A criação deste Blogue, ideia de António Melo, tem como objectivo divulgar, defender o Sport Lisboa e Benfica e a sua Gloriosa história. Qualquer opinião aqui expressa vinculará apenas o seu autor, Alberto Miguéns.

SEMANADA: ÚLTIMOS 7 ARTIGOS

18/12/2013

Clube do Regime? Qual Regime?

18/12/2013 + 5 Comentários
OPINIÃO

Álvaro Cunhal: Fotobiografia; página 109; Edições Avante!; Julho de 2013; Lisboa
NOTA: A Intersindical foi fundada em 1 de Outubro de 1970, por representantes de quatro sindicatos de Lisboa (metalúrgicos, lanifícios, bancários e caixeiros). Esta reunião de bancários é apontada como decisiva para a formação da Intersindical, seis meses depois


Desconhecia este facto histórico, mas não foi surpresa encontrar esta fotografia e respectiva legenda quando li o livro “Álvaro Cunhal: Fotobiografia” – das edições Avante!

O “Glorioso” e o Regime
Clube de Liberdade, fundado e desenvolvido por gente sem medo, despretensiosa e sem querer benefícios, a não ser dos seus associados, o Benfica para ser gigante alicerçou a sua grandeza e popularidade, em minha opinião (que vale o que vale) em quatro premissas geradas por uma quinta e estas cinco originaram uma sexta:

1. A principal figura do Clube (e um dos fundadores) acompanhou o crescimento do Clube - desde incipiente (1904) até uma fase já de forte implantação (1926) - durante 22 anos. Ao contrário dos outros clubes mais conquistadores, por isso também os mais populares: José de Alvalade (1906-1915) morreu em 1918 mas já não era associado desde 1915 (acompanhou o SCP durante os primeiros nove anos) e José Monteiro da Costa (1906-1911) durante cinco anos. E estes até eram os principais fundadores, ao contrário de Cosme Damião que só se torna a principal figura depois de Maio de 1907;

2. No Benfica não havia discriminação, ao contrário de todos os outros clubes. Por exemplo, no "Glorioso" cada um tinha um voto e ocupava um lugar no campo conforme chegasse mais cedo ao campo. Só havia lugares para sócios e não sócios. Não havia sectores a dividir os lugares para sócios. No SLB só passou a haver divisão entre sócios, em dois sectores - titulares e não titulares - com a construção do Estádio das Amoreiras;

3. No Benfica as Direcções eram eleitas com amplos poderes, mas tudo o que fosse considerado muito importante era decidido em assembleia geral. Em 22 de Novembro de 1906, como o clube ainda era maioritariamente constituído associativamente por futebolistas, foram eleitos os quatro dirigentes (Januário Barreto, José Rosa Rodrigues, Daniel Santos Brito e Manuel Gourlade) mais os dois capitães das duas equipas de futebol: Fortunato Levy (1.º team) e Félix Bermudes (2.º team). Os associados sentiam que eram eles que dirigiam - nas questões fundamentais e estratégicas - o Clube;

4. No Benfica as Eleições eram livres, ou seja não havia restrições aos associados que quisessem votar e podiam, cumprindo as normas dos Estatutos, fazer as listas que quisessem (no limite todos os associados se podiam agrupar em três Órgãos e candidatar-se) para TODOS poderem escolher. Mas havia o bom senso - que começou no Sport Benfica em 1906 e depois continuou tradição, porque se percebia que era o melhor para o Clube - de apenas apresentar uma lista que contasse com as sensibilidades mais representativas dentro do Universo Benfiquista. Só houve duas eleições - 1926 e 1946 - de ruptura onde as sensibilidades deixaram de o ser, por que eram antagónicas. Isso acabou com as euforias da década de 60 onde o Benfica começou a dar prestígio a quem fosse seu Presidente e mesmo director ou dirigente. O importante disto (1904 - 1965) é que os associados sentiam que os dirigentes eram a sua continuidade e não uma imposição.

