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20/07/2016

Acto 5 (Um Benfiquista Inaudito)

20/07/2016 + 5 Comentários
DEPOIS DA DESILUSÃO DE 1946 RESTARAM-LHE 13 ANOS.



Homem de convicções não aceitou a decisão dos associados. Ele que a par de Cosme Damião tinham moldado o Benfica, fazendo-o de Amor e Paixão...fraquejou. O Benfica era assim porque eles, essencialmente eles os dois, fizeram com que fosse assim! Não admitiu que a criação (SLB) traísse um dos criadores (Félix Bermudes). Anunciou-o no jornal “O Benfica”.





Em 3 de Abril de 1946 na última aparição pública Cosme Damião mostrava-se preocupado. Pedagógico, foi simplesmente Cosme. Como só ele sabia ser...


Entre os actuais 20 dirigentes eleitos para os três Órgãos Sociais há muitos que ficavam com as "barbas" a arder se lessem estas declarações do nosso Cosme!
No Benfica entendia-se Félix Bermudes - e mais importante -respeitava-se o homem que quase sempre soubera estar ao nível do grande Benfiquismo. Félix Bermudes nunca saiu do Clube (ou se saiu foi fisicamente mas reentrou com facilidade) pois ainda recebeu o "Emblema de Dedicação por 50 anos de associado" na presidência de Maurício Vieira de Brito (1957 - 1962). E antes já tinha aceite a proposta de Joaquim Bogalho (1952 - 1957) para integrar a Comissão de Honra da "Saudosa Catedral", precisamente o motivo -principal mas não o único - pelo qual foi derrotado nas eleições em 1946.

(clicar em cima para visualizar com mais pormenor)



Apesar da localização do estádio ser o principal motivo de discórdia entre a Direcção de Félix Bermudes (eleita em 1945) e os dirigentes que a derrotaram em 1946, Félix Bermudes soube estar - como sempre - do lado da maioria. Fazendo o elogio à obra e ao Benfiquismo que a tornou possível. Ou não fosse ele um dos Benfiquistas que nos legaram uma Cultura de crítica e responsabilidade sem paralelo. O «motor» que nos tem guiado desde 28 de Fevereiro de 1904 e colocado na vanguarda do desporto em Portugal

Aos 71 anos (tinha nascido em 1874) decidiu que a Literatura iria ser o Amor do Resto da Sua Vida
Publica praticamente toda a sua obra depois da desilusão de 1946 (ao ser derrotado quando se propunha a ser reeleito). A excepção foi o livro de 1943: “...Cinza e nada” (versos e novelas)



Seguiram-se:

1949 – “Aos Meus Irmãos Comunistas” (ensaio de filosofia política)



1949 – “O Homem Condenado a Ser Deus” (ensaio teosófico); traduzido para francês, editado em 1959, como: “La Conquête de L’Eternel”; editado no Brasil, em 1974, com o título “A Conquista do Eterno



1952 – “À Mulher Portuguesa” (colectânea de poesia)




1959 – “Buda Instruindo os Discípulos” (ensaio teológico)



1961 (obra póstuma) – Opúsculo "De Fronteira a Fronteira" - Excerto do livro “Sem Armas no Meio das Feras – A Vida na Selva” (descrição de duas viagens a Moçambique em 1956 e 1957)



Sem Armas no Meio das Feras – A Vida na Selva” (descrição de duas viagens a Moçambique em 1956 e 1957); 1.ª edição (1962); 2.ª edição (1963)



Sociedade Portuguesa de Autores (SPA)
Em 1925, foi um dos principais entusiastas que permitiram a fundação de uma instituição que protegesse os direitos de quem vive do trabalho intelectual, a Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses (actual SPA). Félix Bermudes foi o segundo presidente, sucedendo ao consagrado Júlio Dantas, entre 1928 até falecer em 1960, ou seja, durante 31 anos!



Aos 85 anos
Em 5 de Janeiro de 1960, passaram 56 anos neste 5 de Janeiro de 2016, faleceu vítima de agranulocitose (forma especial de leucemia) detectada, em Novembro de 1959, pela sua filha Cesina, cerca de cinco semanas antes de falecer. Ainda conseguiu terminar o seu último livro, com 91 páginas, que praticamente só estava iniciado). Já foram os seus descendentes a ver o Bicampeonato Europeu, em 1961 e 1962, do Clube que fez “Gloriosíssimo” em 1907, resistindo com sabedoria em 1908, 1916, 1945 e em muitos outros anos! Obrigado, Félix. Sempre foste, para os Benfiquistas, também, Féliz!

