A criação deste Blogue, ideia de António Melo, tem como objectivo divulgar, defender o Sport Lisboa e Benfica e a sua Gloriosa história. Qualquer opinião aqui expressa vinculará apenas o seu autor, Alberto Miguéns.

SEMANADA: ÚLTIMOS 7 ARTIGOS

25/09/2015

Félix Antunes: Réu ou Vítima

25/09/2015 + 10 Comentários
O AFASTAMENTO DEFINITIVO DE UM DOS MELHORES FUTEBOLISTAS DA HISTÓRIA DO BENFICA TORNOU-SE UMA LENDA ATÉ PARA JUSTIFICAR O INJUSTIFICÁVEL… DESDE QUE ME CONHEÇO ENTRE BENFIQUISTAS!


Se o Benfica agora fosse como naquele tempo o futebolista fulano não voltava a vestir o “Manto Sagrado”. O presidente sicrano devia fazer o mesmo que Bogalho. Expulsá-lo do Clube. Por causa do beltrano é que o Benfica não ganha como no passado quando até o melhor jogador do Clube foi irradiado.
Só que é preciso perceber o que era o futebol português no início da década de 50 e, principalmente, como estava o “Glorioso” em 1953/54, para entender, o que se passou naquele momento que ficaria para a história como o dia da “Lenda de Félix”: 18 de Outubro de 1953.

AVISO: História do SLB “pura e dura”. Texto longo por isso quem não gosta é melhor esperar por amanhã!


7 de Setembro de 1952. Uma data histórica, precursora da mudança do futebol do Benfica em 1954/55. Festa de despedida de Francisco Ferreira e de estreia de Fernando Caiado, num SLB - FC Porto (primeiro clube de Chico Ferreira). Aos 15 minutos, no Estádio Nacional, Caiado entra para a saída definitiva do futebol do capitão dos capitães (até 1951/52). Ainda não se sabia, mas com a vinda de Otto Glória dois anos depois tudo iria mesmo mudar. Não seria só mudança de uns jogadores por outros. Como diria Mestre Cândido de Oliveira (antigo futebolista do SLB até 1920), em 1955, em "A Bola": «Com a "diagonal" de Otto Glória o Benfica deixou de jogar à Benfica e joga melhor...» 

O Glorioso Futebol em 1953/54: últimas épocas
Havia “nervosismo” entre os Benfiquistas! O Sporting CP ultrapassara, em 1952/53, pela primeira vez, o “Glorioso” em número de títulos de campeão nacional, com oito. E nas últimas sete temporadas o SCP conquistara seis títulos. Ao contrário...o Benfica nas últimas oito épocas conquistara UM! O "Glorioso" conseguira com a conquista da Taça Latina “esbater” a evidente supremacia do adversário. Apesar de a generalidade da Imprensa (presumo que a rádio também seguisse o mesmo rumo…) desvalorizasse o título de campeão em 1949/50. O Sporting CP é que o tinha perdido por não ter sabido encontrar um substituto para Peyroteo (abandonou o futebol no final de 1948/49). Mário Wilson não tinha categoria nem para ser reservista, quanto mais substituí-lo!
Na Taça de Portugal, o “Glorioso” também conseguia sobrepor-se, com quatro conquistas nas últimas quatro edições – embora intervaladas - depois de um “Tri-de-taças” – também intervalado - do Sporting CP. A vitória (e logo por 5-4) no último jogo de 1951/52 correspondente à final da Taça de Portugal fizera da temporada de 1952/53 muito mais que uma temporada de futebol. O Benfica conseguia responder ou deixava o Sporting CP ultrapassar o “Glorioso” com a oitava conquista? Deixou-se ultrapassar!

