A criação deste Blogue, ideia de António Melo, tem como objectivo divulgar, defender o Sport Lisboa e Benfica e a sua Gloriosa história. Qualquer opinião aqui expressa vinculará apenas o seu autor, Alberto Miguéns.

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30/03/2014

A Resistência de Álvaro Gaspar

30/03/2014 + 2 Comentários API
OPINIÃO

ÁLVARO GASPAR
Nascimento: 10 de Maio de 1889
Primeiro jogo: Desconhecido (por enquanto)
Primeiro jogo referenciado (2.ª categoria): 24 de Outubro de 1909 (20 anos)
Estreia na 1.ª categoria: 25 de Setembro de 1910 (21 anos)
Último jogo na 1.ª categoria: 1 de Março de 1914 (24 anos)
Último jogo com o "Manto Sagrado": 11 de Abril de 1915 (25 anos)
Falecimento: 3 de Setembro de 1915 (26 anos)
Funeral: 5 de Setembro de 1915 (para o Cemitério da Ajuda)

Tal como referi em 1 e 5 de Março as informações acerca do futebolista Álvaro Gaspar concentram-se entre 1910/11 e 1913/14.

1907/1908 (18 anos)




Em que época começou a jogar?
Pela Ficha de Inscrição que deve ter sido preenchida no início de 1912/13, quando Álvaro Gaspar tinha 23 anos, ele escreveu que jogava há sete anos sempre no SL Bemfica (ainda e até 1945 com mê) sem interrupções. Deve ter sido preenchida antes do início da época, pois segundo Rogério Jonet essa era a prática no Clube. Todos a preenchiam até o Capitão-Geral (treinador e organizador das equipas) Cosme Damião. Se jogava há sete anos e ininterruptamente, começou em 1905/06 ou 1906/07.

A estrutura do futebol gloriosíssimo
Para além das três categorias com futebolistas escolhidos em função das suas capacidades sem preocupação da idade o Sport Lisboa criou uma equipa de Infantis, que naquele tempo significava futebolistas "exclusivamente jovens", ou seja, sem veteranos. E deviam de ser além de muito novos, atletas franzinos com pouca capacidade física. Pois se a tivessem integravam uma das três categorias. O Benfica só criou uma 4.ª categoria (ou seja com futebolistas escolhidos em função das suas capacidades e não da idade) em 1909/10, com estreia em 14 de Novembro de 1909.

Estreias das categorias
Categoria
1.ª
2.ª
3.ª
4.ª
Época
1904/05
1904/05
1906/07
1909/10
Data
1
Janeiro
19 Fevereiro
3
Fevereiro
14
Novembro
Resultado
V 1-0
V 1-0
V 3-0
V 1-0
Adversário
Grupo do Campo de Ourique
Grupo do Campo de Ourique
Internacional (CIF)
Sport Grupo Palhavã
(1.ª categoria)

1907/08 - Uma época importante na história do Clube: resistência e renovação
O final da temporada de 1906/07 foi penoso para o Sport Lisboa. A deserção de oito dos principais futebolistas e mais alguns associados (ex-futebolistas) para o Sporting CP colocou em causa a própria existência do Clube fundado em 28 de Fevereiro de 1904. Até porque apercebendo-se que o Sport Lisboa não teria 1.ª categoria houve futebolistas, que não indo para o Sporting CP escolheram outros clubes para continuarem a jogar na principal competição, o campeonato regional da 1.ª categoria, como foi o caso de David José Fonseca que ingressou num clube importante na primeira década do século XX, o Football Cruz Negra. Um clube que merecia ser estudado mais ao pormenor pois formou algumas das primeiras Glórias do Benfica, como Henrique Costa e Artur José Pereira.

