O Primeiro de Néné - Em Defesa do Benfica
A criação deste Blogue, ideia de António Melo, tem como objectivo divulgar, defender o Sport Lisboa e Benfica e a sua Gloriosa história. Qualquer opinião aqui expressa vinculará apenas o seu autor, Alberto Miguéns.

SEMANADA: ÚLTIMOS 7 ARTIGOS

05/08/2018

O Primeiro de Néné

05/08/2018 + 0 Comentários
COMPLETAM-SE HOJE 48 ANOS QUE UM GOLEADOR SE ESTREOU A MARCAR. E QUE GOLEADOR! 


Simplesmente Néné. Néné é sinónimo de 474 Golo-riosos. Só contabilizando a chamada "Equipa de Honra". E tudo começou, logo com o primeiro e segundo, em 5 de Agosto de 1970. Há 48 anos.



Ao segundo jogo de uma digressão inédita
O Benfica a estrear o treinador Jimmy Hagan iniciou, em África, uma digressão que levou o Benfica a Angola (2), Moçambique (1), Macau (2), Japão (3) e Coreia do Sul (2) entre 2 de Agosto e 5 de Setembro, com passagem pela Exposição Mundial'1970 em Osaka.

MELHORES MARCADORES DE “MANTO SAGRADO” POR COMPETIÇÃO (EXCEPTO TAÇA DA LIGA, INEXISTENTE AQUANDO DA CARREIRA DE NÉNÉ)
NO
JOGOS
TOTAIS
JG. CMP.
OFICIAIS
CAMP.
NACIONAL
TAÇA PORTUGAL
COMP.
UEFA
LIGA
CAMPEÕES
LIGA
EUROPA
TAÇA VEN.
TAÇAS
SUPER
TAÇA
1.º
Eusébio
638
Eusébio
482
Eusébio
317
Eusébio
98
Eusébio
57
 Eusébio
46
 Cardozo
22
Eusébio
7
 Néné
3
2.º
J. Águas
483
J. Águas
378
J. Águas
289
J. Águas
70
Cardozo
34
 J. Augusto
24
 N.Gomes
12
Néné
7
 Manniche
2
3.º
Néné
474
Néné
371
Néné
264
Néné
67
Néné
28
 J. Torres
19
 Simão
9
João Pinto
5
 Diamantino
2
4.º
Arsénio
350
J. Torres
240
Arsénio
152
J. Torres
57
J. Augusto
25
 J. Águas
18
 Filipovic
8
H. Coelho
4
   Jonas
 2
5.º
Rogério
287
Arsénio
233
Julinho
152
Arsénio
54
N. Gomes
23
 Néné
15
 Saviola
7
Jordão
4
   C. Manuel
1
6.º
J. Torres
284
Rogério
208
J. Torres
152
Rogério
51
J. Torres
20
 Cardozo
12
 Néné
6
Rui Costa
4
  César
1
7.º
Julinho
272
Julinho
203
Rogério
127
V. Silva
39
J. Águas
18
 Coluna
11
 Di María
6
Rui Águas
3
  Vital
1
8.º
Valadas
218
J. Augusto
177
N. Gomes
125
J. Augusto
36
Isaías
13
 N. Gomes
11
 Isaías
5
Chalana
2
  J. Gomes
1
9.º
J. Augusto
207
Cardozo
172
J. Augusto
113
Valadas
35
J. Pinto
12
 Simões
8
 Luisão
5
César
2
  Rui Pedro
1
10.º
V. Silva
202
N. Gomes
166
Cardozo
112
Julinho
25
Simão
12
 Santana
7
 Lima
5
C. Manuel
2
  Dito
1
11.º
E. Santo
199
Valadas
162
Jonas
99
Coluna
25
Coluna
11
 Yuran
7
 Rodrigo
5
Diamantino
2
  Vata
1
12.º
Cardozo
198
E. Santo
155
Valadas
89
A. Jorge
24
Luisão
11
 Gaitán
7
 Salvio
5
Manniche
2
  Lima I
1
13.º
N. Gomes
183
Coluna
129
Coluna
88
Manniche
23
Jordão
10
 Jordão
6
 Eusébio
4
Isaías
2
 Magnusson
1
14.º
A. Jorge
152
Jonas
122
E. Santo
78
Diamantino
21
Filipovic
10
 C. Brito
6
 V. Paneira
4
Kulkov
2
  Iúran
1
15.º
Coluna
150
V. Silva
120
Cavém
78
Cavém
20
Iúran
          10
 Isaías
              6
 Pacheco
4
Donizete
2
  William
1
16.º
J. Teixeira
142
J. Teixeira
119
Rui Águas
77
Cardozo
19
Jordão
          10
 Luisão
              6
 Zahovic
4
Valdo
2
  Iúran
1
17.º
Jonas
126
Cavém
105
Simão
75
Rogério Sousa
18
Salvio
          9
 Serafim
5
 Chalana
3
Zeca
1
  Cervi
1
18.º
Rog. Sousa
125
Rui Águas
104
Artur Jorge
74
Santana
18
Rui Águas
          8
 Rui Águas
5
 Valdo
3
Artur Jorge
1
  Pizzi
1
19.º
Cavém
125
Artur Jorge
103
Magnusson
64
Simões
18
Simões
          8
 Magnusson
              5
 Tiago
3
Jaime Graça
1
  Seferovic
1
20.º
Rui Águas
123
Rog. Sousa
102
João Pinto
64
Luís Xavier
17
Santana
          7
 João Pinto
5
 Gaitán
3
Diamantino
1
  Raúl
1
NOTA: Na Taça dos Vencedores das Taças: Diamantino Miranda (dois golos) e Diamantino Costa (um golo)



