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23/12/2016

A Segunda Melhor Prenda Benfiquista de Natal

23/12/2016 + 5 Comentários API
A MELHOR É SEMPRE A VITÓRIA DA EQUIPA DE FUTEBOL OU A CONQUISTA DE UM TROFÉU/TÍTULO OFICIAL NUMA MODALIDADE.



Agradeço publicamente ao leitor deste blogue que enviou este cartão de Boas Festas com um desenho natalício com traço de artista feito no Brasil que tem um duplo significado. Além da quadra de Natal já com o desejo comum - de quem oferece e quem recebe - para 2017 permite honrar uma Glória do Clube. Uma das primeiras glórias do Clube. Manuel Móra o segundo guarda-redes do clube, entre 1904/1905 e 1906/1907, que saiu do Clube no Verão de 1907 por ter emigrado para a América do Sul. Seria um fantástico artista, essencialmente ilustrador, consagrado no Brasil.

Equipa da temporada de 1904/05. De cima para baixo. Da esquerda para a direita. José Cruz Viegas, MANUEL MÓRA, Fortunato Levy, Albano Santos, António Couto e Emílio Carvalho; António Rosa Rodrigues, Silvestre Silva (capitão), Cândido Rosa Rodrigues, José Rosa Rodrigues e Carlos França. Nos primeiros tempos do futebol o guarda-redes não utilizava um equipamento diferente. O capitão da equipa indicava, no início do jogo, ao árbitro quem era o jogador que podia utilizar as mãos dentro da grande-área do seu meio-campo. Era o guarda-redes com o mesmo equipamento dos futebolistas de campo

De adversário a Glorioso
Manuel Móra nasceu em 19 de Março de 1884 passando a ser guarda-redes, beneficiando de ter precocemente altura acima da média e agilidade incomum, de um dos clubes mais importantes no final do século XIX e início do seguinte, o "The Colonial's". Com a desmembramento progressivo deste clube foi depois um dos principais elementos do "Grupo do Campo de Ourique" que era um dos clubes mais importantes no início do século XX e que seria escolhido para primeiro adversário do "Glorioso", em 1 de Janeiro de 1905. A curiosidade é que Manuel Móra foi o primeiro guarda-redes a sofrer um golo do novo clube que iria mudar o futebol em Lisboa e em Portugal, o Sport Lisboa (em 1908, Sport Lisboa e Benfica). O guarda-redes do Clube foi o consagrado casapiano (e pintor) Pedro Guedes.



A "segunda leva" de pioneiros
Se o clube foi constituído em 28 de Fevereiro de 1904, essencialmente, por elementos residentes em Belém serviu depois para ir atraindo os casapianos - futebolistas de excelência e experientes - que já viviam longe da instituição e andavam dispersos por vários clubes, sendo muitas vezes adversários. Foi esta a "primeira leva" de associados depois de fundado o clube. Depois dos primeiros jogos o clube foi procurado por bons futebolistas - numa "segunda leva" - de outros clubes que fizeram com que o "Glorioso" conseguisse pouco mais de um ano depois de fundado ter capacidade para organizar três "teams" - grupos de futebol ou categorias (1.ª, 2.ª e 3.ª) - movimentando meia centena de futebolistas. Um clube de sucesso alicerçado em ser universalista - não fazendo qualquer tipo de segregação - embora tivesse por tradição (quebrada em 1978 e na prática em 1979) só jogar com futebolistas portugueses.



Três temporadas
Estreou-se em 22 de Janeiro de 1905, ou seja no segundo jogo. Foi o guarda-redes em 17 jogos, num total de 1 390 minutos. Fez parte do "onze" que cometeu a proeza de quebrar a invencibilidade dos ingleses do Cabo Submarino de Carcavelos e que já foi destacado neste blogue aquando da passagem do 109.º aniversário (clicar). Onde no jornal "Os Sports" se destacou a exibição de Manuel Mora. Mas houve muitos outros jornais a fazer destaque ou a descrever Mora a defender a baliza do "Glorioso"como se ilustra neste extracto do jornal "Diário Illustrado", em 13 de Março de 1905.


Esteve no baptismo de Cosme Damião
Na primeira categoria do Clube num jogo disputado na Cruz Quebrada, campo do Lisbon Cricket Club, em 17 de Março de 1906, nas meias-finais do Torneio dotado com o troféu, um bronze (futebolista a chutar uma bola) "Viúva Alexandre Sena".


