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03/07/2015

Incomparável

03/07/2015 + 5 Comentários API
NO DIA DA TRASLADAÇÃO DE EUSÉBIO PARA O PANTEÃO NACIONAL.


Mesmo na vida apressada que levamos perante esta fotografia  conseguimos parar. Temos de parar. É-nos superior. Ela faz-nos parar, por isso podemos reparar. E se repararmos conseguimos olhar e se pensarmos enquanto a olhamos, conseguimos ver.  
Quem olha para esta fotografia vê um futebolista que não tem comparação. Não é retórica ou endeusamento. É verdade, realidade e honestidade. Eusébio é único por isso não é comparável. Fazer com ele classificações ou querer estabelecer hierarquias é pactuar com falsidade e mentiras. É viciar o jogo. É entrar no reino dos contrastes. Eusébio é só Eusébio. Nada mais do que Eusébio. E por isso está acima de tudo e todos. Menos do Benfica e de Portugal.



Eusébio não era avançado (mas jogava como os avançados)

Quem viu Eusébio jogar, conhece a sua história como futebolista e coloca Eusébio no grupo dos avançados está a iludir, a simplificar ou a enganar. Se não viu e contaram-lhe tem perdão. Enganaram-no. Caso contrário, não! No Benfica os avançados eram José Águas, José Torres, Vítor Baptista, Jordão ou Artur Jorge, por exemplo. Mas houve muitos mais que jogaram com Eusébio. Até José Augusto, Simões, Nené, Cavém, Iaúca ou Serafim, por exemplo, eram mais avançados que Eusébio.  Jogavam com o número 9, até com o 7, 10 ou 11. Eusébio jogava com o 8. Béla Guttmann colocou-o na posição 8. Seria interior-direito, portanto um centrocampista, na velhinha mas eficaz táctica do WM. Eusébio seria o "topo da primeira parte do M". Coluna o topo da segunda parte e nas três bases do M, os três avançados: José Augusto, José Águas e Cavém (depois Simões). Eusébio jogava na linha média?!



Eusébio não era centrocampista (mas jogava como os médios)

Ter Eusébio na equipa era como jogar com doze. Melhor! Era como jogar com onze tendo um jogador que permitia desdobrar o onze. Eusébio jogava atrás dos três avançados (extremos direito e esquerdo mais o avançado-centro) dando-lhes jogo, fazendo-os estar por dentro do jogo, tabelando no meio-campo com os outros três médios e baralhar os adversários. Eusébio nunca foi avançado-centro ou só foi o jogador mais avançado da equipa (ponta-de-lança) quando a idade, mas em particular, as operações aos joelhos obrigaram o fabuloso futebolista a ter menos fulgor físico e menor mobilidade. Passou "três quartos" da sua vida de futebolista atrás dos avançados.



Eusébio não era avançado-centro (mas marcava golos à avançado-centro)

Capacidade de fintar em progressão, superioridade física perante os defesas contrários, improviso e remate fácil colocavam-no frente às balizas contrárias. Com muita frequência e em posição privilegiada para marcar. Ele construía as suas jogadas de golo e tinha o poder supremo da decisão final: passar ou rematar. Em qualquer delas era exímio. Um goleador de "Outro Mundo" e dimensão planetária.



Eusébio era goleador sem ter essa posição no campo

Fazia arrancadas fulminantes pelo meio-campo no tempo em que o Benfica jogava com três defesas e quatro médios. Depois com quatro defesas e três médios. Era Eusébio que vinha ao meio-campo do Glorioso buscar jogo, endossado pelos defesas, e progredir pelo meio-campo contrário a driblar, fintar e esgueirar-se, ultrapassando adversário após adversário para na zona das decisões ser eficaz. Um notável jogador de equipa podendo ser individualista. Mas não era. Era da equipa e para a equipa jogava e fazia jogar.



