A criação deste Blogue, ideia de António Melo, tem como objectivo divulgar, defender o Sport Lisboa e Benfica e a sua Gloriosa história. Qualquer opinião aqui expressa vinculará apenas o seu autor, Alberto Miguéns.

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06/05/2014

A Ficha de Álvaro Gaspar

06/05/2014 + 14 Comentários API
GLÓRIAS DO GLORIOSO

AVISO: Texto longo, muito longo, acerca da história do "Glorioso" em 1912/13. E muito logo porque esta foi (é) uma das temporadas mais brilhantes de uma história de um Clube com muitas épocas brilhantes! Quem não gostar de história é melhor esperar por outro dia!

Caricatura publicada na página 257 do volume I da História do SL Benfica de Mário de Oliveira e Rebelo da Silva


ÁLVARO GASPAR
Nascimento: 10 de Maio de 1889
Primeiro jogo: Desconhecido (por enquanto)
Primeiro jogo referenciado (3.ª categoria): 20 de Dezembro de 1908 (19 anos)
Primeiro jogo na 2.ª categoria: 24 de Outubro de 1909 (20 anos)
Estreia na 1.ª categoria: 25 de Setembro de 1910 (21 anos)
Último jogo na 1.ª categoria: 1 de Março de 1914 (24 anos)
Último jogo com o "Manto Sagrado": 11 de Abril de 1915 (25 anos)
Falecimento: 3 de Setembro de 1915 (26 anos)
Funeral: 5 de Setembro de 1915 (para o Cemitério da Ajuda)

1912/1913 (23 anos)

Em que época começou a jogar?
Pela Ficha de Inscrição que deve ter sido preenchida no início de 1912/13, quando Álvaro Gaspar tinha 23 anos, ele escreveu que jogava há sete anos sempre no SL Bemfica (ainda e até 1945 com mê) sem interrupções. Deve ter sido preenchida antes do início da época, pois segundo Rogério Jonet essa era a prática no Clube. Todos a preenchiam até o Capitão-Geral (treinador e organizador das equipas) Cosme Damião. Se jogava há sete anos e ininterruptamente, começou em 1905/06 ou 1906/07.



A ficha de Álvaro Gaspar
Com 23 anos, feitos em 10 de Maio de 1912, uma grande dedicação ao Clube, como mostram as respostas ao questionário da Ficha: Em que Clubs ou grupos? S.L.B & chega. Categoria Infantil 4:ª 3.ª 2.ª e 1.ª. Em que categoria entende dever jogar? A escolhida do capitão. Qual a posição que mais prefere? A que o capitão entender. Confessa pelo Club a sua dedicação e compromete-se a prestar-lhe o seu concurso incondicional? Até à morte. E foi! Três anos depois! Infortunado Chacha.

1912/13 - Alterações para o futuro
Em 1912/13 o Benfica continuava o seu crescimento sustentado rumo à eternidade. Mas esta temporada marca o declínio do histórico Internacional em detrimento do Sporting CP. Foi a última temporada em que o "Dérbi de Lisboa" foi jogado entre o SLB e o CIF. Passou depois, até à actualidade, a ser disputado entre o "Glorioso" e o Sporting CP. O Internacional foi fundado em 8 de Dezembro de 1902, ainda com o nome de FC Swifts. E este herdara a tradição do FC Lisbonense, que em 1889 já jogava e depois - na última década do século XIX - era popularmente conhecido por "Grupo dos Pinto Basto". Foi frente a esta equipa - um misto de portugueses e ingleses - que em 13 de Dezembro de 1903 (data provável) o Grupo dos Catataus reforçado com ex-alunos casapianos - todos portugueses - conseguiram uma vitória que levou alguém no Café do Gonçalves fronteiro à Farmácia Franco (actual "Pastelaria Nau de Belém") a exlamar: «Com estes footballers fazia-se um grande team!» E assim foi em 28 de Fevereiro de 1904. Ainda uma nota importante acerca do Internacional (CIF). Ao contrário do portismo e seus satélites que procuram - desvairadamente - alterar o passado, o CIF não se apropria do que não lhes pertence. Na História do CIF são claros. Não foi o FC Lisbonense a defrontar o FC Porto, em 1894. Foi uma equipa de Lisboa, como descrevem os jornais da época e que os portistas, satelizados e capachos tentam subverter para dar substância  à mentira da fundação em 23 de Setembro de 1893. Para terem um jogo e provar que ainda existiam em 1894. Mentira!



Do portal oficial do CIF em 1 de Maio de 2014


Alteram a História do FC Porto e... 
Querem alterar a dos outros clubes. Hilariante, mas também asqueroso!

Do portal oficial do FC Porto em 1 de Maio de 2014


Os quatro campeonatos regionais, em 2012/13 foram mais homogéneos
Em relação à temporada anterior - 2011/12 - aumentou o número de clubes na 1.ª categoria (o Lisboa FC regressou ao campeonato), o GS Luz Soriano - primeira tentativa de organizar um clube desportivo dentro da Casa Pia de Lisboa - inscreveu-se em três campeonatos, surgiu um novo clube (Lisboa Sporting Club) e reduziram-se os clubes na 4.ª categoria (de doze para nove!)


