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25/04/2012

Futebol: 8 Anos de Liberdade, 30 Anos de Corrupção

25/04/2012 + 2 Comentários API
OPINIÃO

Ao contrário do que a propaganda quer fazer acreditar, o FC Porto não beneficiou da ”Revolução do 25 de Abril de 1974” e o Benfica entrou em declínio. Pelo contrário. Se há clube que beneficiou da Democracia foi o Benfica. Enquanto os dirigentes do Benfica continuaram no Clube, no Sporting houve debandada geral e mesmo no FC Porto houve muitos que fugiram para Espanha e Brasil, como por exemplo o “banqueiro-fascista” Pinto de Magalhães.

Dominar em Democracia
O “Glorioso” beneficiou do regime democrático, pois o Sporting CP como grande clube promíscuo do Estado Novo acabou! Em plena democracia conseguimos um tricampeonato na segunda metade da década de 70 (o último da nossa história) e ainda um bicampeonato na primeira metade dos anos 80 (o último da nossa história). E ainda o “duplo: campeonato e Taça de Portugal” em duas temporadas – 1980/81 e 1986/87 – com um “tri de Taças” na segunda metade da década de 80, correspondendo à última “dobradinha” da nossa história, em 1986/87 (ver Quadro I).

Contabilizando apenas os triunfos depois de 1974, até 1994/95 (21 anos depois do 25 de Abril) tivemos, sempre, vantagem em número de campeonatos nacionais conquistados. Tal como em Taças de Portugal, até 1999/2000 (26 anos depois do… 25 de Abril). Juntando os dois (e únicos títulos nacionais, pois a Supertaça e a Taça da Liga são troféus) tivemos vantagem até 1996/97 (23 anos depois da implantação da Democracia), contando apenas com títulos conquistados após 1973/74! Chegámos a ter uma vantagem de 4 Nacionais (1983/84, dez anos após a Revolução), de 4 Taças (1986/87, 13 anos após 1974) e de sete títulos no total, também em 1986/87. 

Ser dominado na degradação da Democracia
O Benfica não conseguiu (não soube) condicionar o envolvimento do FC Porto na sociedade portuguesa, em particular no Grande Porto na esfera política, económica e social. Sem vocação para utilização de meios que não os desportivos, os dirigentes do Benfica foram-se enleando e deixado aprisionar na teia que o “portismo pintista” foi urdindo a partir da Associação de Futebol do Porto. E essa teia foi montada, ocupando o espaço que a corrupção política foi criando. À medida que o poder político foi enfraquecendo o “portismo pintista” foi crescendo. E o enfraquecimento de um é o resultado do fortalecimento de outro. O FCP, empresários e políticos anexos, são do mais asqueroso que existe em Portugal. Daí não causar estranheza que os tribunais e juristas se agachem, acobardados, temerosos ou coniventes, face ao “rolo compressor e asfixiante” do FCP no Grande Porto. O FCP é o maior “empregador cunhista”, junto de empresas privadas ou entidades estatais, na Região Norte. O Benfica como maior baluarte do desporto português, mais popular e prestigiado passou de adversário a inimigo. O único capaz de colocar entraves ao domínio avassalador do “portismo pintista”, ainda que não tenha conseguido impedir a hegemonia do FCP. Nas últimas nove temporadas, desde 2002/03, (ver Quadro I) passámos, rapidamente, de menos cinco títulos (quatro campeonatos nacionais e uma Taça de Portugal) para menos… 12 títulos (menos oito nacionais e menos quatro Taças de Portugal). Uma incapacidade quase total…

É bom recordar que o grande problema da Democracia Portuguesa, no Liberalismo (ainda na Monarquia) ou na I Republica, foi sempre o mesmo – que é o de agora – CORRUPÇÃO. E O FCP é um dos principais veículos – por ser um “lobby (grupo de pressão) poderoso e interesseiro” numa região económica importante - de corrupção em Portugal.

QUADRO I
O futebol português depois do 25 de Abril de 1974
Época
Camp. Nacional
Taça de Portugal
Diferenças SLB/FCP
Venc
SLB
FCP
Venc
SLB
FCP
CN
TP
Tot
74/75
SL Benfica
1

