A criação deste Blogue, ideia de António Melo, tem como objectivo divulgar, defender o Sport Lisboa e Benfica e a sua Gloriosa história. Qualquer opinião aqui expressa vinculará apenas o seu autor, Alberto Miguéns.

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10/04/2014

O Reservista Álvaro Gaspar

10/04/2014 + 2 Comentários
OPINIÃO


ÁLVARO GASPAR
Nascimento: 10 de Maio de 1889
Primeiro jogo: Desconhecido (por enquanto)
Primeiro jogo referenciado (3.ª categoria): 20 de Dezembro de 1908 (19 anos)
Primeiro jogo na 2.ª categoria: 24 de Outubro de 1909 (20 anos)
Estreia na 1.ª categoria: 25 de Setembro de 1910 (21 anos)
Último jogo na 1.ª categoria: 1 de Março de 1914 (24 anos)
Último jogo com o "Manto Sagrado": 11 de Abril de 1915 (25 anos)
Falecimento: 3 de Setembro de 1915 (26 anos)
Funeral: 5 de Setembro de 1915 (para o Cemitério da Ajuda)

Tal como referi em 1 e 5 de Março as informações acerca do futebolista Álvaro Gaspar concentram-se entre 1910/11 e 1913/14.

1909/1910 (20 anos)

Depois do Grupo Infantil, da 4.ª categoria, da 3.ª categoria e da 2.ª categoria estava a chegar o tempo da 1.ª categoria para o CHACHA
Em que época começou a jogar?
Pela Ficha de Inscrição que deve ter sido preenchida no início de 1912/13, quando Álvaro Gaspar tinha 23 anos, ele escreveu que jogava há sete anos sempre no SL Bemfica (ainda e até 1945 com mê) sem interrupções. Deve ter sido preenchida antes do início da época, pois segundo Rogério Jonet essa era a prática no Clube. Todos a preenchiam até o Capitão-Geral (treinador e organizador das equipas) Cosme Damião. Se jogava há sete anos e ininterruptamente, começou em 1905/06 ou 1906/07.

A estrutura do futebol gloriosíssimo
Para além das três categorias com futebolistas escolhidos em função das suas capacidades sem preocupação da idade o Sport Lisboa criou uma equipa de Infantis, que naquele tempo significava futebolistas "exclusivamente jovens", ou seja, sem veteranos. E deviam de ser além de muito novos, atletas franzinos com pouca capacidade física. Pois se a tivessem integravam uma das três categorias. O Benfica só criou uma 4.ª categoria (ou seja com futebolistas escolhidos em função das suas capacidades e não da idade) nesta temporada de 1909/10, com estreia em 14 de Novembro de 1909.

Estreias das categorias
Categoria
1.ª
2.ª
3.ª
4.ª
Época
1904/05
1904/05
1906/07
1909/10
Data
1
Janeiro
19 Fevereiro
3
Fevereiro
14
Novembro
Resultado
V 1-0
V 1-0
V 3-0
V 1-0
Adversário
Grupo do Campo de Ourique
Grupo do Campo de Ourique
Internacional (CIF)
Sport Grupo Palhavã
(1.ª categoria)


1909/10 - Uma época de glória. A primeira de muitas
Em 2 de Outubro de 1909 realizou-se uma reunião na Liga para inscrição dos clubes para a época de 1909/10. A sede era no edifício do Real Gymnásio Club Portuguez, na rua Serpa Pinto, 4 – 1.º, em Lisboa. A gerência da Liga Portuguesa de Futebol estava constituída pelos seguintes elementos: Presidente: Dr. Januário Barreto; Vice-Presidente: Guy Barley; 1.º secretário e tesoureiro: António Serzedelo Diniz; 2.º secretário: Ernesto Magno; Vogal: Cosme Damião. O nosso clube estava representado pelo capitão-geral do Clube, Cosme Damião, vogal da Liga e por um elemento que esteve ligado ao Clube - foi presidente da Direcção do Sport Lisboa mas não acompanhou a junção dos dois emblemas em 13 de Setembro de 1908 - desde os primeiros tempos, o presidente da Liga, dr. Januário Barreto mas que depois também foi para o Sporting CP, sendo em 4 de Janeiro de 1910, empossado no Lumiar como presidente do Conselho Fiscal.