PARTICIPAÇÃO NO CAMPEONATO REGIONAL
Clubes
(N.º por categoria)
1.ª cat
(5)
2.ª cat
(7)
3.ª cat
(9)
4.ª cat
(9)
 SL BENFICA
V
V
V
3.º
 Sporting CP
2.º
2.º
2.º
V
 Lisboa FC
5.º
5.º
3.º
5.º
 Internacional/ CIF
4.º
6.º
4.º
9.º
 CS Império
3.º
4.º
6.º
-
 GS Cruz Quebrada
-
3.º
7.º
2.º
 GS Luz Soriano
-
7.º
9.º
7.º
 SC Cruz Pedra
-
-
8.º
6.º
 Lisboa Sporting Club
-
-
5.º
-
 SF Palmense
-
-
-
4.º
 Ateneu CL
-
-
-
8.º


Os registos de Álvaro Gaspar, em 1912/13, nos ficheiros do Clube


Álvaro Gaspar titular na 2.ª categoria mas com chamadas frequentes à 1.ª categoria
A crescer na 1.ª categoria: cinco jogos (um para o Regional) em 1910/11; 14 encontros (dois para o Regional) em 1911/12; e 21 jogos (quatro para o Regional) em 1912/13. Na 2.ª categoria jogou onze encontros - dois particulares e nove jogos no Regional - em 14 jornadas. Cosme Damião inscreveu-o na 2.ª categoria, mas como reservista ao 1.º grupo.


Álvaro Gaspar em 10 de Outubro de 1912 numa avançada do "Glorioso" rumo às redes do CS Marítimo

Em 2012/13: oito jogos em 1912 e 22 em 1913
O desporto português ficou muito marcado pelo falecimento de Francisco Lázaro na maratona dos Jogos Olímpicos de Estocolmo, em 15 de Julho de 1912. Mas o funeral apenas ocorreu em 24 de Setembro. Pesaroso. Com o Portugal Desportivo enlutado a época de futebol começou muito tarde. E a "temporada oficial" ainda mais tarde... "quase em 1913!"

Uma avançada de Álvaro Gaspar (de bigode) e Alberto Rio em direcção à baliza do Racing Clube de França, em 26 de Dezembro de 1912 Imagem retirada da separata entre as páginas 160 e 161 do volume I da História do SL Benfica 1904-1954 de Mário de Oliveira e Rebelo da Silva
Entre Outubro e Novembro de 1912
Álvaro Gaspar estreou-se na temporada em 6 de Outubro (domingo) na primeira digressão do FC Porto a Lisboa aproveitando as "Festas do 2.º aniversário da República". No campo das Laranjeiras, do Internacional, a 2.ª categoria do "Glorioso", com Álvaro Gaspar como "avançado-meia-esquerda" derrotou, por 5-2, a 2.ª categoria do FC Porto. E em 10 de Outubro (quinta-feira) integrou - ainda na meia-esquerda, marcando um golo - a 1.ª categoria que venceu, por 3-1, o CS Marítimo pela primeira vez numa digressão ao continente europeu, com jogo nas Laranjeiras. Em Novembro não há registo de jogos com a participação de Álvaro Gaspar.

A equipa que venceu, por 3-1, o CS Marítimo em  10 de Outubro de 1912. Da esquerda para a direita. De pé: Francisco Belas, Henrique Costa, Paiva Simões, Cosme Damião (capitão) e Alberto Rio (com a camisola de flanela do tempo do Sport Lisboa); Em Segundo plano: Luís Vieira e Francisco Pereira. Sentados, em primeiro plano: Germano Vasconcelos, Francisco Viegas, Álvaro Gaspar e José Domingos Fernandes Imagem de "Os Sports Iluistrados" legendada por mim e pelo "perito" (pelo menos não conheço outro com tamanha capacidade, metodologia e rigor) Victor João Carocha

Dezembro de 1912
Com a chegada do último mês do ano, chegaram os campeonatos: primeiro as mais longas (16 jornadas): a 4.ª categoria, em 1 de Dezembro e a 3.ª categoria, em 15 de Dezembro. E em 22 de Dezembro, a 2.ª categoria, com a realização da primeira das 12 jornadas. A 1.ª categoria, com oito jornadas, apenas em 1913 (5 de Janeiro). Entretanto foram-se realizando jogos particulares. Em 1 de Dezembro para "dar treino jogado às pernas dos jogadores" o Benfica acertou uma série de jogos com o Internacional no seu campo. A 2.ª categoria com Álvaro Gaspar empatou a dois golos. E no dia seguinte (2 de Dezembro) integrou a 1.ª categoria que venceu, por 2-1, o Internacional, marcando um golo. Em  14 de Dezembro, por ser sábado, foi possível fazer um "jogo especial"!  O Clube continuava a preparar a nova época oficial. Por isso, combinou-se um encontro particular, de beneficência, a favor da “Cantina Escolar de S. Sebastião da Pedreira. O SC Império cedeu o seu campo de Palhavã e foram convidados para jogar, o SL Benfica e o Carcavellos Club. Com Luís Vieira, avançado-centro titular na 1.ª categoria doente - não jogou no encontro anterior e neste foi "deslocado" para ponta/extremo-direito - avançou o da 2.ª categoria: Álvaro Gaspar. O "Gloriosissímo" conseguiu vencer, por 2-0, naquela que ficou para a história como a "quinta vitória" depois de 1907 (2-1, fora), 1910 (1-0, casa), 1911 (1-0, fora) e 31 de Dezembro de 1911 (1-0, fora). A primeira vitória em campo neutro. Rezam as crónicas, após 1-0 ao intervalo: «Na segunda parte registou-se novo ponto, bem rematado por Álvaro Gaspar, no seguimento de um excelente passe de Alberto Rio. E o 2-0 constituiu resultado final do jogo». Em 22 de Dezembro na 1.ª jornada do Regional, o Benfica recebeu em sua casa (Palhavã) a equipa da casa (CS Império) vencendo por 3-1, com Álvaro Gaspar como avançado-centro. Tal como no domingo seguinte (29 de Dezembro) na 2.ª jornada frente ao GS Cruz Quebrada.

