A criação deste Blogue, ideia de António Melo, tem como objectivo divulgar, defender o Sport Lisboa e Benfica e a sua Gloriosa história. Qualquer opinião aqui expressa vinculará apenas o seu autor, Alberto Miguéns.

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28/06/2015

Gloriosa Coimbra dos Cinco Troféus

28/06/2015 + 3 Comentários
HÁ PRECISAMENTE 84 ANOS O BENFICA CONQUISTOU O PRIMEIRO TÍTULO NA CIDADE DE COIMBRA.


Que foi o segundo, a nível nacional, na Gloriosa História. O Bi no Campeonato de Portugal - depois da conquista em 1930 - que em 1938/39 a FPF decidiu passar a designar por Taça de Portugal.

X Campeonato de Portugal. 1930/31. Campo do Arnado/ Coimbra. 28 de Junho de 1931. Vitória, por 3-0, com o FC Porto, com golos de Vítor Silva (37’), Augusto Dinis (44’) e Vítor Silva (65’). De cima para baixo. Da esquerda para a direita. Ralf Bailão (1902/1989), Artur Dyson (1912/1965) e Luís Costa (1911/1988); João Correia (1911/1984), Aníbal José (1904/1976) e Pedro Ferreira (1912/1980); Augusto Dinis (1913/1977), Emiliano Sampaio (1911/1991), capitão Vítor Silva (1909/1982), João Oliveira (1904/1978) e Manuel Oliveira (1906/ 1969). Foto tirada no Campo do Arnado (Coimbra)

AVISO: Texto longo acerca da Gloriosa História. Quem não gosta é melhor esperar por amanhã.

O porquê desta efeméride?
Geralmente não se assinalam datas destas com algarismos terminados em 4, apenas em 0 (zero) ou 5 (cinco). Mas aquando da ida a Coimbra, apoiar o Benfica, na final da Taça da Liga fui questionado por um grupo de Benfiquistas coimbrões (ou a viver na cidade) que procuravam saber se o "Glorioso" conquistara o terceiro troféu na cidade, correspondentes às três finais vencidas na Taça da Liga. Disse-lhes que não. Era o quinto. Expliquei e prometi que daí a um mês (estávamos em 29 de Maio) publicaria a resenha dos "Cinco de Coimbra" neste blogue. E as promessas cumprem-se. Entre todos vou dar destaque a este primeiro (1930/31) e ao segundo (1942/43). Os restantes três - 2010/11, 2011/12 e 2014/15 - são contemporâneos.

PRIMEIRO

Campeonato de Portugal em 1931
Foi como titular da competição conquistada em 1930, numa final frente ao FC Barreirense, realizada no Campo Grande (do Sporting CP) que iniciámos a edição de 1930/31. Na primeira eliminatória deslocámo-nos a Portalegre vencendo, por 8-3, o clube local, o SC Estrela, no campo da Fontedeira, com o nosso avançado-centro Vítor Silva a conseguir quatro golos incluindo um “hat trick” perfeito (três golos consecutivos). Nos oitavos-de-final previa-se uma eliminatória equilibrada com o sempre difícil representante algarvio, o SC Olhanense. Na primeira mão no nosso campo das Amoreiras vencemos, por 5-1, mas na segunda mão no campo Padinha, em Olhão saímos derrotados por 0-2. Para desempatar a eliminatória houve que recorrer a um terceiro jogo, já que a diferença de golos não contava para o desempate. Este realizou-se em Setúbal, no campo dos Arcos, do Vitória FC. No final do tempo regulamentar o resultado estava em 1-1. E este resultado manteve-se durante o primeiro prolongamento de 30 minutos. No segundo prolongamento, aos 20 minutos, o SC Olhanense fez 2-1 e o árbitro terminou o encontro. Estávamos eliminados, só que pelos regulamentos o árbitro havia cometido uma ilegalidade já que o segundo período suplementar deveria ter decorrido até ao final, ou seja faltou jogar dez minutos. O Benfica tinha razão, este encontro foi anulado e no jogo de repetição, também em Setúbal vencemos por 2-0. Nos quartos-de-final derrotámos o Lusitano GC, de Évora, na primeira mão por 7-0 nas Amoreiras, e na segunda mão, no campo Estrela em Évora, por 4-2. Nas meias-finais registámos mais duas vitórias, com o Vitória FC, de Setúbal: nas Amoreiras por 3-0 e no campo dos Arcos, em Setúbal, por 2-1. O outro finalista foi o FC Porto. 