Do Japão viria uma inovação para a eternidade...
A Vénia. Já foi tema neste blogue em 4 de Agosto de 2016 (clicar).



A curiosa história da infância de Néné
O pai Tamagnini Clemente Néné nasceu em Vila Real de Santo António tal como o irmão e pai de Cavém (este também nasceu, a 21 de Dezembro de 1932, em Vila Real de Santo António). Ao contrário do irmão mais velho (pai de Cavém) Tamagnini Clemente Néné que era especialista em mosaicos rumou a Leça da Palmeira, para equipar uma fábrica, com a esposa (Adelina Gomes Baptista Néné) onde nasceram os dois filhos, entre eles Tamagnini Manuel Gomes Baptista Néné, em 20 de Novembro de 1949. Aos dois anos regressou a Vila Real de Santo António e aos seis anos (por volta de 1955 ou 1956) partiram para a cidade da Beira, na colónia africana de Moçambique. Por lá ficaria até 4 de Fevereiro de 1967, tinha 17 anos, dois meses e 15 dias.     

Clube Ferroviário da Manga (Beira). Néné é o futebolista que está equipado "ao contrário". Terceiro, em cima, a contar da direita. Digitalização da revista semanal «CAMPEÕES do desporto»; N.º 1; Página 6; 15 de Março de 1985; Lisboa

A ascensão rápida de um futebolista em Moçambique 
Com épocas a coincidirem com os anos civis em 1966, como médio-centro do Clube Ferroviário da Manga (Beira) foi considerado o melhor futebolista júnior de Moçambique. Entretanto o pai ia informando o irmão (e o sobrinho Cavém) das proezas do filho. Depressa o Benfica se interessou pelo jovem leceiro a viver em Moçambique. Em 5 de Fevereiro de 1967 chegava, de avião, a Lisboa pela madrugada (seis ou sete da matina). Chegava um dos melhores Gloriosos Futebolistas. E excelso goleador.

Jogo particular, frente ao Sporting CP, em 12 de Abril de 1971, em Paris, no Estádio de Colombes. De cima para baixo. Da esquerda para a direita: Zeca, Vítor Martins, Adolfo, Malta da Silva, Humberto Coelho e José Henrique; Néné, Eusébio, Artur Jorge, Simões (capitão) e Diamantino (Costa)

A gloriosa vinda para o Benfica
Ainda fez o resto da temporada de 1966/67 na categoria júnior bem como a de 1967/68 sagrando-se campeão nacional, em Leiria, a 23 de Junho de 1968, jogando como extremo-esquerdo, marcando o primeiro golo dos dois-a-zero à equipa da Associação Académica de Coimbra. Foi o treinador Ângelo Martins que decidiu fazer passá-lo de médio-centro (n.º 6 ou 8) para n.º 11.