A equipa que venceu os ingleses de Carcavelos, em 14 de Dezembro de 1912. De cima para baixo. Da esquerda para a direita: José Domingos Fernandes, Júlio Miranda, Álvaro Gaspar, Paiva Simões, Luís Vieira e Alberto Rio; Henrique Costa, Carlos Homem de Figueiredo, Cosme Damião (capitão), Artur José Pereira e Francisco Belas Imagem retirada da página 216 do volume I da História do SL Benfica 1904-1954 de Mário de Oliveira e Rebelo da Silva

Mais uma "internacionalização" frente a franceses
Por iniciativa do CS Império, para jogar no seu campo de Palhavã, veio a Lisboa, no final do ano o Racing Clube de França (que impressionou tanto um sportinguista - Salazar Carreira - que este decidiu copiar a camisola do equipamento para o râguebi do SCP e depois deste para o futebol!). O Racing CF foi anunciado como "o melhor dos clubes que alguma vez jogaram em Portugal". Com três jogos em quatro dias só o Benfica se atreveu a fazer um "mano-a-mano" com os franceses. E conseguiu-se o único empate dos portugueses: em 25 de Dezembro o misto CS Império/ Sporting CP, em versão 4 + 7,  foi derrotado (D 1-3) e em 28 de Dezembro a selecção da AFL (6 SLB + 4 SCP + 1 CIF, o guarda-redes) foi derrotada por 2-4. Em 26 de Dezembro o Benfica, com Álvaro Gaspar na meia-direita, empatou a três golos, com o Benfica sempre em vantagem: 1-0, 2-1 e 3-2! Segundo a imprensa da época "Serras e Gaspar jogaram mal" Florindo Serras jogou a extremo-direito. No 2-1, Álvaro Gaspar recebeu a bola de Alberto Rio (extremo-esquerdo) e passou-a ao avançado-centro Luís Vieira "que a levou no peito entrando com ela pelas redes"! Com este resultado o "Glorioso" cimentou a aura dourada (Áurea) de "melhor equipa portuguesa contra equipas estrangeiras, como que se empolgando".


A equipa que defrontou o Racing Clube de França, em 26 de Dezembro de 1912. Da esquerda para a direita: Florindo Serras, Álvaro Gaspar, Carlos Homem de Figueiredo, Cosme Damião (capitão), Henrique Costa, José Domingos Fernandes, Luís Vieira, Artur José Pereira, Augusto Paiva Simões, Francisco Belas e Alberto Rio Imagem retirada da separata entre as páginas 160 e 161 do volume I da História do SL Benfica 1904-1954 de Mário de Oliveira e Rebelo da Silva

Novo Campo, Sede e Ginástica em 1913
O Clube passou de Benfica para a Baixa. Primeiro, logo em 1 de Janeiro de 1913,  no 3.º andar do n.º 61 da rua Garrett. Foi possível abrir, logo em Janeiro, uma nova secção desportiva: a Ginástica. Já lá vão mais de 101 anos! Depois mudou-se para a Praça D. Pedro IV. Do lado esquerdo do 2.º andar do n.º 30 no Rossio, já em 4 de Agosto de 1913. E em 1 de Janeiro arrendou-se uma quinta agrícola, junto a Sete Rios, na Estrada de Palhavã n.º 24, actual rua Professor Lima Basto para construir um campo de jogos. E mais alguma coisa...


O actual Hotel Metrópole no Rossio onde esteve a segunda Sede do Glorioso na Baixa de Lisboa
Janeiro de 1913
No primeiro domingo do primeiro mês de 1913 (5 de Janeiro) jogaram todas as categorias, menos a 2.ª! Álvaro Gaspar foi escolhido para jogar na meia-direita frente ao Sporting CP na 1.ª jornada do campeonato regional para 1.ªs categorias. No campo do Sporting CP, no Sítio das Mouras, um resultado de zero-a-zero. Em 12 de Janeiro a 2.ª categoria continuava a somar vitórias com Álvaro Gaspar a avançado-centro desta vez frente ao Internacional, na 3.ª jornada. Em 19 de Dezembro apenas jogaram a 3.ª e a 1.ª categoria. Mas... 26 de Janeiro foi um grande dia. Jogaram as quatro categorias e só vitórias. A 4.ª, 3.ª e 2.ª para o Regional e a 1.ª frente ao Madrid FC, actual Real Madrid CF. No jogo da 2.ª categoria, Álvaro Gaspar actuou como avançado-centro, em Palhavã, frente ao GD Luz Soriano para a 4.ª jornada. Mas não houve jornada por falta de comparência do adversário. Depois foi correr para o Sítio das Mouras, no Lumiar para mais um jogo...


"Dar sete" ao Real Madrid...
A convite do triunvirato - SLB, CIF e SCP - deslocou-se a Lisboa o Madrid FC para três jogos: em 23 de Janeiro empate a um golo com o Internacional, nas Laranjeiras; e em 25 de Janeiro o Sporting CP venceu por 4-3, no Sítio das Mouras. Em 26 de Janeiro coube ao Benfica, sem campo, defrontar o clube madrileno no campo do Sítio das Mouras. Resultado 7-0, com 3-0 ao intervalo! Com o "Cacha" na meia-direita a marcar dois golos. O jogo previsto para as 14.30 horas só começou pelas 15.27 por "culpa" dos madridistas. Quem deve ter gostado foi Álvaro Gaspar a recuperar o fôlego do jogo anterior e da viagem de Palhavã para o Lumiar.