SL BENFICA e SPORTING CP ENTRE 1942/43 e 1952/53
Épocas
Campeonato Nacional
Taça de Portugal
1942/43
5
SCP (2.º) a um ponto
V 5-1;   Vitória FC Setúbal
MF (SLB)
1943/44
2
SLB (2.º) a 5 pontos
V 8-0;    GD Estoril Praia
OF (FCP)
1944/45
6
SCP (2.º) a 3 pontos
V 1-0;        SC Olhanense
MF (SCP)
1945/46
1
SLB (2.º) a 1 ponto/
SCP (3.º) a 6 pontos
V 4-2;             Atlético CP
QF (ACP)
1946/47
3
SLB (2.º) a 8 pontos
Não se realizou (1)
1947/48
4
Igualdade pontual
V 3-1; CF Os Belenenses”
MF (SCP)
1948/49
5
SLB (2.º) a 5 pontos
V 2-1;              Atlético CP
1/16; FC Tirsense
1949/50
7
SCP (2.º) a 6 pontos
Não se realizou (2)
1950/51
6
SLB (3.º) a 15 pontos
V 5-1; As. Académica Coimbra
OF (CF”B”)
1951/52
7
SLB (2.º) a um ponto
V 5-4;                     Sporting CP
FINAL
1952/53
8
SLB (2.º) a 4 pontos
V 5-0;                          FC Porto
QF; Lusitano GC Évora
NOTAS:
(1)               Em 1946/47 o campeonato foi o último a ser disputado após os clubes serem apurados pelos campeonatos regionais com alargamento. Um planeamento mal efectuado “levou” a última jornada, 16.ª jornada, para 2 de Julho de 1947. Como a Taça de Portugal era o seguimento do Campeonato de Portugal disputava-se integralmente no final da época. Deixou de haver datas;
(2)              Em 1949/50 o Benfica anunciou que prescindia da participação na Taça de Portugal para preparar a Taça Latina (10 e 11 de Junho de 1950). A FPF cancelou a competição
António e Fernando Caiado (irmãos). Serafim

A “Questão” Caiado
O futebol português vivia tempos híbridos. Os futebolistas eram semi-profissionais, ou seja, tinham um emprego (geralmente conseguido pelo clube) e recebiam um prémio para terem saúde e energia para jogar bem futebol. Mas… desde finais dos anos 40, os futebolistas que se revelavam em cada temporada nos clubes menos populares – que não fossem o SLB, SCP, FCP e CF “Os Belenenses” – eram contratados por valores considerados incomportáveis. O prémio de assinatura e o mensal permitia-lhes não ter outra ocupação que não fosse o futebol. Isto começou a criar atritos entre os “velhos” (com contratos a vigorarem praticamente sem alterações pois não havia inflação) e os “novos” (com contratos superiores). Foi assim que um dos melhores futebolistas portugueses da temporada de 1951/52, Fernando Caiado (Boavista FC) foi contratado para 1952/53. Já jogador feito com 28 anos! O Benfica tendo por tradição jogar apenas com portugueses fazia um esforço acrescido para contratar os que “davam mais nas vistas” mas que muitas vezes se revelavam fiascos. Com Fernando Caiado o Benfica acertara em cheio. Foi um dos melhores em 1952/53 ganhando “estatuto” dentro do plantel (entre os futebolistas das três categorias) e do Clube (entre os dirigentes, associados e adeptos). Caiado chegara para substituir como médio-esquerdo a Glória, Francisco Ferreira (a festa de despedida deste foi a “passagem de testemunho”), afinal, impusera-se como estratego do meio-campo, na táctica WM, numa posição actualmente inexistente: interior-esquerdo.    

