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08/06/2016

Peregrinações de Marcolino IV

08/06/2016 + 4 Comentários API
FOI UM DOS QUE TRANSITOU DE BELÉM PARA BENFICA.

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Marcolino Leopoldino Neto Bragança Pinto de Meireles foi um dos 60 associados do Sport Lisboa que se juntaram aos do Sport Benfica para darem ao Glorioso Futebol condições de sobrevivência e estabilidade para crescer, crescer até ser o colosso português e emblema mítico mundial reconhecido em todo o Planeta. 

A esta listagem de 54 nomes que enumera o associado n.º 228 juntaram-se mais seis associados, entre eles Álvaro Gaspar, Daniel Santos Brito e o Conde do Restelo que foi presidente do Conselho Fiscal do SLB entre 26 de Fevereiro de 1909 e 2 de Fevereiro de 1910 Digitalização da página 85 da História do SL Benfica (1904-1954); volume I; Mário de Oliveira e Rebelo da Silva; edição dos autores; Lisboa; 1954 - 1956

SPORT LISBOA (e Benfica)
Com a mudança da designação para Sport Lisboa e Benfica, sigla SLB e emblema justapondo um ao outro. Não houve uma fusão. Não foi criado um novo emblema nem novos equipamentos. O emblema e o nome (mais sigla) resultaram diferentes porque foram justapostos. O equipamento manteve-se rigorosamente igual: meias pretas, calção branco e a heróica camisola de flanela vermelha que carregava tanta história em tão pouco tempo de existência.

Nas mãos da filha e da neta a única fotografia (conhecida) de Marcolino no campo da Quinta da Feiteira

A equipa do SLB depois da junção em 13 de Setembro de 1908, entre o Sport Lisboa e o Sport Benfica. No campo da Feiteira a primeira categoria do SLB em 1908/09. De cima para baixo. Da esquerda para a direita. Na disposição que jogavam em campo. Em cima, os médios ou meia-defesa, da direita para a esquerda: Luís Vieira, Cosme Damião e Marcolino Bragança (que só é Bragança porque já havia um Meireles na equipa quando ele chegou!) E que passou a vida, em Angola, a dizer com orgulho: Eu fui half-back-left na equipa do Benfica com Cosme Damião e Félix Bermudes, dos quais continuo amigo; Ao centro (os cinco avançados, do extemo-direito para o extremo-esquerdo): Félix Bermudes (capitão), Eduardo Corga, Henrique Teixeira, António Meireles e Carlos França; Em baixo: José Rosa Rodrigues (defesa à direita), João Persónio (guarda-redes) e José Netto (defesa à esquerda). Imagem publicada na página 73 da História do SL Benfica (1904-1954); volume I; Mário de Oliveira e Rebelo da Silva; edição dos autores; Lisboa; 1954 - 1956

Marcolino prepara-se para dizer adeus
Se acompanha o Clube de Belém para Benfica já não vai ficar muito tempo em Lisboa. Os pais desgostosos com a reprovação no ano lectivo de 1907/08 ficaram desolados fazendo regressar o filho a São Tomé e Príncipe. Mas ainda jogou e viu jogos na Feiteira.

A filha e o genro junto a um edifício que ainda existe do tempo em que Marcolino cirandou por Benfica. Ele deixou Lisboa, em 1908, mas de facto o seu coração permaneceu em Belém e Benfica. E vai sempre para onde vai o Clube. Continuará a ir. Lá no Quarto Anel é uma das estrelas mais brilhantes que nos acenam do infinito por cima da "Catedral". Quando em dias de jogos da equipa de futebol pedimos ajuda ou agradecemos a grandeza!
Depois foi uma vida longa e proveitosa
Que já foi desenvolvida neste blogue em 16 de Julho de 2015 (clicar). Fisicamente deixou Belém e a Feiteira mas de facto, nunca saiu de lá. Manteve-se fiel ao "Glorioso", amigo de colegas futebolistas que atingiram posições de destaque a dirigir (e presidir) o Clube. Passou o Benfica a amigos são-tomenses e angolanos e acima de tudo, aos filhos. Contagiados por aquele “half-back” (meio-defesa) que teve de ser Bragança porque já havia um Meireles! Aliás até havia dois: Abílio (fundador) e António (melhor jogador que o irmão fundador).