A equipa do Real Madrid CF (então Madrid FC) em Lisboa (Sítio das Mouras) adversário do "Glorioso" em 26 de Janeiro de 1913. Resultado: 7-0!
... e ir ganhar a "Taça" ao Porto
Aproveitando o Carnaval ser em 4 de Fevereiro, o FC Porto organizou um torneio, com quatro clubes, a pontuar, entre 31 de Janeiro e 2 de Fevereiro para inaugurar o seu novo espaço desportivo na Constituição. Álvaro Gaspar jogou na meia-direita nos três jogos, marcando dois golos ao Oporto CC. Em 31 de Janeiro vitória por 8-2 com o Oporto CC. Em 1 de Fevereiro vitória por 3-1 frente ao FC Porto. Pelo comportamento do público Alberto Rio, Luís Vieira e Álvaro Gaspar foram os futebolistas que mais entusiasmaram. Em 2 de Fevereiro o jogo que decidiu a posse do valioso troféu, colocando em contenda o SL Benfica e o Vigo FC. O "Glorioso" venceu por 1-0. Mesmo que os espanhóis tenham pedido a dois futebolistas que ficaram em Vigo para reforçarem a equipa para este jogo depois de verem o "Glorioso" jogar nos outros dois...

O FC Porto vs SL Benfica, no Porto, na inauguração do campo da Constituição em  1 de Fevereiro de 1913, na vitória por 3-1. Quase 50 anos depois, em 28 de Maio de 1952 o Benfica voltou a ser convidado para inaugurar o estádio das Antas. Resultado um pouco maior: 8-2!


Fevereiro e Março de 1913
Entre o Carnaval e a Páscoa (23 de Março) prosseguiram os campeonatos regionais. Álvaro Gaspar fixou-se a avançado-centro da 2.ª categoria fazendo no que restava do campeonato o lugar "com muito acerto"! Em 16 de Fevereiro, na 5.ª jornada, o Lisboa FC foi derrotado no seu campo do... Campo Grande. Em 2 de Março, na 6.ª jornada (última da primeira volta), o Sporting CP empata o jogo. Só quinze dias depois começou a segunda volta. Em 16 de Março, nas Laranjeiras, o "Glorioso" derrota o CS Império. E no domingo seguinte (23 de Março) na 7.ª jornada é o GS Cruz Quebrada que testa a capacidade de ganhar da 2.ª categoria do SLB. E em 30 de Março, na 8.ª jornada, em Palhavã, segue-se o Internacional. O título estava próximo. Entretanto havia "outros assuntos" a resolver...

O Benfica venceu o Torneio na inauguração do campo da Constituição, em Fevereiro de 1913. Da esquerda para a direita: José Domingos Fernandes, Paiva Simões, Luís Vieira, Carlos Homem de Figueiredo, João Reis, Cosme Damião (capitão), Álvaro Gaspar, Henrique Costa, Artur José Pereira, Alberto Rio e Francisco Belas Imagem de "Os Sports Ilustrados" legendada por mim e ratificada pelo "perito" Victor João Carocha

Os ingleses ficaram deslumbrados
O êxito da vinda do Madrid FC (actual Real Madrid CF) fez os três principais clubes de Lisboa abalançarem-se numa iniciativa ainda mais arrojada. Fazer deslocar a Lisboa o mítico (e inacessível) futebol inglês através de um clube que conquistara em 1911/12 a Liga dos Amadores do Sul de Inglaterra, o New Cruzaders FC. Além disso (e não era pouco!) o clube inglês vencera o campeão francês (Estrela de Dois Lagos FC, por 2-0) e o espanhol (FC Barcelona, por 2-0 e 3-1). Uma digressão, em Lisboa, para uma série de cinco jogos.

RESULTADOS DO NEW CRUZADERS FC EM LISBOA
Data
Campo
Res.
Adversário
23.Março
Laranjeiras
V 5-0
Clube Internacional Futebol
25.Março
Sítio Mouras
V 12-0
Sporting CP
27.Março
Laranjeiras
V 6-0
SL BENFICA
29.Março
Sítio Mouras
V 7-1
Misto inglês Lisboa/ Carcavelos
30.Março
Laranjeiras
V 3-0
SL BENFICA *
NOTA: * Em substituição de um Misto Português que não foi possível organizar

O Benfica acabou por fazer dois jogos frente aos ingleses. No primeiro Álvaro Gaspar actuou na meia-direita. Não há referências à sua exibição. Mas para o segundo jogo tudo mudou. Até Álvaro Gaspar jogou como avançado-centro. Quando se soube que era o Benfica a defrontar, pela 2.ª vez, os ingleses acorreram às Laranjeiras mais de seis mil pessoas. Nunca se vira tanta gente à volta de um jogo de futebol! João Veloso, um dos espectadores presentes conta o seguinte: «O Benfica teve a glória de, jogando com um "team" de tal classe e respeito, ter sido vencido apenas por 0-3. Foi nessa tarde, grande e monumental, para o nosso orgulho de jogadores e portugueses que assistimos ao espectáculo, nunca presenciado, de vermos ao colo, em gesto apoteótico, pelos jogadores ingleses, até ao balneário, o imortal jogador da bola que se chamou Álvaro Gaspar, o célebre "Chacha". A multidão, emocionada, delirava, de pasmo. Este facto há-de ficar na história do futebol português como um dos mais memoráveis.»


Os magníficos ingleses do New Cruzaders FC, fotografados no campo do Sítio das Mouras, em Lisboa, perceberam como um "dez réis de gente" podia ter sucesso num Mundo de Atletas de "músculos e peito firme". Virtuosismo com a bola nos pés!

