Sou o Benfiquista Mais Rico do Mundo - Em Defesa do Benfica
A criação deste Blogue, ideia de António Melo, tem como objectivo divulgar, defender o Sport Lisboa e Benfica e a sua Gloriosa história. Qualquer opinião aqui expressa vinculará apenas o seu autor, Alberto Miguéns.

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20/05/2018

Sou o Benfiquista Mais Rico do Mundo

20/05/2018 + 8 Comentários
DESDE SEGUNDA-FEIRA!


Neste caso os primeiros são mesmo os primeiros. Agradeço a oferta da cadeira de Félix Bermudes. Muito obrigado ao familiar que me proporcionou ser o «Benfiquista Mais Rico do Mundo».



Por tudo isto
O texto de hoje oferece, ao iniciar-se, ser propício a ficar longo, pois longa será a explicação. Assim vão existir cinco textos/capítulos a explicar a importância de doutora Cesina bem o porquê de ter a cadeira do pai Félix em meu poder: capítulo leve, semi-leve, assim-assim, semi-denso e denso.


Só esteve casada um dia. Contou-me que casando de manhã logo pela tarde o marido deu-lhe uma ordem! Ela disse. «Isto vai ser assim uma vida inteira? Acabou!»

Leve (desde segunda-feira)
No domingo, após o jogo com o Moreirense FC, em casa, ao aceder ao correio electrónico, eis que fico hilariante, após a tristeza de perder o campeonato. Tinha uma mensagem de um descendente de Félix Bermudes a escrever que as cadeiras que estavam apalavradas já estavam disponíveis perguntando quando queria ir buscá-las. Claro que respondi de imediato: Amanhã (segunda-feira) e assim foi!


Semi-leve (desde há pouco mais de um ano)
Quando de regresso, em 2017, a uma sala onde já tinha estado em...1996 ou 1997, questionei: «O que foi feito daquelas cadeiras com um encosto com uma Águia, entre elas a que doutora Cesina disse ser nela que o pai Félix fizera o HINO? O descendente de Félix Bermudes respondeu-me, citando de memória. »Estão na arrecadação, mas têm uma história a envolvê-las. Há uns anos, depois da inauguração do Museu (26 de Julho de 2013, disse-lhe eu) telefonei para lá a dizer que podiam vir buscar as cadeiras. Responderam-me. Não vamos buscar as doações a casa das pessoas. Tem de vir cá trazê-las! Fiquei incrédulo e claro que não fui levar nada. Levei-as para a arrecadação». Eu fiquei a rir-me dizendo-lhe qualquer coisa do tipo: «Eles no Museu sabem lá quem foi Félix Bermudes, pelo menos a sua importância no Benfica! Que ridículo. Do Estádio aqui são uns quatro quilómetros e faz-se de carro em menos de 20 minutos! E carros é o que não falta no Benfica. Servem para tudo e mais alguma coisa. Olhe. O senhor não as querendo eu fico com elas. Teria o maior prazer do Mundo! Se quiser até o posso ajudar». Entretanto foi-se passando o tempo, até que em 6 de Março de 2017 enviei uma mensagem que foi esta: 




Eis que no domingo (15 de Maio de 2018, mais de um ano depois) recebi a resposta. «As cadeiras já estão à sua espera!» Eu até pensava que o assunto estava esquecido e por uma questão de educação não quis insistir. Mas não. O descendente do nosso antigo presidente e muito mais que «só isso e isso já era muito», pois até o foi duas vezes, pode não ser Félix, nem Redondo, nem Adães, nem Bermudes, mas claro, tem o mesmo ADN. E neste caso é mesmo genético não é de converseta. Prometeu e cumpriu, não se esquecendo. Muito obrigado! Ter a cadeira de Félix Bermudes? Sou o Benfiquista Mais Rico do Mundo! 


