!





Jornal «Diário de Lisboa»; 29 de Julho de 1978; Página 17



Assim se vê a força do FêCêPê!



Alberto Miguéns





NOTA FINAL PARA DESTACAR CELSO: Um dos mais infortunados futebolistas do «Glorioso». No final de 1977/78 além de lhe roubarem poder ser campeão nacional foi vítima de um acidente brutal. Como se aproxima a meia-noite fica desde já prometida uma homenagem deste blogue a Celso aquando da data do seu último jogo com o "Manto Sagrado»: 27 de Junho de 2019 (1978). Mas vou contar o que for possível para hoje.

Celso nasceu Benfiquista na cidade do Porto - benfiquista tripeiro, em 22 de Fevereiro de 1954. Formado no Boavista FC e futebolista no Varzim SC (1974/75) sonhava jogar de vermelho indo parar ao SC Salgueiros (1975/76). Depois regressou ao Boavista FC (1976/77) para ingressar no seu/nosso «Glorioso».
Só fez uma temporada (ainda ajudou a conquistar a Taça de Honra) e numa noite fatídica em que na antiga e traiçoeira ponte de Corroios (Margem Sul) um furo o obrigou a sair do automóvel para ser colhido por uma camioneta. Perda de "massa encefálica" temendo-se o pior. A morte ou ficar inutilizado, paralisado, para o resto da vida. Depois deixei de saber dele. Um dia estava na cidade do Porto, na Casa do Benfica, para ver uma final da Taça de Portugal em Basquetebol, penso que com o Galitos FC Barreiro, em 16 de Março de 2014. E estava no Porto com o António Melo que tinha ido representar uma peça ao Teatro Sá da Bandeira. Tenho ideia que o António Melo também estava na Casa do Benfica no Porto no momento em que chega um Benfiquista para também assistir à final. Dizem-me ou dizem-nos que era o Celso. Perguntei ou perguntámos: O Celso do Benfica? SIM, respondem. Bem... foi como se tivesse marcado um golo. Senti ou sentimos uma alegria de o ver ali, ainda que com dificuldade, mas estava ali. O Celso! Foi como vê-lo a marcar um golo. Não é demagogia. Foi mesmo alegria por ser inesperado. Eu pensava que ele era um "vegetal" e afinal tinha ali o Celso do Benfica e a possibilidade de o "entrevistar". Contou o drama, a força que ele e o pai tiveram para o arrancar da morte, da invalidez e do desespero. Conseguir ver o Celso (quando pensava que estava paralisado algures num qualquer Lar) falar com ele (logo do "tal jogo", como é evidente, ele que foi protagonista roubado) da paixão dele pelo Benfica. E saber que ele era presença assídua na Casa do Benfica no Porto foi um momento que jamais esquecerei. Ainda consigo visualizar a sua silhueta ao cimo das escadas e depois numa das mesas. Só o Benfica. A forma como recuperou da morte para a vida foi quase um milagre. Grande Celso. Espero que um dia leias este bocadinho de texto e o que será editado em 27 de Junho deste ano!



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  1. Era demasiado novo para me recordar mas anos depois ouvi várias vezes gente do FCP a lembrar a importância deste jogo.

    Agora, sabendo das circunstâncias, percebo melhor essa importância.

    Como sempre no FCP não interessa só ganhar. Ganhar sim mas com vigarice ainda é melhor. Tão FCP.
    Calabote? Uma ova! Vicente, Garrido, Silva, Rosa, Fortunato, Calheiros, Pratas, Proença, Dias, tudo apelidos entre muitos, ligados a situações inacreditáveis em campos de futebol com benefício para o FCP.

    É fundamental que estes eventos sejam relembrados aos Benfiquistas.

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  2. Mas esta jentinha só sabe ganhar com batota sempre ganharam e fazem de tudo para poderem ganhar a batota fica lhe muito bem, ouvindo os comentadores do clube que foi condenado por corrupção diz tudo o que eles sao muito batoteiros maus e feios.

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  3. 0-0 em casa e 1-1 fora, pelas regras das últimas décadas, o campeão tinha sido o SLB...

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  4. Olá Alberto Miguéns, antes de mais, quero lhe parabenizar por todo o trabalho que tem feito em prol do Benfica e de colocar a verdade no seu lugar. Em 1976/77, o Braga foi a uma final da Taça de Portugal que o Porto comprou ao Braga por 300 contos para ser jogada nas Antas. O único golo do Porto é marcado em superioridade numérica porque o Manaca estava estendido depois de uma agressão do Rodolfo, e o golo deles nasce na sequência dessa falta não assinalada. Além do golo, claro que o Rodolfo continuou em campo. Árbitro: Porém Luís. O apito dourado começa pois em 76/77 com o Pinto da Costa a chefe do departamento de futebol do Porto, continua em 77/78 com o campeonato do árbitro compadre amigo e vizinho (13 klm´s os separavam) do Pedroto, o vergonhoso Manuel Vicente no jogo da vergonha das Antas, onde o golo do Porto do Ademir nasce de um corte imaculado do Alberto, uma falta inexistente. Além disso, anulou um golo limpo ao Benfica pelo Celso Pita, tudo o que mexia ou era fora de jogo ou era falta contra o Benfica, e à entrada da nossa área! Fez bem o papel do Pedroto, o Manuel Vicente nesse vergonhoso Porto-Benfica de 1978. Um mês antes, na Catedral, foi o mesmo Manuel Vicente o protagonista do empate com o Portimonense, onde, segundo rezam a história e os factos, a arbitragem foi infeliz. 77/78 é o campeonato Manuel Vicente. E em 78/79 com um golo do Duda na Luz num fora de jogo de dois metros. Árbitro: Porém Luís, o tal da Taça. Tudo começa nesses anos!!!
    Este roubo de 1977/78 foi o maior roubo do séc. XX.

    Saudações gloriosas, Alberto Miguéns.

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  5. Caro Sr. Alberto Miguéns,

    Mais uma vez muitos parabéns pela sua reposição da verdade desportiva...Pois é!!!! Quer dizer que o meu amigo "Chico" Vital (foi formado nos Juniores do Glorioso...e mais tarde Campeão na Época de 1980/1981) não poderia ter sido Campeão pelo Porto em 1977/1978...Pois!!!!

    Veja o blogue (que ainda está em construção) que lhe dedico por amizade:
    http://archicovital.blogspot.com/

    Saudações Benfiquistas...Rumo ao 38.

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