O Football Cruz Negra em 1907/08. De cima para baixo. Da esquerda para a direita. Alípio Mota Veiga, António Neves Vital, Jorge Aldim, Henrique Amorim, António Bentes e Travassos Lopes; Octávio Teixeira Bastos, Roberto Matos, Augusto Freitas, Carlos Alsen e David José da Fonseca (começou a época neste clube)
Reconfiguração das categorias no Sport Lisboa
Sabe-se que os resistentes do Sport Lisboa, em particular Cosme Damião, Félix Bermudes e Marcolino Bragança (todos futebolistas da 2.ª categoria) decidiram, entre muitos outros assuntos, reconfigurar as categorias e fazer uma campanha de angariação de futebolistas dos pequenos clubes de bairro existentes em torno de Belém - Pedrouços, Restelo e Ajuda, por exemplo. Assim, inscreveram os futebolistas da 2.ª categoria de 1906/07 como 1.ª categoria no campeonato de 1907/08, a 3.ª categoria de 1906/07 como 2.ª categoria em 1907/08 e a chegada de novos futebolistas permitiu continuar com a 3.ª categoria. Como sabemos (ver o texto publicado em 16 de Março de 2014) a 2.ª e a 3.ª categoria do Sport Lisboa venceram os torneios do Internacional. Oficialmente em 1907/08 continuou a existir - tal como em 1906/07 - apenas um campeonato regional, o da 1.ª categoria. E em 1907/08 nem houve torneios como o do Internacional, apenas jogos particulares para as 2.ª e 3.ª categorias.

Porque não aparece o Chacha na renovação das equipas?
A relação da "crise de Maio de 1907" com Álvaro Gaspar traz outro enigma. Apesar das notícias serem escassas para as duas categorias "menos mediáticas" Álvaro Gaspar nunca aparece referenciado nos jogos da 2.ª e 3.ª categoria. Contei sete jogos da 2.ª categoria, cinco com indicação dos futebolistas. Não consta! E há uma fotografia da 2.ª categoria no final da temporada. Ele não consta desse onze. Se bem que essa equipa/fotografia também possa ser do início da temporada seguinte (1908/09). Mesmo sabendo-se que o Clube tinha falta de futebolistas o (quase...) certo é que o franzino Álvaro Gaspar, se jogou, foi na 3.ª categoria, que teve escassos jogos. Referenciei quatro encontros, mas em nenhum são referidos nomes dos jogadores.


A 2.ª categoria do Sport Lisboa em 1907/08 ou 1908/09. De cima para baixo. Da esquerda para a direita. Adelino Fontes, Constantino da Encarnação, David José Fonseca (regresso), Domingos Simões, Alfredo Machado e Alberto Alves; Virgílio Paula (capitão), Álvaro Corga, João Matos, Francisco França e Carlos Monteiro
Artur José Pereira
Esta temporada de 1907/08 ficou na história do Clube como aquela em que se estreou Artur José Pereira. Este futebolista seria considerado até ao apogeu do nosso Vítor Silva, como o melhor futebolista português de todos os tempos (até aos anos 30). É verdade que mais pelo que fez no Sporting CP (entre 1914/15 e 1918/19) que pelo que fez no "Glorioso" (entre 1907/08 e 1913/14) pois estava "tapado" como médio-centro por Cosme Damião!
Artur José Pereira iniciou-se no Football Cruz Negra (ver NOTA1 no final do texto de hoje) jogando apenas num encontro em 1907/08 no Sport Lisboa, já no final da temporada, em 22 de Março de 1908, na última jornada do campeonato de Lisboa, com vitória por 3-0 do "Glorioso" frente ao Internacional (CIF), com golos de Cosme Damião, Álvaro Corga e António Costa.

A 1.ª categoria (antiga 2.ª categoria) do Sport Lisboa em 1907/08. Os futebolistas tiravam as fotografias pelas posições que tinham em campo. Da esquerda para a direita. Em cima (avançados): Félix Bermudes (capitão), António Costa, António Alves, Eduardo Corga e António Meireles; Ao centro (médios): Luís Vieira, Cosme Damião e Marcolino Bragança; Em baixo (defesa à direita, guarda-redes e defesa à esquerda): Leopoldo Mocho, João Carvalho Persónio e Alfredo Machado. NOTA: No jogo de estreia de Artur José Pereira - 22 de Março de 1908 - o "Glorioso" alinhou com: João Persónio; Leopoldo Mocho e Alfredo Machado, Luís Vieira, Cosme Damião (capitão) e Artur José Pereira; António Costa, Eduardo Corga, Álvaro Corga, António Meireles e Carlos França
Artur José Pereira seis meses mais novo que Álvaro Gaspar
Outro "enigma"! Álvaro Gaspar com vários anos no Clube e seis meses mais velho, o certo é que Artur José Pereira que iniciara a temporada de 1907/08 no Football Cruz Negra estreou-se na 1.ª categoria (e teve visibilidade) muito antes de Álvaro Gaspar. Ambos nascidos em 1889, Álvaro José Gaspar em 10 de Maio e Artur José Pereira em 16 de Novembro. A "única explicação": Enquanto o Chacha era um "franganote", Artur José Pereira era considerado o futebolista mais resistente do seu tempo. Em 31 de Dezembro de 1907, ambos tinham 18 anos, se bem que Artur José Pereira iniciasse a temporada de 1907/08 com 17 anos.

