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15/07/2012

Há 100 ANOS (7)

15/07/2012 + 0 Comentários

HOMENAGEM

Preparação para uma maratona fatal












A última corrida

Portugal levou à capital sueca uma delegação de seis elementos – cinco elementos de estratos sociais elevados e o popular Francisco Lázaro. Ficaram alojados numa escola primária. Na abertura dos jogos foi Lázaro que transportou a nova bandeira nacional, instituída após a implantação da República, que ocorrera há menos de dois anos, em 5 de Outubro de 1910.

De derrota em derrota
À medida que a competição decorria os atletas portugueses coleccionavam desilusões. E Lázaro a vê-los a perder. E Lázaro tinha o melhor tempo na maratona. E Lázaro tinha de honrar-nos. E Lázaro era a última esperança lusa.

Participação portuguesa nos V Jogos Olímpicos, em Estocolmo
Dia
Atleta
Modal
Especialidade
Resultado
Consequência
01
Stromp
ATL
100 m (5.ª s.)
(3.º) s/t
Eliminado
01
Cortesão
ATL
800 m
(2.º) s/t
Apurado 1/2
02
Cortesão
ATL
400 m (sér.)
(3.º) s/t
Eliminado
03
Cortesão
ATL
800 m (1/2)
Des. lesão
Eliminado
05
Stromp
ATL
200 m (18.ª s)
(4.º) s/t
Eliminado
08
Pereira
LUT
Eliminado por Anderson (Suécia)
08
Vital
LUT
Eliminado por Asikainen (Finlândia)
10
Correia
ESG
Excluído pelo júri da série
14
Lázaro
ATL
Maratona
Desistiu
Faleceu

Bom no físico. Apoio da comitiva lusa
No dia anterior à prova o maratonista recebeu a nota “bom” após uma rigorosa inspecção médica, com análise a pulmões, coração e palpação da região inguinal. Em 14 de Julho de 1912, Francisco Lázaro almoçou às 10 horas, seguindo depois, de automóvel, para o estádio olímpico. Cedo deixou de ter portugueses por perto. A delegação portuguesa distribuiu-se pelo percurso da maratona. António Pereira e António Stromp colocaram-se ao quilómetro 5 (de ida) e 35 (de volta), mal saberiam eles que seriam os primeiros a impacientar-se com a demora. Joaquim Vital ficou ao quilómetro 15 (de ida) e 25 (de volta). Mal sabia ele que seria o último português a vê-lo com vida! Os outros dois, Fernando Correia e Armando Cortesão, ficaram na bancada.

Lázaro fez o impensável
Fernando Correia e Armando Cortesão estranharam não o ver entre as dezenas de maratonistas que se exercitavam na pista do estádio. Aproximando-se da hora de partida, foram à sua procura, rumando aos balneários. Depararam-se com uma cena inesperada. Lázaro estava untado com sebo “para impedir a perda de líquidos”, foi a sua justificação, pois sendo mais franzino que os seus “gigantes adversários” não poderia perder peso. Nunca ninguém conseguiu entender como Lázaro - que não sabia qualquer outra língua além do português - conseguiu arranjar o sebo para se untar! Tentaram levá-lo para debaixo de um chuveiro para tirar o sebo e limpá-lo, mas já não havia tempo. Se têm chegado mais cedo! Depararam-se com outro “imprevisto”. Lázaro não tinha qualquer protecção para a cabeça, eram quase duas da tarde e estavam 32.º C. O maratonista não se mostrou preocupado: «O calor não me incomoda. Até folgo que o haja, porque fará afastar alguns concorrentes.»

Depois foi de mal a pior
Ao início da tarde, estando um dia “abrasador”, apareceu na partida da Maratona com o corpo untado de sebo e de cabeça descoberta. Ao quilómetro 15 estava em 27.º lugar, a quatro minutos do líder. Ao quilómetro 25 era já o 18.º classificado, seguindo muito próximo da frente da corrida, segundo relato de Joaquim Vital (não confirmado pelos registos oficiais). Ainda segundo Joaquim Vital, tinha muita sede. Foi-lhe dada água que bebeu sofregamente. Depois do quilómetro 30, uma quebra que seria fatal deixou Lázaro prostrado na estrada.

A reacção dos outros olímpicos
Ao quilómetro 35, Pereira e Stromp aguardavam pela passagem de Lázaro, impacientemente, pois esperavam vê-lo na dianteira. Os maratonistas foram passando e de Lázaro nada. Foram à sua procura em sentido contrário. Depois de terminada a corrida no estádio, sem a chegada de Lázaro, Cortesão e Correia fizeram de automóvel o percurso contrário. Ninguém o encontrou. Foi António de Castro Feijó, embaixador de Portugal na Suécia a dar-lhes a triste notícia que Lázaro desistira e se encontrava hospitalizado.

O que faz o improviso português! Nem sempre dá vantagens…

A camisola da maratona final


Alberto Miguéns


NOTA: A desenvolver nas próximas horas:

1. A certidão de óbito

2. As homenagens fúnebres na Suécia e em Portugal

3. A vida da família Lázaro depois da morte



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