Chalana 1989/90: o Final
A criação deste Blogue, ideia de António Melo, tem como objectivo divulgar, defender o SL Benfica e a sua Gloriosa História. Qualquer opinião aqui expressa vinculará apenas o seu autor, Alberto Miguéns.

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09/04/2020

Chalana 1989/90: o Final

09/04/2020 + 8 Comentários
COM O REGRESSO DE ERIKSSON O BENFICA PROCURAVA SER BICAMPEÃO.



Toni manteve-se na equipa técnica regressando a adjunto.

NOTA: Uma fotografia em 1989/90 e outras tantas de outras temporadas. Chalana sendo poema e verbo saliente estará sempre presente pois nunca será ausente.



Com Jorge Brito ao leme
A entrada de Jorge Brito, como vice-presidente, numa Direcção em que João Santos foi reeleito, depois de ter vencido em 1987, nas eleições realizadas em 31 de Março de 1989, apenas consumou oficialmente o que era prática. Era ele que tinha capacidade económica (e financeira) para fazer correr o Benfica ao lado do FC Porto. Continuou a política de contratações estabelecida no início de 1987/88. Dois internacionais: Thern (do Malmö FF com 16 internacionalizações pela Suécia) e Aldair (do CR Flamengo com nove internacionalizações pelo Brasil). Entre os futebolistas que se distinguiram mais na temporada anterior: Zé Carlos (do Portimonense SC embora formado no Benfica), Fernando Mendes (do Sporting CP), Paulinho e José Martins (ambos do GD Estoril Praia). Da Formação do Clube: Paulo Madeira e Gil (ambos campeões do Mundo de Sub-20, por Portugal. Paulo Madeira foi o n.º 10 em 1989 e Gil seria o n.º 2 em 1991).



Chalana e os números (1989/90)
O «Glorioso» realizou 63 jogos com um total de 5 670 minutos. Chalana esteve presente em 27 encontros jogando, 1 394 minutos, ou seja, 25 por cento do tempo total. Foi o 19.º futebolista com mais minutos jogados, em 35 utilizados pelo Clube para disputar os 63 encontros. Chalana foi titular em doze jogos (com oito completos) e substituído nos outros três, aos 58, 52 e 45 minutos. Com 27 jogos, doze a titular, esteve em 15 como suplente utilizado. Foi ainda suplente não utilizado em onze jogos. Assim, como 27 + 11 = 38, temos Chalana presente na ficha de jogo de 38 encontros. E como 63 – 38 = 25, o genial futebolista esteve “completamente” ausente em 40 por cento dos encontros realizados pelo «Glorioso». Fez o último jogo na «Saudosa Catedral» na última jornada (34.ª) do campeonato nacional, frente ao CF “Os Belenenses”, na vitória por 1-0. O dia 19 de Maio de 1990, um sábado triste, marca a despedida – entrou ao intervalo para a saída de Fonseca – num recinto já muito diferente daquele onde se tinha estreado, com o «Manto Sagrado», em 7 de Março de 1977.  Na digressão de final de temporada, a África, foi pela última vez titular, em Luanda, saindo ao intervalo para entrar César Brito, numa vitória por 1-0 (golo de Sanchez) que era uma das novas contratações para 1990/91, frente ao CA Petro de Luanda. Dia 3 de Junho de 1990. Chalana no derradeiro encontro da temporada, em Moçambique, no empate a um golo, frente ao CD da Costa do Sol (Maputo), já não jogou. O FIM.


Ficha do jornal «Diário de Lisboa». Falta na equipa do Benfica Hernâni. Os suplentes não utilizados foram: Bento (12), Fernando Mendes (13) e Diamantino (14)

Chalana a capitão
O fantástico futebolista capitaneou o «Glorioso» em dez jogos, com sete deles nesta temporada. O capitão em 1989/90 foi Bento (estreia com o «Manto Sagrado» em 1 de Setembro de 1972). Chalana era o segundo futebolista “mais antigo” estreando-se, em 7 de Março de 1977. O sub-capitão foi Diamantino (estreia em 4 de Janeiro de 1979) por ter mais temporadas no Clube. Chalana foi o “terceiro capitão”, com três jogos a titular e completos (Bento e Diamantino ausentes). Em três jogos recebeu a “Gloriosa Braçadeira» de Diamantino quando este foi substituído. Resta um jogo em que entrou ao intervalo, mas o capitão na primeira parte foi Álvaro, pois Bento, Diamantino e Veloso (4.º na hierarquia) não jogaram. Aliás, Bento acabaria por jogar, mas apenas a partir dos 68 minutos quando saiu Dias Graça.



Chalana e os números (totais)
Fernando Albino Sousa Chalana, nascido no Barreiro, em 10 de Fevereiro de 1959, há 61 anos e dois meses, é o 29.º (em 1 186; Dyego Sousa) futebolista do «Glorioso» com mais minutos jogados (31 931) em 410 jogos (10 a capitão), marcando 64 golos. Com o «Manto Sagrado» em doze temporadas (9+3), foi um dos futebolistas com esteve na conquista de seis campeonatos nacionais, duas Taças de Portugal, duas “Supertaças” e três Taças de Honra de Lisboa. Grande Chalana. O melhor futebolista que vi jogar, ao vivo e a cores, a cada 15 dias, mais uns quantos jogos às quartas-feiras.