Da esquerda para a direita, na final da Taça de Portugal em 1952/53: Cândido Oliveira/ treinador do FC Porto (2.º), Valadas (3.º), Bogalho (5.º) e Ribeiro dos Reis (6.º ou primeiro a contar da direita)

Um trio de treinadores
Os dirigentes do Benfica optavam, desde Janos Biri, por treinadores que depois não correspondiam. Mesmo Ted Smith tinha oscilações de humor que o levavam por vezes a pensar regressar a Inglaterra, ficando o adjunto (ex-jogador Cândido Tavares) a orientar o futebol. Em 1952/53 optou-se pelo argentino Alberto Zozaya, mas cedo se percebeu que o futebol português tinha “especificidades” que só os entendidos no mesmo descodificavam. Em 1 de Fevereiro de 1953, depois de uma derrota (1-3) com o Sporting CP foi despedido. Sem soluções, a não ser improviso, recorreu-se a António Ribeiro dos Reis, como era habitual nestas situações. Este não quis assumir sozinho a tarefa, propondo uma Comissão Técnica. Ele com José Francisco Simões (outra Glória do Clube) como orientadores e um técnico mais próximo do campo (Francisco Ferreira). Ainda antes do final da temporada (em 30 de Abril de 1953) percebeu-se que Francisco Ferreira estava (ainda…) muito próximo de alguns ex-colegas. Bogalho pediu a outra Glória, Alfredo Valadas para assumir a parte mais prática dos treinos e jogos. Para 1953/54, a estrutura técnica não deixava de ser complexa: Ribeiro dos Reis e José Simões definiam o plano de treinos e do jogo, com Valadas a executar e implementar em campo essas decisões tendo como adjunto Francisco Ferreira.

Félix na Selecção Nacional (a causa das coisas)

Félix e a Selecção Nacional
Num futebol híbrido – os mais velhos “semiprofissionais” e os mais novos praticamente profissionais (apenas formalmente não existia a profissão) – a Selecção Nacional ia-se arrastando tentando fazer renascer o Portugal Grandioso de Afonso Henriques aos Descobrimentos e Salazar, salvador a Pátria, depois da quase falência do estado português durante a I República. Mas geralmente corria mal. E correu no apuramento para o Mundial de 1954, na Suíça. Em campeonatos mundiais com fases finais a 16 selecções, Portugal discutia a presença em duas mãos frente à Áustria. Em 27 de Setembro de 1953 foi o descalabro, em Viena, com Portugal a sair derrotado por 1-9. A segunda mão (E 0-0) foi para cumprir calendário. Como era habitual arranjaram-se logo culpados da vergonha. Também como era habitual na Imprensa surgiram várias versões. É verdade que havia Censura, mas às vezes tenho a impressão que a sua existência também era uma forma de alguns jornalistas desses tempos arranjarem uma desculpa para criar as lendas que eram do seu interesse. Que lhes permitiam usufruir do cunhismo tão tipicamente português. O maior “bode expiatório” dessa derrota foi Félix. Uns dizem que não quis esforçar-se em campo, outros que se comportou mal no estágio, outros que em declarações culpou os colegas do insucesso e ainda outros que criou dificuldades à delegação nas várias ligações entre transportes de Lisboa a Viena e desta a Lisboa. O certo é que foi suspenso e multado. O SLB tentou interceder por ele mas não vale a pena transformar este texto (que já vai longo) numa novela. Para Félix Antunes – com quase 31 anos (mais novo sete dias que Rogério Pipi) - a selecção passara à história mesmo que continuasse a brilhar no Benfica.

Legenda provável (com a colaboração de VJC) da selecção dos 9-1 em Viena de Áustria: Barrigana, Castela (CF "Os Belenenses"), Félix, Rogério, José Águas, Martins, Vasques, Ângelo Carvalho, Travassos, Virgílio e Serafim (Boavista FC), capitão

