O Proletariado Benfiquista
A criação deste Blogue, ideia de António Melo, tem como objectivo divulgar, defender o SL Benfica e a sua Gloriosa História. Qualquer opinião aqui expressa vinculará apenas o seu autor, Alberto Miguéns.

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09/01/2020

O Proletariado Benfiquista

09/01/2020 + 5 Comentários
HÁ 128 ANOS, EM 9 DE JANEIRO DE 1892, NASCEU ALBERTO RIO QUE FOI UMA DAS «TRAVES-MESTRE», COMO FUTEBOLISTA, DO GRANDE BENFICA.



A grandeza do Benfica fez-se tanto com «aristocratas», como Cosme Damião, Virgílio Paula, Ribeiro dos Reis ou Vítor Gonçalves, mas também com «proletários», como Álvaro Gaspar, Henrique Costa, Carlos França ou Alberto Rio.


Jorge Vieira Alberto Rio. Adversários e depois colegas: no Sporting CP e na selecção nacional. Defesa-direito (no sporting CP) e esquerdo (na selecção nacional) frente ao extremo-esquerdo (só jogou nesta posição desde o grupo infantil do SLB aos "veteranos" do CF "Os Belenenses"

Pouco lembrado, pelo tempo o ter feito esquecer e por "culpa própria", pois lembrou-se de fugir do Benfica, em 1918, para o Sporting CP e deste, no ano seguinte, para fundar o CF "Os Belenenses", em 23 de Setembro de 1919.


No nosso campo em Sete Rios, à espera de poder fazer um golo de recarga ao Sporting CP. Marcou oito golos ao Sporting CP e onze ao FC Porto nos quatro jogos que disputou frente a este clube!

Mas não deixa de ser um dos grandes pilares dos Anos 10 do século XX
Foi nesta década que o Benfica se fez gigante conquistando oito títulos de Campeão de Lisboa, em onze temporadas, entre 1909/10 e 1919/20. Como dizia o inesquecível Macarrão. «Fomos tão "mal habituados" desde pequenos que estar três épocas sem ser campeão é passar de vermelho a negro carregado (luto)». Alberto Rio foi dos principais futebolistas nos sete primeiros títulos do Clube. No oitavo já foi adversário pelo Sporting CP. 


Num "jogo internacional" frente ao Racing Club Paris

Alberto Rio quando deixou de jogar
Era o melhor marcador do Benfica com 78 golos, em 5 de Abril de 1917 mantendo-se como tal, até 28 de Novembro de 1920, quando foi igualado por Herculano Santos que conseguiria terminar a carreira no Benfica, embora como defesa-esquerdo, com 81 golos, marcado em 11 de Junho de 1923.


Venham mais cinco! Mesmo rodeado de adversários encontrava (quase...) sempre uma solução

A “competição” que nunca existiu
Pois os futebolistas – Luís Vieira e Alberto Rio - nunca souberam que conseguiram igualar, no mesmo jogo, o número total de golos, estabelecendo o "recorde" de golos, aos 70 remates certeiros com o «Manto Sagrado». Foram os primeiros a consegui-lo, depois Alberto Rio terminaria a sua passagem com 78 golos e Luís Vieira com 72. A "proeza" ocorreu no jogo, para o campeonato regional de Lisboa, frente ao CS Império, em 4 de Fevereiro de 1917. Luís Vieira foi o primeiro a ultrapassar os 44 golos de Artur José Pereira, mas Alberto Rio foi-se aproximando. Antes do dia 7 de Fevereiro de 1917 já Alberto Rio somava 69 golos e Luís Vieira estava nos 68 tentos. Nesse dia de Fevereiro, Alberto Rio aos 30 minutos, faz o 2-0 (Herculano Santos marcou o primeiro) e atinge os 70 golos. Luís Vieira faz dois golos de "rajada", aos 35 e aos 50 minutos colocando a "fasquia" nos 70 golos. Os dois maiores goleadores da história do Benfica, desde 1 de Janeiro de 1905, estavam igualados com sete dezenas de golos marcados. Depois, aos 55 minutos, Aníbal Santos faz o 5-0 com Alberto Rio a fazer o 6-0, aos 60 minutos, passando para 71. Os dois últimos golos foram de Artur Augusto. Seriam necessários mais alguns jogos para Herculano Santos igualar os 72 de Luís Vieira, depois os 78 de Alberto Rio terminando a sua carreira com 81 golos que só seriam "batidos" por Vítor Silva! 