O que diz Mário de Oliveira da temporada de 1907/08?
No capítulo 9 (A primeira crise - e a luta pelo ressurgimento!) Mário de Oliveira, nas páginas 59 e 60, essencialmente, transcreve excertos das duas excelentes entrevistas de Cosme Damião (que para facilitar a leitura e entendimento, transcrevo a vermelho): Para tal efeito (ideia de resistir à debandada dos melhores jogadores para o Sporting), anotamos que o próprio Cosme Damião, na entrevista para o jornal A Bola (n.º 11, em 5 de Março de 1945), não apontou datas (para a ideia de resistir), quando disse que se lançara a ideia da réplica à saída de quase toda a equipa de honra, limitando-se a esclarecer as condições em que apareceu e se desenvolveu: «Marcolino Bragança, jogador esplêndido, talvez por aspirar justamente a alinhar em primeiras categorias, pôs este problema: - Por que não passamos o segundo "team" a primeiro? Concordámos alguns. Eu, por mim, concordei. Marcolino foi a "alma" da resistência. Perdeu o ano, no Liceu. Mas ganhámos todos, com a continuação do Clube.» Esta é a ideia, na sua expressão mais simples. Anotemo-la, porém, em pormenor, servindo-nos do excerto de um discurso de Cosme Damião, transcrito no Sport Lisboa e Benfica (actual O Benfica) n.º 86, de 15 de Julho de 1944: «Porém os mais novos, entre os quais figurava o Marcolino de Meireles Bragança, ao tempo estudante do 4.º ano do Liceu - que deu o grito de alarme para se prosseguir sem desânimo - aceitaram-na bem (a sugestão); e, devido à amizade pura e respeitosa existente entre todos, iniciou-se o chamamento, mesmo daqueles que já se haviam comprometido a representar vários grupos, como o Académico, o Nacional, o Cruz Quebrada, o Sport Benfica e outros.» E já agora fixemos outros pormenores relatados por Cosme Damião: «Devíamos ser ao todo uns trinta ou pouco menos, cheios do maior entusiasmo e da mais leal amizade, mas muito novos... e sem dinheiro. Precisávamos de uma "cabeça pensante" que nos orientasse e ajudasse a dar forma de clube ao que não passava de um "grupo" organizado. Para isso procurámos um dos nossos mais velhos camaradas, Félix Bermudes, já ao tempo um verdadeiro desportista, a quem expusemos o que desejávamos e que acedeu com entusiasmo às nossas solicitações, entregando-me nessa ocasião cinco mil réis para a compra de uma bola de futebol, de que tanto precisávamos, resolvendo-se que continuaríamos com a nossa quota de dois tostões mensais, para atendermos aos futuros encargos do Sport Lisboa. Assim, com aquela fé que remove montanhas, propúnhamo-nos fazer trabalho tão bom, ou melhor ainda, que o que fora executado pelos nossos antecessores.» 
Antes de prosseguir com a transcrição da bela escrita de Mário de Oliveira, duas observações: reservo uma explicação do "valor do dinheiro" para uma NOTA2 no final do texto e chamo a atenção para o facto de Cosme Damião ter ascendido nesta "crise de 1907" a figura importante do Clube (depois de ser "apenas" um dos 24 fundadores, ter escrito a lista com o nome dos fundadores - acta de fundação - e integrado o grupo de futebolistas, essencialmente na 2.ª categoria). Mas Cosme Damião tinha consciência que o Clube "não passava de um grupo organizado" ou seja, essencialmente de futebolistas, distante de um clube bem estruturado administrativamente, com bons dirigentes e boas instalações, com implantação social. Verdadeiramente só mais de um ano depois - em 13 de Setembro de 1908 - com a junção ao Sport Benfica se vai conseguir essa estabilidade que deixaria de vez de pôr em sobressalto futebolistas de enorme valia, mas pouco aptos para grandes organizações burocráticas.
Retomando Mário de Oliveira, na página 61 (capítulo 10 - O Clube há-de viver - e vive!): A primeira manifestação do regresso à actividade consistiu na inscrição do Sport Lisboa no campeonato da Liga de Football. Cosme descreveu bem, no seu discurso de 1944, o elevado significado que este acto assumiu para a História do Futebol: «Chegou o dia das inscrições para a época de 1907-08; e na reunião dos delegados dos clubes e grupos concorrentes, o nosso fez-se representar perante a admiração dos que na reunião iam tomar parte e contavam já com a dissolução do Sport Lisboa. Foi também um aborrecimento para os que tiveram que alhear-se do torneio por não poderem concorrer, visto contarem com jogadores nossos. E isso aconteceu, que me recorde, aos delegados do Sport Benfica, do Académico e do Cruz Quebrada.» Coube a Silvestre José da Silva ser o portador da inscrição do Sport Lisboa e seu delegado à reunião em referência. Assegurada a inscrição do Clube no campeonato regional então em preparação, de novo apenas para primeiras categorias, continuou o trabalho de se tentar o regresso de todos os jogadores que se haviam espalhado por outras colectividades, e começou um outro também de grande importância para o Sport Lisboa - a montagem da sua máquina administrativa. 
Posso acrescentar, além de uma NOTA3 no final deste texto referente a Silvestre José da Silva que um dos clubes que também não resistiu ao "regresso dos nossos heróis futebolistas" foi o Football Cruz Negra que mesmo assim se inscreveu, mas muito debilitado em 1907/08 no final desta temporada se apagou para sempre das páginas da história do futebol português.