A 1.ª categoria Campeã Regional em 1909/10. Fotografia em 21 de Novembro de 1909, no campo da Quinta Nova, em Carcavelos. De cima para baixo. Da esquerda para a direita. António Costa, Luís Vieira, Alfredo Machado, Cosme Damião, Artur José Pereira e Leopoldo Mocho; António Rosa Rodrigues, Constantino Encarnação, Henrique Teixeira, António Meireles e Henrique Costa (fotografia retirada da História do SL Benfica, de Mário de Oliveira e Rebelo da Silva; página 126; I volume)
Boletim do jogo em 21 de Novembro de 1909. Árbitro António Couto, o primeiro capitão do Sport Lisboa em 1 de Janeiro de 1905. Rumou depois ao Sporting CP em Maio de 1907. Neste jogo (foto da equipa em cima) de registar o regresso de António Rosa Rodrigues (jogou com a sua camisola do Sport Lisboa). Depois de fundar o Clube, em 1904, rumou ao Sporting CP, onde jogou entre 1907/08 e 1908/09. Em 1909/10 jogou no "Glorioso" voltando ao Sporting CP. Faleceu em 29 de Julho de 1938, com 51 anos

Um dos dias mais importantes da Gloriosa História. Mais de cinco mil pessoas (um ano depois cá estavam elas - ver EDB de ontem) na Quinta da Feiteira para presenciarem um jogo histórico. A segunda vitória do SLB com os mestres ingleses, em 23 de Janeiro de 1910. O jogo do título de 1909/10. O Carcavellos Club (invicto desde a derrota, por 1-2, em Carcavelos, com o Sport Lisboa, em 10 de Fevereiro de 1907, perdia o jogo e o título. Os tricampeões regionais cediam o troféu aos novos campeões: Sport Lisboa e Benfica. Depois foi esperar pela... matemática. Dois meses depois, em 27 de Março de 1910. Ao 4.º Regional o primeiro título! (fotografia retirada da História do SL Benfica, de Mário de Oliveira e Rebelo da Silva; página 125; I volume)

Boletim do jogo em 23 de Janeiro de 1910. Árbitro Eduardo Luiz Pinto Basto, do Internacional. Em relação ao jogo de 21 de Novembro de 1909, para além das alterações tácticas "cirúrgicas" de Cosme Damião alinharam Manuel Lopes (no lugar de António Rosa Rodrigues), Germano Vasconcelos (em vez de Constantino Encarnação) e Josué Correia (no lugar de Henrique Teixeira)

Três campeonatos para ganhar!
Organizaram-se pela primeira vez três campeonatos para as três categorias, inscrevendo-se um total de dez clubes: Carcavellos Club (CC), Sport Lisboa e Benfica (SLB), Club Internacional de Futebol (CIF), Sporting Club de Portugal (SCP), Sport União Belenense (SUB), Gilman Sporting Club (GSC), Sport Club Império (SCI), Football Grupo de Campo d’Ourique (FGCO), Grupo de Sport Cruz Quebrada (GSCQ) e Lisboa Football Club (LFC). Para o campeonato de 1.ª categoria inscreveram-se seis clubes: Carcavellos, Benfica, Internacional, Sporting, União Belenense e Gilman. No campeonato da 2.ª categoria participaram também seis clubes: Benfica, Internacional, Sporting, União Belenense, Império e Campo de Ourique. Para o primeiro campeonato oficial para a 3.ª categoria inscreveram-se sete clubes: Benfica, Internacional, Sporting, Império, Campo de Ourique, Cruz Quebrada e Lisboa FC. Assim, apenas três clubes concorreram nas três categorias: SL Benfica, Internacional (CIF) e Sporting CP.