Esta é a minha visão para explicar o porquê do Benfica ter nascido igual aos outros (ou até mais pequeno, por que mais pobre e desorganizado) mas ter crescido mais. Não foi por acaso ou por ter sido escolhido por algo misterioso e sagrado. Claro que há uma 5.ª característica (que permitiu as tais quatro premissas) também importante, provavelmente a mais importante:

5. Ter como base uma grande equipa - duas grandes equipas - de futebol. Ganhar logo a clubes consagrados, porque mais antigos e afamados e com jogadores com nome feito, trouxe simpatia e popularidade ao SL entre quem acompanhava o futebol em Portugal.

Havia quatro premissas que nos distinguiam claramente dos outros, sustentadas numa 5.ª característica. E deixo de fora uma 6.ª por que quantitativa:

6. Fomos sempre em maior número, mesmo que nos anos 40 pouco mais que os sportinguistas, mas sempre mais.

Enquanto o Benfica alugava as instalações a um sindicato livre…
O Sporting CP promovia homenagens e exibições públicas a figuras contestadas, e prestes, a cair em desgraça!


Marcello Caetano; Fotobiografias Século XX; página 177; Direcção de Joaquim Vieira; Círculo de Leitores; 2002


Enquanto o Benfica alugava as instalações…
O FC Porto entretinha-se a venerar figuras sinistras, colaboracionistas com alguns dos mais odiados políticos portugueses, para os oposicionistas e democratas (não vou tecer comentários pessoais nem cair na tentação demagógica de afirmar que o “povo português” (como um todo) odiava-os, porque não é possível prová-lo!


Uma sugestiva fotografia com duas figuras do Antigo Regime: António Salazar (Chefe do Governo) e Óscar Carmona (Chefe de Estado), tendo ambos de cada lado, duas das muitas figuras do FC Porto, ambas (a par de Salazar) a fazer a saudação fascista. O primeiro da direita é... Urgel Horta. O primeiro da esquerda é Ângelo César. Dois presidentes - um antigo e outro em actividade - do FC Porto!

O Benfica era “um clube oposicionista” ou “tugúrio de conspirações”?
Não! Era um Clube de Liberdade, que acarinhava quem o servia, sem fazer distinções sectárias! Por isso era agregador e espaço de troca de ideias e ideais.

O Benfica era um clube que “queria estar bem com todos, para de todos beneficiar”?
Não! Era um Clube da Liberdade, que soube ser grande, sem encostar-se a quem quer que seja, seja em que Regime for! Ganhou na Monarquia, na I República, durante o Estado Novo e em Democracia! Confiava nos Benfiquistas. Promovia e procurava a competência entre os associados. Tinha eleições livres, elaboração de listas eleitorais universais (sem restrições a não ser as Estatutárias de bom senso) com as principais decisões discutidas e votadas em assembleia geral.

L-I-B-E-R-D-A-D-E, C-O-R-A-G-E-M e A-U-T-O-R-I-D-A-D-E
Ceder um espaço privilegiado e nobre, como o Pavilhão dos Desportos, construído sob a Nave do Terceiro Anel, em 1970, para um Sindicato Livre fazer o seu congresso não era para todos. Muito menos para o Sporting CP e FC Porto, clubes com promiscuidade – desportiva e política - de dirigentes, entre os clubes e organismos corporativos e repressivos do Estado Novo.

LIBERDADE: Foi ao Sindicato Livre dos Bancários, como podia ser a um Sindicato Corporativo. Ao que sei (e não consegui, ainda, conhecer bem este “assunto” pelo facto desta “descoberta” ser recente) o Sindicato teve dificuldade em encontrar instituições privadas - porque as públicas estavam-lhes interditadas - que disponibilizassem um espaço amplo (que em 1970 não abundavam em Portugal). No Benfica encontraram disponibilidade pois havia dirigentes que simpatizavam com a “causa”;

CORAGEM: Como não procuravam benefícios dentro do Regime, os Dirigentes Benfiquistas estavam à vontade para cederem (alugarem?) as suas instalações a entidades “não-alinhadas politicamente”;

AUTORIDADE: A independência face ao Poder Político permitia tomar as decisões que mais interessassem ao Clube em vez de ter receio de perder simpatias e benefícios. Intocável.