Com ou sem boné Alberto Rio não perdoava

Pátria: Belém; Ano: 1892
Em 9 de Janeiro, nascia Alberto Rio que seguiria o caminho habitual dos naturais de Belém até final dos anos 10 do século passado que queriam jogar futebol. Vestir as «flanelas vermelhas» do Sport Lisboa e Benfica. Teve que sujeitar-se à política desportiva de Cosme Damião. Começar pela 4.ª categoria, ir demonstrando qualidade, pontualidade e abnegação para na primeira categoria «honrar os ases que nos honraram o passado». Em 13 de Setembro de 1908 já jogava no Sport Lisboa pois fez parte do grupo de associados que o Clube indicou aquando da junção com o Sport Clube de Benfica, ficando como associado n.º 260.

A inconfundível caligrafia de Cosme Damião a listar o penúltimo nome: Alberto Rio

Inscrito como suplente numa e titular na outra
No início da temporada de 1908/09 faz parte das listas que Cosme Damião elaborou – e que provam que a letra é igual à da acta de 28 de Fevereiro de 1904 – com a constituição dos plantéis para a primeira e segunda categoria. Muito novo, tinha feito 16 anos, nove meses antes da junção que definiu o nome actual do Clube, foi inscrito como suplente à segunda categoria. O primeiro registo que lhe faz referência é de um jogo da terceira categoria, realizado em 20 de Dezembro de 1908, na Quinta da Feiteira, frente ao SC Império, numa vitória por um resultado (ainda…) desconhecido. Em 1909, começou a ser presença regular na 2.ª categoria.

NOTA: Falta colocar mais fotografias dos plantéis de dez temporadas e legendar. Victor João Carocha ajudou mas eu tardei a chegar a casa e o trabalho ainda não está como Alberto rio merece! Daqui a uma hora estará tudo no seu devido lugar! FEITO!


No tempo em que Alberto Rio ainda era titular na 2.ª categoria (até na 3.ª). De cima para baixo. Da esquerda para a direita. De pé: António Costa, Álvaro Vivaldo, Manuel Cal, Jorge Rosa Rodrigues, Romualdo Bogalho e Carlos Costa; Em baixo (avançados): Virgílio Valente, Carlos Martins, Álvaro Gaspar, David José da Fonseca e ALBERTO RIO

Época 1: 1908/09
Após duas temporadas a tarimbar até à segunda categoria estreou-se na primeira, em 28 de Fevereiro de 1909, no 5.º aniversário do «Glorioso» (Alberto Rio tinha 17 anos, dois meses e três semanas), já no final da temporada de 1908/09, marcando um golo na vitória por 5-0 frente ao Sport União Belenense, no campo da Feiteira, para a penúltima jornada do Campeonato de Lisboa, com o Benfica em segundo lugar. O SU Belenense foi a primeira tentativa de formar um clube, em Belém, depois da saída do Sport Lisboa, um ano antes, para Benfica. Alberto Rio jogaria, também como ponta-esquerda, na última jornada, na ausência do dedicado e titular Carlos França.