O Conde do Restelo sempre na vanguarda
O Conde do Restelo, proprietário da Farmácia Franco, em Belém, continuava a ser benemérito do Clube como ilustra a propósito desse "jogo da multidão" Daniel Santos Brito, um dos 24 fundadores residentes em Belém, funcionário da Farmácia Franco e um dos três primeiros dirigentes do "Glorioso" secretário da Comissão Administrativa escolhida em 28 de Fevereiro de 1904: «Lembro-me de que a rapaziada (de Belém) ia cheia de alegria para o desafio, e grande parte do nosso "onze" foi transportado pelo Conde do Restelo, num automóvel "FIAT", muito grande, que ele tinha e que causava admiração naquele tempo.» (publicado no n.º 774 do semanário Ecos de Belém, em 11 de Novembro de 1950)

Um modelo igual ou muito semelhante a este do infante D. Afonso denominado pelo Povo de "Arreda". O Benfica - a sua Gloriosa História - dava um fime... um filme dos bons

A 2.ª categoria sem Álvaro Gaspar
Conquistada a titularidade na 1.ª categoria, o "Chacha" já não participa nas três jornadas finais - 13, 20 e 27 de Abril - da consagração da 2.ª categoria que recupera o título que a burocracia tinha retirado em 1911/12.

Entretanto Álvaro Gaspar
Em 12 de Abril, sábado, surge na Imprensa a convocatória dos futebolistas da AFL a serem seleccionados para jogar no Brasil no Verão de 1913. E Álvaro Gaspar... não consta! Mas acabaria por ir!


A carta escrita em 17 de Abril de 1913 para um dos seleccionados a jogar no Sporting CP e um dos oito ex- Sport Lisboa que em Maio de 1907 rumaram ao clube do Lumiar: Cândido Rosa Rodrigues

Titular na 1.ª categoria
Numa competição com oito jornadas, o campeonato regional da 1.ª categoria, reiniciou-se no segundo domingo de Abril. Das quatro jornadas da segunda volta Álvaro Gaspar apenas não jogou a última... mas também ninguém jogou! Em 13 de Abril, Álvaro Gaspar, na meia-direita, marcou um golo ao Sporting CP (V 3-1, nas Laranjeiras, na 5.ª jornada). Segundo as crónicas: «somente Álvaro Gaspar se notou como jogador de primeiro plano.» Em 27 de Abril, continuou na meia-direita frente ao CS Império (V 3-0, nas Laranjeiras, na 6.ª jornada). Faltavam duas jornadas mas só faltas de comparência, o que seria inédito na 1.ª categoria do SLB, impediriam o "Glorioso" de conquistar o bicampeonato regional. Álvaro Gaspar sagrou-se campeão regional, na mesma temporada, em duas categorias: 1.ª e 2.ª!

Uma Grande Escola de Futebol
A temporada de 1912/13 foi a melhor das nove já concluídas pelo Benfica, desde 1904/05. E uma das melhores de sempre em 110 anos de Gloriosa História.

CLASSIFICAÇÕES DO SL BENFICA NOS RESPECTIVOS CAMPEONATOS REGIONAIS
Resultados
1.ª
categoria
2.ª
categoria
3.ª
categoria
4.ª
categoria
Total
Classificação
V
V
V
3.º
--
Pontos
15
22
32
20
--
Jornadas
8
12
16
16
52
Vitórias
7
10
16
9
42
Empates
1
2
0
2
5
Derrotas
0
0
0
5
5
Golos marcados
22
42
31
34
99
Golos sofridos
4
7
5
9
25

Impressionante o modo como Cosme Damião implantou no Benfica uma capacidade vencedora ímpar. Quatro campeonatos, três títulos. Pela segunda vez em quatro épocas, depois de 1909/10. Três categorias invictas: a 3.ª só com vitórias (em 16 jogos). A 1.ª com um empate. A 2.º com dois empates. Só a 4.ª categoria destoou. Mas isso já estava a ser preparado para ser resolvido em... 1913/14. A temporada de "quatro-em-quatro"!

Exortação de António Ribeiro dos Reis, em 27 de Abril de 1947, publicada na edição seguinte do jornal "O Benfica"

A "rata mecânica" em Madrid
As excelentes exibições, em Lisboa, frente à Sociedade Ginástica de Madrid em 29 e 30 de Junho de 1912 (Álvaro Gaspar não jogou) e ao Madrid FC abriu o futebol da capital espanhola ao "Glorioso". Por isso não se recusou o convite destes dois emblemas madrilenos. No antigo espaço desportivo da capital de Espanha, o Parque O'Donnell, o "Glorioso" com Álvaro Gaspar na meia esquerda fez três jogos: em 15 de Maio, derrota por 1-2 frente ao (Real) Madrid FC; em 17 de Maio, vitória por 2-1, um golo da "rata mecânica" com a Sociedade Ginástica Espanhola; e no domingo em 18 de Maio vitória, desta vez por 2-0, frente a um misto dos dois clubes organizadores da digressão do Benfica. Pelo Real Madrid CF e pelo misto jogou como defesa à direita um tal... Bernabéu, Santiago de nome próprio! Os madrilenos ficaram "assombrados" como deu conta a imprensa (Heraldo de Madrid) espanhola da época e nos revelou, alguns anos depois, um notável jornalista chamado António Ribeiro dos Reis.

A equipa da digressão a Madrid, entre 13 e 20 de Maio de 1913. De cima para baixo. Da esquerda para a direita: os médios, Carlos Homem de Figueiredo, Cosme Damião (capitão) e Artur José Pereira;  os defesas, Romualdo Bogalho, Paiva Simões e Henrique Costa; os avançados, Herculano Santos, José Domingos Fernandes, Luís Vieira, Álvaro Gaspar (sem bigode) e Alberto Rio Imagem retirada da página 239 do volume I da História do SL Benfica 1904-1954 de Mário de Oliveira e Rebelo da Silva

Regresso a Lisboa e aos títulos
Em 25 de Maio a 1.ª categoria, com Álvaro Gaspar na meia-direita goleou por 5-1 o Lisboa FC na 7.ª jornada do Regional. Estava conquistado! Marcada para 22 de Junho, a última jornada frente ao Internacional não se realizou por este clube não comparecer. Benfica campeão, Internacional em 4.º e Sporting CP em 2.º! O "Dérbie de Lisboa" dava outro adversário para o "Glorioso"!