Assim-assim (desde há dois anos)
Há mais de 15 anos, desde 9 de Dezembro de 2001, data do falecimento de doutora Cesina Bermudes, que procurava descendentes de Félix Bermudes, mas era praticamente impossível. doutora Cesina não teve descendência. Eu bem passei pela campainha onde ela morava (avenida Santos Dumont) cinco ou seis vezes mas ninguém atendia. Andei por uma outra morada onde só tinha estado uma vez, mas sendo uma avenida compridíssima era impossível localizar o prédio. Desisti. Até porque tendo Félix Bermudes duas filhas ( Cesina e Clara) e esta também filhas duas ou três gerações depois o Adães e o Bermudes desapareceriam dos nomes. Eis que surge um dedicado leitor deste blogue que ainda é mais teimoso do que eu e "conversa para aqui e para ali" fomos (foi mais ele) apertando a "malha" até que surgiram dois nomes que "encaixavam" em descendentes, embora não fossem Félix, nem Redondo, nem Adães, nem Bermudes. Assim que ficou definido apresentei-me no emprego de um desses nomes e questionei (sem saber se seria a pessoa certa). Queria falar com o senhor .... a propósito de Félix Bermudes. Eis que surge a pessoa procurada e confirma. Tinha ganho o dia, o mês, o ano e a década! Devia ter registado o dia e não o fiz! O certo é que o melhor estava para vir. Depois de alguns contactos combinámos um encontro em sua casa que para espanto meu era a casa onde tinha estado uma vez, apenas uma vez, com a doutora Cesina. A mesma casa! E esse descendente disse-me. «Tenho uma surpresa para si. Veja este texto da doutora Cesina. Ela disse que ficou tão entusiasmada com umas conversas com um Benfiquista a propósito de Félix Bermudes que decidiu fazer uma espécie de resumo biográfico do pai. Deve ter sido consigo pelo que já me contou!». Eu disse-lhe: «Provavelmente. Agradeço a cópia do texto não o publicando pois ela já cá não está para autorizar, mas tenho todo o gosto em ficar a saber mais acerca do grande Félix Bermudes. E as cadeiras?» 



Semi-denso (num dia em 1996 ou 1997)
Depois de duas ou três vezes ter ido a casa da doutora Cesina falar acerca do pai, ela disse-me que tendo eu tanta curiosidade também seria útil falar com outra familiar que vivia perto pois essa descendente de Félix Bermudes passara muito tempo com ele aquando do tempo em que era criança pois os pais por motivos profissionais ausentavam-se, com frequência, longos períodos para longe de Lisboa e a escola não podia ser negligenciada. E assim foi. Combinámos o encontro e eis que numa sala cheia de livros vejo umas cadeiras com o encosto a ser feito em forma de Águia! Questiono e doutora Cesina respondeu à doutora Cesina: «Então não vê que é a mobília lá de casa (rua Renato Baptista, 94 - 3.º andar, Lisboa) e a cadeira preferida de Félix Bermudes era esta, com a marca na lateral do assento, pois sendo escritor passava horas sentado. Já que gosta tanto de histórias do meu pai ligadas ao Benfica, conto-lhe uma a propósito desta cadeira. Era frequente Félix Bermudes quando estava a escrever peças, que geralmente eram comédias, de vez em quando "declamar" umas frases como deixas cómicas para saber se tinham impacte em mim e na minha irmã. Por vezes desatávamos à gargalhada e ele ficava contente. Noutras percebia que o melhor era "dar a volta ao texto". Até que uma vez, eu ainda era menor, ele escrevia, escrevia, escrevia e nada dizia. Achei estranho e perguntei-lhe que peça era aquela? Ele disse que: «não era uma peça de teatro que estava acabada quando acabasse sem data. Esta tinha data de entrega pois era para assinalar as Bodas de Prata do Benfica. Era a letra do Hino!» Perguntei-lhe: "Um hino como os Heróis do Mar". O meu pai vira-se na cadeira, olha para mim, sorri e diz: «Neste caso é mais os "Heróis da Bola"!    

Colorida pelo dedicado leitor deste blogue, deste Victor João Carocha. Verdadeiramente notável. Vermelho é tudo!

Denso (algures para lá de meados dos anos 90)
Quando soube da existência de Cesina Bermudes que sobreviveu à irmã D. Clara foi possível através do senhor Joaquim Macarrão - para ele Benfiquismo era sempre sinal de possibilidade - conseguir o telefone e a morada da filha mais velha de Félix Bermudes. O objectivo era claro. Talvez a doutora Cesina soubesse mais do que era conhecido acerca da Fundação bem como da escolha dos símbolos do Clube - nome, cores e principalmente emblema. O resultado foi parco, mas falar com Cesina Bermudes é algo que nunca esquecerei. Em sua casa, na avenida Santos Dumont, conheci alguém que é indescritível. Cesina Borges Adães Bermudes com 1,52 metros era uma gigante. Eu com 1,82 metros sentia-me uma formiguinha, tal a assertividade, erudição e cultura da doutora Cesina. Eu com pouco mais de trinta anos e ela já bem perto dos 90 anos. Com idade para ser minha avó. Foram dois ou três encontros fabulosos em que se falou pouco dela e muito de Félix Bermudes. Deu-me livros da autoria do pai e disse que o pai só não foi fundador por nada ter que fazer em Belém num domingo de Inverno vivendo ele no Intendente/Anjos apesar de já acamaradar com o grupo que deu origem ao "Glorioso". Quanto ao emblema o pai nada lhe dissera ou ela nada recordava de significativo a não ser que tinha a ideia que Félix Bermudes considerava ter sido decisivo ou importante na escolha da divisa (E PLURIBUS UNUM). Ideia dele ou muito apoiado por ele afirmando sempre que durante a sua vida referia que o lema ajustara-se bem à evolução do Clube, principalmente para superar momentos complexos na vida atribulada do "Glorioso" até estabilizar em finais dos anos 20. Posso ter falado com muitas pessoas acerca do Benfica ou de outros temas mas o modo como Cesina Bermudes dialogava foi para mim um marco no relacionamento entre dois seres humanos que se desconheciam por completo. Nunca pensei que houvesse alguém tão clarividente, genial e com uma simplicidade a que ninguém conseguia ficar indiferente. Foi das decisões Benfiquistas (e não só) que tive a sorte de tomar. Obrigado doutora Cesina.   
   