Equipa da temporada de 1905/06. De cima para baixo. Da esquerda para a direita. António Couto, Albano Santos, Emílio Carvalho, MANUEL MÓRA, Cosme Damião e Fortunato Levy; H. Hannour (árbitro e futebolista do Carcavellos Club); Carlos França, António Rosa Rodrigues, Daniel Queirós Santos, Cândido Rosa Rodrigues e Silvestre Silva (capitão)


A grande temperada em 1906/07
Ainda antes do Clube completar três anos, em 10 de Fevereiro de 1907, a 18 dias do 3.º aniversário, uma equipa de classe ímpar entre os clubes portugueses obtém uma vitória frente aos ingleses do Carcavellos Cricket & Football Club que estavam invencíveis, mesmo frente ao outro clube constituído, em exclusivo, por ingleses, o Lisbon Cricket Club.  A partir desta grande vitória o clube foi designado por "Gloriosíssimo" e estava "justificada" um dos motivos que acelerou a fundação. Era possível derrotar os "mestres invencíveis do Cabo Submarino, em Carcavelos, com uma equipa "só com portugueses"! Para saber mais e ver recortes de jornais da época (clicar) no texto de 2016, aos 109 anos de "Gloriosíssimo"!


Equipa da temporada de 1906/07. 1.º nível (atrás), esquerda para a direita: David Fonseca, Emílio Carvalho, Cândido Rosa Rodrigues, Marcial Costa, Fortunato Levy (capitão) e, atrás do capitão, Carlos França; 2.º nível: MANUEL MÓRA; 3.º nível: Daniel Queirós Santos, Albano Santos, António Couto e José Cruz Viegas; 4.º nível (à frente): Manuel Gourlade ("treinador"); Árbitro ou adepto: desconhecido

Adeus com jantar de despedida
Realizou o derradeiro jogo em 25 de Março de 1907. Tinha pouco mais de 23 anos. Vinte e três anos e seis dias. Menos de um mês depois o Clube fez um jantar de despedida a Manuel Móra e a Fortunato Levy. Móra seguiu para a Argentina (depois "aparece" no Brasil) e Levy rumou a Cabo Verde onde foi figura de destaque na Cidade da Praia, na Ilha de Santiago. E que merecerá evocação neste blogue dia 31 deste mês. Consta que este convite/menu foi desenhado por Manuel Móra. O Clube, mesmo ainda no seu início, sabia honrar os que o tinham prestigiado. Ainda "gatinhávamos" mas já se sabia estar no desporto - prestigiando esta actividade e honrando os que nos serviam com atitude exemplar - fazendo de um clube, o Clube!


Depois do Verão de 1907
Enquanto uns desertaram para o Sporting CP, outros para outros clubes, Levy para Cabo Verde e Móra para a América do Sul, onde pôde exercer a sua arte de magnífico ilustrador, tornando-se figura importante no Rio de Janeiro.










Artista consagrado no Brasil
Faleceu em 1 de Abril de 1956, aos 72 anos. As três temporadas como futebolista do "Glorioso" deram-lhe a imortalidade.

Obrigado Manuel Móra

Alberto Miguéns
5 comentários
comentários
  1. Que maravilhoso pedaço de história !!!

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  2. Mora foi um gigante. Lamentavelmente é um nome esquecido das nossas Artes pois fez carreira no Brasil. Discípulo de Roque Gameiro e de Jorge Colaço. Bela e justa invocação. Os Benfiquistas deviam conhecer mais a História do Clube. Sem este blogue e sem o dedicado e sabedor labor do Alberto seriamos muito mais pobres nesse conhecimento que tanto nos engrandece. Obrigado.

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  3. António Madeira23/12/16 16:35

    Mais um pedaço de Benfiquismo com que nos brinda. Aqui neste blogue é como se todos os dias fossem Natal, tamanhos os presentes com que o caro Miguéns nos delicia regularmente.
    Esse menu está delicioso e nota-se que o Móra não só tinha queda para defender a baliza do Glorioso como para desenhar belas moçoilas...


    PS: Se me permite, onde se lê "As três temporadas como futebolista do "Glorioso" deu-lhe a imortalidade" deveria ler-se "As três temporadas como futebolista do "Glorioso" deram-lhe a imortalidade".

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    1. Obrigado.

      Sem dúvida. assim é que está correcto. O erro foi ter iniciado a frase com uma ideia, ter alterado e não o fazer com atenção. a atenção que merecia.

      Inicialmente a frase era. Mesmo que curta no tempo, a sua passagem como futebolista do "Glorioso" deu-lhe a imortalidade.

      Agradeço a atenção

      Alberto Miguéns

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  4. Pedaços da nossa existencia dados a conhecer pelo extraordinário labor e exemplo de bem servir o clube que dá pelo nome de Alberto Miguéns. Nunca os agradecimentos serão demais.
    Boas Festas

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