Eusébio fazia golos de toda a maneira e feitio

Em década e meia a jogar no Glorioso marcou golos atrás de golos, em todas as competições, adversários e continentes. O Mundo maravilhou-se com os seus golos numa paleta de sons, cores, ritmos e tons impressionante: a fintar, a rematar, a fintar e depois rematar, a driblar até entrar pela baliza, a rematar a meio do meio-campo, de pontapé canto directo ou mesmo, passando a bola por cima dos defesas contrários, como se jogasse voleibol com os pés.



Eusébio fez mais assistências para golo do que os golos que marcou

O futebolista sem paralelo era um portento de técnica e força, uma máquina perfeita no acto de rematar (como a fotografia ilustra). Mas deu muitos mais golos a marcar do que aqueles que concretizou. Não deve haver na História do Futebol Mundial um goleador que seja ou tenha sido tão pouco egoísta como Eusébio. Todos os avançados queriam vir para o Benfica para jogar com Eusébio. Pudera. Arriscavam-se a ser os melhores marcadores das competições, nacionais ou internacionais, como José Águas, José Torres, Vítor Baptista, Artur Jorge ou Jordão.



Eusébio não estacionava frente à baliza. Marcava todos os pontapés livres

Como não era interesseiro e individualista, nem procurava protagonismo de vã glória, Eusébio não vivia junto da baliza adversária. Uma heresia para os goleadores egoístas da actualidade. Jogava onde era mais útil à equipa. Onde melhor o Benfica podia aproveitar as suas enormes capacidades e versatilidade. Por isso a bola era dele quando havia um livre, mesmo a 40 metros da baliza. Estava instalado o terror nas barreiras defensivas e guarda-redes contrário. Que iria Eusébio decidir? Como bateria ele a bola? Como executaria o pontapé? Seria directo ou colocaria a bola, com precisão, velocidade e potência num outro colega postado na grande-área contrária?  A capacidade era tal que antes de correr para a bola ainda nada tinha decidido. Começava a correr, olhava para a frente, decidia rapidamente, metade instinto, metade observação e depois rematava na nesga que antevira ou colocava num jogador que percebia poder estar em posição de marcar. Difícil? Fácil. Era Eusébio.


Eusébio nunca estacava junto da baliza. Marcava pontapés de canto

Poucos sabem, porque infelizmente pouco se fez por Eusébio em termos daquilo que realmente fazia, do modo como jogava e fazia jogar. Fez-se muito em manter o Mito (não deixando que fosse esquecido) e venerar a Lenda (mantendo-o figura pública) mas pouco, muito pouco, em mostrar o Futebolista genial, único, generoso e por tudo isso, incomparável. Eusébio era o marcador de pontapés de canto. Um goleador vai para junto da baliza. Um dos maiores goleadores do Futebol Mundial, Eusébio afastava-se dela cerca de 30 metros para colocar a bola num jogador do Glorioso. Porquê? Por que sim. Por que assim o Benfica ficava mais perto de marcar golos. Uma bola batida por Eusébio a 30 ou 40 metros era meio-golo. E era isso que interessava. Eusébio marcou mais de uma centena de cantos. Duas dúzias deram origem a golos. A este propósito há um jogo histórico, na 8.ª jornada do campeonato nacional da I Divisão, na temporada de 1966/67, frente ao FC Porto. Eusébio marca de canto directo com o pé esquerdo, na primeira parte. No segundo tempo marca um canto com o pé direito para assistir a cabeçada de José Augusto e depois faz o seu segundo golo, no 3-0 do Glorioso, após driblar portistas sem receita para o travar. Difícil? Fácil. Era Eusébio.