Que prestígio ter um Português deste quilate no Benfica como atleta e dirigente. Mas, acima de tudo, como Benfiquista da “primeira hora”!

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Sport Lisboa e Benfica (S.L.B.) é o nosso nome por sugestão dele. A proposta inicial, que parecia irredutível, era outra. O clube denominar-se Sport Clube de Lisboa e Benfica (SCLB). Também foi ele a justificar o porquê das cores da equipe (equipamento) dever ser o vermelho (camisolas) e branco (calções). Eram cores GLORIOSÍSSIMAS.

(clicar em cima para visualizar com mais pormenor)



NOTA1: Quem quiser ouvir (ou re-ouvir) a entrevista que concedeu a Igrejas Caeiro em 17 de Junho de 1958 é só clicar

NOTA2: Não houve nenhum Jornal que não lhe fizesse um elogio. Também é assim quando alguém morre. Foram sempre todos do melhor que podia haver, uma perda para a Nação. No caso dele foi mesmo. Nunca tinha havido, nem haverá (a menos que morra durante o exercício da presidência) um presidente cujo falecimento fosse tão assinalado e honrado. E por vontade dele só se soube da sua morte depois de realizado o funeral. Foi uma cerimónia anónima, em termos públicos!







Notícias de "O Século", "Diário Popular", "Diário de Notícias" e "Diário da Manhã" ou Manha (sem til por ser o órgão oficioso do Estado Novo). Curiosamente (ou talvez não!) a notícia mais lacónica de todas num jornal que tinha fama de fazer panegíricos até..."a sargentos desarmados"!








"O Século"; Página 8; 7 de Janeiro de 1960



Lá do infinito no "Quarto Anel" aquela luz que brilha e parece enlouquecer-nos é a dele. Feliz! De Félix Bermudes!



Alberto Miguéns
5 comentários
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  1. É um texto de amor Benfiquista que se trata. Um texto de um Benfiquista sobre outro Benfiquista para todos os Benfiquistas. Todos deviam ler este texto.

    Félix Bermudes foi gigante. Evitou a morte do Clube que nos fez melhores, nos fez maiores, que nos orgulha e enche a alma. No processo de fusão definiu os novos estatutos, definiu o novo nome, garantiu a manutenção da Gloriosa camisola vermelha. Mais tarde definiu a junção do Desportos de Benfica.

    E se qualquer homem mortal não pode estar sempre certo no seu tempo, também como qualquer homem mortal Félix Bermudes ficou magoado. É próprio dos grandes corações. É próprio daqueles que sofrem porque amam. Tal como Cosme em 1926, foi 20 anos depois a altura de Félix também se sentir amargurado e rejeitado. Como um pai pelo seu filho. E como um pai ele percebeu que não o poderia rejeitar porque felizmente o filho o procurou para o acarinhar de novo. foram grandes esses dirigentes em vida conseguir a reconciliação. Este texto mostra o Sport Lisboa e Benfica como espaço para homens livres e de livre pensamento, homens de talento e garra para lutar pelo melhor para o seu Clube. E mostra a tolerância que distingue e honra o maior clube Português.

    Este texto devia ser lido por todos os Benfiquistas.

    Obrigado.

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  2. A quem é que Félix Bermudes se refere como "inimigo nº1 do Benfica"?

    Saudações benfiquistas.

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    1. Caro Sérgio,

      Ainda não "estudei" ao pormenor esta gerência -1945 - com a minúcia com que deve e tem de ser feita. Vou em 1922. O início dos anos 40 foram turbulentos para o Futebol em Portugal. Tenho ideia que seria alguém que Félix Bermudes entendia que no Benfica servia os interesses da DGD (Direcção Geral dos Desportos) que sendo esta o inimigo n.º 1 tinha aliado(s) dentro do Clube, talvez Vicente de Melo ou Afonso e Costa, dirigentes influentes.