Titular na 2.ª categoria a caminho da primeira. De cima para baixo. Da esquerda para a direita. De pé: Raul do Nascimento, Francisco Pereira, Álvaro Vivaldo, Jorge Rosa Rodrigues, Romualdo Bogalho e Carlos Costa; Em baixo (avançados): Virgílio Valente, Joaquim Reis, Álvaro Gaspar, Rogério Peres e ALBERTO RIO

Época 2: 1909/10
Primeiro título de campeão regional. Continuou como futebolista da segunda categoria mas participou em dois jogos na 1.ª categoria, o primeiro para o campeonato de Lisboa, frente ao SU Belenense) no lugar do titular Carlos França e o segundo, no lugar de Virgílio Paula – que tinha ocupado a vaga de Carlos França - para um espécie de Supertaça Regional, opondo o campeão regional (SL Benfica) ao segundo classificado (SU Belenense) para o torneio de futebol dos “Primeiros Jogos Olímpicos Nacionais”, com o Benfica a vencer, por 2-1. O eterno ponta-esquerda consagrou-se com dois triunfos na 1.ª categoria e campeão regional na 2.º categoria, ou seja, dois títulos na mesma temporada.


1913/14. De cima para baixo. Da esquerda para a direita Defesas e guarda-redes: Henrique Costa, Alfredo Machado e Francisco Belas; Médios: Carlos Homem de Figueiredo, Cosme Damião e Artur José Pereira;  Avançados: Germano Vasconcelos, António Costa, José Domingos Fernandes, Francisco Viegas e ALBERTO RIO

Época 3: 1910/11
Com Cosme Damião era muito difícil conquistar a titularidade em qualquer categoria desde que os futebolistas correspondessem. Alberto Rio com 16 anos era muito novo para grandes andanças, mas jogou cinco dos 19 jogos realizados pelo Clube, marcando um golo. É o ponta-esquerda no primeiro jogo internacional do Clube, em 22 de Maio de 1911, na Feiteira, defrontando a equipa do clube francês, Stade Bordelais Université Club.


1911/12. Da esquerda para a direita: Virgílio Paula, Francisco Viegas, Henrique Costa, Germano Vasconcelos, José Domingos Fernandes, Cosme Damião, Artur José Pereira, Romualdo Bogalho, Álvaro Gaspar, Francisco Belas e ALBERTO RIO

Época 4: 1911/12
Segundo título de campeão regional. Dividiu a temporada entre a 1.ª categoria e a segunda.Iniciou-a como titular indiscutível na primeira, perdeu a titularidade passando a jogar em exclusivo na 2.ª categoria para conquistar definitivamente o que todos queriam, ser o escolhido por Cosme Damião para a primeira. Participou em dez dos 13 jogos iniciais do Clube (cinco primeiros da temporada consecutivos) e nos sete derradeiros. Foram 1170 minutos com 13 golos marcados, sempre como extremo-esquerdo. 


1912/13. Da esquerda para a direita: Florindo Serras, Álvaro Gaspar, Carlos Homem de Figueiredo, Cosme Damião, Henrique Costa, José Domingos Fernandes, Luís Vieira, Artur José Pereira, Paiva Simões, Francisco Belas e ALBERTO RIO

Época 5: 1912/13
Terceiro título de campeão regional. Titular indiscutível com resistência invulgar foi totalista na temporada, participando em todos os 30 jogos do Clube, marcando 18 golos dos 86 do Benfica. 


1913/14. De cima para baixo. Da esquerda para a direita Defesas e guarda-redes: Henrique Costa, Paiva Simões e Francisco Belas; Médios: Carlos Homem de Figueiredo, Cosme Damião e Artur José Pereira;  Avançados: Herculano Santos, Álvaro Gaspar, José Domingos Fernandes, Francisco Pereira e ALBERTO RIO

Época 6: 1913/14
Quarto título de campeão regional. Outra temporada recheada com Alberto Rio a jogar 19 jogos dos... 19 jogos realizados pelo «Glorioso» marcando onze dos 57 golos do Clube.