Eusébio foi um inovador

Chegou ao Benfica rotulado de promissor. Guttmann percebeu que com ele o Benfica tinha um centrocampista que jogava como avançado e um avançado que sabia ser médio. Jogava, fazia jogar, marcava e dava golos a marcar. Um goleador que jogou uma década a servir os avançados e cinco épocas finais como ponta-de-lança. Um futebolista que marcava porque sim e jogava porque a equipa tinha dinâmica de vitória e o Benfica ambição de conquistar. Uma glória eterna do Planeta Futebol, do Mundo, da Europa, de África, de Portugal, de Moçambique e do Benfica. Só há um futebolista superior a Eusébio! Eusébio da Silva Ferreira.



Eusébio é Eusébio. Chega!

Apenas a pequenez, atraso, isolamento e debilidade das gentes que dão visibilidade ao futebol português não permitiu o real conhecimento do muito que fez. Em Portugal e no estrangeiro. Só que sendo assim, tudo o que Eusébio conseguiu, toda a fama e reconhecimento público, foi à sua custa. Dele e do Benfica que o levou - a jogar, fazer jogar, assistir meios-golos e marcar muitos mais - a todos os quatro cantos do Mundo. Nunca precisou de fazer-se passar por aquilo que não era. Nem construir surpresas públicas mascaradas, programadas e filmadas. Nunca precisou. Nunca teve propaganda. E se a desejou ter não a teve. E mesmo assim há um ano, quase 40 anos depois de deixar de jogar foi o que se viu!

E querem comparar Eusébio a quê ou quem? Não se pode comparar o que não tem comparação!


Em 26 de Fevereiro deste ano estive no local onde repousará para a eternidade (clicar)

Alberto Miguéns


PERCURSO DA TRASLADAÇÃO

5 comentários
comentários
  1. Obrigado Eusébio, obrigado Alberto.
    Saudações Benfiquistas

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  2. Caro Alberto,

    Muito obrigado por este artigo tão bonito sobre o King. As pessoas conhecem muito mal o Eusébio porque no tempo em que ele jogava os jogos não davam na televisão. Ou seja, o homem fez centenas de jogadas geniais (eu tive o privilégio de assistir a muitas delas) que se perderam para sempre...
    Já agora, talvez me possa esclarecer esta dúvida: quantos penalties o Eusébio apontou na sua carreira, e quantos desses foram falhados. Sei que falhou muito poucos, por isso deve ter uma percentagem de acertos bem acima dos 90 por cento, algo com que os craques de hoje em dia nem sonham...

    Um abraço,
    AV

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    Respostas
    1. Caro António Viegas,

      Pelo Benfica marcou 74 grandes penalidades e falhou sete!

      Saudações

      Alberto Miguéns

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  3. Sublime!!!!!!!!!!!!!!!

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  4. Anónimo3/7/15 13:18

    .....SR DR ALBERTO.....MUITO OBRIGADO.....uma vez mais o SR DR É A VOZ DO SENTIMENTO DOS MILHÕES DE BENFIQUISTAS.....MUITO OBRIGADO POR TRANSPOR AQUI NA SUA PÁGINA A HOMENAGEM QUE (como eu)OS MILHÕES DE BENFIQUISTAS HUMILDES QUEREM DEDICAR AO REI EUSEBIO......nesta altura NÃO VOU COMPARAR.....O DR MIGUÉNS DEIXA AQUI O VERDADEIRO LEGADO DO REI EUSEBIO.....COMO JOGADOR COMO HOMEM....MAS PORQUE FOI TAMBEM A IMAGEM DA ESPERANÇA DE UM POVO( Á ÉPOCA) SOFRIDO...REI EUSEBIO E RAINHA AMALIA VÃO AGORA TAMBEM NO OUTRO LADO DA VIDA FICAR JUNTOS REZANDO PELO SEU POVO...QUE AMARAM E QUE FORAM AMADOS POR ESSE MESMO POVO......já perdoei aos mendes e federações (,CANALHAS) desta vida.....PORQUE O REI JÁ LHES PERDOOU.....BEM HAJA SR DR ALBERTO MIGUÉNS......abraço

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