Comemorar o Dia de Camões com um mini-campeonato nacional
Numa fase embrionária do futebol português, apenas existiam três associações regionais: Lisboa, Portalegre e Porto. Não havia Federação. Só em 31 de Março de... 1914 passou a haver. Entretanto o Regime Republicano decidiu instituir o 10 de Junho como feriado nacional - Dia de Camões - promovendo várias iniciativas, entre elas a promoção do futebol, com a realização de um "torneio nacional a eliminar". Foram convidados os representantes do Porto (FC Porto que vencera a Taça Monteiro da Costa, pois ainda não havia campeonato no Porto) e uma selecção de Portalegre por se perceber que o futebol jogado não era muito "evoluído". Em Lisboa inscreveram-se três clubes, pois os aristocratas - Internacional e o Sporting CP - decidiram não colaborar com os republicanos. O Benfica venceu o troféu "Festas da Cidade" depois de afastar o FC Porto (V 1-0 em 8 de Junho, domingo), CS Império (V 8-0 em 11 de Junho) e na final o Lisboa FC (V 1-0, em 12 de Junho, véspera do feriado municipal). Álvaro Gaspar jogou os três jogos como avançado na meia-direita e marcou um golo ao CS Império.

Terminar 2012/13 com mais uma "internacionalização"
A convite do CS Império, Lisboa recebeu um clube francês para uma série de jogos no seu campo de Palhavã. O Benfica foi convidado. Em 24 de Junho registou-se um empate a um golo com Álvaro Gaspar na meia-direita. Isto a dois dias da partida da selecção de Lisboa para o Brasil. Com Álvaro Gaspar entre os futebolistas escolhidos!



A renda do segundo semestre de 1913 dos terrenos em Sete Rios. Recibo em nome do Dr. Lima que era o presidente da Direcção do SLB, o consagrado e prestigiado advogado Alberto Lima. A preparação do terreno continuava. Certamente que Álvaro Gaspar também andou por lá a ajudar

Entretanto construía-se um campo para o Clube
Em Sete Rios era grande a azáfama para transformar uma quinta agrícola num espaço desportivo, para haver campo antes do início da temporada de 1913/14. Como disse Rogério Jonet (ver EDB em 4 de Março de 2014) na entrevista.


Entrevista publicada em "O Benfica" de 15 de Dezembro de 1993

Chegou ao seu final 2012/13 com Álvaro Gaspar titular na 1.ª categoria. Abria-se o Mundo da Bola para o "Chacha". Por pouco tempo. A tuberculose seria fatal!


Alberto Miguéns

NOTA FINAL: Por dificuldades técnicas - impossibilidade por excesso de informação - para que resulte com eficácia (publicar fotografias e documentos a ilustrar os textos) "A Vida Desportiva de Álvaro Gaspar Numa Dúzia de Datas" está programada para os seguintes dias (coincidindo com efemérides relativas à relação de Álvaro Gaspar com o Clube):

PUBLICADO
1.       01.Mar.2014       O Último Jogo;
2.      05.Mar.2014      O Debutante;
3.      16.Mar.2014       O Crescimento;
4.      30.Mar.2014      A Resistência;
5.      09.Abr.2014       O Triunfo;
6.      10.Abr.2014       O Reservista;
7.      29.Abr.2014       A Titularidade;
8.      30.Abr.2014       A Internacionalização;
9.      06.Mai.2014       A Ficha;

A PUBLICAR
10.    09.Mai.2014       O Brasil;
11.     10.Mai.2014       A Derradeira Glória;
12.     03.Set.2014        A Última Época;
13.     05.Set.2014        O Legado  

Aquando do 100.º aniversário do seu falecimento, em 3 de Setembro de 2015, conto fazer um "Especial" que junte os 13 textos e mais algum ou alguns se entretanto os tiver feito!  


Plano para Maio
(Previsão sempre à meia-noite):
De 06 para 07: As cinco finais da Taça da Liga;
De 07 para 08: E depois de Leiria!; 
De 08 para 09: Álvaro Gaspar (10.ª parte de 13);
De 09 para 10: Álvaro Gaspar (11.ª parte de 13);
De 10 para 11: Chegou ao final o 80.º;
De 11 para 12: A Maior Fábrica de Campeões: campeonato nacional (actualizado);
De 12 para 13: Álvaro Gaspar (12.ª parte de 13);
De 13 para 14: As 12 Finais Europeias do Glorioso;
De 14 para 15: E em Turim?;
De 15 para 16: Gostava Tanto Que...;
De 16 para 17: Eu Benfiquista no Museu do FCP by BMG (parte II);
De 17 para 18: As 38 Finais na Taça de Portugal;
De 18 para 19: E no Jamor a 39.ª Final?
De 19 para 20: Gostava Tanto Que...
De 20 para 21: Eu Benfiquista no Museu do FCP by BMG (parte III)

      




14 comentários
comentários
  1. isto é um artigo à Benfica. um precioso relato de um fragmento valioso da história do Benfica, prestando homenagem àquele que foi porventura a primeira estrela do futebol português, ao mesmo tempo que desmascara com factos e prova documental certas pretensões que por aí proliferam de alguns que têm tanto respeito pela verdade histórica como pela desportiva. bem haja

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  2. Anónimo6/5/14 12:47

    No último "titulo" a data não será antes 1912/13?

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    1. O último título será em 1913/14!

      Evocação daqui a uns dias

      Alberto Miguéns

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  3. como sei que gosta de ser rigoroso e sem maculas só dois pequenos reparos no paragrafo "Comemorar o Dia de Camões com um mini-campeonato nacional" que tem duas incorrecções o 10 de junho na altura dos factos não era feriado nacional, esse dia ao que eu sei só passou a feriado nacional já no estado novo, era sim feriado municipal da cidade de lisboa, em memoria de camões, que desse modo não poderia ser novamente feriado municipal no dia 12 de junho como se refere no mesmo paragrafo.