A estreia do equipamento bipartido verde-e-branco do Sporting CP, na Feiteira, em 25 de Outubro de 1908, numa Gloriosa Vitória, por 2-0.  Digitalização da página 96 da História do SL Benfica (1904-1954); volume I; Mário de Oliveira e Rebelo da Silva; edição dos autores; Lisboa; 1954 - 1956

Tão longe e aqui tão perto
Soube em São Tomé da afirmação do Benfica a nível nacional e em Angola da confirmação como grande clube europeu e mundial. Em final dos anos 60 recebeu na sua habitação luandense a comitiva do Clube que ajudara a reerguer-se após uma “crise”, no Verão de 1907, que parecia mortífera. Faleceu no início da década de 70 contente com as alegrias do seu Benfica. Um Benfica que ele tinha deixado aos 17 anos e que aguentara tanto, que passara tanto que se Luís Vaz de Camões tivesse a idade dele, quem sabe, escreveria uma epopeia chamada “Os Benfiquistas”.

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O que eu questiono!
Em 1908, Marcolino regressou a África. Mas o coração nunca saiu de Belém e da Feiteira! Quantas vezes terá ele recordado aquele dia, aquele momento, ao ver nos jornais, ouvir nas telefonias e “ouver” nas televisões (penso que haveria televisão em Angola nos anos 60) o Benfica. Qual dia? Qual momento? Este de que fala Cosme Damião quando entrevistado por Mário de Oliveira em 1945.


Obrigado Marcolino Bragança!


Alberto Miguéns

NOTA: Fotografias da actualidade, nas quatro peregrinações, de um dia bem passado (12 de Maio de 2016) a escassas horas da celebração do TRInta e cinco! Com a família de Marcolino Meireles, eterno Bragança para o "Glorioso":

Filha: Camila Máxima Pinto de Meireles

Neta: Coralie Meireles Stier

Genro: Ratko Bjelobaba


4 comentários
comentários
  1. O destino (e a autoridade parental) impuseram-se. Foi pena. Quem sabe que outras contribuições nos poderia ter dado Marcolino? Mas seguramente teve uma vida longa e frutuosa. Lá longe teve a felicidade de ver o Benfica subir à glória mundia. Benfica, campeão latino e bicampeão europeu.
    Apenas a mágoa de nunca ter voltado a Portugal e de nunca ter pisado o Estádio da Luz.
    Será sempre um dos nossos.

    Belo artigo! Obrigado.

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    1. Caro VictorJ

      Agradeço as simpáticas palavras que vindas de um par, um nosso de igual valor Benfiquista, tem sempre um significado alicerçado na sinceridade.

      Foi um trabalho feito com rigor mas também com emoção, penso que servidas - rigor e emoção - em doses adequadas. Procurei dar dignidade a quem tanto nos deu. Até muito mais que dignidade e apenas esta já seria um associado de excelência.

      Que estes trabalhos acerca dos Gloriosos Pioneiros, feitos deste modo, possibilitem atrair descendentes dos primeiros 100/200 associados pois ainda existirão alguns filhos e pelo menos muitos netos. Que contactem este blogue que estará sempre à sua disposição.

      Que melhor Defesa do Benfica que mostrar os alicerces da Grandeza e Glória do Clube!?

      TRigloriosíssimas Saudações

      Alberto Miguéns

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  2. Fantastico trabalho que sei que foi feito com prazer.

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  3. Acabou a cátedra? Que pena!!!
    Talvez outros episódios, com novos protagonistas se possam arranjar.
    Penso que, com a lupa de longo alcance que o Miguéns tem, não será difícil encontrar mais descendentes dos nossos heróis de antanho!!!

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