Frederico no Quarto Anel | Em Defesa do Benfica -->
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17/02/2019

Frederico no Quarto Anel

17/02/2019 3 Comentários
MAIS UMA ESTRELA POR CIMA DOS CAMPOS ONDE JOGARÁ O «GLORIOSO».


Faleceu neste domingo, aos 61 anos, de esclerose lateral amiotrófica, o Glorioso Futebolista, Frederico que nasceu a 6 de Abril de 1957, em Castro Verde. Do Alentejo para a «Margem Sul» chegou com os pais com emprego na Companhia União Fabril, no Barreiro. Iniciou-se na "Formação" do GD da CUF, em 1971/72 (aos 14 anos) cruzando-se com Manuel Fernandes em 1974/75 (este sénior a sair para o Sporting CP, ele júnior) atingindo os seniores, em 1975/76, temporada em que defrontou o Benfica, em 11 de Abril de 1976, numa derrota, por 1-5, no Lavradio, estádio Alfredo da Silva. Embora menos utilizado Carlos Manuel também fazia parte do plantel jogando frente ao Benfica nesse encontro. Nas duas temporadas que se seguiram Frederico e Carlos Manuel jogaram na II Divisão (zona Sul) em 1976/77 e 1977/78. Em 1978/79 transferiram-se para o FC Barreirense.


  

1979/80
Chegou ao Benfica, vindo do FC Barreirense, no início de 1979/80. Num plantel com quatro extraordinários defesas-centrais (Humberto Coelho, António Bastos Lopes (que passou a jogar como defesa-direito), Alhinho e Laranjeira, também contratado em 1979/80) foi difícil conseguir jogar. Estreou-se em 23 de Dezembro de 1979 ao lado do capitão Humberto Coelho, tendo como defesas-laterais: António Bastos Lopes (direita) e Alberto (esquerda). A «vítima» foi o FC Tadim (III Divisão), com uma vitória por 9-0, na «Saudosa Catedral» nos 32-avos-de-final. Depois de um jogo (V 1-o) frente ao Sporting CP, no Funchal, em solidariedade com as vítimas do terramoto em Angra do Heroísmo regressou à equipa na final da Taça de Portugal. Começou como suplente, mas a lesão aos oito minutos do defesa-esquerdo Alberto, o treinador Mário Wilson coloca-o em campo fazendo o jogo que permitiria ao Benfica a conquista do troféu. Manteve-se na equipa nos jogos de final da temporada em Caracas e nas Honduras.   


Vitória por 2-0. 1 de Fevereiro de 1981. Taça de Portugal, no Calhabé (Municipal de Coimbra), frente ao CF União de Coimbra. Da esquerda para a direita. De cima para baixo: Néné, FREDERICO, Humberto Coelho (capitão), António Bastos Lopes, Reinaldo e Bento;  Chalana, Carlos Manuel, Pietra, Sheu e Alves.

1980/81
Com a chegada do treinador Lajos Baroti Frederico conseguiu a confiança do técnico conquistando a titularidade, a central ou em qualquer das duas laterais. Foi totalista na Supertaça fazendo os 180 minutos dos dois jogos. Numa temporada com "dobradinha" foi Campeão Nacional, com 17 jogos (1 264 minutos) nos 30 jogos (2 700 minutos). Na Taça de Portugal, nos sete jogos, disputou quatro jogos completos (360 minutos) jogando a final, na vitória, por 3-1, frente ao FC Porto, numa defesa com Veloso, Frederico, Laranjeira e Pietra. Foi o 13.º mais utilizado no campeonato nacional e o 12.º na Taça de Portugal. Na Taça dos Vencedores das Taças (o Benfica foi eliminado nas meias-finais) jogou cinco dos dez encontros. Em 56 jogos esteve presente em 34, mas "falhou" doze por lesão. Desses 34 foi titular em 27 com 26 completos e um com dez minutos (8 de Março de 1981) devido a lesão:22.ª jornada, no Calhabé, frente ao Clube Académico de Coimbra, então o nome da Associação Académica de Coimbra. 