PARTICIPAÇÃO NO CAMPEONATO REGIONAL
1.ª categoria
2.ª categoria
3.ª categoria
Benfica (SLB)
Internacional (CIF)
Sporting (SCP)
União Belenense (SUB)
------------------
Carcavellos C&FC
-------------------
-------------------
Gilman SC
-------------------
-------------------
--------------
Império (SCI)
---------------
Campo de Ourique (FGCO)
-----------------
-------------------
GS Cruz Quebrada
-----------------
-------------------
Lisboa FC

Campeões Regionais em 1909/10. A primeira fotografia de Álvaro Gaspar - como avançado-centro junto à bola - numa equipa da 2.ª categoria. De cima para baixo. Da esquerda para a direita. Félix Bermudes, Francisco Rocha, Augusto Jorge, Manuel Veloso, José Domingos Fernandes e ...; ...., ...., Álvaro Gaspar, Francisco Pereira e Francisco Francisco (fotografia retirada da História do SL Benfica, de Mário de Oliveira e Rebelo da Silva; página 134; I volume)

Muito futebol em Lisboa durante a temporada de 1909/10
O futebol em Lisboa vivia um período de expansão, a que não é alheia a acção da Liga e dos seus dirigentes. Há uma consolidação dos grandes clubes portugueses: Benfica, Internacional e Sporting, mantendo-se em actividade o União Belenense, o Carcavellos Club e o Império, se bem que continuasse sem concorrer em 1.ª categoria. O Gilman, de Sacavém reorganizou-se. O Campo de Ourique voltou aos campos desportivos. E apareceram dois novos clubes, o Cruz Quebrada e o Lisboa FC.
Na 1.ª categoria, em relação ao campeonato da época anterior, 1908/09, mantiveram-se seis clubes, mas o Gilman SC substituiu o Ajudense FC que se desfez.
Na 2.ª categoria neste campeonato de 1909/10 houve apenas seis clubes, enquanto na época anterior tinham concorrido sete: saíram o Carcavellos Club, que revelara dificuldades em organizar um 2.º grupo competitivo e o Estefânia, entrando o FG Campo de Ourique.
Na 3.ª categoria, pela primeira vez com uma prova oficial, aproveitaram para estrearem-se como clubes duas novas agremiações desportivas: o GS Cruz Quebrada e o Lisboa FC.
Previam-se pois três campeonatos bem animados com rivalidades já implantadas e novos clubes a quererem afirmar-se no campo desportivo!

A 3.ª categoria Campeã Regional em 1909/10. De cima para baixo. Mário Costa (meio-avançado-esquerda, 4.º da esquerda); A. Ribeiro e Francisco Rocha (médio-centro e médio-esquerdo, 2.º e 3.º da esquerda); e da esquerda para a direita: Luís Gato, Augusto Jorge e Francisco Vieira "Chiquinho), respectivamente, defesa à direita, guarda-redes e defesa à esquerda. Francisco Vieira chegou a internacional de Portugal, em 1923, 1924 e 1925, como... guarda-redes do Benfica (fotografia retirada da História do SL Benfica, de Mário de Oliveira e Rebelo da Silva; página 120; I volume)

Álvaro Gaspar entre a 3.ª e a 2.ª categoria (e talvez na 4.ª!)
A primeira referência a Álvaro Gaspar é na estreia em competição no Regional, na 2.ª categoria, em 24 de Outubro de 1909. Seguem-se mais quatro (pelo menos) presenças em jornadas do campeonato regional da 2.ª categoria: 14 e 21 de Novembro de 1909, 2 de Janeiro de 1910 e em 27 de Fevereiro de 1910, último dia do campeonato, que o "Glorioso" conquistou, após empate a dois golos, frente ao Internacional (CIF) no campo do Sporting CP (Sítio das Mouras no Lumiar). Esta categoria realizou oito jornadas do Regional. Álvaro Gaspar deve ter sido totalista - oito encontros - ou quase (há um jogo - 8 de Dezembro de 1909 - em que não aparece referenciado no onze.
Na 3.ª categoria, que jogou oito encontros para o Regional Álvaro Gaspar aparece referenciado em dois (mas deve ter jogado mais...):  e 8 de Maio de 1910, dia da realização do jogo da final. Deixo para Mário de Oliveira a descrição desse dia memorável - mais um - na Vida Gloriosa do Benfica.
Na 4.ª categoria, sem competição oficial, não esteve na estreia (14 de Novembro de 1909) mas deve ter reforçado a linha avançada nalguns jogos, pois era frequente tal acontecer até porque esta categoria defrontava as principais equipas de clubes mais populares  e nunca se sabia que qualidade havia entre futebolistas desconhecidos. E no Benfica era "tudo para ganhar"!