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    1. Caro João Carlos

      Agradeço esse esclarecimento. Tomei como válida a informação de Mário de Oliveira na História do Benfica, volume I, página 243, onde escreveu: "Designado o dia 10 de Junho para Feriado Nacional, em homenagem ao grande épico Luís de Camões, houve, em 1913, a preocupação de promover nessa data Festas da Cidade."

      Sendo ele contemporâneo dessa data, e não tendo influência directa na História do Clube, por se ter realizado o jogo (este facto confirmei com Imprensa da época) independentemente do dia ser feriado ou não, transmiti a informação que li na História do Benfica. Mas rigor é rigor. E deve ser sempre tido em consideração.

      Mais uma vez obrigado

      Gloriosas Saudações Benfiquistas

      Alberto Miguéns

      NOTA: 12 de Junho é noite de Santo António pois o feriado é a 13 de Junho (já corrigi)

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  4. Longo o artigo? Claro que não !!!
    A mim,soube-me a pouco. Ler a história do nosso Glorioso alegra-nos o coração, alimenta-nos a alma e estimula-nos a MÍSTICA!!!

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  5. Caroa Alberto,
    um novo artigo de profusa e excelente informação com a sua enorme capacidade analítica e contextualização histórica. Um prazer de leitura.

    Tenho dois conjuntos de tópicas. Algumas são questões outras observações. Agradeço antecipadamente comentários às que julgue oportuno responder. Um grupo é relativo a Álvaro Gaspar e outro relativo a outros detalhes.

    Sobre Álvaro Gaspar:

    1 - A caricatura de Álvaro Gaspar é da autoria de quem? Não consigo discernir a assinatura.

    2 - Nesses anos na primeira equipa dá ideia que os avançados centro eram primariamente Luis Vieira e José Domingos Fernandes. Vieira e Fernandes eram bem mais altos que Gaspar e Rio (por sinal o mais baixo de todos). Tinha aliás a ideia que Fernandes, até pela sua compleição física era preferencialmente o avançado centro. Mas de facto olhando para os alinhamentos constantes das fotografias em que José Domingos Fernandes alinhou na mesma equipa com Vieira parece-me que Fernandes está sempre ou na meia direita ou na meia esquerda. Vieira seria assim o titular desse lugar. Seria provavelmente uma questão de estatuto e talento. Luis Vieira chegou a jogar no Botafogo do Rio de Janeiro, fruto da digressão ao Brasil de 1913. Os brasileiros não apanharam Artur José Pereira mas apanharam Viera... O seguinte - presumo - seria só Rogério Pipi na década de 50... Também Álvaro Gaspar nas fotografias aparece muitas vezes ou na meia direita ou na meia esquerda. Como avançado centro aparece mais na 2ª categoria. Curiosamente o que parece ter posição mais fixa é Alberto Rio que parece ser sempre o avançado do lado esquerdo (presumo que naquele tempo não haveria outra designação e muito menos "extremos").

    3 - Uma pena que o episódio de Gaspar ser levado em ombros não ter ficado imortalizado. Seria uma imagem maravilhosa. Na mesma linha da admiração alheia, o termo madrileno: o "rata mecanica". Acho um termo genial! Quem sabe as glórias que Gaspar ainda nos teria dado se não tem morrido? Esses "ses" desgraçados de que a história está cheia. E a história do Benfica não é exceção.


    Notas diversas:

    a - Desconhecia o detalhe da camisola do Racing Clube de França ter inspirado aquelas camisolas listadas verde e brancas do SCP. No site afecto ao SCP é dito (sobre Salazar Carreira) "também a ele se deveu o aparecimentos das camisolas listadas a verde e branco, ..., modelo inspirado no equipamento do Racing Clube de France (listado a azul e branco) que Carreira trouxera duma visita a Paris".

    b - Tinha ideia que o declínio do CIF tinha sido causado pela I Guerra Mundial e a consequente perda dos jogadores ingleses que integravam a sua equipa principal mas afinal iniciou-se logo a partir de 1912/13.

    c - Mais uma observação certeira que faz quanto à fábula FCP-1893. Na mouche!

    d - A julgar pela fotografia a cabazada de 8-2 no Porto foi um jogo em condições climatéricas complicadas. Chuva de água e golos...

    e - Curioso, não sabia que o campo do Lisbon FC era no Campo-Grande. Se calhar no mesmo lugar do campo que depois foi do SCP e do Glorioso.

    f - fiquei curioso quanto ao FIAT do Conde do Restelo. se calhar era similar a este modelo de FIAT mod. 4, de 1911, com seis lugares. http://www.museoauto.it/website/images/stories/collezione/fiat_mod_4_1911.jpg
    Imponente.

    g - a presença da selecção de Portalegre no torneio das festas republicanas teve concerteza influência do grande Leopoldo Mocho que lá esteve a trabalhar durante um período da sua vida e lá deixou marca (desportiva).


    Com estes artigos o Alberto está a recuperar para a consciência colectiva Benfiquista a memória de uma figura tão querida como Álvaro Gaspar. Muito obrigado!

    Saudações Benfiquistas
    VJ

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    1. Caro Victor João

      Vou responder aquelas questões que sei com facilidade (de cor, em bom português!)