Chalana não aproveitou
Foi-lhe proposto que não tendo condições para jogar – o Benfica necessitava com urgência impedir o FC Porto de conquistar títulos duas temporadas consecutivas – por isso em 1990/91 teria de conquistar o 29.º título na 57.ª edição, retomando depois destes apartes, foi-lhe proposto passar a integrar as equipas de Formação atraindo pelo seu prestígio jovens que tinham opções por outros clubes. Um pouco como Borges Coutinho fez com Eusébio em 1974/75. Chalana fez como Eusébio. Recusou. E afirmou que ainda iria provar, a caminho dos 31 anos que voltaria a ser um futebolista que teria grande influência nas equipas de clubes que o quisessem contratar. E assim foi e não foi. Andou por mais dois clubes e o rendimento foi pouco. Em clubes de “meio da tabela”. Mas ficou sempre com as portas do Benfica escancaradas para o receber de braços (bem abertos).  



Agora virá o tempo de treinador: 2002/03, 2005/06 e 2007/08

Alberto Miguéns

  1. Srº Alberto, agradeço a sua resposta, como gostei de ler sobre a junção aos «Desportos de Benfica» (eu desconhecia os anos 10 e 20 da nossa história) e como o inicio do Glorioso não foi fácil, diferente de "outros", a minha pergunta era se o nosso clube teve alguma vez o futuro em causa, mas lendo o seu trabalho vejo que tivemos HOMENS sempre a altura.
    Excelente trabalho sobre o nosso Chalana.
    Saudações Benfiquistas.

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  2. Srº Alberto, desde que venho aqui aprender a história do S.L.BENFICA, tenho esquecido de perguntar-lhe (mas agora lembrei-me) comprei um livro sobre o Béla Guttmann escrito por Jéno Csaknady, num alfarrabista à uns tempos, se conhece, gostava de saber a sua opinião sobre ele.
    Obrigado mais uma vez.
    Saudações benfiquistas.

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    1. Caro Benfiquista Silva Pinto

      Considero-o um excelente livro.

      Saudações Gloriosas

      Alberto Miguéns

      NOTA: Há dois mais recentes.

      Béla Guttmann
      De Sobrevivente do Holocausto a Glória do Benfica
      de David Bolchover;

      Béla Guttmann
      Uma História Mundial do Futebol
      de Detlev Claussen

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  3. O jogo com o Belenenses, 4 dias antes da final de Viena, foi a despedida de Bento, Chalana e Diamantino, 3 monstros do Benfica, 3 dos melhores jogadores que vi jogar, sendo Chalana e Diamantino os 2 melhores que vi jogar até hoje, perto só o Pablo Aimar, mas as lesões não o deixaram explanar toda a sua enorme qualidade.

    Ainda hoje fico chateado por Eriksson não ter tirado partido da mística e do seu agigantamento nos jogos grandes e sei lá qual não seria a vontade com que Diamantino teria entrado naquela final depois de ter perdido a outra por lesão, podíamos ter perdido na mesma, depois de estar a perder contra a melhor equipa que vi jogar era difícil, mas nunca se sabe, bem berrei lá para dentro para ele meter o Diamantino, mas Eriksson era teimoso e já não era o mesmo Eriksson da primeira passagem, e o Diamantino na época seguinte provou no Vitoria de Setúbal que ainda era útil ao fazer uma excelente época, fez mais duas antes de abandonar o futebol

    É incrível como Bento, Chalana, Carlos Manuel e Diamantino não conseguiram jogar nenhuma das finais dos campeões. Chalana por lesões e ter acabado demasiado cedo para o futebol profissional, Carlos Manuel com uma saída nunca bem explicada, Diamantino por lesão e opção e Bento por lesão e opção

    Excelente trabalho, muito bom mesmo esta serie sobre o Chalana e também sobre o Benfica, obrigado

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  4. Uma nota extra-Chalana: sobre a constituição da equipa do Benfica na final de Viena, não sei a origem do texto, e o comentário inicial (boa arbitragem ?!). O Benfica jogou com 11 jogadores. Falta exatamente o jogador que deu luta ao marcador do golo, Rikjaard, que entrou pelo meio: Hernâni. Pelo meio...Só houve 2 cartões amarelos no jogo e foram...para os centrais do Benfica. Lembro-me de algumas "porradas" sobre jogadores do Benfica (Valdo). Os bons árbitros, mas mahosos, não marcam ou roubam penalties (excepto o Proença...e o Brych)...condicionam.

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    Respostas
    1. Caro Benfiquista Mário

      Agradeço o comentário. Segue a ficha.

      http://casacomum.org/cc/visualizador?pasta=06892.209.31730#!25

      Gloriosas Saudações

      Alberto Miguéns

      NOTA: Com bibliotecas e hemerotecas fechadas só dá para usar o que está "mais à... internet".

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    2. Não gostei da arbitragem, do austríaco, em caso de duvida decidiu para o Milan

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  5. Agradeço...ou melhor, não agradeço, porque faz parte do rigor com que relata a história do Benfica a simpática resposta que deixou aqui. Bem haja

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