Boavista FC


+ 1

+ 1
75/76
SL Benfica
2

Boavista FC


+ 2

+ 2
76/77
SL Benfica
3

FC Porto

1
+ 3
- 1
+ 2
77/78
FC Porto

1
Sporting CP


+ 2

+ 1
78/79
FC Porto

2
Boavista FC


+ 1

=
79/80
Sporting CP


SL Benfica
1


=
+ 1
80/81
SL Benfica
4

SL Benfica
2

+ 2
+ 1
+ 3
81/82
Sporting CP


Sporting CP





82/83
SL Benfica
5

SL Benfica
3

+ 3
+ 2
+ 5
83/84
SL Benfica
6

FC Porto

2
+ 4
+ 1
+ 5
84/85
FC Porto

3
SL Benfica
4

+ 3
+ 2
+ 5
85/86
FC Porto

4
SL Benfica
5

+ 2
+ 3
+ 5
86/87
SL Benfica
7

SL Benfica
6

+ 3
+ 4
+ 7
87/88
FC Porto

5
FC Porto

3
+ 2
+ 3
+ 5
88/89
SL Benfica
8

CF Belenenses


+ 3

+ 6
89/90
FC Porto

6
CF E. Amadora


+ 2

+ 5
90/91
SL Benfica
9

FC Porto

4
+ 3
+ 2
+ 5
91/92
FC Porto

7
Boavista FC


+ 2

+ 4
92/93
FC Porto

8
SL Benfica
7

+ 1
+ 3
+ 4
93/94
SL Benfica
10

FC Porto

5
+ 2
+ 2
+ 4
94/95
FC Porto

9
Sporting CP


+ 1

+ 3
95/96
FC Porto

10
SL Benfica
8

=
+ 3
+ 3
96/97
FC Porto

11
Boavista FC


- 1

+ 2
97/98
FC Porto

12
FC Porto

6
- 2
+ 2
=
98/99
FC Porto

13
SC Beira Mar


- 3

- 1
99/00
Sporting CP


FC Porto

7

+ 1
- 2
00/01
Boavista FC


FC Porto

8

=
- 3
01/02
Sporting CP


Sporting CP





02/03
FC Porto

14
FC Porto

9
- 4
- 1
- 5
03/04
FC Porto

15
SL Benfica
9

- 5
=
- 5
04/05
SL Benfica
11

Vitória FC Set.


- 4

- 4
05/06
FC Porto

16
FC Porto

10
- 5
- 1
- 6
06/07
FC Porto

17
Sporting CP


- 6

- 7
07/08
FC Porto

18
Sporting CP


- 7

- 8
08/09
FC Porto

19
FC Porto

11
- 8
- 2
- 10
09/10
SL Benfica
12

FC Porto

12
- 7
- 3
- 10
10/11
FC Porto

20
FC Porto

13
- 8
- 4
- 12
11/12
?
?
?
?


?

?
TOT
-----------
12
20
-----------
9
13
- 8
- 4
- 12

Não são, só e apenas, os árbitros os responsáveis pelo estado a que isto chegou. Mas muita da responsabilidade de fazer do futebol português um “Futeluso”, ou seja, um arremedo do “futebol association” é deles. Eles não perseguem, deliberadamente o Benfica, por não gostarem do Benfica! O que eles beneficiam são os interesses do FC Porto! Como grandes (e necessitados) lambe-botas prejudicam os inimigos dos “amigos”, ou seja, de quem lhes garante (ou pensam que garante) as verbas chorudas que recebem por serem árbitros de topo. Onde ganham dez vezes mais como “amadores” que nos seus empregos como “profissionais” (ver Quadro II). As diferenças são tão substanciais – ganhar 4 mil por mês em vez de 600 euros no emprego - que alguns já nem exercem qualquer actividade além da ocupação amadora como árbitro.

O nosso grande erro é não termos estratégia para anular esta “pouca-vergonha” ou, pelo menos, minimizar os erros, neste caso, desprezar os poderes gerados no “Futeluso” e dar poucos motivos, ou nenhuns, para que não se desviem as atenções, dando importância ao acessório e desvalorizando o essencial.

QUADRO II
Rendimentos dos árbitros em 2010
Nome
Total (€)
Emprego
Arbitragem
Euros
%
Euros
%
João Ferreira
85 700
38 300
45
47 400
55
Soares Dias
80 600
33 000
      41
47 600
59
Carlos Xistra
77 700
6 400
27
57 300
73
Duarte Gomes
68 100
18 000
26
50 100
74
André Gralha
65 100
24 100
37
41 000
63
João Capela
62 200
15 200
24
47 000
76
Bruno Esteves
61 000
18 000
30
43 000
70
Olegário Benquerença
60 000
17 000
28
43 000
72
Bruno Paixão
57 700
7 000
12
50 700
88
Cosme Machado
56 700
11 500
20
45 200
80
Rui Costa
56 500
11 100
20
45 400
80
Marco Ferreira
55 100
16 000
29
39 100
71
Vasco Santos
48 000
0
0
48 000
100
Jorge Sousa
46 800
0
0
46 800
100
Rui Silva
44 800
21 600
   48
23 200
52
Hugo Pacheco
42 000
0
0
42 000
100
Jorge Tavares
39 640
16 000
40
23 640
60
Hélder Malheiro
28 700
0
0
28 700
100
Jorge Ferreira
24 700
700
3
24 000
     97
Rui Patrício
21 300
7 500
35
13 800
65
Nuno Almeida
15 350
1 300
9
14 050
91
NOTA: Valores publicados, ao sábado, no suplemento
 “Sport” do Correio da Manhã

ACORDA BENFICA, SENÃO! SE NÃO, A CORDA!

Alberto Miguéns



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