1914/15. De pé: Augusto da Fonseca, Jaime Cadete, Carlos Homem de Figueiredo, Mário Monteiro, José Domingos Fernandes, Henrique Costa, Cosme Damião e Leopoldo Mocho; Sentados (avançados): Aníbal Santos, Cândido de Oliveira, Francisco Pereira, Herculano Santos e ALBERTO RIO

Época 7: 1914/15
Começou mal a temporada e isso muito contribuiu para que o Benfica não se sagrasse pela quarta vez consecutiva, campeão regional, até porque o Sporting CP reforçara-se com três futebolistas do Benfica: Paiva Simões, Artur José Pereira e Boaventura Silva. Alberto Rio "fora de forma" ainda participou em dois dos quatro jogos iniciais mas só recuperaria a titularidade nos últimos cinco encontros da temporada que fez de modo consecutivo. Foram sete jogos, com 630 minutos, e quatro golos. Nesta temporada o Benfica realizou 27 encontros (2 430 minutos) marcando 86 golos.


1915/16. Da esquerda para a direita: Adolfo Stock, Cândido de Oliveira, Herculano Santos, Artur Augusto, Carlos Homem de Figueiredo, Cosme Damião, Fernando Pereira, Carlos Sobral, Henrique Costa, Leopoldo Mocho e ALBERTO RIO

Época 8: 1915/16
Quinto título de campeão regional. Ei-lo de regresso para uma época de sonho. O «Glorioso» jogou 24 encontros com 85 golos marcados. Alberto Rio participou em 23 com 22 golos marcados. Impressionante para um futebolista que não era avançado-centro nem interior. Era extremo-esquerdo tendo por principal função ser rápido, driblador, fintando os médios e defesas direitos adversários para assistir os outros avançados, só que Alberto Rio era um sobredotado.


A sua popularidade e capacidade fizeram dele, talvez..., o futebolista mais fotografado nos anos 10 embora o mais famoso fosse Artur José Pereira, mas este sendo Meio-defesa (Half-Back) ou Médio não tinha tanta "procura"

Época 9: 1916/17
Sexto título de campeão regional. Intratável. Jogou 14 dos 17 jogos do Benfica e marcou 12 dos 62 golos do Clube. Que mais poderiam exigir os Benfiquistas e Cosme Damião? Que fosse ainda melhor. Que se superasse. Era assim o Benfica. O Benfica que se fez gigante nesta segunda década do século XX, a década de afirmação do Clube que era, indiscutivelmente, o maior, melhor e mais popular em Portugal. Também com dirigentes como Cosme Damião e futebolistas como Alberto Rio não foi difícil. Difícil era um clube ter a integridade ética, a responsabilidade social, a capacidade moral e a abnegação para a superação. Mas o Benfica tinha!


Apanhem-me... se puderem! Um estilo inconfundível e uma eficácia notável fizeram de um ponta-esquerda um goleador

Época 10: 1917/18
Sétimo título de campeão regional. Com participações em sete campeonatos regionais conquistados pelo Clube, passou a ser o futebolista que mais contribuíra para títulos de campeão regional do Benfica. Sete. "Ultrapassando" os gloriosos Henrique Costa e Carlos Homem de Figueiredo, ambos com seis, (Cosme Damião como jogador conquistou cinco) se bem que nesse tempo isso tivesse pouca importância individual, pois havia menos fulanização no futebol em relação ao que se faz hoje! Quando fez o último jogo com o "Manto Sagrado", com 10 885 minutos, em 121 jogos, só Cosme Damião (15 170 minutos em 169 jogos - 160 a capitão - com 20 golos, entre 1905/06 e 1915/16) e Henrique Costa (14 964 minutos em 169 jogos - 20 a capitão - com 10 golos, entre 1906/07 e 1917/18) tinham mais minutos e jogos do que ele a honrar o nosso passado.