Álvaro Gaspar numa equipa da 2.ª categoria, num jogo para o campeonato regional frente ao FG Campo de Ourique, na época de 1909/10. Primeira jornada, em 24 de Outubro de 1909, vitória por 4-0, na Feiteira, com a curiosidade da fotografia ter sido obtida para o lado sul, quando normalmente era fotografado o lado norte, com a casa do general Lobo Antunes, avô dos "famosos" Lobo Antunes, entre eles o escritor António (ver texto de ontem onde aparece essa casa, entretanto destruída. Nesse local está hoje uma dependência bancária (fotografia retirada da História do SL Benfica, de Mário de Oliveira e Rebelo da Silva; página 132; I volume)

Foi um clube orgulhoso - com apenas seis anos de existência - que expôs publicamente os seus troféus
Em 31 de Julho de 1910 o Clube organizou uma festa para homenagear os seus futebolistas que em seis anos cobriram de glória um emblema que nascera em Belém e por necessidade de expansão (e sobrevivência) tinha Sede e campo de jogos em Benfica. No Restaurante Bacalhau (para lá do termo de Benfica) houve almoço e fotografia - com futebolistas, dirigentes e convidados, entre eles jornalistas -  com exposição dos troféus conquistados em seis anos de existência.

TROFÉUS CONQUISTADOS
Data
Tipo
Posse
Cat.
Competição
21.Abril.1907
Bronze
Definitiva
3.ª
Torneio do Internacional
21.Abril.1907
Bronze
Definitiva
2.ª
Torneio do Internacional
27.Fevereiro.1910
Taça
Provisória
2.ª
Campeonato regional
27.Março.1910
Taça
Provisória
1.ª
Campeonato regional
8.Maio.1910
Taça
Provisória
3.ª
Campeonato regional
19.Junho.1910
Vaso
Provisória
1.ª
Torneio dos Jogos
Olímpicos Nacionais (JON)

Entre Félix Bermudes e Cosme Damião, da esquerda para a direita: Taça da 3.ª categoria, Bronze do Internacional para a 3.ª categoria (por lógica), Bronze do Internacional para a 2.ª categoria (por lógica), Taça da 1.ª categoria, Vaso do torneio de futebol, 1.ª categoria, dos JON e Taça da 2.ª categoria