Segunda final consecutiva
Estávamos pelo segundo ano consecutivo na final tendo ao alcance conseguir - o feito inédito nas dez épocas de competição - de vencer em dois anos consecutivos o troféu. Estavam em confronto os dois clubes que “à partida” eram os mais fortes, visto os clubes de Lisboa (excepto o Benfica e o Casa Pia AC) não terem participado na competição. Num conflito entre a AFL e a FPF o Benfica manteve-se inflexível e coerente. Se era titular do troféu tinha de o defender em campo. Não podia desistir da competição e entregá-lo por questões processuais. Mesmo assim coube ao Benfica eliminar dois dos clubes considerados candidatos ao título, para além do FC Porto – o SC Olhanense e o Vitória FC, de Setúbal.

Mais de 10 mil espectadores. O campo do Arnado era incomparavelmente o de maior capacidade na cidade nos anos 20 e 30

Na final, em Coimbra, o Benfica mostrou ao FC Porto porque é que o povo português era benfiquista. O jogo da final disputou-se a 28 de Junho de 1931, exactamente há 84 anos, escolhendo-se pela primeira vez a cidade de Coimbra para um embate entre representantes de Lisboa e do Porto. Jogou-se no recinto do SC Conimbricense, o campo do Arnado, localizado perto do centro da cidade, junto ao rio Mondego. Dos quatro campos existentes na cidade - Arnado, Arregaça, Loreto e Santa Cruz - era o melhor, em condições para jogar e receber espectadores. O Benfica treinado por António Ribeiro dos Reis alinhou com: Artur Dyson; Ralf Bailão e Luís Costa; João Correia, Aníbal José e Pedro Ferreira; Augusto Dinis, Emiliano Sampaio, Vítor Silva (cap.), João d’ Oliveira e Manuel d’ Oliveira. O FC Porto, treinado por Joseph Szabo, apresentou-se com: Siska; Avelino Martins e Temudo; Filipe dos Santos, Álvaro Pereira e Anaura; Lopes Carneiro, Valdemar, Norman Hall, Acácio Mesquita e Castro. O Benfica dominou o FC Porto conseguindo marcar golos aos 37 minutos , por Vítor Silva e aos 44 minutos, por Augusto Dinis. No segundo tempo, aos 65 minutos, o nosso avançado-centro Vítor Silva fez o resultado final de 3-0!

Bicampeonato
Duas vitórias sucessivas constituíram caso inédito no historial do Campeonato de Portugal, permitindo ao nosso clube igualar em número de títulos os clubes com mais troféus: FC Porto e CF “Os Belenenses”. Os outros quatro clubes detentores de troféus eram: Sporting CP, CS Marítimo, SC Olhanense e Carcavelinhos FC. No seu regresso a Lisboa, acompanhado por inúmeros adeptos que se deslocaram a Coimbra de comboio, a nossa equipa teve uma recepção verdadeiramente apoteótica! Em noite de S. Pedro - tal como será a de hoje para segunda-feira - o povo cantava alegremente: Olha o Balão, Olha o arraial! Viva o Benfica – campeão de Portugal! A nossa disciplina, ante a Federação, embora correndo o risco de ser castigado pelos dirigentes regionais, reforçou o prestígio do Clube e deu novo impulso à sua popularidade. As manifestações populares em Coimbra durante a final e à chegada a Lisboa foram admiráveis de fervor clubista e constituíram excelente compensação para atitude que assumimos.

Com o tempo tudo muda... Como o tempo tudo altera!
Tudo menos o Benfica!