A temporada de 1953/54
O Benfica iniciara o campeonato a vencer mas revelara dificuldades. Na 1.ª jornada (4 de Outubro), em Évora, vencera por 2-0 o Lusitano GC (7.º classificado em 1952/53) mas com golos na 2.ª parte. Na 2.ª jornada, em casa, no Campo Grande, quase ocorrera um escândalo monumental. O SC Braga (13.º e penúltimo em 1952/53 que se salvara da despromoção por uma “unha negra”) marca um golo aos 37 minutos e mantém-se vitorioso até ao último quarto-de-hora. Dois golos do “Glorioso” nos instantes finais - empate (1-1) aos 78 e vitória (2-1) aos 88 minutos - transformam um escândalo em alívio. A ida a Setúbal (3.ª jornada) era considerada uma “prova de fogo” até porque o adversário tinha como treinador Janos Biri. O Vitória FC - 6.º classificado em 1952/53 – tinha apenas um ponto (ED) mas era poderoso. O Benfica instável, seguia na dianteira com quatro pontos mas estava longe de convencer. No campo dos Arcos (pré-estádio do Bonfim) ao intervalo o resultado não deixava dúvidas. VFC – 3…. SLB…1. Final dos 45 minutos iniciais, tudo para o balneário.


O que me contou Fernando Caiado (quanto a mim a versão que encaixa melhor entre as histórias contadas)
NOTA: Fernando Caiado (1925) era apenas três anos mais novo que Félix (1922) apesar de no Benfica e Boavista FC terem sido adversários seis temporadas, entre 1946/47 e 1951/52!
O ambiente era pesado. Percebia-se que vencer o jogo seria muito difícil. Como era habitual Valadas fazia o papel de treinador de campo, pois Ribeiro dos Reis (essencialmente) e José Simões davam indicações a Valadas e este transmitia o que eles pretendiam. A hierarquia era sagrada. Discutia-se o que estivera mal e o que seria necessário para corrigir. Um dos problemas era a apatia na zona central. O capitão Joaquim Fernandes tentava ser diplomata: «Isto assim vai acabar mal.Querem que mude aos três e acabe aos seis?!» Caiado era um futebolista experiente, mas um novato na equipa, decidiu dar nota da sua insatisfação pois pensava que era possível haver mais genica e esforço do que o demonstrado na primeira parte. Félix um dos mais velhos na equipa (desde 1946/47… meia dúzia de anos antes da chegada de Fernando Caiado), fustigado com castigos e multas devido ao fatal jogo em Viena, culpabilizado, sentiu-se o alvo principal. Despe a camisola, atira-a ao chão como se fosse já para o duche de final de jogo, como que a indicar que não regressaria ao campo pois estar lá ou não ia dar ao mesmo (num tempo em que não havia substituições) e dispara para Fernando Caiado (algo do tipo): Correr mais? Já corri muito pelo Benfica. Anos e anos. À chuva e ao Sol. Muito mais do que tu alguma vez vais correr. Corre tu. Até o dobro do que eu corro, que ganhas bem para isso! Chega-te para só correres atrás de uma bola! Perante alguma estupefacção, mas nem tanto para quem conhecia a irreverência de Félix, Valadas grita que o Benfica é que conta. Era o Benfica que teria de disputar a 2.ª parte não era a dupla Félix e Caiado! E lá foram, com 3-1, para: VFC – 5 ; SLB 3, mas chegou a estar 4-1 e 4-3!

Caiado o capitão das duas "dobradinhas" com assinatura Otto Glória: 1954/55 e 1956/57

Bogalho quis aligeirar
Depois começa a lenda, tal como na história (também Lenda) do que se passou em Viena. Bogalho usou a camisola pisada (que todos faziam) mas que os adeptos desconheciam ou faziam por não ligar para justificar a suspensão. E evitar que o conflito entre contratos antigos e novos provocassem divisões mais gravosas até entre os associados. Fernando Caiado começou a ser olhado com desconfiança apesar de me garantir que não foi ele a denunciar a situação ao intervalo mas sim Valadas que fez o que lhe competia. Fernando Caiado terá a redenção com Otto Glória que percebe as suas qualidades e faz dele o capitão da equipa logo em 1954/55 havendo na equipa futebolistas com mais épocas: Jacinto (desde 1944/45), Francisco Calado (desde 1947/48), Bastos (desde 1949/50), José Águas (desde 1950/51) e Artur Santos (desde 1951/52). Bogalho percebe que a organização do futebol teria de modernizar-se profissionalizando todos os seniores e que teria de ter um treinador com poderes sobre toda a organização e planeamento da época. No final desta temporada de 1953/54 (início de 1954/55) o futebol do Benfica muda radicalmente. Só titulares com dedicação exclusiva ao futebol e Otto Glória com plenos poderes para indicar o que fazer e responsabilizar-se por tudo.