Foi assim que em meados dos Anos 90 conheci Cesina Bermudes. Por cima, na parede, um retrato emoldurado de Félix Bermudes. Uma gigante no modo de ser assertivo e com uma simplicidade só ao alcance de quem está bem com a vida 


A questão das cores do emblema
Se eu queria saber de Cesina Bermudes o que lhe tinha dito o pai Félix acerca da Fundação do Glorioso e do significado dos componentes do emblemas, o que mais desejava era saber a composição das cores pois era «impossível» num clube com tão grandes fundadores, também em bom gosto, serem mentecaptos ao ponto de fazerem o que ninguém fazia, quer em brasões familiares, escudos regionais, nacionais e imperiais, bem como em emblemas conhecidos de clubes contemporâneos do nosso (até mais antigos). O Sport Lisboa ter um emblema descolorido. E o escudo bipartido a vermelho até foi uma invenção minha para fazer um artigo para a revista "O Benfica Ilustrado" n.º 40, em Abril de 1997, pois pedi ao gráfico que substituísse o quadriculado e o tracejado no escudo do emblema até aí utilizado que era este...



...por vermelho-e-branco, pois não fazia sentido continuar a utilizar o emblema publicado na página 2 de "O Benfica Ilustrado" n.º 17, de Fevereiro de 1959. Ou seja, o emblema branco com escudo vermelho nunca existiu. Aliás só existe na página 57 da referida revista! 



Em «O Benfica Ilustrado» e no Museu Cosme Damião. Ou seja, esta composição de emblemas nunca existiu no Clube, só nas páginas da referida revista de 1997! Aliás sendo mais "preciso e picuinhas" até data de 1995 ou 1996 quando me foi pedido, por Silva Gomes, vice-presidente da Direcção de Manuel Damásio um "parecer" acerca de três emblemas que queriam mandar fazer num "estojo de luxo "para oferecer a "altas figuras" e clubes estrangeiros, utilizando os três emblemas antigos e eu disse (citando de memória): «Isso parece-me um anacronismo, estar a fazer emblemas de há quase cem anos como se fossem actuais, mas como vocês é que mandam...façam. Mas pelo menos, no de 1904 e de 1908, coloquem o escudo a vermelho-e-branco em vez de preto-e-branco que o "Glorioso" não copiou a Juventus de Itália!». Nem sei se alguma vez esse estojo foi feito e se foi, quantos foram feitos! Enigmas à Benfica damasiano!



Felizmente poucos anos depois, numa conversa com um outro filho de um dos 24 fundadores foi possível descobrir o significado e a composição das cores dos primeiros emblemas do Clube. Talvez um dos dias mais felizes de "A Minha Vida Benfiquista". Mas isso fica para outro dia. Um dia destes!
   
Porque és Benfiquista...Félix Bermudes?




Que categoria
Eis a cadeira de Félix Bermudes. Um verdadeiro:



Trono do Benfiquismo

Alberto Miguéns


NOTA1: Entrevista notável da doutora Cesina Bermudes ma RTP descoberta por um dedicado leitor deste blogue. Entrada a pés juntos à Cesina! Com classe! «Deu a volta» ao programa. Querem falar de mim, então vamos falar do meu pai. Injustamente ignorado, apenas 15 anos após o seu falecimento, quanto mais na actualidade. Félix Bermudes um dos portugueses mais brilhantes dos nascidos nos anos 70 do século XIX, em 4 de Julho de 1874. Cesina Borges Adães Bermudes um dos portugueses mais brilhantes dos nascidos na primeira década do século XX, em 20 de Maio de 1908, há precisamente 110 anos, a completar hoje! Injustamente esquecidos em detrimento de tanta pimbalhada! Aos molhes! E bimbalhada! Aos montes!