FC Porto: Clube do Regime desta Democracia, na actualidade, degenerada e achincalhada
O FC Porto é que é o verdadeiro clube do Regime, deste regime, que se vai degradando à medida que o ano de 1974 vai ficando cada vez mais longínquo. Ou como diria o Benfiquista Salgueiro Maia, herói do 25 de Abril: O Estado a que isto chegou!

Salgueiro Maia

Um Clube Glorioso: À vontade em 25 de Abril de 1974 como antes e depois, desde 28 de Fevereiro de 1904
Se o Benfica tivesse sido o Clube do Regime, teria com o final deste sérias dificuldades em sobreviver, quanto mais vencer. Seria apontado como um mau exemplo, algo de odioso. Ora não foi isso que aconteceu. O Benfica foi o clube mais à vontade logo nesse dia 25 de Abril de 1974 e dias seguintes. Em 1 de Maio de 1974 (que nesse ano ainda não era feriado oficial, se bem que fosse declarada uma universal tolerância de ponto) o Benfica enviou uma delegação - chefiada pelo presidente da Direcção Borges Coutinho - à Cova da Moura (onde estava localizada a Junta de Salvação Nacional) para saudar o advento da Democracia e colocar o clube à disposição de Portugal. E não o fez 48 anos antes, no 28 de Maio de 1926, nem nunca utilizou esta data, ao contrário do Sporting CP que denominou o seu estádio no Campo Grande, como "28 de Maio" e o FC Porto que inaugurou o estádio das Antas, em 28 de Maio de 1952, para além de ter usufruído, como nenhum outro do Estado Novo recebendo as benesses de ser considerado de utilidade pública, logo em 1928, enquanto o Benfica só o foi em 1960 integrando um grupo de cinco emblemas que estavam excluídos de uma categoria que o FC Porto ostentava há 32 anos.



Benfica: Um clube do Regime nunca dominaria logo nos primeiros anos após a queda do Regime!
O Benfica continuou a dominar o futebol português após 1973/74 (época em que o Sporting CP conquistou o seu 12.º campeonato nacional dos 18 que tem 40 anos depois e a Taça de Portugal). O Benfica fez de imediato um tricampeonato, conquistando metade dos títulos de campeão (dez) nos primeiros vinte anos de Democracia e sete Taças de Portugal, contra oito campeonatos nacionais do FC Porto e cinco Taças de Portugal, menos quatro, dois a menos em cada um dos dois títulos nacionais.
Aliás esta estorieta de colar o Benfica ao Estado Novo nem data do pós-25 de Abril (onde seria coberta de ridículo e seria nefasta para figuras do FCP ainda vivas e estas sim, com fortes ligações aos organismos repressivos e corporativos do Estado Novo) mas foi inventada por Pinto da Costa na segunda metade da década de 90 do século XX para justificar a série de campeonatos nacionais conquistados de modo abusivo, como todos presenciaram nesse tempo. O FCP conquistava agora mais porque antes de 1994/95 o Clube do Regime não permitia.

PRIMEIROS 20 ANOS DE DEMOCRACIA
Épocas
SL BENFICA
FC Porto
CN
TP
CN
TP
1974/75
21



1975/76
22



1976/77
23


8
1977/78


6

1978/79


7

1979/80

19


1980/81
24
20


1981/82





1982/83
25
21


1983/84
26


9
1984/85

22
8

1985/86

23
9

1986/87
27
24


1987/88


10
10
1988/89
28



1989/90


11

1990/91
29


11
1991/92


12

1992/93

25
13

1993/94
30


12
TOTAIS
10
7
8
5
17
13

O FC Porto não é um símbolo da Democracia Portuguesa!
O domínio do FCP é um símbolo da degradação - compadrio, corrupção, tráfico de influências e mediocridade - da Democracia em Portugal! Como as "Escutas do Apito Dourado", no Youtube tão bem ilustram!