A minha apreciação (vale o que vale)
Félix foi a gota que fez transbordar o copo. Foi o réu de um tempo híbrido que era gerido pelo bom senso e a vítima de um tempo de transição que fez mudar, para melhor, o futebol.

Perdeu-se Félix! Ganhou-se o Benfica!

Alberto Miguéns

NOTA: Ao contrário daquilo que se faz passar, Bogalho não afastou - suspendê-lo do Clube, aos 31 anos, durante três anos era o mesmo que dizer-lhe adeus - o melhor médio-centro ou um dos melhores jogadores. Esse tempo há muito que tinha passado. Rogério de Carvalho (sete dias mais velho que Félix) fez em 1953/54 a última época no Benfica. Tal como Félix Antunes. A diferença é que um foi voluntário e o outro foi forçado. Rogério foi jogar para a II Divisão, no Clube Oriental de Lisboa. Félix também. No Sport Clube União Torreense. Até foram adversários, em 1954/55, na II Divisão. 



PLANO PARA AS EDIÇÕES DURANTE  SETEMBRO/OUTUBRO
(provisório como é evidente)
De 26 de Setembro a 26 de Outubro de 2015 (Sempre pela meia-noite)
Sábado (de 25 para 26): O SLB e o FC Paços de Ferreira;
Domingo (de 26 para 27): E depois da Sexta?;
Segunda-feira (de 27 para 28): Assim não vale!;
Terça-feira (de 28 para 29): O Benfica esmiúça Madrid;
Quarta-feira (de 29 para 30): O “Glorioso” e o CAM;
Quinta-feira (de 30 para 1): E depois de Madrid?;
Sexta-feira (de 1 para 2): O Campo Grande como nunca o viu;
Sábado (de 2 para 3): O “Glorioso” na Ilha da Madeira;
Domingo (de 3 para 4): O SLB e o CF União;
Segunda-feira (de 4 para 5): E depois da Sétima?;
Terça-feira (de 5 para 6): No melhor pano cai a nódoa;
Quarta-feira (de 6 para 7): Anatomia de uma descoberta;
Quinta-feira (de 7 para 8): Mentiras Oficiais Made in SLB;
Sexta-feira (de 8 para 9):  Cuidado com eles;
Sábado (de 9 para 10): Benfica tão brilhante que se vê no escuro;
Domingo (de 10 para 11): O mais belo 138
Segunda-feira (de 11 para 12): O Lar dos Jogadores; 
Terça-feira (de 12 para 13): Os treinos com Otto Glória;
Quarta-feira (de 13 para 14): Os treinos com Béla Guttmann;
Quinta-feira (de 14 para 15): Toni dixit;
Sexta-feira (de 15 para 16): Álvaro dixit;
Sábado (de 16 para 17): O “Glorioso” e o adversário na Taça de Portugal;
Domingo (de 17 para 18): Como foi a estreia na Taça de Portugal;
Segunda-feira (de 18 para 19): O SLB na Turquia;
Terça-feira (de 19 para 20): O Benfica e o Galatasaray AS;
Quarta-feira (de 20 para 21): E depois de Istambul?;
Quinta-feira (de 21 para 22): Vem aí o “Dérbi de Lisboa”;
Sexta-feira (de 22 para 23):  O Benfica e o Sporting CP: curiosidades!;
Sábado (de 23 para 24): O SLB e o Sporting CP;
Domingo (de 24 para 25): O 12.º ano da “Catedral”;
Segunda-feira (de 25 para 26): E depois da Oitava?;