      De qualquer modo Félix Bermudes não tinha razão. Como o tempo provou. A ida do Benfica jogar para a avenida do Brasil apresentada pela CML para resolver o problema do campo seria catastrófica. Imagine o Benfica "entalado" entre a avenida do Brasil e a II Circular num espaço que era metade do que chegou a ter no Campo Grande e um "quarto" do que chegou a ter na Luz. A "oposição" tinha razão em estar preocupada com a complacência de Félix Bermudes para com a CML não forçando uma solução melhor. Era voltar a adiar o problema. De certeza que em 2016 já não jogávamos onde está o LNEC e provavelmente o local seria inferior ao que temos hoje.

      Já a solução "compra da Sede" se foi, em 1945, má no curto prazo (desviou investimentos na melhoria das instalações -bancadas - do Campo Grande (1941 - 1954) a médio prazo até foi óptima. Permitiu em 1981 trocar as instalações com a CML (por isso é hoje a JFB) com uma feixa de terrenos - expropriados pela CML - entre o Estádio e o local onde estava projectada a Avenida Lusíada. Mas em 1945 ninguém previa isso.

      Saudações TRIgloriosíssimas

      Alberto Miguéns

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  3. É muita informação. Isto tem que ser lido como se de um livro se tratasse.
    Mas dá para perceber que, se houvesse um "benficómetro", Felix Bermudes rebentava com ele só com o bafo!!!

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    1. Caro Viriato de Viseu,

      Foi um dos motivos que me levou a programar esta série acerca dele (que até esteve programada para Janeiro, no aniversário do seu falecimento) embora se tal tem ocorrido era provável que não houvesse entrevista radiofónica nem materiais de arquivos nacionais (PR e TT).

      Félix Bermudes teve muito mais importância do que se pensa e divulgava. Cosme Damião não é um eucalipto que seca tudo. Durante anos fizeram dele um eucalipto, mas não era. Nem foi.

      Cosme Damião teve uma importância mais física, porque jogou, treinou, orientou, foi dirigente e capitão-geral. Mas chegou a ser adversário do Benfica quando presidiu ao Casa Pia AC numa situação que nunca ninguém quis, nem quer explorar. Cosme Damião esteve fortemente ligado ao Benfica desde 1904 a 1926. Depois entre 1931 e 1935. Depois só nos anos 40 até falecer. Entre 1926 e 1931 andou a rondar o Casa Pia AC. Depois e 1935 foi mesmo presidente de um clube adversário.


      Félix Bermudes foi mais intelectual, mais emocional. Esteve ligado de certeza desde 1905 até 1960. Há até quem refira que foi dele a ideia do E Pluribus Unum e que só não é fundador porque era de uma geração mais antiga (1874) que a do Cosme (1885). São 55 anos de Benfiquismo contínuo, embora por vezes mais próximo e outros mais distante. Mas quando estava próximo era mesmo para tomar decisões "decisivas". Não era para decisões inconsequentes.

      Além disso era o grande comediógrafo dos anos 10 e 20 até Ernesto Rodrigues falecer e "A Parceria" acabar. Há quem diga que o Parque Mayer estava projectado para ter quatro teatros (e teve) para dar vazão às peças que produziam de raiz ou adaptavam de outros criadas no estrangeiro.

      Não tendo a presença constante, diária e minuciosa de Cosme Damião foi um Benfiquista que soube chegar-se à frente e defender os interesses do Clube.

      Cosme e Félix complementam-se, embora Félix Bermudes seja um desconhecido. Duas personalidades distintas, mas que criaram o Benfica. Melhor, o Benfiquismo como nos foi deixado por aqueles que admirávamos e quisemos seguir-lhes o gosto passando também a gritar pelo Benfica!

      Intelectual ao contrário de Cosme Damião, que era mais de "por as mãos na massa", Félix Bermudes é um GIGANTE do Benfiquismo. Era injusto estar pouco conhecido. Assim ficou um "poucochinho2 mais à vista de todos e consultável!


      TRIsaudações Gloriosíssimas

      Alberto Miguéns

      NOTA: Eh pá! Quase duas da matina e eu daqui a pouco, lá pelas eu da manhã quero ir comprar um bilhete para uma amiga ver o Torino FC ao meu lado. Que terá de ser o M2. Ter Título Fundador e querer levar acompanhantes dá nisto. Não podemos deixar que nos "gamem" o lugar do lado. E logo eu que só tenho um. Do outro lado fica a escada!

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