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07/10/2015

No Melhor Pano Cai a Nódoa

07/10/2015 + 7 Comentários
ANTES DE FAZER UMA CORRECÇÃO HÁ UM ELOGIO - QUE NEM ISSO É - A FAZER.


Mais que elogiar devemos, todos os que se interessam pela Gloriosa História, reconhecer e estar gratos aos dois fundadores da Gloriosa Historiografia: Mário Fernando de Oliveira e Carlos Rebelo da Silva.

AVISO: Texto longo acerca da História do “Glorioso”.


Pequenas notas biográficas
Mário de Oliveira era jornalista e foi dele a grande entrevista a Cosme Damião feita no início de 1945, publicada na página 5 e terminada na página 7 da edição n.º 11 do jornal “A Bola” de, segunda-feira, 5 de Março de 1945. 


Jornal "A Bola"; Página 7; 5 de Março de 1945
Foi através desta entrevista, percebendo o estado de saúde precário do entrevistado, a necessidade de entrevistar os poucos fundadores ainda vivos, recolher documentos e aproveitar a data das Bodas de Ouro (1954) que levou Mário de Oliveira a entender que chegara o momento de passar para o papel alguns dos acontecimentos que eram contados geração após geração, consultando arquivos de jornais, clubes, instituições e livros entretanto publicados. Em 1945 o FC Porto já tinha uma história publicada (1906-1933) por Rodrigues Teles e que é citada, a propósito de elogios ao “Glorioso”, na História do Benfica (1904-1954). Como a edição da obra seria da sua responsabilidade estabeleceu uma parceria (ou o parceiro é que sugeriu que ajudaria… pode ser que um dia se saiba de quem partiu a ideia da publicação). Isso é perfeitamente secundário.

História do SL Benfica (1904-1954); Volume I; Página 5; Mário de Oliveira e Rebelo da Silva; Lisboa; 1954; edição dos autores

Rebelo da Silva estava ligado ao “mundo dos jornais”. Era director, editor e proprietário de um jornal satírico “Os Ridículos” dos títulos que mais problemas tinha com a censura salazarista (quem quiser saber mais clicar) com facilidade no acesso (penso que era também proprietário) à tipografia. O objectivo era facilitar a burocracia e, principalmente, diminuir os custos de uma publicação em fascículos, com distribuição mensal, assinaturas, venda de capas duras para encadernar em dois volumes, etecetra-e-tal. E assim foi.     


São 24 fascículos (dois anos) de grande envergadura
Embora os três últimos – 22, 23 e 24 – tenham muito menos qualidade, pois abordam os assuntos de um modo muito genérico. Os outros 21 são o contrário. Chega a parecer inverosímil como conseguiram em tão pouco tempo (1945 – 1953) reunir tanta informação, tão criteriosa, fundamentada, pormenorizada e rigorosa de todo o Clube. Do futebol às modalidades, às iniciativas dos órgãos sociais, mandatos, polémicas, eleições, iniciativas associativas e sociais, ou seja, tudo o que os dirigentes foram querendo fazer e tudo o que foi feito pelo Benfica. Desde a componente desportiva à associativa. Lê-se como um romance cronológico ilustrado, bem ilustrado, entre antes de 1904 até à inauguração do Estádio da Luz.

Jornal "O Benfica"; Página 5; 14 de Janeiro de 1954
Poucos erros e poucos dados desconhecidos
É um trabalho notável. Nem consigo fazer corresponder 50/60 anos depois aquilo que foi feito por estes dois idealistas entre meados dos anos 40 e outro tanto da década seguinte. É evidente que tendo esta obra como alicerce, todos aqueles que depois a leram conseguiram saber mais pormenores, desde pequenas correcções a jogadores completando onzes e alterando posições, resultados desconhecidos ou por confirmar devidamente esclarecidos, etc. Mas são 1144 páginas com centenas de milhares de informações variadas (não só futebol). Não terá mais de um por cento de erros e outro tanto de dados desconhecidos, entretanto conhecidos.


Que diferença para zeroszeros e almanaques
Que em relação ao Benfica, num tempo com meios tecnologicamente incomparáveis, terão entre 10 a 15 por cento de erros. Veja-se a diferença.

Mas…
Há um erro na Monumental História do SLB (1904/1954) que tem funcionado como um efeito dominó. E parece impossível como foi…possível eles nunca terem dado pelo erro. Até porque como a obra era por fascículos no final de cada 12 fascículos eles acrescentaram uma errata, certamente depois de reler a obra já impressa. Numa obra tão grandiosa e rigorosa parece improvável inventar um adversário para o “Glorioso”. Mas foi isso que aconteceu e tem sido repetido em diversas publicações. É que apesar do notável trabalho de Mário de Oliveira e Rebelo da Silva é fundamental não dar como adquirido que está tudo certo! A dúvida metódica é sempre o melhor caminho. A “Obra” é um guia fundamental, mas que deve ser verificado, consultando os jornais (sempre pelo menos três matutinos ou os desportivos se – e quando – os houver). Como foi possível trocar o Rapid de Praga (várias vezes referenciado na Imprensa da época) pelo Rapid de Viena. Nunca haverá resposta. O Rapid Viena é o adversário n.º 83 do SLB e o Rapid Praga o n.º 99! 