O que diz Mário de Oliveira de Álvaro Gaspar na temporada de 1909/10?
Mais uma vez muito pouco, mas na página 126 (integrada no capítulo III, subcapítulo 17 - Três títulos, em três campeonatos!) refere o seguinte: No campeonato de segundas categorias não houve nenhuma complicação. Em terceiras categorias, foi bem difícil... Quando o respectivo torneio findou, subsistia ainda o empate entre a nossa equipa e o Sport Clube Império. Tornou-se, por isso, necessário recorrer a um jogo de desempate. A escolha de dia para o encontro arrastou-se durante algum tempo. Marcado primeiro para 24 de Abril, só pôde efectuar-se em 8 de Maio, no campo do Lumiar, considerado neutro em relação aos dois clubes em luta. À turma normal do SPORT LISBOA E BENFICA faltaram Carlos Kruss e Correia. Na primeira parte, Álvaro Gaspar, avançado-centro, já a revelar as qualidades que fizeram dele um dos melhores dianteiros de todos os tempos, marcou um tento, no seguimento de um pontapé de canto que Robert de Matos apontara bem. A quatro minutos do termo do desafio, na marcação de um "canto", a bola caiu defronte das balizas do S.L.B. Já no chão, foi aproveitada por um jogador do Império, para apontar às redes, ressaltando, no entanto, a bola para fora. O Império queria golo; e a nossa equipa protestou contra essa pretensão. O juiz não vira e o fiscal de golo disse que fora defendida já dentro da baliza. Com esta informação, o árbitro validou o tento. Nestas considerações se chegou ao empate, por 1-1. E o resultado manteve-se assim. No prolongamento, o BENFICA marcou um segundo ponto. O Império e vários espectadores protestaram, com o fundamento de que o esférico batera primeiro no pé de um dos juízes de golo. Este, confirmou. O árbitro, entretanto, validou o tento, registando 2-1, como resultado da partida. O Império apresentou um protesto em forma. Em reunião da Liga, resolveu-se, por três votos, contra dois, homologar o resultado. O delegado do nosso Clube à referida reunião pediu a comparência de juiz de campo e declarou não ter dúvida em jogar novamente. A sugestão não foi, porém, aceite.

Álvaro Gaspar numa equipa da 3.ª categoria, num jogo para o campeonato regional frente ao GS Cruz Quebrada, na época de 1909/10. Empate sem golos (0-0) (fotografia retirada da História do SL Benfica, de Mário de Oliveira e Rebelo da Silva; página 128; I volume)

Para Álvaro Gaspar estava a chegar o tempo da glória. Valeu a pena esperar, resistir e lutar!

Alberto Miguéns

NOTA FINAL: Por dificuldades técnicas - impossibilidade por excesso de informação - para que resulte com eficácia (publicar fotografias e documentos a ilustrar os textos) "A Vida Desportiva de Álvaro Gaspar Numa Dúzia de Datas" está programada para os seguintes dias (coincidindo com efemérides relativas à relação d Álvaro Gaspar com o Clube):

PUBLICADO
1.       01.Mar.201         4       O Último Jogo;
2.      05.Mar.2014      O Debutante;
3.      16.Mar.2014       O Crescimento;
4.      30.Mar.2014      A Resistência;
5.      09.Abr.2014       O Triunfo;
6.      10.Abr.2014       O Reservista;

A PUBLICAR
7.      22.Abr.2014       A Titularidade;
8.      23.Abr.2014       A Ficha;
9.      05.Mai.2014       O Brasil;
10.    10.Mai.2014       A Derradeira Glória;
11.     03.Set.2014        A Última Época;
12.     05.Set.2014        O Legado  


Aquando do 100.º aniversário do seu falecimento, em 3 de Setembro de 2015, conto fazer um "Especial" que junte os 12 textos e mais algum ou alguns se entretanto os tiver feito!         
2 comentários
comentários
  1. Caro Alberto,
    dá-nos magníficos detalhes da organização dos campeonatos desses tempos pioneiros. Como de costume fiquei desperto para vários detalhes para além dos directamente relacionados com Álvaro Gaspar. A saber:

    1 - Curioso como alguns equívocos históricos instalam-se durante décadas como verdades absolutas. Januário Barreto, pelo que percebi foi por muito tempo tido como o primeiro presidente do Benfica. Afinal nos últimos anos a verdade histórica tem vindo a emergir. Tendo sido o primeiro presidente eleito do Sport Lisboa afinal foi precedido por José Rosa Rodrigues, o mais velho Catatau. As fontes parecem consensuais indicando-o que um distinto homem e desportista. No entanto tal como outros seus antigos colegas da Casa Pia acabou por ser seduzido pelas luzes, luxos, chás e vaidades de Alvalade ou neste caso das Mouras. Foi trágica a sua perda. Como nos falou recentemente infelizmente a sua esposa a Drª Carolina Beatriz Ângelo não viveria muito mais tempo.