Sábado (de 30 para 31): Primeira “posta” SLB!
10 comentários
comentários
  1. Muito obrigado por este extraordinário artigo sobre um tema ainda hoje sensível.
    Percebe-se agora melhor o contexto em que se passou. Muita lucidez na análise que o Alberto faz.
    Dinheiro, cabeça quente, egos. Sim percebe-se melhor.

    A propósito de Félix já se disseram coisas mais graves de desrespeito ao símbolo do clube.
    Como tudo é importante perceber o que andou à volta da cabeça do jogador e as circunstâncias que rodearam o problema.
    O que é certo é que a situação ficou para sempre um trauma para os Benfiquistas.
    Foi infeliz para todas as partes que a carreira de um grande jogador tenha acabado assim. Para sempre uma mágoa. Ganhou-se o importante como diz o Alberto mas não deixo de lamentar o que se passou.
    Não há forma de reparar mas a melhor forma de homenagear um jogador talentoso e um homem voluntarioso é recordar a sua memória. No melhor que ele teve. De águia ao peito, a correr ao sol e à chuva. Obrigado Félix.

    ResponderEliminar
  2. Sempre a aprender! Muitos parabéns pela dedicação e apego ao nosso clube. Por vezes, um trabalho destes não tem reconhecimento que devia ter por parte dos adeptos, que arrotam postas de pescada, julgando-se donos do que é ser do Benfica. Para mim, a essência de sermos do Benfica está aqui! Nestes textos. Parabéns e forte abraço!

    ResponderEliminar
  3. Realmente, a evolução da metodologia e organização do futebol Português, para quem quer conhecer, está na história do Benfica.

    E no Alberto Miguéns!

    Esta questão dos semi-prifissionais versus profissionais (ganhar menos versus ganhar mais), é também uma situação que evoluiu com o passar do tempo e que ainda fere (ou pode ferir) a estabilidade do balneário de um clube.

    Depois temos o Otto Gloria que é um dos pilares da história do Benfica e também do futebol Português. Ele que mudou o paradigma da posição de um treinador face ao que era o antes. A minha ideia é a de que poucos anos mais tarde, Guttman seria a próxima mudança e décadas mais tarde Eriksson a última até aos dias de hoje. Cada um em vertentes distintas e em tempo diferentes mas todos importantes para a evolução positiva do futebol - futebol na sua mais pura arte...

    Nestes meus monólogos interiores, surgiu-me a questão: será que o Benfica está à beira de uma nova mudança de paradigma com RV?

    NOTA: O porto também teve a sua mudança de paradigma a nível de treinadores - que também acabou por influenciar o futebol português: Foi com o pedroto!

    ResponderEliminar
  4. O meu avô (tem 90 anos) sempre me contou essa historia como: Felix simulou limpar o rabo à camisola, atirou para o chão e pisou-a.

    Mas histórias destas contadas de geração para geração sofrem sempre algumas alterações (quem conta um conto, acrescenta um ponto), aliás, pelo que me lembro de ele contar, sempre fiquei com a ideia que o episódio se tinha passado num jogo em casa, ao intervalo mas com os sócios a ver nas bancadas.

    M1904

    ResponderEliminar
  5. O modo como saiu e a lenda que depois foi criada é que dão à sua saída uma aura de excepcionalidade que não é assim tão forte.