     Fotografia tirada durante a tarde de 29 de Maio de 2015

SEGUNDO

Campeonato nacional da I Divisão em 1942/43
O Benfica conquistou pela quinta vez, segunda consecutiva, o campeonato nacional de futebol. Ficámos apurados para este IX campeonato nacional (com 10 clubes em 18 jornadas) após obtermos o 2.º lugar no Regional de Lisboa. O Benfica conquistou o Bicampeonato após uma competição de grandes emoções onde chegou a pairar na parte final alguma injustiça quando tudo parecia perdido. O nosso clube dominou a primeira volta conseguindo sete vitórias consecutivas, entre a 1.ª e a 7.ª jornada, incluindo uma espectacular vitória, por 12-2, com o FC Porto no estádio do Campo Grande. À 8.ª jornada uma derrota, por 2-3, no estádio do Lumiar com o Sporting CP permitiu ao CF “Os Belenenses” terminar a primeira volta empatado a 16 pontos com o Benfica. A segunda volta foi mais irregular com uma inesperada derrota, por 1-5, à 12.ª jornada com o Vitória SC, de Guimarães no campo do Bem-Lhe-Vai, clube que havíamos vencido, por 8-3, na 1.ª volta. Uma nova derrota, por 2-5, à 15.ª jornada com o CF “Os Belenenses” no estádio das Salésias, relegou-nos para o terceiro lugar, quando faltavam três jornadas para terminar a competição. Após catorze jornadas em primeiro lugar o Benfica a três jogos do final do campeonato estava agora na 3.ª posição! O Clube fez no entanto um final de prova sensacional com três vitórias consecutivas. No Campo Grande a vitória por 2-1 com o líder do campeonato, o Sporting CP na 17.ª jornada (e penúltima) permitiu regressar ao primeiro lugar com mais um ponto de vantagem para o segundo classificado.

Eles somos nós

16 de Maio de 1943. Chegada dos adeptos Benfiquistas à estação ferroviária do Rossio/ Lisboa depois da conquista do título em Coimbra. Se procurarem bem encontram-nos no meio deles. Estão lá os Benfiquistas de sempre, de 1904 a 2015. Eles somos nós!

A última jornada - 18.ª - em Coimbra foi mais uma grande demonstração de Benfiquismo com os adeptos a deslocarem-se em grande número ao campo de Santa Cruz, para um apoio entusiástico onde se previa um jogo difícil. Acabámos por vencer por 4-3 um resultado feito na segunda parte, pois ao intervalo o marcador registava 0-0. O Benfica que partira com um ponto de avanço, conquistou o campeonato com igual vantagem, dominando sempre o jogo (e o resultado) nesta última jornada: 2-0, 2-1, 3-1, 3-2, 4-2 e 4-3. Foram três os jogadores totalistas (nos 18 jogos): Martins, Gaspar Pinto e Albino. O nosso avançado-centro Julinho foi a grande figura do campeonato, participando em 16 jogos marcando 24 golos, sagrando-se o melhor marcador da competição. 

Tudo muda
Mas o Benfica continua Glorioso


IX Campeonato Nacional. 1942/43. Campo de Santa Cruz. 16 de Maio de 1943. Vitória, por 4-3, com a equipa da AA Coimbra, com golos de Valadas (1-0, aos 54’), Julinho (2-0, aos 63’), Manuel da Costa (3-1, aos 80’ e 4-2, aos 83’). De cima para baixo. Da esquerda para a direita. Francisco Ferreira (1919/1986), Joaquim Teixeira (1917/1976), treinador Janos Biri (1904/1983), capitão Albino (1912/1993), Valadas (1912/1994), César Ferreira (1916/1983), Manuel da Costa (1916/1962) e Martins (1913/1984); Manuel Jordão (1921/1947), Julinho (1919/2010), Gaspar Pinto (1912/1969) e Alcobia (1916/1993). Foto tirada no Campo de Santa Cruz (Coimbra)

Taças da Liga em 2010/11, 2011/12 e 2014/15
Quem não se lembra? Todos nos lembramos. Dedicado aos nossos de 1931 e 1943.