Clicar para entrevista da doutora Cesina Bermudes à RTP


O comício que a levou à prisão, em Caxias, detida pelos esbirros de Salazar (PIDE). Em baixo, preparando a sua intervenção

Clicar para artigo no jornal "Expresso" acerca de Cesina Bermudes






NOTA2: O HINO que foi escrito nesta cadeira, por Félix Bermudes, entre final de 1928 e início de 1929 para assinalar as «Bodas de Prata» do Sport Lisboa e Benfica.


 


NOTA3: O "Se..." tradução de Félix Bermudes provavelmente a mais bela tradução do "If..." só não podendo dizer que é melhor que o original inglês por isso ser uma impossibilidade. Mas quem sabe se também não foi traduzido nesta cadeira!




NOTA4: Obrigado Museu....Cosme Damião ri-se no Quarto Anel. Já Félix Bermudes, a seu lado, chora!

8 comentários
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  1. Mais do que ninguém o Alberto merece a cadeira onde Félix Bermudes se sentou e onde escreveu muitos dos seus maravilhosos textos, um deles o Hino do nosso Clube. É uma felicidade saber que estão bem entregues e não anónimas num depósito sem terem o carinho e destaque merecido.

    Cesina Bermudes foi uma mulher superior que influenciou pelo seu carácter, pensamento e capacidade profissional muitas outras mulheres e também muitos outros homens na construção - que tem de ser permanente - de uma sociedade melhor.

    Cesina Bermudes revelou uma fibra notável num tempo em que muitos se acorbadavam e colaboravam com o regime. Revelou valores associados a um brilhantismo intelectual que certamente herdou de seu Pai, que para mim foi um dos três maiores Benfiquistas de sempre.

    Cesina Bermudes mesmo tendo sido impedida de ter dado outros contributos valiosos (como médica, docente e política) à nossa sociedade ainda assim soube encontrar formas para deixar a sua marca indelével neste País. Os cobardes e situacionistas que colaboraram para a perseguir e a inibir de fazer aquilo que o seu mérito pessoal merecia, esses estão mortos, enterrados e esquecidos. Cesina Bermudes é e será sempre uma mulher notável e nunca esquecida.

    Este texto é uma preciosidade que guardarei. Vou saborear com cuidado e carinho. Obrigado.

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  2. BRUTAL !!!!
    Grande Miguéns! Obrigado!

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  3. É bom saber que a cadeira de Félix Bermudes continua em Boas Mãos! À guarda de um Verdadeiro Benfiquista, que melhor tem lutado para que se respeite o Glorioso passado do Sport Lisboa e Benfica! Obrigado Alberto Miguéns!

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  4. Caro Miguéns, o BENFICA merece a verdade, graças a si vou sabendo porque sou BENFIQUISTA.
    NOTA: OBRIGADO

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  5. Isto é absolutamente formidável este trabalho...

    Até me arrepio.

    Alberto, permite-me contar uma pequena história. Estive em Lisboa em Novembro do ano passado. Fui passar um fim de semana a casa de uns amigos. Paragem obrigatória: Estádio da Luz!

    Estávamos a chegar e o meu amigo pergunta-me: "Então? É desta que vamos ao Museu Cosme Damião"? Respondi-lhe: "Um dia lá irei mas tenho o EDdB, mais não preciso". Acabámos por ir às lojas dar dinheiro à Adidas por umas recordações. Fomos aos campos circundantes ver as camadas jovens (benjamins), depois ao miradouro de Monsanto, ao Jamor.

    O Em Defesa do Benfica é um museu on-line.

    Eu, aliás, tenho de te enviar algo que tenho evitado publicar por simplesmente achar que não tenho a tua competência...

    Muito grato Alberto

    Saudações Gloriosas.

    AMC

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  6. Atrevo-me a dizer que está em melhores mãos do que no Museu.
    Que, ao sentar-se nesse trono de Benfiquismo continue a encontrar a força e a vontade necessárias para nos continuar a honrar com o que escreve acerca do nosso amado Clube.

    Gostei muito mesmo das razões que Felix Bermudes deixou escrito para a eternidade acerca das razões de Ser Benfiquista.

    Uma estirpe de Benfiquistas de que infelizmente poucos sobram.

    Grato pelo seu blog, uma obra que exigiria um outro destaque.

    A justiça tarda, mas chega sempre.

    Viva o Benfica!

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  7. Mas afinal, caro Alberto, com quantas cadeiras ficou?

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  8. Caro Jaime Palha

    Uma. A que tem encosto e assento em couro. A utilizada por Félix Bermudes por ser mais confortável. As restantes têm de ser recuperadas e não se sabe quantas se conseguem "salvar".

    Gloriosas Saudações

    Alberto Miguéns

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