Álvaro Gaspar pode ter sido franzino, mas resistiu pelo "Glorioso" em Maio de 1907. Disse não à debandada...

Alberto Miguéns

NOTA1: Em relação a Artur José Pereira, que jogou em três clubes mediáticos - SL Benfica, Sporting CP e CF "Os Belenenses" - muito se tem dito e escrito acerca do seu início como futebolista. Há referências ao Sport União Belenense e ao Ajudense FC, clubes que apenas em 1908/09 participaram no campeonato de Lisboa! A única referência escrita, ainda no tempo em que estava vivo (faleceu em 6 de Setembro de 1943) data de 1940. Por isso dou-a como validada. Certamente que sabiam do que falavam.


História dos Desportos em Portugal - O Futebol; Tavares da Silva, Ricardo Ornelas e Ribeiro dos Reis; Colaboração de Mário de Oliveira para o Futebol; Editorial Inquérito; Lisboa; 1940

NOTA2: Cinco mil réis equivalem a cinco escudos, ou seja, dois cêntimos e meio do euro. Dois tostões eram duzentos réis, ou seja, vinte centavos do escudo, porque antes do euro, um escudo eram dez tostões ou mil réis. Já poucos se lembram disto! Estou a ficar MESMO velho! Segundo Cosme Damião uma bola de futebol custava cinco mil réis. Ao preço da época (1907) uma grama de ouro valia 565 réis, ou seja, uma bola valia quase tanto como dez gramas de ouro. Quase que era "criminoso" pontapear uma bola! Actualmente dez gramas de ouro valem 300 euros!

NOTA3: Silvestre José da Silva nasceu em 31 de Dezembro de 1876 e faleceu em 13 de Junho de 1952. Aluno casapiano onde se iniciou no futebol, integrou a equipa, um dia depois de completar 28 anos, que estreou em campo o Sport Lisboa e marcou o primeiro golo do Clube. Por isso, ao que parece, passou a capitanear o "primeiro team" do Sport Lisboa. Silvestre Silva foi professor e Subdirector da Casa Pia de Lisboa. Merece um dia destes ter um texto no EDB acerca da sua importância no Clube. Tal como Marcolino Bragança.

