A criação deste Blogue, ideia de António Melo, tem como objectivo divulgar, defender o SL Benfica e a sua Gloriosa História. Qualquer opinião aqui expressa vinculará apenas o seu autor, Alberto Miguéns.

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04/09/2018

Guedes Gonçalves 110

04/09/2018 1 Comentários
COMPLETA-SE HOJE O CENTENÁRIO + UMA DÉCADA DE UM DOS MELHORES GLORIOSOS FUTEBOLISTAS DOS ANOS 30. 


Equipa do Glorioso em 1932/33. De cima para baixo. Da esquerda para a direita.  Francisco Albino, Manuel Oliveira, Rogério Sousa, Alberto Cardoso, António Guedes Gonçalves (sem equipamento), Germano Campos, Vítor Silva e João Oliveira; Augusto Dinis, João Correia, Luiz Xavier e Emídio Pinho História do SL Benfica (1904 - 1954); Volume II; página 91; Mário Oliveira e Rebelo da Silva; edição de autor; 1955

Injustamente esquecido o casapiano António Guedes Gonçalves foi de uma dedicação extrema ao seu Benfica mesmo que isso lhe trouxesse dissabores na Casa Pia de Lisboa onde estava empregado e que tinha (e tem) um clube umbilicalmente ligado à nobre Instituição, o Casa Pia Atlético Clube. Mas um clube que ele nunca trocou pelo "Glorioso".


Revista «O Notícias Ilustrado» n.º 3; Série II; 1 de Julho de 1928; Capa; Lisboa

O casapiano "ouriço" n.º 4 419  
Nasceu em 4 de Setembro de 1908 há 110 anos. Entrou menino para a Instituição e por lá ficou a ensinar gerações de casapianos até se aposentar. Começou na Casa Pia de Lisboa como aprendiz e foi mestre depois de concluir brilhantemente (16 valores) o curso em «Carpintaria de Moldes». Um Mestre no mesmo ofício para muitos casapianos durante décadas. Sempre Benfiquista, sempre a fazer a apologia para jogarem no Casa Pia AC...menos ele. A paixão e compromisso pelo Benfica era mais intensa. 


Campeonato de Portugal (1929/30). Equipa da final, em 1 de Junho de 1930, no estádio do Campo Grande, do Sporting CP (V 3-1) treinada por Artur John, frente ao FC Barreirense: Artur Dyson; António Pinho e Jorge Teixeira; Aníbal José (1 golo no total), João Oliveira e Vítor Hugo; Augusto Dinis (1 golo, 4 no total), Mário Carvalho (1 golo, 1 no total), Jorge Tavares (capitão, 4 golos no total), Guedes Gonçalves (1 golo, 5 no total) e Manuel Oliveira (1 golo, 3 no total)

E pelo caminho...o "Glorioso"
Iniciando-se nas categorias inferiores no início da década de 20, estreou-se na primeira em 25 de Setembro de 1927 (1927/28) completando nove temporadas ininterruptas para fazer o derradeiro encontro com o "Manto Sagrado" em 21 de Julho de 1936. Fez parte dos plantéis que conquistaram a Taça de Portugal em 1934/35 (ainda designada Campeonato de Portugal) e o Campeonato Nacional em 1935/36 (ainda designado Campeonato da I Liga). Totalizou 69 golos em 139 jogos num total de 11 810 minutos. Entre os primeiros 178 futebolistas do Clube só quinze tinham mais minutos do que ele a jogar pela principal categoria do Benfica. Juntando as três categorias em que jogou apenas oito somavam mais tempo a honrar o "Manto Sagrado".
Digressão à Ilha da Madeira depois da conquista do primeiro campeonato nacional em 1935/36. De cima para baixo. Da esquerda para a direita: ?, Francisco Gatinho, Francisco Costa, Raúl Batista, Gaspar Pinto, Cândido Tavares, Gustavo Teixeira, Francisco Albino, Augusto Amaro e Dionísio Hipólito (massagista); Domingos Lopes, Carlos Torres (tio de José Torres), Vítor Silva, Guedes Gonçalves,  Alfredo Valadas e Fernando Cardoso. 

Características como futebolista
Foi um avançado raçudo. Pequeno como era usual nos anos 20 e 30 era rápido e habilidoso para jogar na ponta ou a meia-ponta do lado esquerdo. Era um dos futebolistas que a sempre dedicada mas exigente massa adepta do Benfica dizia que «jogava À Benfica»! Ou seja antes partir que torcer. 


Os Gloriosos a receberem o prémio Gillette pela conquista do «Campeonato de Portugal» (actual Taça de Portugal) em 1929-1930. Vítor Hugo Tavares, Aníbal José, Guedes Gonçalves, Ávila de Melo (presidente da Direcção), ?, ?, ?, Jorge Tavares, Augusto Dinis, Artur Dyson e Mário de Carvalho. Um grupo com "pêlo na venta". Punham os «pontos nos iis» durante os jogos.

A Equipa da Mística
Fez parte da geração que António Ribeiro dos Reis (futebolista avançado-centro, goleador, capitão, um dos onze primeiros internacionais portugueses, capitão-geral/treinador que sucedeu a Cosme Damião, dirigente com vários cargos e presidente da mesa da assembleia geral, além de seleccionador nacional) designou como "tendo Mística", ou seja, capaz de virar resultados considerados impossíveis de mudar/futebolistas que nunca aceitavam perder sem tentar mudar o rumo dos acontecimentos. Foi companheiro de futebolistas notáveis como Augusto Amaro, Gaspar Pinto, Gustavo Teixeira, Francisco Albino, Alfredo Valadas e Vítor Silva. Glórias do Benfica e todos internacionais por Portugal.



Características como desportista
Na Casa Pia de Lisboa distinguiu-se como atleta ecléctico. Excelente ginasta, bom saltador para a água e rigoroso pugilista. De estatura meã era duro como o aço. Um casapiano À Benfica! Pois claro!

Falecimento
Morreu, aos 81 anos, em 28 de Agosto de 1990. Já lá vão mais de 28 anos.

Obrigado, Guedes Gonçalves

Alberto Miguéns

1 comentários
  1. O SLB foi também feito por gente de fibra como Guedes Gonçalves! Que haja sempre gente deste calibre seja nos nosso planteis seja nos nossos associados. Nunca amolecidos, nunca descomprometidos do clube, da sua tradição, do seu Ideal.

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