A criação deste Blogue, ideia de António Melo, tem como objectivo divulgar, defender o Sport Lisboa e Benfica e a sua Gloriosa história. Qualquer opinião aqui expressa vinculará apenas o seu autor, Alberto Miguéns.

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04/12/2016

Em Defesa de Lajos Czeizler

04/12/2016 + 6 Comentários
A FOBIA DE APRESENTAR NÚMEROS, ESTATÍSTICAS E VERBORREIA SONORA TOLDA A INFORMAÇÃO. PORQUE GERALMENTE MENTEM.


Tudo é mais grave, por ser óbvio, quando se trata de serem entidades de comunicação do próprio Clube a fazerem isso. Porque para salientar e enaltecer os feitos de uns implica ignorar o que outros fizeram. Chama-se a isso…ingratidão.

No Benfica é muito difícil “bater” recordes
Porque o Benfica é um Clube Glorioso. Grandioso. Com um passado de grandeza que é possível melhorar mas é difícil fazê-lo. E só pontualmente se consegue.

Quando Jorge Jesus estava no “Glorioso”
Bateu alguns recordes (vitórias consecutivas ou jogos consecutivos a marcar golos) e outros que lhe foram inventados à medida – até por alguns espécimes que agora o enxovalham – como o do treinador com mais títulos conquistados. Como se pudéssemos comparar o que não se pode comparar. Como comparar treinadores que têm cinco competições para conquistar (e como se as competições tivessem todas o mesmo "valor") – campeonato nacional, Taça de Portugal, competição europeia, supertaça e Taça da Liga – com treinadores que só tinham três competições para serem jogadas? Jorge Jesus só pode ser comparado com Quique Flores e Rui Vitória. O resto é falácia.

Agora com Rui Vitória
Vira o disco e toca o mesmo. Não vou entrar no jogo das comparações até porque o que me interessa em relação ao nosso treinador é o Futuro. E aí quero que Rui Vitória seja o melhor de sempre. Consiga superar Béla Guttmann que há muito que digo que nem o húngaro, nem Eusébio deviam entrar em “listas”. Serão sempre os primeiros. A não serem é estarem a ridicularizar a “Gloriosa História”! O que me vai incomodando é andarem à volta das percentagens de vitórias em relação ao jogos disputados e ignorarem sistematicamente o grande treinador – em termos de percentagem de vitórias – que foi Lajos Czeizler. Foram “só” 81 por cento: 33 vitórias em 41 jogos. Números totais?

Campeonato Nacional      26     21     4       1        103   26
Taça de Portugal                11      10     1        -          56     9
Taça CC Europeus               4       2     1        1          10     9
TOTAIS                                41     33     6       2       169    44

Uma média de quatro golos marcados por jogo. E quatro vezes mais golos que os sofridos.

RESULTADOS DO “GLORIOSO” COM LAJOS CZEIZLER (1963/64)
CAMPEONATO NACIONAL
TP/TCCE
Cl.
Adversários
Casa
Fora
Fase
Casa
Fora
2.º
FC Porto
E 2-2
E 1-1
FINAL
V 6-2
3.º
Sporting CP
E 2-2
D 1-3



4.º
Vitória SC Guimarães
V 2-1
V 4-1



5.º
GD CUF
V 2-1
V 3-0



6.º
CF “Os Belenenses”
V 5-2
E 1-1
MF
V 3-1
V 3-0
7.º
Vitória FC Setúbal
V 5-2
V 4-2



8.º
Leixões SC
V 7-0
V 5-1



9.º
Ass. Académica Coimbra
V 3-0
V 5-1



10.º
Varzim SC
V 8-0
V 2-0



11.º
Lusitano GC Évora
V 2-0
V 3-1
QF
V 3-1
V 8-1
12.º
Seixal FC
V 10-0
V 3-2



13.º
SC Olhanense
V 8-1
V 3-0



14.º
FC Barreirense
V 8-0
V 4-2



15.º
SC Salgueiros
II DIVISÃO/ ZN
1/8
V 3-1
E 1-1
13.º
SC Vianense
II DIVISÃO/ ZN
1/16
V 9-0
V 8-1
6.º
Luso FC Barreiro
II DIVISÃO/ ZS
1/32
V 6-1
V 6-0
7.º
Distillery FC Belfast
IRL. NORTE
1/16
V 5-0
E 3-3
4.º
BVB Dortmund
R. F. ALEMÃ
1/8
V 2-1
D 0-5
NOTA: Classificações obtidas pelos clubes em 1963/64

Lajos Czeizler foi uma máquina trituradora
Começou a brilhar naquilo que se chama pré-época na actualidade.