A boa temporada em 1980/81 fez dele um cromo nas colecções para 1981/82

1981/82
Com um início prometedor foi titular indiscutível até ao jogo fatídico, para a Taça de Portugal, em 22 de Novembro de 1981, em Mangualde, fez perder a titularidade. Só no final da temporada, em 14 de Março de 1982, voltou a ser titular numa vitória, por 1-0, após prolongamento, no estádio das Antas, frente ao FC Porto, nos quartos-de-final. Mas esta foi a temporada do quase. Segundo lugar no campeonato nacional a dois pontos do FC Porto. Meias-finais na Taça de Portugal, numa derrota (1-2) em Braga, frente ao SC Braga. Na Taça dos Clubes Campeões Europeus participou nos quatro jogos (afasto pelo FC Bayern Munique) com apenas um jogo em que foi substituído ao intervalo, por questões tácticas. Jogando a defesa-direito, com uma igualdade sem golos frente aos cipriotas do AC Omonia (Nicosia) entrou um avançado, César. Jogou 16 das 30 jornadas e três em sete jogos na Taça de Portugal. Nos 55 jogos do Benfica esteve em 34, com 32 a titular, 25 completos, substituído em seis e expulso frente ao GD Mangualde (V 3-1).

Vitória por 1-0. 13 de Setembro de 1981. Estádio do SLB, 4.ª jornada, frente ao Vitória SC (Guimarães). Da esquerda para a direita. De cima para baixo: Néné, Humberto Coelho (capitão), Laranjeira, Filipovic, FREDERICO e Bento;  Chalana, Carlos Manuel, Alves, Pietra e Sheu.

1982/83
Com Eriksson a dar a titularidade à dupla de centrais, Humberto Coelho e António Bastos Lopes, tendo estes como suplente Alberto Bastos Lopes, Frederico pouco jogou nesta sua quarta temporada com o «Manto Sagrado». No Campeonato Nacional, em 30 jornadas (2 700 minutos) foi o 16.º futebolista mais utilizado ou o 6.º menos utilizado: 388 minutos em sete jogos. Foi Campeão Nacional. Na Taça de Portugal em seis jogos (540 minutos) disputados em 1982/83 foi utilizado 21 minutos, no jogo dos 32-avos-de-final no estádio da Tapadinha, frente ao Atlético CP (V 6-0) substituindo António Bastos Lopes. Quando a final foi disputada, no início de 1983/84, no estádio das Antas, frente ao FC Porto (V 1-0) Frederico já era futebolista do Boavista FC. Conquistou a Taça de Portugal. Na Taça UEFA em doze jogos (1 080 minutos) Frederico jogou 84 minutos (6 + 78 minutos) mas foi titular em Bruxelas na primeira mão da final, substituído aos 78 minutos por António Bastos Lopes. Em Zurique tinha sido ao contrário, pois entrou aos 84 minutos para o lugar de Alberto Bastos Lopes que jogava a médio-defensivo numa "inovação" de Eriksson. Nesse encontra frente ao RSC Anderlecht, despediu-se do «Manto Sagrado», em 4 de Maio de 1983. Numa temporada com 58 jogos disputou 14, com três completos, quatro a titular (aquele em que saiu aos 78 minutos) e dez como suplente utilizado.  


Derrota por 0-1. 4 de Maio de 1983. Primeira mão da final. Taça UEFA, em Bruxelas (estádio do Heysel), frente ao RSC Anderlecht. Da esquerda para a direita. De cima para baixo: Sheu, Álvaro, Humberto Coelho (capitão), Diamantino, Filipovic e Bento;  José Luís, FREDERICO, Pietra, Chalana e Carlos Manuel. Último jogo com o «Manto Sagrado»

Depois seguiu-se o Boavista FC
No total, pelo SL Benfica, disputou 89 jogos com um total de 6 512 minutos. Consagrou-se pelo Benfica com dois Campeonatos Nacionais (1980/81 e 1982/83), três Taças de Portugal (1979/80, 1980/81 e 1982/83), uma Supertaça (1980/81) e uma Taça de Honra de Lisboa (1981/82). Nunca marcou pelo Benfica? «Mentira». Marcou, em 11 de Abril de 1976, fazendo um autogolo pelo GD CUF, na vitória do «Glorioso», por 5-1. Fez o 2-0! 

No jogo da segunda mão da Supertaça 1980/81 Néné recebe a Taça de Portugal 1979/80 (que por questões de segurança não foi entregue após a final) perante Pietra e Frederico


Obrigado pelo prazer que foi ver-te jogar com o «Manto Sagrado».

Alberto Miguéns


NOTA: Só agora (19:47) soube desta notícia. Não sabia que estava doente!
3 comentários
  1. Também tive o prazer de o ver jogar.
    RIP

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  2. Que descanse em Paz.

    Um jogador tranquilo e elegante. Um bom complemento para Humberto e António Bastos Lopes.
    Fez parte de planteis de enorme qualidade e por isso jogou menos do que seria de esperar.

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