ÚLTIMOS 19 ANOS DE “DEMOCRACIA”
Épocas
SL BENFICA
FC Porto
CN
TP
CN
TP
1994/95


14

1995/96

26
15

1996/97


16

1997/98


17
13
1998/99


18

1999/00



14
2000/01



15
2001/02




2002/03


19
16
2003/04

27
20

2004/05
31



2005/06


21
17
2006/07


22

2007/08


23

2008/09


24
18
2009/10
32


19
2010/11


25
20
2011/12


26

2012/13


27

2013/14




TOTAIS
2
2
14
8
4
22

FC Porto! Um dos maiores “motores” da degradação da Democracia
Um Regime desgastado, decrépito e disfuncional. Fonte de corruptos, corruptores, em particular no Poder Autárquico. Entre muitas “vigarices pintodacostistas”:

1.      O único PDM (Plano Director Municipal) suspenso foi o do Município do Porto (para permitir urbanizar e comercializar o espaço desportivo envolvente ao anterior estádio das Antas) destinado pelo PDM a fins lúdicos;

2.    O Município de Gaia é um dos mais endividados e, também, o que maiores benesses (borlas e “semi-borlas”) concede ao FC Porto, com Sede no outro lado do rio;

3.    A lista de “personalidades caducas e decrépitas” da política portuguesa que andam no “beija-mão” do “chefe de caixa” é infindável. De "ontem" e de "hoje"! Veja-se o vídeo seguinte(clicar):

É preciso ser trapaceiro e mal-intencionado para criar e propagandear uma mentira tão grosseira: O Benfica era o Clube do Estado Novo!

Alberto Miguéns

NOTA: Os números apresentados, em termos de títulos servem para mostrar que a hegemonia do FCP não coincide com o advento da Democracia, mas sim com a degradação desta. Não servem para apurar responsabilidades dentro do Clube. Isso é outra "história", relacionada com a incapacidade durante os anos 90 dos dirigentes do Benfica perceberem o que se passava e agirem em conformidade.
5 comentários
comentários
  1. Essa mentira é tão absurda que até um fanático sportinguista como o é o Rui Oliveira e Costa se sentiu incomodado com tamanha trapaça e sentiu-se obrigado a contrariar o portista peçonhento dos Blind Zero, que mais uma vez tentava passar essa mentira. Enfim.....quem não os conheça que os compre.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Mas ouvir um "sr." Tavares é deveras revoltante! E então outros ainda ....

      Eliminar
  2. Basta ver que até 74 a selecção não jogou no estádio da Luz . Se fosse clube do regime jogaria certamente algumas vezes.
    De 74 a 94 , o SL Benfica tinha nesse período mais títulos que o FC Porto, qual a razão para o descalabro ?

    ResponderEliminar
  3. Bruno Paiva18/12/13 17:12

    O SL Benfica sempre teve eleições livres ao contrário do FC Porto e do Sporting CP onde o presidente era escolhido através do Conselho Leonino (no fcp nao sei como era mas nao eram os socios de certeza absoluta)

    o programa do Sr Alberto Miguens e do sr Antonio Melo fazem muita falta à Benfica TV e aos benfiquistas. Gostaria de ver novamente em defesa do benfica na programacao!!!

    cumprimentos

    ResponderEliminar
  4. Excelente! As fotografias estão guardadas para publicação imediata.

    Há que divulgar e defender o Benfica!

    ResponderEliminar

Em Defesa do Benfica no seu E-mail