EQUIPAS DO SL BENFICA NAS "TRÊS FINAIS DE COIMBRA"
Datas
23.Abril.2011
14.Abril.2012
29.Maio.2015
Adversário
FC Paços Ferreira
Gil Vicente FC
CS Marítimo
Estádio
Coimbra
Coimbra
Coimbra
Resultado
V 2-1
V 2-1
V 2-1
Guarda-redes

Moreira

Eduardo

Júlio César
Lateral-Direito

Maxi

Maxi

Maxi
Central-Direito

Luisão

Jardel

Luisão
Central-Esquerdo

Jardel

Garay

Jardel
Lateral-Esquerdo

F. Coentrão

Capdevila

Eliseu
Médio-Defensivo

Javi Garcia

Matic

Samaris
Ala-Direito
60
C. Martins
81
Rodrigo
73
Sulejmani
Médio-Centro
89
Aimar

Witsel
68
Pizzi
Ala-Esquerdo

Jara

B. César

Gaitán
Avançado
68
Saviola
62
Aimar
83
Lima
Ponta-de-Lança

Cardozo
45
N. Oliveira
Jonas



Suplentes
60
C. Peixoto
45
Gaitán
68
Talisca
68
Airton
62
Cardozo
73
Ola John
89
F. Menezes
81
Saviola
83
Fejsa
Roberto
Artur
Paulo Lopes
Sindnei
Emerson
Sílvio
Weldon
Javi Garcia
Lisandro
Kardec
Nolito
Derley

Golos
1-0 (17)
Jara
1-0 (30)
Rodrigo
1-0 (37)
Jonas
2-0 (43)
J. Garcia
1-1 aos 78'
1-1 aos 55'
2-1 aos 51'
2-1 (84)
Saviola
2-1 (80)
Ola John

Coimbra dos títulos e troféus
E vão cinco!

Só! Só! Só mais um!

Alberto Miguéns

PLANO PARA AS EDIÇÕES DURANTE ESTE MÊS E INÍCIO DE JULHO
(provisório como é evidente)
De 29 de Junho a 6 de Julho de 2015 (Sempre pela meia-noite)
Segunda-feira (de 28 para 29): Já cá faltava eu!;
Terça-feira (de 29 para 30): O Mais Belo e Inigualável 138
Quarta-feira (de 30 para 1): Ser bom ou mau treinador;
Quinta-feira (de 1 para 2): Os 86 vencedores da Taça da Liga;
Sexta-feira (de 2 para 3): Ó Incomparável;
Sábado (de 3 para 4): Rola e enrola;
Segunda-feira (de 4 para 5): Benfica tão brilhante que se vê no escuro;
Terça-feira (de 5 para 6): Mentiras Oficializadas by SLB;
Quarta-feira (de 6 para 7): Sinto-me tão portista!
3 comentários
comentários
  1. ...SR DR ALBERTO...CONTINUA O REVIVER EMOÇÕES..GLORIA...BENFIQUISMO...HISTÓRIA..."ELES SOMOS NÓS".....SIMPLESMENTE BRILHANTE...BEM HAJA...abraço

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  2. A minha cidade... Coimbra a tal de encanto!

    Já nada é como antes. O campo de Sta Cruz, quantos jogos de futebol dos campeonatos universitários ali fiz... Ainda tenho uma mazela no ante-braço direito como recordação.

    Tenho uma fotografia algures de um desses jogos... Campo pelado, duro para jogar... Balneários do início do século! O Jardim da Sereia ali ao lado e uma descida vertiginosa à Praça da República.

    E a história do Benfica também teve brilhantes capítulos ali. Nem sabia.

    Obrigado Alberto.

    Saudações gloriosas

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  3. Excelente pedacinho da história do Glorioso.

    O Alberto vai subtilmente dando-nos conta de locais onde ela se desenrolou.

    Conhecia a fotografia da equipa de 1930/31 mas não sabia que tinha sido tirada no campo do Arnado.
    E por falar nesse campo duas notas: 1) não dá mesmo a noção que levava 10 mil pessoas; 2) como mudou o local face ao tempo presente.

    E esse é (mais) um detalhe que eu gosto nos seus artigos, a preocupação de localizar geograficamente esses locais relativamente ao tempo actual. Os lugares e o seu contexto são muito importantes e é importante não perder o rasto no tempo presente.

    Que venham mais glórias Benfiquistas com a marca da magnífica Coimbra, uma das cidades que já foi capital de Portugal.

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