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10/11/2016

O Pai Lobo Antunes e o Glorioso Hóquei em Patins

10/11/2016 + 6 Comentários
SE FOSSE HÁ UNS ANOS, ATÉ 2003 É MUITO PROVÁVEL QUE HOJE FOSSE ALMOÇAR COM OS ANTIQUÍSSIMOS HOQUISTAS DO “GLORIOSO”.


Foi assim até meados da primeira década do século XXI. E escrevo “se” porque tinha que conseguir estar livre do emprego nesse dia – segundas quintas-feiras de Abril e Novembro – de modo a poder deslocar-me a Benfica, ao Restaurante “Córsega” onde há décadas se reunia um grupo – “Os Miúdos de Benfica” – que de miúdos só tinham o nome pois andavam pelos 70/80 anos de idade. Por isso nem sempre consegui estar em todos (cerca de 22) durante década e meia. Em 2003, por que foi nesse ano que estive pela última vez com um desses “miúdos” – João Alfredo Lobo Antunes – que faleceu, aos 89 anos, em 10 de Junho de 2004.

Era um grupo de gente variada e nem todos Benfiquistas ou antigos hoquistas
Mas todos eles se conheciam desde crianças por terem crescido no bairro de Benfica. E muitos tinham jogado hóquei em patins no Benfica. Mesmo na equipa sénior e muito mais que meia dúzia de jogos. Recordo figuras ímpares com as quais aprendi muito e que há muito estão no Quarto Anel: Joaquim José Esteves, José Leote Quintino e Rogério Miguéis, entre muitos outros.


Os Lobo Antunes
O falecimento há pouco tempo de um filho do hoquista do Benfica, o seu segundo filho, João Lobo Antunes (em 27 de Outubro de 2016) fez-me relembrar muitas conversas com o seu pai. E que estava próxima uma das datas certificadas – segunda quinta-feira de Novembro – para uma dessas conversas onde se falava de “tudo e mais alguma coisa” mas em que eu de início o que queria mesmo era saber mais acerca do Glorioso Hóquei em Patins dos anos 20 e 30 e aproveitar para que me legendassem fotografias ou fotocópias que os jornais têm por hábito não legendar por serem demasiados óbvios os nomes dos fotografados. É assim no efémero mas com o tempo os que surgem no futuro ficam sem referência a quem foi fotografado no passado.

Além do Hóquei em Patins
O que eu não estava à espera é de uma revelação que nada tinha a ver com a modalidade. Então não é que a célebre «casa amarela» que aparecia praticamente em todas as fotografias do campo de futebol da Quinta da Feiteira era onde João Alfredo de Figueiredo Lobo Antunes havia sido criado! Filho do capitão de cavalaria António Lobo Antunes e de Eva Futscher de Figueiredo, nasceu em Lisboa, onde o pai cumpria serviço militar ou estava reformado por ser monárquico, precisamente no dia do 11.º aniversário do “Glorioso”: 28 de Fevereiro de 1915. Passou a infância naquela enorme quinta de Benfica, a do “Chalet Alemão” embora já o futebol do Benfica andasse por outras paragens, na Quinta de Marrocos e depois bem mais afastado de Benfica, nas Amoreiras.


A quinta vendida no início dos anos 70, talvez em 1972, já depois do falecimento do pai em 1960 (nascido em 1880) e antes da mãe falecer, em 1977 (nascida em 1884). João Alfredo passou aqui a infância e os seus seis filhos frequentavam-na com frequência para visitar os avós paternos


E tudo o tempo levou
Uma das muitas quintas - quando em Benfica as havia em quantidade (resta a quinta da Granja - de sportinguistas que também participavam nesses bi-almoços anuais - em frente ao Centro Comercial Colombo). No mesmo local e traseiras um enorme quarteirão de prédios altos sem expressão. Resistem a Vila Ana e Vila Ventura. Entre a «casa amarela» e a Igreja de Benfica.


Os Futscher
A grande figura do Benfica (vindo do «Desportos de Benfica») e do Hóquei em Patins português era Rogério Futscher que segundo João Alfredo Lobo Antunes ainda era seu primo afastado pelo lado materno. Penso que pelo lado da bisavó. Mas Rogério Futscher sendo mais velho, deixou o SLB no final de 1920, tinha o "nosso" Lobo Antunes cinco anos...quase seis!


Patinar no rinque
A viver muito próximo da Sede do Clube (que em 1916 - oficialmente em 1 de Dezembro - passou a ser na avenida Gomes Pereira) com rinque nas traseiras, entrou para a Patinagem e depois para jogador de Hóquei em Patins fazendo parte dos plantéis do clube nos anos 30. Excelente patinador era menos categórico a jogar, mas dedicado ao Clube soube servi-lo dentro daquilo que podia. Dava o que tinha, mesmo que não fosse dotado.


Continuar a morar em Benfica
Quando João Alfredo de Figueiredo Lobo Antunes casou com D. Maria Margarida Machado de Almeida Lima, logo após a licenciatura do médico (1941) foram viver para uma moradia não muito longe da “casa amarela” e mais próximo da Sede do Benfica, na avenida Gomes Pereira e do rinque. O espaço onde patinará e jogará, no início dos anos 30, com o “Manto Sagrado”. 