História do SL Benfica (1904-1954); Volume I; Página 520 (extracto); Mário de Oliveira e Rebelo da Silva; Lisboa; 1954; edição dos autores
Jornal "O Sport de Lisboa"; Página 8; 23 de Janeiro de 1926
Jornal "O Sport de Lisboa"; Página 8; 27 de Janeiro de 1926
NOTA FINAL
Está a ser preparado um livro, com todos os jogos internacionais do "Glorioso" da autoria de um Benfiquista (Mário Pais) que coloca nestes assuntos um rigor inexcedível que esclarecerá este tema e outros que vão causar muita surpresa, mas também, muito contentamento por ser mostrada a grandeza deste clube sem igual!

Tenho quase a certeza (a que se pode ter a tão grande distância...) que Mário de Oliveira e Rebelo da Silva, se pudessem, ficavam contentes por corrigir-lhes este erro!

Alberto Miguéns

MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA ATÉ AO JOGO COM O SC VIANENSE
(provisório como é evidente)
De 8 de Setembro a 17 de Outubro de 2015 (Sempre pela meia-noite)
Quinta-feira (de 7 para 8): Benfica à antiga? Isso é que era bom!;
Sexta-feira (de 8 para 9): Zerozero inventor (Parte 1);
Sábado (de 9 para 10): Zerozero inventor (Parte 2);
Domingo (de 10 para 11): Vai-te catar, portista!;
Segunda-feira (de 11 para 12): O Lar dos Jogadores; 
Terça-feira (de 12 para 13): Os treinos com Otto Glória;
Quarta-feira (de 13 para 14): O Campo Grande como nunca o viu;
Quinta-feira (de 14 para 15): Os treinos com Béla Guttmann;
Sexta-feira (de 15 para 16): O “Glorioso” e o SC Vianense


7 comentários
comentários
  1. Obrigado por mais um artigo de excelência.

    Cheguei a pensar que o homem que acompanhava Daniel Santos Brito era Pedro Soares Franco, o irmão do Conde do Restelo. Afinal era Rebelo da Silva. É bom ver o rosto de um homem com contribuição notável para o nosso clube. Falta conhecer o rosto Mário Oliveira.

    Estes dois homens são credores de grande reconhecimento e estima por parte dos Benfiquistas. Foi notável pelo esforço e rigor, pelo tempo que levou e pela perseverança que isso implicou. E logo uma edição dos autores... A obra final é pelos fragmentos que vou conhecendo uma obra prima. Uma referência suprema e incontornável. Com o progressivo desaparecimento desses pioneiros e com a perda de documentação, pergunto-me o que seria hoje o nosso conhecimento da História do Clube se não tivéssemos esta obra? Esse erro menor que o Alberto aponta só torna maior o brilho da obra.

    Pena que a obra só tenha aparecido ao fim de 50 anos de vida do Clube. Muito se terá perdido. Para além de Cosme e de Daniel Santos Brito, percebe-se quantos e quais fundadores foram entrevistados?

    É interessante que o projecto tenha sido iniciado ainda antes da conquista da Taça Latina. Que bela forma de abrilhantar a obra com um capítulo tão glorioso.

    É pena que no Clube nunca tenha existido a ideia de produzir uma reedição para venda aos sócios. Seria interessante uma versão mais simples e barata e outra de luxo.

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    1. Caro,

      Eu é que devo ter induzido em erro. Quem está com Daniel dos Santos Brito é Mário de Oliveira. A fotografia é de Rebelo da Silva. Não sei se do Rebelo da Silva que nós conhecemos se de um filho. Na época era vulgar os filhos terem o nome dos pais. Mas quem entrevistou Daniel Santos Brito foi Mário de Oliveira.

      Mário de Oliveira "deu" o trabalho. Rebelo da Silva os "meios".

      Saudações

      Alberto Miguéns

      NOTA: Foram entrevistados/contactados além de Cosme Damião e Daniel Santos Brito, Cândido Rosa Rodrigues (forneceu várias fotografias para ilustrar o livro) e Francisco Reis. Além de outros que não sendo fundadores (24) aderiram ainda em 1904 ou 1905: Félix Bermudes, José Cruz Viegas, por exemplo.

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    2. Seguramente o erro foi meu. Estava a guardar a imagem (sou como o esquilo) e reparei nas iniciais RS. Afinal era mesmo Mário de Oliveira.

      Daniel Santos Brito morreu em 1974. Teve uma vida longa e os media tiveram muitas oportunidades. Infelizmente para além da obra de Mário de Oliveira e Rebelo da Silva só conheço a existência de uma entrevista a um jornal de Belém. Muito pouco para um homem que tanto teria para contar e que deveria ter merecido muito mais atenção por parte dos media da época.

      Mas felizmente outros pioneiros importantes ainda eram vivos em 1954. Por exemplo como o Alberto nota, José da Cruz Viegas. E foi mesmo providencial esse contacto e entrevista. Tanto quanto sei foi ele que providenciou a famosa primeira fotografia conhecida da nossa primeira categoria. Encanta-me ver uma bandeira no Estádio com a reprodução da sua versão colorida.

      Insisto: o nosso Clube devia dar essa maravilhosa prenda ao sócios. Deveria fazer editar uma versão mais barata desta obra extraordinária.

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  2. A História do Sport Lisboa e Benfica pode ser comprada onde?
    Obrigado,
    Mário Aníbal

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    1. Caro Mário Aníbal,

      Em lado algum. Está esgotada desde os anos 80. Talvez nas vendas pela internet.

      Alberto Miguéns

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  3. Como é possível não poder ser comprada em nenhum lado... Lamentável

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  4. Mais uma vez um excelente post.
    Como diz o Viriato é para ler e reler com muita atenção.
    Para quando um livro seu, meu caro Miguéns,com a história do Sport Lisboa e Benfica???
    Seria excelente.
    Abraço benfiquista
    marley

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