Um dos 116 melhores Gloriosos Futebolistas em 116 temporadas a jogar futebol

Sporting CP
No início da temporada de 1918/19, à revelia do que estava acordado entre os clubes de Lisboa, Alberto Rio que estava suspenso pelo «Glorioso» por conduta imprópria, aproveitou e transferiu-se para o Sporting CP. Foi um escândalo que acabou por provocar demissões entre os dirigentes desse clube. Mas para os principais dirigentes do Sporting CP era um futebolista demasiado valioso e... vinha do Benfica para não ser aceite. Foi inscrito e na primeira aparição pública vestido "À Sporting" ouviu de tudo vindo das bancadas e até dos futebolistas adversários do Império LC. Foi para a «Taça Mutilados da Guerra" que duas temporadas depois até seria conquistada, definitivamente, pelo CF "Os Belenenses" onde ele já jogava pois apenas fez meia-dúzia de jogos no Sporting CP, mas ainda somou mais um título de Campeão Regional (1918/19) aos sete (!) que conquistara como futebolista do Benfica. Ainda é o futebolista com mais títulos no campeonato regional de Lisboa. Oito!


A II Selecção Nacional (em Lisboa (estádio do Lumiar: 17 de Dezembro de 1922). Entre outros, Alberto Rio (CF "Os Belenenses"), Fernando de Jesus (2.º), Vítor Gonçalves (6.º; capitão de Portugal) e Alberto Augusto (11.º). Alberto Rio jogou a extremo-esquerdo, tal como na III Selecção Nacional (em Sevilha; 16 de Dezembro de 1923) 

CF “Os Belenenses”
Iludidos pela “fama” de nascerem bons futebolistas em Belém, Artur José Pereira (médio-centro) decidiu sair do Sporting CP no final de 1918/19 como Campeão Regional arrastando Mário Duarte (guarda-redes), Francisco Pereira (irmão mobilizado na Grande Guerra) e Alberto Rio (ponta-esquerda), chamando outros futebolistas nascidos em Belém que jogavam noutros clubes (do Benfica, saiu o capitão Carlos Sobral e Manuel Veloso) e ainda fez “ressuscitar” futebolistas, a maioria antigos futebolistas do »Glorioso» que já estavam retirados por veterania. Alberto Rio ainda jogou sete épocas no clube mas só nas três iniciais actuou na primeira categoria. Quando o CF "Os Belenenses" conquistou o primeiro campeonato regional (1925/26) Alberto Rio era utilizado - e pouco - nas categorias inferiores.

A primeira equipa do CF "Os Belenenses" em 1919/20. Estreia em 30 de Novembro de 1919. Da esquerda para a direita: Joaquim Rio, Carlos Sobral, Francisco Pereira, Aníbal Santos, Manuel Veloso, Mário Duarte, Arnaldo Cruz, Alberto Rio, Edmundo Campos, Romualdo Bugalho e Artur José Pereira

Adeus a um pioneiro
Um dos melhores futebolistas portugueses acabaria por continuar "vivo" nas conversas entre os adeptos que contavam as suas façanhas, muitos anos depois de ter deixado de jogar. Sem o mediatismo de hoje, entrava e saía dos estádios, caminhava entre multidões pela Baixa de Lisboa sem que o reconhecessem, muitos dos que o tinham visto jogar e de que dele falavam. Ele ouvia a conversa mas já não o reconheciam visualmente. Alguns, por ele, até se tinham esmurrado nas bancadas. Era duro deixar de ser conhecido quando se fora Ídolo popular. Faleceu, aos 86 anos, em 15 de Dezembro de 1978.