    1. Félix já não era o enorme jogador que fora no tempo em que o Benfica foi denominado Sport Lisboa e Féiix;;

    2. Estava claramente numa fase descendente da carreira, como as crónicas dos jogos que fez na Selecção e no Benfica demonstraram. O "estatuto de grande jogador de futebol" protegia-o na titularidade, mas não poderia durar sempre ;

    3. Mesmo que nada tivesse ocorrido não acredito que Otto Glória o mantivesse na equipa. Desses onze futebolistas que jogaram em Setúbal, um ano depois já não estavam na equipa: Rogério (da mesma idade), Fernandes (4 anos mais novo) e Moreira (quase sete anos mais velho mas um caso ímpar de longevidade daí a alcunha de Pai Natal). Mesmo Arsénio (três anos mais novo) só durou a primeira época de Otto Glória. Restavam os novos: Du Fialho (de 1928), Bastos (de 1929), Ângelo e Águas (de 1930) e Artur Santos (de 1931). Além de Caiado(de 1925) mas que tinha características que faziam dele a extensão do treinador em campo;

    4. O mito Félix cresce porque coincidiu a sua suspensão com a veterania. E com o facto de ter sido um dos melhores futebolistas portugueses da sua geração. Daí até muitos dizerem que ao ser irradiado do Benfica também foi do futebol. Falso. Foi jogar para a II Divisão (menos exigente) tal como Rogério. E tal como Rogério já jogava pouco até porque como a I Divisão tinha poucos clubes, os melhores da II Divisão também tinham bons futebolistas. E Rogério tinha tido uma carreira muito superior à de Félix;

    5. O que aconteceu a Félix (pós-futebolista) foi ser uma espécie de pária. Mal visto no Benfica (onde ficou famoso), no FC Barreirense (onde começou e forçou a saída para o Benfica), na FPF (devido aos 9-1), etc. Mas isto ainda acontece na actualidade com alguns futebolistas. Não há lugar nos clubes para todos os que deixam de jogar futebol;

    6. O que tem Félix de diferente. Uma convergência de situações que fazem dele um caso único e depois dado como exemplo para que outros não façam o mesmo...

    Alberto Miguéns

    ResponderEliminar
  6. BOAS TARDES SR. ALBERTO, SERIA POSSIVEL PUBLICAR OS JOGOS INTERNACIONAIS DA EQUIPA DE BASQUETEBOL, COMO FEZ A EQUIPA DE VOLEIBOL. . MUITO OBRIGADO PELA ATENÇÃO.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Caro Vítor Catita,

      Impossível. São muitos jogos.

      Pode ser que faça como no Futebol. Um histórico com os clubes do país onde o Benfica irá jogar.

      AM

      Eliminar
  7. Boa tarde,
    Tem alguma coisa a ver com o livro que o Record está a oferecer?
    Obrigado

    ResponderEliminar
  8. Boa tarde Sr Alberto Miguéns

    Relativamente ao caso Félix, desde que me conheço que oiço falar no mesmo.
    Pisou a camisola, limpou o rabo á camisola etc etc.

    Aquilo que vou descrever foi-me contado pelo meu amigo e conterrâneo FÉLIX ANTUNES.

    Por aquilo que aqui li, e no que conta Fernando Caiado está ok. (Aliás as relações entre ambos nunca foram as melhores). Félix não gostava sequer de mencionar o seu nome.

    Relativamente ao jogo da Selecção pode de facto ter tido alguma importância, mas recordo que mais jogadores foram castigados.

    A verdadeira questão começou no início da Época de 1953-54.

    No inicio da época o Benfica foi á província disputar um jogo de preparação.
    Durante a viagem Félix foi ao microfone e em jeito de brincadeira atirou com algumas queixas relativamente a ordenados etc etc, De imediato o Dirigente do Benfica (Não recordo agora o nome) tirou-lhe o microfone da mão zangado com a situação.

    A partir daí FÉLIX ficou marcado até acontecer o que aconteceu no Jogo de Setúbal.

    É incrível como até hoje nunca ninguém relatou este facto.

    Saudações Benfiquistas

    Jorge Santos




    ResponderEliminar

Em Defesa do Benfica no seu E-mail