    2 - Na fotografia dos campeões regionais de 1909/10 pensava que o homem do cachecol branco era Cosme Damião pois frequentemente o exibia. Frequentemente mas não exclusivamente pois já vi uma fotografia em que Leopoldo Mocho o exibe com Cosme ao seu lado e por sinal sem cachecol). Já li várias teorias a tentar explicar esse adereço mas infelizmente sem testemunho do próprio Cosme nada é conclusivo... Mas para além de Leopoldo Mocho lembro-me também da "célebre fotografia de Huelva, em que Cosme exibe o seu cachecol branco e António Couto um cachecol escuro (provavelmente verde). Alguma simbologia? Simples vaidade? Conheço cerca de meia dúzia de fografias com Cosme e seu cachecol branco. Recentemente vi fotografias de um jogo com do Sport Lisboa Benfica com o Carcavellos. Lá está Cosme com o cachecol branco mas surpresa... no Carvavellos está também um jogador inglês com um cachecol branco. Um enorme cachecol branco. Com este detalhe só pode mesmo ter a ver com algum simbolismo.

    3 - Felizmente vai aumentando o número de fotografias dos jogos de futebol desse tempo que se pode encontrar na internet. Quase todas publicadas pelo Alberto e todas muito interessantes. Para além da excelente fonte que é a historia do Benfica de Mário Oliveira e Rebelo da Silva, talvez ainda existam acervos ainda por explorar.

    4 - O campo da Feiteira era muito bonito e situado numa zona que hoje é bem diferente. Pensava que seria de terra batida mas recentemente observando uma fotografia de da equipa da AFL em 21/05/1911 pareceu-me notar um relvado aparentemente até de qualidade razoável. No entanto a fotografia de Álvaro Gaspar no jogo contra o Campo de Ourique, cerca de 1 ano antes, parece-me um pelado. Tenho ideia que o primeiro campo relvado para jogar futebol foi nas Salésias.

    4 - O seu texto ilustra muito bem a persistência de Álvaro Gaspar para ascender à primeira equipa. Essas categorias inferiores deveriam ser jogos bem duros.

    Muito obrigado por este excelente artigo!

    Saudações Benfiquistas

    Victor João

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    1. Caro Victor João

      1. Januário Barreto foi eleito como primeiro presidente da Direcção. José Rosa Rodrigues foi escolhido - porque eram tão poucos que pelo consenso não era necessário eleição - para presidir a uma Comissão Administrativa;

      2. Sempre houve muitas superstições no futebol. É difícil distinguir "fezadas" de necessidades;

      3. Há muitas fotos de jornais e revistas que nunca foram divulgadas em publicações acerca do futebol. Faz falta uma História Ilustrada (e Estatística) do Futebol Português época a época desde os anos 80 do século XIX. A necessidade de publicar várias fotografias e desenvolver o futebol "desse tempo" levou-me a ampliar esta história do Álvaro Gaspar fazendo-a época a época. Um pretexto para dar a conhecer o futebol das duas primeiras décadas do Clube;

      4. Os campos de futebol foram terrenos adaptados de quintas agrícolas. Como se faziam poucos jogos e por vezes ficavam muito tempo "a descansar"... ervavam. O primeiro terreno relvado foi a Quinta Nova em Carcavelos. O primeiro "gramado" em Lisboa foi o Campo das Salésias, do CF "Os Belenenses". No Porto foi o Campo do Ameal do SC Progresso.

      5. Eram duros mas menos exigentes. Com pés de tijolo, quem tivesse capacidade técnica ainda que menos fulgor físico desenrascava-se. Além disso era frequente as equipas jogarem com menos de onze jogadores. Até com oito! Mesmo o Benfica tinha dificuldades em reunir onze. Por vezes havia futebolistas que faziam dois jogos consecutivos em categorias diferentes. Até Álvaro Gaspar chegou a fazer dois jogos no mesmo dia! Vou falar disso nas próximas épocas.

      Gloriosas Saudações Benfiquistas

      Alberto Miguéns

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