Obrigado, Alberto Rio


Alberto Miguéns


NOTA: Alberto Rio é uma das maiores figuras, como futebolista do Benfica! Não tem "culpa" de o ter sido há mais de cem anos e de haver poucos jogos no tempo dele. É assim a vida e a história. A grandeza do Benfica não pode ser medida da frente para trás. De 2020 para 1904. É precisamente ao contrário. Só há Benfica em 2020 porque houve em 2019 e assim sucessivamente. Só há Clube em 1905 porque houve «Glorioso» em 1904. A grandeza de um clube é como os prédios. A grandeza entre clubes são como prédios. Tudo está relacionado com uma espécie de "pé-direito" que pode variar de ano para ano mas ao fim de uma existência mostra a grandeza. O edifício Benfica tem 116 andares. Há outros clubes com quase tantos andares como os do Benfica, mas são muito mais baixos! Têm andares com "pé-direito" muito menor que a maior parte dos andares do Benfica. No Benfica antes da fundação houve cabouqueiros - uns 80 - depois 24 inauguraram o edifício e a seguir os Benfiquistas foram-lhe fazendo andares. Nos andares, entre o 8.º e o 13.º, Alberto Rio é um dos principais, mesmo o principal construtor no 9.º, 10.º, 12.º e 13.º. És grande apesar de teres enveredado por caminhos ínvios no final de carreira.




5 comentários blogger
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  1. Excelente. Obrigado ao Alberto por este enorme artigo.

    As duas primeiras décadas do futebol Benfiquista foram atribuladas e por isso muito ricas em termos históricas. Ali se definiram paixões, a Mística, os valores. Fascinante pelas personalidades, pelas dificuldades que esses pioneiros enfrentaram. O Alberto dá-nos muitos elementos ricos e que nos permitem perceber melhor as personalidades e as respectivas contribuições.

    Tudo era novo na prática e na postura dos Clubes e dos futebolistas. Tudo acontecia em função da paixão e do voluntarismo dos jogadores e dirigentes com frequentes conflitos de personalidades. As condições para praticar o futebol eram muito precárias, apenas suportáveis devido à enorme paixão que se tinha pelo jogo. Os bairrismos e não apenas as personalidades foram muito importantes para nessas múltiplas cisões e redefinições do panorama dos Clubes Lisboetas. Alberto Rio, como tão bem o Alberto ilustra, era um filho de Belém e por via disso um dos que teve dificuldades em ver as mudanças no Sport Lisboa. Não se pode viver só de paixões e o processo de crescimento forçou a saída de Belém e a expansão do Clube para uma realidade que rapidamente passou da cidade de Lisboa para todo o País.

    A formação do CFB tal como antes tinha sido a formação do SCP e mais tarde do CPAC, foi um processo no qual o nosso Clube teve uma grande e involuntária contribuição. Qualquer um destes Clubes beneficiou de figuras nossas e foi enriquecido pelos seus talentos e visões. O Sport Lisboa e Benfica "alimentou" qualquer um desses Clubes. Quer eles queiram quer não.

    Alberto Rio foi um dissidente? Sim foi mas não apenas. Alberto Rio como tão bem e tão detalhadamente o Alberto nos mostra e quantifica, foi um Glorioso jogador do Sport Lisboa e Benfica. Infelizmente, como outros, escolheu apartar-se do nosso Clube mas isso não faz esquecer o seu brilhantismo com a camisola rubra e por isso não deve fazer esmorecer a lembrança e a gratidão dos Benfiquistas.

    Obrigado Alberto Rio. Obrigado Benfica.

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  2. Sempre a aprender.

    Já aprendi mais sobre o Benfica neste blogue do que em dezenas de livros que li, e nas inúmeras visitas ao Museu.

    Espero que existam cópias destes conteúdos, porque nunca se sabe quando é que determinados servidores dão "estoiro".

    Viva o Benfica.

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    1. Caro Benfiquista

      Agradeço a simpatia. É sempre com agrado que saboreamos o apreço dos nossos "pares" de Benfiquista para Benfiquista. Aprendemos sempre. Também aprendo com comentários dos leitores deste blogue.

      Viva o Benfica!

      Alberto Miguéns

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  3. parabens, e BENFICA SEMPRE. ORGULHOSO POR TER ENCARNADO BENFIQUISTA

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  4. Que fotos maravilhosas dos nossos ases.

    Saudações Gloriosíssimas

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