João Alfredo Lobo Antunes e António Egas Moniz (Prémio Nobel da Medicina em 1949 e Sócio Honorário do "Glorioso" em 9 de Fevereiro de 1950)

De jovem hoquista a médico consagrado
João Lobo Antunes (pai) foi hoquista enquanto estudou até ser médico, em 1941. Neurologista no Hospital de Santa Maria foi assistente de António Egas Moniz (1874 - 1955) mudando-se depois para o Hospital Miguel Bombarda, em 1946, como neuropatologista. Como o objectivo deste texto não é evidenciar as suas qualidades como neurologista mas sim destacar o seu Benfiquismo e importante contributo que me deu para conhecer mais o Clube, principalmente, o Glorioso Hóquei em Patins, quem quiser saber mais tem sempre à disposição a informação da Faculdade de Medicina (clicar).


João Alfredo Lobo Antunes. De irmão mais velho entre mais quatro irmãs (falta a mais nova) com os pais (em cima) a patriarca de seis filhos e vinte netos (em baixo). Ao que consta todos Benfiquistas. Entre as duas imagens quatro gerações. Um século!

Esmerada educação Benfiquista
Com seis filhos, todos rapazes, todos Benfiquistas, todos com actividade profissional e cívica reconhecida no Portugal Contemporâneo. Dois já faleceram: Pedro (1947 - 2013; 66 anos) e João (1944-2016; 72 anos). Quatro continuam entre nós: António (1942), Miguel (1947), Nuno (1954) e Manuel (1958).  


António Lobo Antunes
Como sempre gostei dos romances e das crónicas do seu filho mais velho, praticamente desde que publicou o primeiro livro (Memória de Elefante), em 1979, um dia “apanho-lhe” uma crónica acerca de José Águas (clicar) onde ele fala de uma fotografia do pai como hoquista do Benfica. Como a Feira do Livro desse ano "já era" tive de esperar até à próxima edição (2012) para saber quando andaria ele pela Feira para lhe fazer uma surpresa. Quando o encontrei, levando a revista com a crónica impressa e a fotografia em modo fotografia (papel) questionei-o. É esta a foto com o seu pai hoquista? Olhou para mim. É esta mesmo! Estava uma ampliada num quadro no balneário do hóquei em patins do Benfica! Com o meu pai! E entreguei-lha. Como num gesto de agradecimento sempre muito aquém em relação ao seu pai que me “entregou" muito mais do que eu lhe estava a entregar. É bom ser e conhecer o Benfica. É como conhecer o Mundo! Uma parte muito boa dele! E quase-tão-grande-quanto-Ele! O nosso Mundo!


Excerto da crónica de António Lobo Antunes


Da esquerda para a direita: Lobo Antunes, Leote Quintino, Leonel Santos, Silvério Gouveia, José Prazeres e Germano Magalhães (saiu com Rogério Futscher para o HCP mas regressou ao SLB)

Os Lobo Antunes, a «casa amarela», o hóquei em patins e tanto mais…

Alberto Miguéns


NOTA: Aquando do Centenário da estreia no Hóquei em Patins (2017) regressará a este blogue este plantel - entre outros - pois foram eles que não cederam e resistiram à deserção dos melhores patinadores e hoquistas em patins e de campo para fundar o Clube Futebol Benfica (Fernando Adrião, irmãos Carreira e irmãos Serpa) em 1933
6 comentários
comentários
  1. Feliz iniciativa essa a de pedir aos próprios que legendassem as fotografias. O hóquei é modalidade de grande importância na História do SLB. Ter tido o privilégio de privar com alguns desses homens deve ter-lhe dado um enorme prazer.

    Eu adoro qualquer fotografia da Feiteira. Era um campo que tinha algo de mágico. Amplo, airoso, com um belo enquadramento. E foi ali que o nosso Clube se salvou e ganhou um incremento de popularidade. Tenho ideia de que o recorde de assistência terá passado as 7-8 mil pessoas. Sendo um campo sem bancadas esse facto ainda se torna mais espantoso.

    Depois a varanda do chalet Alemão dos Lobo Antunes. Talvez, digo eu, tenha sido o primeiro "camarote" da nossa História! Há uma fotografia em que se vê pessoas lá sentadas a assistir a uma futebolada.

    Os Lobo Antunes, uma família notável com diversos membros que tanto contribuíram e contribuem para as Artes e Ciência em Portugal. Faltava o desporto e o SLB mas pelo que o Alberto nos conta também por aí os Lobo Antunes nos deram a sua valiosa contribuição. Bela fotografia essa com Egas Moniz, um outro grande Benfiquista!

    Belíssimo artigo! Obrigado.

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  2. "Com seis filhos, todos rapazes, todos Benfiquistas"

    Caro Alberto Miguéns, João Lobo Antunes filho, que descanse em paz, era sportinguista.

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    1. Caro Anónimo,

      A filha Paula Lobo Antunes é Benfiquista e tenho ideia que o avô disse que todos os filhos eram Benfiquistas. Mas só falei com um (António). Mas vou confirmar! Depois colocarei aqui a confirmação, embora não possa dizer quanto tempo vou demorar a confirmar.

      Obrigado

      Alberto Miguéns

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  3. Sem dúvida...sportinguista. Confirmado pelo irmão António.

    http://visao.sapo.pt/opiniao/opiniao_antonioloboantunes/2016-02-25-Cronica-escrita-pelo-menino-que-continuo-a-ser

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  4. Era do Sporting disse-me ele èramos os dois unicos sportinguistas na escola primária

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