NOTA FINAL: Por dificuldades técnicas - impossibilidade por excesso de informação - para que resulte com eficácia (publicar fotografias e documentos a ilustrar os textos) "A Vida Desportiva de Álvaro Gaspar Numa Dúzia de Datas" está programada para os seguintes dias (coincidindo com efemérides relativas à relação d Álvaro Gaspar com o Clube):

PUBLICADO
1.       01.Mar.2014       O Último Jogo;
2.      05.Mar.2014      O Debutante (1905/06);
3.      16.Mar.2014       O Crescimento (1906/07);
4.      30.Mar.2014      A Resistência (1907/08);

A PUBLICAR
5.      09.Abr.2014       O Primeiro Título (1908/09);
6.      11.Abr.2014        O Reservista (1909/10);
7.      25.Abr.2014       A Titularidade (1910/11);
8.      26.Abr.2014       A Ficha (1911/12);
9.      05.Mai.2014       O Brasil (1912/13);
10.    10.Mai.2014       A Derradeira Glória (1913/14);
11.     03.Set.2014        A Última Época (1914/15);
12.     05.Set.2014        O Legado  

Aquando do 100.º aniversário do seu falecimento, em 3 de Setembro de 2015, conto fazer um "Especial" que junte os 12 textos e mais algum ou alguns se entretanto os tiver feito!

Plano até final do mês de Março no EDB 
(Previsão sempre à meia-noite):
De 30 para 31: Sobrevivemos a (mais...) uma Proençada!?;
De 31 para 1: O Último dos Grandes: Gastão Silva!;
De 1 para 2: As Pedras Não Partem Corações;
De 2 para 3: Eu Benfiquista no "Museu do FCP by BMG";
De 3 para 4: O Benfica na Holanda das Papoilas Rubras

Plano para Abril (até dia 25)
De 7 para 8: Mais Uma Etapa;
De 8 para 9: Álvaro Gaspar (5.ª parte de 12);
De 9 para 10: Álvaro Gaspar (6.ª parte de 12);
De 10 para 11: Alkmaar em Lisboa;
De 11 para 12: O Nosso Mundo Nunca Mais Foi o Mesmo;
De 13 para 14: Arouca é Benfica!;
De 16 para 17: Tira-teimas com patadas-e-tudo;
De 20 para 21: A Três Rondas do Final;
De 21 para 22: Álvaro Gaspar (7.ª parte de 12);
De 22 para 23: Álvaro Gaspar (8.ª parte de 12);
De 24 para 25: Gosto de Quem Responde Antes de Perguntar
2 comentários
comentários
  1. Caro Alberto,

    tanta e excelente informação! De uma primeira e rápida leitura acabo por ter algumas questões e comentários que para facilitar passo a enumerar:

    1 - Tinha ideia que o Cruz Negra teve uma existência ainda mais efémera. O pouco que me vem à memória de ter lido é que seria o clube dos Mascarenhas (?) e que teria algo a ver com dissidências do Campo de Ourique ou do Império, não sei bem. Francamente algo nebuloso e por isso mesmo interessante para mim. Referências na internet não existem muitas. Seria interessante que alguém fizesse essa investigação.

    2 - Pensava também que Henrique Costa era mais da zona de Belém e que treinaria com o grupo dos Catataus no período do efémero Belem Football Club. Desconhecia que Artur José Pereira se formou no Cruz Negra. Havia como disse referências a outros clubes. O seu argumento, usando uma fonte contemporânea é para mim esclarecedor.

    3 - Da fotografia do Cruz Negra em 1907 para além do característico bigode de David da Fonseca, achei curioso que António Neves Vital, outro Casapiano referido nas equipas de 1898, tinha nessa altura uma aparência similar a... Cosme Damião. Está também Augusto Freitas, depois guarda-redes do Benfica e do Sporting.

    4 - Da fotografia da 2ª categoria do SL para além do já mencionado David da Fonseca destacam-se para mim Constantino da Encarnação (que veio a jogar no FCP), Alfredo Machado, Virgílio Paula (depois ligado ao CFB), Álvaro Corga, João Matos, pelo menos estes, viriam a chegar à primeira equipa. Francisco França é interessante. Seria parente de Carlos e de Manuel França, dois dos fundadores?

    5 - Curiosa de facto a ausência de registos para Álvaro Gaspar. Presumo que pelos motivos que anteriromente nos indicou, não havia registos para treinos e para inscrições anuais. Talvez como sugere a questão física fosse determinante.