A sabedoria de saber esperar (parte I)
Em 1968/69 passou para a categoria de Reserva, estreando-se na equipa de Honra, em 29 de Agosto e 4 de Setembro de 1968 com a conquista da Taça de Honra de Lisboa, enquanto o plantel de Honra fazia mais uma digressão triunfal pelo continente americano: Brasil (um jogo, com estreia de Humberto Coelho, Toni e Praia), Argentina (quatro jogos), Venezuela (um jogo), Colômbia (um jogo) e EUA (um jogo). Em 1968/69 com o treinador Otto Glória e 1969/70 (Otto Glória, depois José Augusto) foi aposta esporádica. 


A equipa de Reserva, base do plantel que conquistou a Taça de Honra de Lisboa em 1968/69. Adolfo e Matine integravam o plantel em digressão pelo continente americano. De cima para baixo. Da esquerda para a direita: Abrantes, Adolfo, Manuel José, (Carlos) Marques ?, (António) Moreira ? e Zeca; (Jaime) Pavão, Raúl Águas, (Joaquim) Vieira (capitão) ?, Matine e Néné

NÉNÉ NOS PRIMEIROS JOGOS COM O «MANTO SAGRADO»
Época
Comp
Res
Adversário
Cidade
Substituiu (min*)


1968/
1969
THL
V 2-1
CF "Os Belenenses"
Restelo (Lx)
(90) Médio-esquerdo
THL
V 3-0
Sporting CP
Restelo (Lx)
(90) Médio-esquerdo
CNID
E 0-0
Vitória SC (Guimarães)
Luz (Lx)
(18) Raul Águas
CNID**
V 1-0
GD CUF (Barreiro)
Luz (Lx)
(48) Coluna
CNID**
V 2-0
Ass. Acad. Coimbra
Coimbra
(26) Toni
Part.**
D 1-2
Internacional PA
Porto Alegre
(45) Praia
Part.**
D 1-2
Grémio F PA
Porto Alegre
(90) Médio-direito
CNID
V 1-0
AD Sanjoanense
S. J. Madeira
(11) Praia

1969/
1970
THL
E 1-1
CF "Os Belenenses"
Restelo (Lx)
(45) Diamantino Costa
CNID
V 6-0
União CI Tomar
Luz (Lx)
(05) Simões
Part.
E 1-1
NK Hajduk Split
Split
(27) Eusébio
TP **
V 3-2
Boavista FC
Bessa (Porto)
(17) José Torres
TP **
D 0-2
Vitória SC (Guimarães)
Guimarães
(45) Zeca
70/71
TUL
V 2-1
Vitória SC (Setúbal)
Setúbal
(50) Jaime Graça
14 jogos // três completos // 11 suplente utilizado// Total: 607 minutos
NOTA * (minutos jogados); ** consecutivos; THL - Taça de Honra de Lisboa; CNID - Campeonato Nacional da I Divisão; Part. - Particular, TP - Taça de Portugal; TUL - Troféu "Taça Ultramar"

A sabedoria de saber esperar (parte II)
No início de 1970/71 com a chegada de Jimmy Hagan quando soube da digressão a África com passagem por Moçambique conversou com o treinador inglês que gostaria de voltar a ver os pais, pois nunca mais regressara a Moçambique. Jimmy Hagan concordou e chegou da digressão como titular a extremo-direito. Para Jimmy Hagan cada número tinha que ter a lógica do futebol. Se era extremo-direito era o n.º 7. E numero sete ficou. Mesmo quando Mário Wilson, em 1975/76, ficou sem ponta-de-lança sendo obrigado a «adaptá-lo» a avançado. O mais famoso (e produtivo) Glorioso Número Sete!


Que prazer escrever acerca de Néné! Sabe sempre a pouco!

Alberto Miguéns

NOTA: Não há dois futebolistas iguais, mas Jonas sempre me faz (fez) lembrar Néné. Em baixo, o apelido correcto numa das raras vezes que aparece.  Nunca "pegou". Ficou sempre uma versão...Nené!



Não resisto a acrescentar:




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