Conquista do Troféu Ramón de Carranza
O Benfica depois de se afirmar na Europa foi convidado para disputar o 9.º troféu Ramón de Carranza. Nas meias-finais o “Glorioso” eliminou no sul de Espanha o poderoso FC Barcelona (V 3-2) e na final esmagou, com uma vitória por 7-3, a AFC Fiorentina que eliminou o Valência CF. Um “cartel” de luxo: SL Benfica (Bicampeão Europeu em 1961 e 1962), CF Barcelona (vencedor das duas edições iniciais da Taça das Cidades Com Feiras, em 1958 e 1960 e finalista vencido na Taça dos Clubes Campeões Europeus em 1961), ACF Fiorentina (vencedor da primeira edição da Taça dos Clubes Vencedores das Taças, em 1960/61) e Valência CF (detentor das últimas duas edições da Taça da Cidades Com Feiras, em 1962 e 1963). Esta passagem pelo “Glorioso” pelo Sul de Espanha ainda no final dos anos 80 era uma referência. Ouvi-o eu em Sevilha e Cádis. Quem quiser saber mais (clicar).



No final da primeira volta do campeonato nacional
O Benfica tentava – e conseguiu – o segundo título consecutivo mas o FC Porto procurava desesperadamente regressar ao título de campeão nacional que lhe fugia há quatro temporadas, desde 1958/59. Ao final de 13 jornadas apenas dois pontos separavam os dois clubes. Dois empates. Embora o SLB tivesse mais dez golos marcados. Lajos Czeizler soube tirar o máximo proveito da célebre frase de Béla Guttmann, que encerrava mais ou menos esta ideia: Com Eusébio em dia bom, mesmo em 3.4.3 o Benfica joga com doze, porque ele é o quarto médio e o quarto avançado ao mesmo tempo.




Ir ao estádio do Restelo
Esmagar o Sporting CP com uma vitória, por 5-0, num troféu que deve ser em termos de valor real (material) o mais valioso do espólio infinito do Clube. A Taça de Ouro da Imprensa. Quem quiser saber mais (clicar). O mesmo SCP que dois meses depois conquistou a Taça dos Clubes Vencedores das Taças.




Esmagar o vice-campeão na Final da Taça de Portugal
No melhor resultado de sempre quando se encontraram no jogo decisivo o campeão e o segundo classificado do campeonato nacional. Seis-a-dois! Sem espinhas! Quem quiser saber mais (clicar).



Faltou a “Terceira”
Mas ela já vem a faltar desde a final de Wembley, em 1962/63, frente ao AC Milan. Mas o que os Benfiquistas queriam era ser novamente Campeões Europeus. E Lajos Czeizler (no jogo decisivo, em Dortmund, infeliz por não poder colocar em campo, Costa Pereira, Germano, Eusébio e José Torres, por exemplo) não foi. Logo…Adeus!

No Benfica não se escolhe…exclui-se
Não aprendem. Irra. A Gloriosa História é-o por isso mesmo. Por ser categórica. Feita com cifras de excelência. São 113 temporadas (1904/05 – 2016/17) a grande parte delas com glória e a terminarem em êxtase. O Benfica não nasceu, cresceu e foi grande ontem ou anteontem! São mais de Cem Anos de Glória.

Tenham juízo
Se puderem!


Czeizler?!
No total da temporada (1963/64) em 54 jogos, o "Glorioso" conseguiu 42 vitórias e seis empates (seis derrotas) marcando 205 golos (64 sofridos). Em 24 jogos marcámos quatro ou mais golos, incluindo cinco jogos com oito golos, um com nove e outro com dez. Em 54 jogos só ficámos sem marcar em...três! Três em 54! Lajos Czeizler? Perdoa-lhes que eles não sabem o que dizem. Dos ignorantes será o reino dos Céus!



Obrigado Lajos Czeizler

Alberto Miguéns

NOTA: Se contabilizarmos as épocas com três ou mais competições oficiais as melhores temporadas "estatísticas" são de Béla Guttmann (82.9 por cento de vitórias - 34 em 41 jogos - em 1960/61) e de Jimmy Hagan (83.3 por cento de vitórias - 30 em 36 jogos - em 1972/73) 
6 comentários
comentários
  1. Estive a pesquizar (wikipedia) e e engracado que ele treinou o Vasteras,o clube sueco com quem temos o diferendo,o ex-clube de lindelof.

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  2. Grande artigo do Miguens como sempre. Quem quiser saber de Historia do nosso Glorioso, não há quem melhor nos possa elucidar do que Alberto Miguens.Obrigada amigo.

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  3. Obrigado Marley

    Ser elogiado por uma Benfiquista de nível superior é o melhor que há. Porque se baseia na sinceridade.

    Obrigado

    TRIsaudações Gloriosas

    Alberto Miguéns

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  4. Curioso como não ganhou aos nosso rivais no campeonato. Mas na final da Taça de Portugal "deu" 6 ao FCP!
    Nada como o Alberto para escavacar os "estatísticos das modas" e fazer justiça aos nossos Ases do passado.
    Muito bom! Obrigado.

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    Respostas
    1. Caro Victor Carocha

      É a nossa obrigação. O Benfiquismo é o somatório dos Benfiquistas. quando um de nós conhece determinado assunto ou aspecto do SLB temos de Honrar os Ases Que Nos Honraram o Passado.

      São intocáveis no que fizeram de bom e bem!

      TRIsaudações (a caminho do TETRA e seis)

      Alberto Miguéns

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  5. O Dr Alberto Miguéns é uma autêntica Beficapedia! Muito obrigado por estes pedaços deliciosos da deliciosa História do nosso Glorioso Sport Lisboa e Benfica.
    Bem haja!

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