      1. Também não sei o nome, mas já a vi - tenho ideia a preto e branco - num jornal ou revista da época. Se um dia tropeçar nela deve ser possível saber o nome do artista que a fez e fez muito bem;

      2. Vou deixar - tenho de consultar a Base de Dados - para depois os números e épocas por posição. Posso é indicar a ideia de Cosme Damião (livro Apontamentos Sobre Football Association) quanto aos avançados:

      Pontas ou extremos - Rápidos com boa técnica, capacidade de passar para o interior do campo sem necessidade de parar (centrar em corrida); (NOTA: Geralmente eram baixos correndo bem)

      Meias-pontas ou meios-avançados - Fortes fisicamente, resistentes com compleição para ajudar os médios e outros avançados. Fortes tacticamente com boa leitura de jogo para saber se devem ajudar no meio-campo ou no ataque;

      Avançado-centro - Capacidade para chutar à baliza sem necessidade de preparar o remate (espontâneo). Temerário; Saber não estar fora-de-jogo (NOTA: nesse tempo era mais difícil pois tinham de estar três adversários) Não ter medo de encostar nos defesas ou guarda-redes; (NOTA: num tempo em que não havia pequena área)

      3. Acredito no seguinte: Ainda não se viu uma fotografia do momento!

      e - Exacto. Campo Grande (Lisboa FC 1912 - 1917; Sporting CP 1917 - 1937; Benfica 1941 - 1952, jogos oficiais e treinos + categorias inferiores até 1973)

      g - Exacto. Grande impulsionador do futebol e Associação. Por isso a AF Portalegre é a segunda do país depois da AFL.

      Gloriosas Saudações Benfiquistas

      Alberto Miguéns

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  6. 1907/08

    Luís Vieira (LV) - 9: MD (7) DD (1) ME (1)

    1908/09

    LV - 10: MD (8) ME (1) DE (1)

    1909/10

    LV - 13: AC (7) meiaD (2) DD (2) DE (1) mE (1)

    1910/11

    José Domingos Fernandes (JDF) // 17: mD (6) AC (4) mE (4) ED (2)

    Luís Vieira (LV) // 16: AC (9) mD (2) MD (2) mE (1) DD (1) DE (1)


    1911/12

    JDF - 16: mE (8) AC (3) ME (3) EE (2)

    LV - 24: AC (22) mD (2)


    1912/13

    JDF - 28: mE (16) ME (8) mD (4)

    LV - 29: AC (26) mD (2) ED (1)

    1913/14

    JDF - 12: ME (6) mD (2) ED (2) AC (1) MD (1)

    1914/15

    JDF - 1: ME

    1916/17

    LV - 13: AC (8) mD (5)

    1917/18

    LV - 4: AC (2) mD (2)

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  7. Rectificação

    1917/18

    LV - 3: AC (3) mD (1)

    1918/19

    LV - 1: mD (avançado-meia-Direita ou meia-ponta-direita)

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  8. Obrigado pela informação.
    Mostrou-nos que Luis Vieira teve um percurso notável por vários motivos. Longo, polivalente e com talento pois sem isso as duas anteriores virtudes não se verificariam. Oito anos e dois de interregno no Brasil. Notável, principalmente para a época. À medida que os anos avançaram foi-se fixando como avançado centro provavelmente fruto de menor mobilidade mas também de talento mais apurado. Já vi algumas informações da sua presença no Botafogo. Infelizmente escassas mas deu para perceber que mostrou talento. Quando regressou já o Chacha estava morto.

    José Domingos Fernandes teve também um bom percurso mas, como demonstra, poucas vezes como AC. Esteve também no Brasil mas presumo que não terá jogado tanto. Aparenta ter sido um jogador raçudo. Penso ter lido que vingou o seu capitão (Cosme Damião) que tinha ficado sem sentidos vítima de um Espanhol. Acho que esse "hermano" no final do jogo já não teria os dentes. Parece que JDF lhe deu azar...

    Saudações Benfiquistas
    VJ

    ps: aí está a segunda das quatro festas! Zero golos sofridos. Limpámos mais uma taça da liga.

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    1. Caro Victor João

      O José Domingos Fernandes foi colocado em Coimbra devido ao emprego. Penso que era funcionário público e o seu local de trabalho dependia de onde era necessário. O Conde do Restelo e o Benfica pagaram-lhe várias viagens e alojamento em Lisboa para poder reforçar a equipa.

      Nos anos 80 conheci um conimbricense (foi-me indicado como a pessoa mais antiga de Coimbra que jogou futebol) que se tornou Benfiquista pelo facto de José Domingos Fernandes ter criado em Coimbra uma filial - Sport Lisboa e Coimbra - que "podia não conquistar campeonatos regionais, mas jogava o melhor futebol com o equipamento mais bonito"!

      Gloriosas Saudações Benfiquistas

      Alberto Miguéns

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  9. NOTA: Faltam dois troféus em 2013/14. E um deles (Liga Europa) permitirá decidir mais um (Supertaça Europeia) em 2014/15.

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  10. Emociona-me muito ver expressões de pura e sincera paixão Benfiquista. Acabei de ver algumas na televisão e este ano já vivi directamente uma no Marquês. Espero lá voltar na próxima semana.

    Esses Benfiquistas anónimos espalhados por Portugal e por esse mundo fora. Anónimos e apaixonados Benfiquistas que se veem forçados a emigrar por vicessitudes da vida e pela desgraçadamente histórica e irremediável incapacidade de governarmos este país para evitarmos a sangria cíclica dos nossos filhos para o exterior.
    Desses nossos gloriosos e ilustres pioneiros já sei de dois que por onde passaram deixaram marca, Leopoldo Mocho em Arronches, Portalegre e José Domingos Fernandes em Coimbra. Eram casapianos e penso que muitos outros tiveram esse papel de dinamizar desportivamente os locais para onde as necessidades profissionais os levaram. Anónimos e outros menos anónimos, todos apaixonados Benfiquistas. Celebrando o seu querido Benfica.

    Saudações Benfiquistas
    VJ

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