    6 - Marcolino de Bragança. Como refere, classificado por Cosme Damião em 1945 como jogador esplendido, é um mistério interessante. Brilhou intensamente em 1907 e 1908 e depois eclipsou-se. Qual terá sido a razão, qual terá sido o seu destino?

    7 - Manuel Gourlade... Que papel teve nessa época crítica de 1907-1908? Tanto quanto sei Manuel Gourlade manteve-se como técnico mas pelo que se percebe não terá assumido maior protagonismo de liderança. Ele que nos primeiros 2-3 anos terá sido determinante para aspectos organizativos: aquisição de equipamentos, formação e regras de jogo. Foi um estranho e brusco ocaso. Como se a partida dos Catataus tivesse apagado a sua chama.

    8 - O Sport Benfica que referencia como juntamente com o Académico e o Cruz Quebrada como clubes que receberam jogadores durante o processo de debandada, era o GRupo Sport Benfica? Curioso.


    Muito obrigado!

    Saudações Benfiquistas

    Victor João

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    Respostas
    1. Caro Victor João

      1 - Há poucas informações para o Football Cruz Negra. Daquilo que sei recebeu elementos do Campo de Ourique (penso que a sede do FCN era neste bairro ou perto dele) mas não do Império. Este era de Palhavã e também recebeu elementos do Campo de Ourique. Os Mascarenhas estavam ligados aos Império. quando se desligaram este acabou. O FCN durou poucas épocas, entre 1905/06 e 1907/08;

      2 - Henrique Costa era mestre cordoeiro na Cordoaria Nacional na rua da Junqueira, entre Alcântara e Belém. Onde vivia não sei. Mas em 24 de Março de 1906 jogou pelo FCN - há uma fotografia desta equipa - frente ao Internacional nas meias-finais do Bronze "Viúva Sena". Foi na outra meia-final deste torneio, em 17 de Março que Cosme Damião se estreou no Sport Lisboa frente aos ingleses do Lisbon Cricket Club. Pode ser que em 2015, nos 109 anos desta efeméride consiga fazer um texto com fotografias destes três jogos (duas meias-finais e final entre o Lisbon e o Internacional). Quando digo "AJP e HC formaram-se no FCN" é muito relativo. Aparecem publicamente, pela primeira vez, os seus nomes;

      3 - Há alguns destes jogadores que depois tiveram passagens, mais ou menos episódicas, pelo SCP. Augusto de Freitas foi um guarda-redes consagrado no seu tempo. e penso que era desportista ecléctico;

      4 - Francisco França era o irmão mais novo;

      5 - Não há registos. Por exemplo para Artur José Pereira há apenas um registo antes da época em que aparecem mais registos, 1910/11. E esse registo em 1907/08 está errado porque é numa quinta-feira de Março e não sendo feriado não podia haver jogo;

      6 - Em 1969 vivia em Luanda. Anda há anos a tentar saber dele. Penso que teve uma filha e que esta agora terá - se for viva - cerca de 65 anos;

      7 - Em 1907/08 ainda estava registado como sócio do Sport Lisboa. E costa que orientava o futebol. E consta dos sócios que transitaram para o SLB. O problema foi dele trabalhar como intérprete (tradutor) no Porto de Lisboa e não poder ter presença assídua em Benfica. Foi-se desligando, acabando por ser Cosme Damião a assumir o cargo, como capitão-geral em 1 de Maio de 1909;

      8 - Certo. O Grupo que depois unido ao Sport Lisboa passam a ser conhecidos por SLB. O Sport Benfica sempre quis ter futebol, mas não conseguia atrair futebolistas com capacidade para representar o clube. Quando o Sport Lisboa quase acabou estiveram para receber alguns futebolistas. A resistência do Sport Lisboa como clube em 1907 fez com que em 1908, Félix Bermudes e Cosme Damião pudessem impor condições aos dirigentes do Sport Benfica para se juntarem, mas serem os futebolistas do Sport Lisboa a dirigirem o futebol. O Sport Benfica aceitou que os dois clubes tivessem individualidade. Com o tempo isso diluiu-se. Era quase conseguir a quadratura do círculo!

      Alberto Miguéns

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